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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (10 de 10)



“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação” (ROMANOS 10:1)
EXAMINANDO O TEXTO
        Para finalizar creio que é bom vermos de perto o texto em Romanos 10:1, porque Paulo está tratando sobre Israel. A tendência de muitos evangélicos é achar que o povo judeu ainda é o povo de Deus e vejo até mesmo um tipo de idolatria quando se fala sobre a nação de Israel. O povo judeu é como qualquer outro povo; é como os gentios no mundo inteiro. Os judeus estão na classe dos condenados, nascidos em Adão e herdeiros do inferno, como qualquer outros. Paulo, na inspiração do Espírito viu as coisas assim. Ele contemplava os judeus crentes como os que tinham a mesma fé proveniente de Abraão.
        Ora, Jesus deixou isso claro para judeus no capítulo 8 de João, porque aquele povo achava que eram herdeiros do Paraíso celestial; acreditavam que iriam morar com o pai Abraão após a morte. Nosso Senhor ousou cortar esse engano dos seus corações. Nosso Senhor não hesitou em chama-los de “filhos do diabo” (João 8:44) e que estavam prontos para fazer a vontade desse pai deles e a prova estava no fato que eles estavam prontos para matar o Senhor e só não o fez porque não havia chegado a ocasião certa. Paulo entendia assim, por isso foi escrito o impressionante capítulo 9 de Romanos. Mas a intensidade do amor de Paulo em favor do seu povo só aumentou. Foram os líderes de Israel que incitaram uma mortal perseguição contra o apóstolo, a fim de extirpa-lo da face da terra; Paulo foi desterrado por causa da fúria do seu povo e por amor ao Senhor a quem ele tanto perseguiu (Atos 9).
        Como Paulo mostrou essa compaixão por Israel? Essa disposição foi mostrada pelas suas orações incessantes. Paulo desejava que seu povo fosse salvo. No capítulo 9 ele mostrou que estava pronto a ser um maldito de Deus por amor ao seu povo. Que postura! A misericórdia em nossas vidas nos leva a entender o que ocorreu com Cristo na cruz. Nós estaremos prontos a ver a situação de cegueira, dureza de coração e rebelião contra Deus. A misericórdia faz com que nós vejamos que somos semelhantes a eles, que eles vão morrer em seus pecados e que precisam escapar da punição eterna. O que podemos fazer em favor deles. O termo usado por Paulo em Romanos 10 para oração é a palavra grega deêsis. Esse termos mostra que havia boa vontade de Paulo para isso; que não havia preguiça nele, que ele não se acomodou em seu canto.
        Outro detalhe importante é que na misericórdia não estaremos indo contra Deus em Sua soberania. A misericórdia invoca o perdão de Deus; o tom da misericórdia mostra que a pessoa encara o coração misericordioso e tenta de tudo; há um “quem sabe!” da parte daquele que mostra misericórdia. É por meio da misericórdia que invocamos uma visitação de Deus ao nosso povo e que faz com que Deus desça em Sua compaixão e dê mais tempo de Sua graça.
        O povo de Deus é o povo chamado de misericordioso, porque alcançou misericórdia e posso assegurar que é essa misericórdia que faz a glória de Deus brilhar neste mundo; é a mão de misericórdia que segura a mão de Deus armada com o cutelo da Sua ira. Podemos nós usar de misericórdia em nossos dias? Há esse sentimento em nós? Queremos o bem eterno dos perdidos? Estamos prontos a lutar por eles em oração e santa intercessão? Que o Senhor nos livre desse espírito mundano que tanto tomou o coração do povo chamado evangélico, quando muitos querem desfrutar o conforto daqui, sentindo que estão indo para o céu.










quinta-feira, 28 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (9 de 10)


