Spurgeon
“O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta, como do seu próprio
proceder, o homem de bem” (Provérbios 14:14).
Muitas
vezes ele está bem no espírito, mas doente na carne; com frequência está cheio
de dores, mas perfeitamente satisfeito. Ele pode ter uma doença incurável que
ele sabe que encurtará e no fim acabará com sua vida, mas ele não procura
satisfação nesta pobre vida, ele traz dentro de si aquilo que ele cria a
alegria imortal: O amor de Deus derramado em seu espírito pelo Espírito santo
exala um perfume mais agradável que as flores do paraíso. A fartura do texto
está em parte em que o homem de bem independe do que o cerca.
Ele também
independente dos elogios dos outros. O infiel se sente bem porque o pastor e os
amigos cristãos têm um bom conceito dele, mas o cristão genuíno que vive perto
de Deus dá pouco valor à opinião das pessoas. Sua preocupação principal não é
com o que os outros pensam dele; ele tem certeza de seu um filho de Deus, ele
sabe que pode dizer: “Aba, Pai”. Ele se alegra que para ele a vida é Cristo e a
morte é lucro; por isso ele não precisa da aprovação dos outros para sustentar
sua confiança. Ele corre sozinho e não precisa ser carregado como uma criança
doentia. Ele sabe em que creu, e seu coração repousa em Jesus. Por isso ele está
satisfeito, não por causa das ou trás pessoas e do julgamento delas, mas “do
seu proceder”.
Além disso,
o cristão está contente com a fonte que jorra água da vida que o Senhor colocou
dentro dele. Ali, meus irmãos, no alto dos montes eternos, está o reservatório
divino da graça todo-suficiente, e aqui em baixo em nossos peitos está a fonte
que borbulha para a vida eterna. Ela tem jorrado em alguns de nós nestes vinte
e cinco anos, e por quê? O grande segredo é que há uma conexão desimpedida
entre a pequena fonte dentro do peito renovado e o vasto lençol freático (os
imensos reservatórios subterrâneos de água) de Deus; por isso a fonte nunca
seca, no inverno e no verão não para de fluir. Agora, se vocês me perguntarem
se não estou satisfeito com a fonte em minha alma, alimentada da todo-suficiência
de Deus, eu digo que não, não estou. Se vocês, caso fosse possível, cortassem a
ligação que há entre a minha alma e meu Senhor, eu entraria em desespero. Como
ninguém pode me separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor,
estou satisfeito e tranquilo. Somo como Naftali, que “goza dos favores” e está “cheio
da bênção do Senhor”. (Deuteronômio 33:23).
No coração
do homem de bem está a fé, e ele está satisfeito com o que a fé lhe traz,
porque lhe proporciona o perdão total dos seus pecados. A fé o traz para mais
perto de Cristo. A fé faz com que ele seja adotado na família de Deus. A fé lhe
garante a vitória sobre as tentações. A fé lhe dá tudo o de que ele precisa. Ele
descobre isso ao crer que tem todas as bênçãos da aliança para cada dia. Esta
graça rica realmente o deixa farto. O justo vive pela fé.
Depois da
fé, ele tem outra graça que o satisfaz chamada esperança, que lhe revela o
mundo futuro e lhe dá segurança de que quando adormecer, dormirá em Jesus, e
que, quando acordar, reviverá semelhante a Jesus. A esperança o alegra com a
promessa de que seu corpo ressuscitará e que, em sua carne, verá a Deus. Essa
sua esperança escancara-lhe as portas de pérolas, desvenda as ruas de ouro e
deixa ouvir a música dos harpistas celestiais. Com certeza pode-se ficar
satisfeito disto. (continua)
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