                        
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
COMPAIXÃO E PUNIÇÃO – EQUILÍBRIO CRISTÃO.
        Notemos que a compaixão é uma visão do Deus-Homem, de como Ele vê o homem. Foi nesse espírito de intensa compaixão que nosso Senhor viu a multidão. É dito que Ele a viu como ovelhas sem pastor, errantes. Foi nesse espírito que queimava Seu coração de misericórdia que nosso Senhor se entregou, a fim de usar cada dia em benefício dos homens. Ele odiava a religiosidade aparente; elementos que usavam a religião como mecanismo para fazer o povo sofrer, assim como faziam os fariseus, os quais criavam cargas pesadas, a fim de por sobre os ombros de um povo sofrido. Foi por isso que Ele usou o verso de Miquéias: “Misericórdia quero e não sacrifícios”, para que eles pudessem entender o que é o sofrimento de uma raça caída no pecado.
         Foi nesse espírito que Ele convidou a multidão, com Seu famoso “Vinde a mim!” do capítulo 11 de Mateus. Nosso Senhor viu como satanás usava a religião e a política para fazer do povo os “burros de carga” deles. Como eles não tinham descanso nem no corpo nem na alma. Por isso o Senhor se postou como um manso animal – um boi – e convidou os pecadores cansados e sobrecarregados para vir a Ele. Ele lhes disse que o jugo Dele era suave, e o fardo leve. Foi nesse espírito que ele se embrenhou na sociedade, pronto para servir os pecadores e sempre pronto para dar-lhes a paz, o perdão e reconciliação com Deus. O “Varão de dores”, que soube o que é padecer pode entender as lutas, sofrimentos e lágrimas dos homens. Que amor glorioso do Senhor!
        Será que nós, seres humanos caídos podemos estar cheios dessa compaixão do Senhor? Por natureza não somos assim. Por natureza estamos prontos a pisar sobre nossos semelhantes, porque na queda caímos nessa desgraça. Mas homens e mulheres salvos por Cristo podem conhecer as misericórdias de Deus em suas vidas. Basta uma compreensão do amor de Cristo para que venhamos ser tomados do mesmo amor. Se afastarmos da mensagem da cruz, logo cairemos na jogada carnal do egoísmo. Foi isso o que estava acontecendo nas igrejas da Galácia, porque aqueles irmãos estavam se desviando da graça para a lei. Por isso passaram, na linguagem de Paulo, a devorar uns aos outros. Na igreja de Corinto a mesma situação estava ocorrendo, porque desviaram da mensagem da cruz.
        Foi nesse vislumbre da misericórdia de Deus que homens deixaram o conforto de suas famílias e países, a fim de pregar o evangelho em lugares ermos e perigosos. Eles simplesmente ignoraram suas vidas e se entregaram à missão de anunciar o evangelho onde milhares jamais tinham ouvido. Muitos morrem nessa empreitada, mas muitos realmente conquistaram corações devido ao amor e compaixão de Cristo neles.  
        Temos essa mesma compaixão? Alguns conseguem ter uma visão de povos distantes, mas não conseguem ver ao seu derredor. Podemos nós olhar nossos vizinhos e a população perdida de nossa cidade? Nós somos semelhantes a eles; viemos da mesma queda; estamos sujeitos aos mesmos pecados que eles praticam; éramos ímpios e perversos como eles são. Eles estão indo para o inferno e nós estávamos indo para lá também. Por que não lutar por eles? Por que não amá-los? Por que não podemos ver além das aparências físicas e sociais, a fim de ver descendentes de Adão, escravos e condenados à perdição eterna?

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (8)


                      
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
COMPAIXÃO E PUNIÇÃO – EQUILÍBRIO CRISTÃO.
        Já mencionei um pouco a respeito de Moisés e aprenderemos com Ele como é que funciona a compaixão de Deus através do Seu povo. Se quisermos conhecer em nossas vidas o real significado na prática do que significa a compaixão de Deus, certamente devemos conhecer nosso Deus. O Deus da revelação bíblica só será conhecido por aquele que O ama e que se apega à Sua palavra. Quem não se interessa pelas letras sagradas será analfabeto no conhecimento de Deus, e é a partir dessa ignorância que vem outros absurdos no viver.
        Notemos bem o quanto Moisés conhecia o Senhor. Percebemos em suas palavras, assim que se posicionou em interceder pelo seu povo. Moisés viu perante si o Deus da aliança feita com Abraão; aliás, uma aliança feita totalmente pela Sua graça. Foi assim que aquele homem aproveitou dessa verdade para tocar no coração de Deus. Ora, ele sabia que perante ele estava o Deus Fiel, Aquele que não pode mentir e que mostrou que de fato estava ocupado com o povo da promessa – os descendentes de Abraão. Foi assim que Moisés usou argumentos que tocassem no maravilhoso, compassivo e amoroso coração de Deus. Notemos bem que Ele não ignorou a glória de Deus; ele não se posicionou contra os juízos de Deus, a fim de defender o povo. Ele apenas lidou com o fato que a aliança feita com Abraão foi derivada de Sua graça e compaixão por Israel e que isso foi provado pelo fato que o Senhor veio e libertou o povo da escravidão egípcia.
        Moisés em sua comunhão com Deus conquistou esse dom de Deus; tornou-se um homem cheio do Espírito, a fim de lidar com uma raça rebelde. Não temos em Moisés um herói humano, conforme o padrão buscado pelo mundo. Temos nele um homem que conheceu em sua vida o real significado da compaixão e que por isso entender a situação do povo. Vejamos bem que o Espírito de Deus concedeu-lhe uma liderança sábia, compassiva, mas também lhe deu um coração cheio de capacidade de julgar. Moisés sabia o que era amar a justiça, por isso foi ao coração de Deus, mas também sabia o que significava odiar a iniquidade, por isso tratou com o bezerro de ouro com inflamante ódio. Assim que se posicionou perante o povo, estava ali um homem disposto a tratar duramente o pecado de idolatria como deveria ser tratado.
        A compaixão de Deus não está separada do juízo de Deus. Um homem cheio de compaixão é também cheio de juízo. A santidade de Deus ordena que devemos amar a justiça e ter ódio da iniquidade. Muitos entendem compaixão de forma diferente, porque não passa de sentimentos humanistas. Eu vejo hoje como muitos compreendem evangelismo como atividade social, tendo dó dos que passam fome. Em nada é errado sentir dó dos que passam dificuldade financeira. Muitos homens de Deus lutaram para ajudar os necessitados. Mas isso pode não significar compaixão. Durante a jornada pelo deserto Moisés mostrou o que significava juízo e estava pronto a punir o pecado de elementos rebeldes. Às vezes a população ficava indignada com a punição de alguns, achando que Moisés e Arão estavam sendo cruéis com o povo. A compaixão dos homens é cruel, a compaixão de Deus habita sob o teto da Sua graça. A compaixão de Deus é livre para agir assim com quem Ele bem quiser, porque Ele é Deus.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (7)


                       
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
COMPAIXÃO E PUNIÇÃO – EQUILÍBRIO CRISTÃO.
        Pude tratar um pouco sobre o fato que a compaixão de Deus não é uma emoção sem equilíbrio. O mesmo Deus que opera com misericórdia no mundo, é o Deus que também opera em juízo e justiça (Jeremias 9:24). Vemos essa atuação de Deus mostrada em Salmo 136, num resumo histórico, mostrando o fato que Deus atua neste mundo em salvar e punir. O Deus que entrou no Egito para salvar Seu povo da fornalha de ferro, foi o mesmo Deus que sepultou Faraó e seu exército no mar vermelho. Tal verdade é de grande significado para nós, porque se desejarmos conhecer a compaixão de Deus em nossas vidas, certamente deveremos aprender que a misericórdia opera em meio ao juízo.
        Falo isso porque o mundo religioso pensa diferente, porque desconhece os atos de misericórdia de Deus. Vejamos esta religião moderna, onde o que prevalece é um amor sem qualquer vínculo com juízo e justiça. Percebe-se que onde se fala muito de amor, bondade, simpatia e outros atrativos da natureza humana, não há qualquer sinal de misericórdia. Atos compassivos são vistos em ambiente de guerra. Quando Napoleão passava com seus soldados em meio aos corpos de inimigos mortos, havia um deles que que ainda vivo pedia água. Napoleão ordenou que um dos soldados desse agua ao soldado inimigo. Mas quando Napoleão se descuidou um pouco, aquele moço empunhou a arma e atirou para lhe matar, mas a bala não o atingiu. Mesmo assim, Napoleão ordenou que lhe desse agua.
        Isso é apenas uma mera ilustração do que significa misericórdia no meio dos homens. Deus opera em guerra neste mundo, conforme o ensino do Salmo 7. Foi assim em Jericó, pois quando a mão de Deus estava erguida para destruir aquela população, eis que algo extraordinário aconteceu, pois ali uma mulher mostrou ser uma convertida ao Deus de Israel. É a belíssima história de Raabe, segundo a narrativa de Josué capítulo 2. Se anularmos essa verdade certamente não entenderemos na prática os termos: graça, amor, bondade, ternura e outras atividades provenientes da graça de Deus no meio dos homens. No mundo não há isso; o mundo desconhece compaixão. Quando Deus permitiu que Roboão, o rei de Judá caísse nas mãos do rei do Egito, foi para que aquele elemento rebelde soubesse a diferença entre um Deus compassivo e o horror de cair nas mãos dos homens (2 Crônicas 12:8).
        O rei Davi entendeu bem essa verdade, pois quando, contra a vontade Deus contou o número do povo de Israel, ao vir a proposta do castigo de Deus entre cair nas mãos dos inimigos ou cair nas mãos de Deus, preferiu imediatamente cair nas mãos do Senhor, porque, segundo ele, o Senhor era misericordioso, enquanto os homens não (2 Samuel 24). Foi essa diferença que notáveis homens de Deus perceberam quando se viram cercados pelas mãos cruéis de homens ímpios. Daniel sentiu essa verdade na Babilônia, por isso orou humildemente confessando a indignidade dele e do seu povo (Israel) e assim exaltou a magnificente atitude de misericórdia da parte do Senhor. Foi essa mesma verdade que era desconhecida do profeta Jonas, que tanto queria a destruição do povo ali em Nínive, por isso o livro dele encerra com grande lição acerca da poderosa atividade compassiva de Deus no meio dos homens.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (6)


                
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS BÍBLICOS.
        Percebemos que Neemias, sob a autoridade do rei, foi para Jerusalém movido pela intensa compaixão de Deus em relação ao Seu povo. Notamos como a compaixão que ferve num coração piedoso tem como fonte o coração de Deus. Quando é mera emoção, ela não possui um comando da fonte. Moisés sentiu compaixão pelo povo, mas percebemos que não foi natural dele; não ocorreu como quando matou o egípcio e o escondeu. Na compaixão acesa na alma, a pessoa busca o lugar de perfeita compaixão. Moisés entrou em ação, como se fosse um mediador. Neemias também, pois ele foi imediatamente ao Senhor; ele não tomou decisão por precipitação, a fim de fazer o que pensava fazer pelo povo. É aí que vemos o real sentido de compaixão pelos nossos semelhantes.
        A compaixão, quando vem de Deus ao coração, realmente trata-se de fortes e reais emoções, mas é uma emoção sob o controle do amor. Assim que chegou em Jerusalém Neemias não chorou mais; precisava entrar em ação e mover o povo para agir também. Quando é mero sentimento humano, a compaixão trabalha sozinha e é mais levada a buscar socorros passageiros. Neemias sempre mostrou ser um homem de Deus, humilde, capaz de enfrentar as duras oposições e buscar de Deus o socorro, porque sabia que aquela obra era de Deus e não dele. Notamos essa compaixão na vida dos grandes profetas do Senhor. Alguns deles pareciam ser homens de ferro, de personalidades fortes, mas o que vemos por detrás de tudo era que aqueles homens falavam ao povo, movidos por intensa compaixão. Quão cheio de compaixão era Jeremias! Seus sentimentos pelo seu povo brotavam muitas vezes em lágrimas; seus sofrimentos foram muitos, em face da perseguição dos líderes religiosos e políticos em Jerusalém. Foi preso, jogado numa cisterna de lama, açoitado, mas estava sempre pronto a falar a mesma mensagem e até ao fim não desistiu.
        São muitos os santos de Deus que mostraram ter seus corações inflamados de amor compassivo. Daniel é outro modelo, pois mesmo distante de Jerusalém não cessava de orar em favor do seu povo. Sua posição na corte babilônica não o envolveu de orgulho e é impossível ler seu livro sem perceber o quanto amava seu Deus, que mantinha sua piedade, mesmo em face das perseguições. Seus ingratos colegas de serviço deviam a Daniel muito, porque foi ele que enfrentou o furioso Nabucodonosor, a fim de livrá-los da morte. Mas é a oração dele por Israel (capítulo 9) que mostra o quanto amoroso e carregado de misericórdia era aquele homem de Deus. Bem já idoso pode orar com intensidade por Israel, se colocando como culpado por tudo o que aconteceu, resultando no exílio e na destruição de Jerusalém. Daniel foi um homem movido por intensa compaixão.
        Podemos deixar de mencionar Estêvão? Um homem cheio do Espírito  e movido por uma coragem incomum para falar a verdade de Cristo ao seu povo. Mesmo cercado por elementos cruéis e criminosos; mesmo sendo quebrado cada membro do seu corpo pelas pedradas e já beirando a morte ainda pode elevar sua voz e pedir do Senhor Seu perdão em favor dos seus algozes. Não é um relato digno de nossas meditações?

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (5)


                        
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS BÍBLICOS.
        Preciso continuar mostrando os exemplos achados na história bíblica, acerca dos homens usados como homens cheios de compaixão. Precisamos saber que eles eram iguais a nós, porque viemos da queda em Adão. Só há uma resposta para que homens semelhantes a nós puderam ser carregados da compaixão de Deus, e essa resposta está na bendita graça que prevalece e apodera de nossas tremendas fraquezas, a fim de tornar-nos fortes. Olhemos a vida de Saulo de Tarso, um homem perverso no zelo que tinha pela sua religião, mas quando se tornou um novo homem, eis que tinha um coração cheio de afetos de misericórdia e pode amar com desvelo o seu povo Israel.
        Encaremos a vida de José. Olhando do ponto de vista humano, José seria visto como um herói de Hollywood, pronto para contra atacar e vingar-se dos seus irmãos. Mas a história daquele jovem que durante anos viveu como escravo é uma história de como a graça de Deus opera. No Salmo 105 o Espírito Santo afirma que a palavra de Deus provou José, carregou seu coração de genuíno amor e foi assim que subiu ao trono para reger o mundo, dando suprimento contra a fome. Um moço que sofreu sob a força da graça pode obter um coração generoso e compassivo.
        Nota-se que José não era um bobo; não era vencido por sentimentos, apesar de ser cheio de emoções. Em meio às forças saltitantes da carne ele pode se conter e assim experimentar seus irmãos, para que no tempo certo pudesse agir. Foi num ambiente tomado de juízo, sabedoria e misericórdia que os irmãos de José puderam experimentar o real significa do perdão. Foi um ambiente de corações quebrantados, resultando em choro de alegria. A compaixão de José fez com que as maldades daqueles homens fossem perdoadas e esquecidas. Que incrível história do amor, perdão e compaixão de Deus por pecadores!
        A história de José seria suficiente para nos deter por muito tempo, porque é cheia de atrações para nossas almas. Mas quero que chequemos a vida de Neemias. O livro dele narra um pouco acerca desse homem que também mostrou ser cheio da compaixão de Deus. O período do domínio babilônico tinha passado para entrar o reis da Média e da Persa, aliás um período de muitas bênçãos para os desterrados judeus. Neemias se tornou um funcionário público, trabalhando no palácio como copeiro do rei. Foi um moço que conquistou a confiança do rei e poderia viver confortavelmente o resto da vida. Para que pensar em voltar para Jerusalém? Mas aquele homem de fé não pensava assim. O conforto do palácio não tirou os afetos de Neemias pela sua cidade – Jerusalém e pelo seu povo.
        Quando Neemias soube da condição de Jerusalém, com os muros caídos e com os judeus vivendo na miséria lá, isso foi suficiente para encher seu coração de tristeza. Neemias amava seu povo, bem como amava sua cidade. Ele realmente queria levar seu  socorro para Jerusalém, por isso resolutamente buscou o Senhor em santa oração, súplica e intercessão (Neemias 1). Eis aí o segredo de um coração compassivo. O homem de fé conhece o coração compassivo de Deus. Neemias sabia que o Deus de Israel era um Deus de tremenda compaixão, por esse fato ele orou.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (4)



“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS BÍBLICOS.
        Tomemos a vida de Moisés como sendo um modelo de compaixão. Ouvi uma mensagem do diretor da escola onde estudei e o tema foi: “Moisés, o amigo de Israel”. Naquela mensagem sr. Paulo Guiley procurou mostrar o quanto Moisés, ao interceder pelo povo, mostrou ser um grande amigo. É claro que o pregador usou Moisés para mostrar o amor de Cristo na cruz em favor dos pecadores. Mas aqui desejo mostrar o quanto a compaixão de Deus envolvia aquele homem. O texto que quero tomar agora é a passagem famosa de Êxodo 32, quando o povo de Israel fez o bezerro de ouro e numa atitude blasfema adorou o bezerro, dizendo que foi esse ídolo que lhes havia tirado do Egito.
        Obviamente a compaixão não era proveniente do próprio Moisés. Sem dúvida alguma ele aprendeu misericórdia na sala de aula da graça com o próprio Senhor. Moisés era incansável em permanecer na Tenda da Congregação, lugar onde ele permanecia com o Senhor. No capítulo 32 vemos como Moisés tinha um conhecimento profundo do seu Deus; ele O conhecia como o Deus de Abraão, o Deus que fez as promessas, a aliança e ligou Israel nessa aliança. Por esse fato Moisés orou com sabedoria, foi incisivo e vitorioso em sua intercessão. Assim, quando ele percebeu a gravidade da situação, que o povo havia pecado contra o Senhor; quando ele percebeu a fúria para destruir o povo, imediatamente Moisés se colocou entre Deus e o povo. Isso é compaixão. Moisés não estava interessado em si; não tinha ambições terrenas, pois já havia renunciado o Egito com suas grandezas. Ele se entregou, a fim de sofrer pelo povo de Deus e com esse povo. Por isso ele foi ousado em sua petição.
        Nota-se que a compaixão não é desligada de conhecimento; não é veiculada por meras emoções. Ter compaixão significa que a pessoa experimentou isso em sua vida, porque Deus usou de compaixão para com ele, por isso ele pode usar de compaixão com seus semelhantes. Deus usa seres humanos nos contatos com outros seres humanos. Os anjos nunca seriam instrumentos de compaixão, porque eles nada sabem disso, mas homens salvos sabem. Outra nota importante é que a compaixão não se desliga do juízo. Ambos estão interligados. O Deus de toda compaixão é o mesmo Deus que vem em Sua fúria contra os inimigos. Moisés foi assim, pois quando desceu do monte e viu a realidade do que havia acontecido, não encobriu a maldade do povo. Moisés foi forte e capaz de lidar com a situação, ordenando que milhares fossem mortos, mas ele fez isso não usando a espada de Deus, mas sim aqueles que realmente estivessem dispostos a lidar com a situação.
        Podemos aprender a conquistar compaixão? Claro que podemos! A razão óbvia é que Deus usou de compaixão conosco. Tenho percebido que quanto mais afligidos somos aqui, mais cresce a compaixão de Deus em nós. Quanto mais estivermos perto do Deus que nos amou em Cristo, mais conquistaremos dessa imensidão do coração de Deus. Quanto mais distantes da palavra e mais perto do mundo estivermos, mais ocos, levianos e egoístas seremos em nosso trato com seres que estão ao nosso derredor, os quais caminho céleres para o abismo de horror – o inferno.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (3)


                          
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS BÍBLICOS.
        Quando olhamos a história narrada por Deus em toda Escritura, o que percebemos é a jornada de juízo e de misericórdia de Deus por este mundo. Queremos destacar essas compaixões de Deus em favor de homens perdidos, caídos no pecado. Essa luz benditas desse “sol de misericórdias” brilha em todas as páginas, desde a queda, até o final de todo esse programa da graça de Deus agindo neste mundo. Não podemos pensar em Noé sem perceber que através da vida daquele crente Deus estava expondo ao mundo de então o quanto Ele é compassivo e tardio em irar. Por muitos anos Noé, em seu trabalho de construir a arca para a salvação de sua casa, estava mostrando que qualquer um poderia escapar do juízo de Deus, que viria com o dilúvio. Sem dúvidas, Noé amava seu povo e queria ver o bem eterno deles.
        Outro exemplo de notável compaixão temos na vida de nosso pai na fé – Abraão. Quantos ensinos ele passa a nós de uma vida de íntima confiança em Deus! Um homem compassivo é acima de tudo alguém que se compadece e busca socorrer seu próximo e foi assim que Abraão mostrou essa atitude para com Ló, seu sobrinho. Vemos que compaixão não é algo de um coração medroso, pois Abraão era exatamente o contrário – muito corajoso. Quando reis inimigos se ajuntaram e levaram Ló com a família, Abraão reuniu seus homens e corajosamente foi derrotar aqueles elementos para trazer de volta Ló com a família.
        Mas o destaque na atitude compassiva de Ló  foi quando ele aproveitou a presença do Senhor e intercedeu em favor de moradores de Sodoma e Gomorra (Gênesis 18). Deus já havia determinado destruir aquelas cidades, devido a gravidade do pecado daquele povo. O Senhor ficou ali porque estava perante Seu servo e ouvira a petição dele. Que momento incrível! Quantas vezes Abraão mexeu com o coração gracioso do Senhor! Quantas vezes tocou na sensibilidade compassiva de Deus! Abraão nem citou Ló, ele mencionou a hipótese de haver justos na cidade. Eis ali a ligação que seres humanos têm com Deus em orar compassivamente por seus semelhantes e nós devemos aproveitar isso. Deus usa seres humanos salvos para lidar com seres humanos não salvos. Os dois anjos foram para Sodoma, a fim de exercer juízo ali, mas o Senhor comunicou Seu coração, não a um anjo, mas a um homem que foi salvo por Ele.
        Não é uma lição incrivelmente prática para nós? Claro! Vivemos envolvidos num sistema terrivelmente egoísta neste mundo. Hoje vemos cada um buscando um melhor e mais confortável modo de viver e por isso é raro ver pessoas chamadas de crentes envolvidas em oração piedosa, choro e tristezas em face de um mundo que desce para o abismo de trevas e terrores eternos. Muitos estão contentes e satisfeitos, porque, segundo eles foram salvos, eleitos por Deus antes da fundação do mundo. Ah! Como é confortante isso! Nada mais lhes interessa, pois acharam um confortável colchão doutrinário, onde repousam. Mas o que a bíblia nos ensina? Não é para que os eleitos de Deus sejam cheios de ternos afetos de misericórdia? Não é para que agora, valentes soldados do Senhor estejam prontos para a guerra da intercessão, como foram homens de Deus no passado?

sábado, 16 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (2)


“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS DISSO.
        A compaixão por nossos semelhantes para algo que jamais poderemos alcançar. Sem dúvida é algo que vem de Deus em nós, porque não faz parte de nossa natureza sentir compaixão. A título de esclarecimento, não estou tratando de ter compaixão das pessoas pobres, doentes e que sofrem outros problemas causados pelo pecado neste mundo. Muitos dão de seus bens, a fim de aliviar milhares da fome, como acontece em muitos lugares na África. É claro que muitos santos de Deus já se entregaram, a fim de encarar o sofrimento físico de muitos e sei que muitos deram até mesmo suas vidas para morrer por outros que sofrem. Não devemos ignorar tais atitudes heroicas de homens e mulheres que não somente fizeram isso, mas que ainda estão fazendo nos quatro cantos deste mundo.
        Quero, entretanto olhar o ponto de vista espiritual. Eu creio e prego as doutrinas da graça; creio na eleição incondicional, na depravação total e nos outros pontos que completam o que muitos denominam de “Calvinismo”, mas que eu considero como sendo o puro e santo evangelho. Quem lê minhas mensagens digitadas ou pregadas podem percebem as minhas reais convicções. Sinceramente não me ocupo com outros detalhes e costumes dos calvinistas do passado nem do presente. Meu trabalho consiste em pregar o evangelho que considero ser o evangelho da glória. Não tenho comigo os 5 pontos das doutrinas da graça, a fim de discutir ou até brigar, deixo isso com outros. Quero pregar o evangelho que me foi confiado e que homens santos e fieis pregaram no passado. Para mim o evangelho é completo, tendo tudo o que os homens precisam.
        Mas, o evangelho bíblico deve envolver nossas vidas em compaixão. Veja bem, sei que o Senhor está salvando e irá salvar os eleitos, porque Ele conhece os que de antemão conheceu. Mas quanto aos não eleitos? A resposta é que eu não sei quem são eles. Ninguém tem o título de eleito na testa ou na mão. Conhecemos o povo eleito na conversão. Eu sei que sou um dos eleitos de Deus, porque Ele me salvou dos meus pecados, o que eu jamais poderia fazer por mim mesmo. Mas, o que fazer com os milhares que vivem ao nosso derredor; com os que se encontram nas trevas, cegos, surdos, mudos e paralíticos espiritualmente? O que fazer com um mundo que odeia Deus e que odeia o povo de Deus. Enquanto estivermos aqui viveremos ao lado deles. Alguns crentes têm parentes não crentes; nossos vizinhos, amigos, colegas de escolas e de trabalho, etc. eles são muitos.
        O que acontece normalmente é que esquecemos deles. Muitos se acomodam e deitam no gostoso “colchão” da eleição e ali se sentem confortados. Mas a mensagem vem para nos dar um “beliscão” nos fazer lembrar que estamos no mundo; que milhões vão morrer e irão para o inferno; que eles estão em Adão, mas que nós também estávamos em Adão anteriormente. Eles são nossos semelhantes; temos o mesmo sangue, falamos a mesma língua, etc. Podemos nós sentir as compaixões de Deus por eles? Podemos nós desejar que eles também sejam salvos? Podemos nós tentar, como que agarrá-los, para que eles não caiam no inferno? Ora, foi isso o que Paulo mostrou em Romanos 10:1 e espero que seja algo que nos motive a dar um passo gigantesco nesse desafio

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (1)


                        
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
INTRODUÇÃO:       Amado leitor, tomo este tema agora porque constitui para mim um grande desafio. Quando examino fico perplexo ao ver que nada há de compaixão em mim em relação aos meus semelhantes. Mas quando leio as palavras de Paulo em relação à sua nação, seu povo Israel, posso me animar mais, por saber que homens semelhantes a mim conquistaram a compaixão de Deus em relação aos seus semelhantes. Não somente Paulo, mas grande é a fileira de homens e mulheres que demonstraram fervorosamente uma compaixão abnegada em favor dos seres humanos caídos. Isso significa que posso também obter essa riqueza extraída da graça de Deus. Eu sei o quanto a queda nos tornou egoístas e perversos. Ao tratar de um tema como este sei que nada vai nos motivar a pensar nos que perecem. Vejo isso em minha própria vida e confesso a vocês que tenho de clamar a Deus que Sua compaixão venha encher minha vida.
        Ora, a bíblia está cheia desse ensino prático e doutrinário sobre as misericórdias de Deus. Foi após a grande tragédia ocorrida em Jerusalém, quando o exército caldeu tomou posse da cidade, matando milhares, pondo fogo em casas e prédios e levando cativos milhares para Babilônia e deixando atrás as marcas do que significa destruição. Foi nesse ambiente de tamanha desolação que Jeremias disse: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos destruídos, porque as suas misericórdias não têm fim” (Lamentações 3:22). Foi uma lição aprendida após esse amargo acontecimento. Quando vemos nações sendo destruídas pelos terroristas, famílias inteiras assassinadas, parece que o “sol” da misericórdia brilha mais numa ocasião dessa.
        Mas não é o momento para que esperemos que horríveis coisas aconteçam conosco ou com nosso povo, para aprendermos sobre misericórdia, porque a bíblia deve ser nosso livro de instrução doutrinária e prática. Olhemos o que Deus nos ensina, contemplemos o fato que Ele usou de misericórdia para conosco, (Tito 3:5). Acredito que o evangelho tão raso e aguado, como o que tem sido espalhado no mundo ultimamente tem mais trazido escuridão do que iluminação. Não vejo o povo chamado crente entendendo o que significa as ternas compaixões de Deus. Não vejo os que dizer ser salvos podendo compreender no íntimo o que Paulo quis dizer: “Rogos irmãos, pelas misericórdias de Deus...” (Romanos 12:1).
        Uma razão clara é que falaram da graça, do amor, mas não disseram nada acerca da condição vil do pecador em seus pecados. Vi um folheto num supermercado mostrando vários  versos da bíblia que tratam sobre a salvação e no fim orientando a pessoa a fazer uma decisão de aceitar Jesus. Esse folheto é um pequenino resumo do que acontece com o chamado evangelho falado em nossos dias. Nada é dito a respeito da condição do homem perante a lei, da miséria dele, do seu coração em estado depravado e arrogante. Não há mais aquela pregação que aponta a lança de Deus ao coração. Tudo hoje é feito de tal maneira que não crie obstáculo para o pecador, tudo é feito para que ele seja encaminhado para tal decisão, e amargamos com isso resultados desastrosos para a igreja de Deus e para o testemunho dos salvos neste mundo.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A VISÃO DO GRANDE SALVADOR (12 de 12)



“Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra!” Isaías 45:22
O PROPÓSITO DA GRANDE VISÃO: “...e sereis salvos...”
        Finalizo mostrando a todos que Ele, somente Ele é o tão grande Salvador! O mundo tenta obscurecer essa verdade, mas essa verdade aparece na Pessoa sublime do Senhor encarnado aqui e reflete nas mensagens pregadas pelos servos Dele, enviados ao mundo. Pedro afirmou: “...abaixo do céu não existe outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos: Cristo Jesus, Homem” (Atos 4:12). Paulo afirma: “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens” (1 Timóteo 2:5). O nome Dele é louvado em Apocalipse: “Com teu sangue, compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação.” (Apocalipse 5:11). Assim vemos esse sangue puro e imaculado correndo em todas as veias bíblicas, passando pelos milhares de anos, atingindo nações, tapando a boca dos inimigos, fazendo o mundo recuar, transformando milhares e tombando milhares que recusaram tão grande verdade em suas vidas.
        Essa verdade nos mostra o quanto é angustiante e desesperadora a condição do homem aqui. O mundo luta para impedir que os homens vejam que eles se acham na mais terrível miséria; tudo satanás faz para que as multidões ignorem a voz que vem do céu, é a luta tremenda das trevas, a fim de manter os homens na terrível escravidão e marcados para o juízo eterno que engole cada alma que parte daqui sem conhecer o Senhor. Como escapar? O que os homens poderão fazer seguindo este caminho da perdição? Ah! Como vejo o quanto a natureza maligna e enganadora do pecado mantem os homens presumidos neles mesmos, achando que podem escapar do Senhor mediante a religião, batismo, obras e outras atividades! Ah! Quanto perigo o pecado envolve os homens com a falsa paz! Ela chega bem sedutora aos corações e ilumina uma esperança com uma luz que vem do mundo.
        Mas, quero envolver meus leitores com a verdade dessa tão grande salvação. O grande Salvador promete aos homens uma salvação segura e eterna. Ele não veio ao mundo para promover algo transitório. Ora, o mundo faz isso e até mesmo com incrível habilidade. Tudo aqui é feito de forma transitória e passageira. A religião mundana segue o mesmo caminho que acaba no abismo. Mas nosso Senhor assegura aos homens uma salvação conquistada com Justiça eterna, porque toda dívida dos perdidos Ele a pagou na cruz, nada ficou para Deus cobrar dos pecadores arrependidos. Que incrível e perfeita Justiça! De tal maneira que os pecadores podem erguer os olhos para o céu em sinal de temor e em manifestação de louvor.
        Além disso, a Justiça perfeita, resultante da obra feita na cruz conquistou paz perfeita aos perdidos. Quando homens olham pela fé, para esse maravilhoso Salvador, é porque suas almas estão desesperadas, a falsa paz deles foi tirada e agora eles buscam a verdadeira paz. Eles querem andar para o céu, mas como andarão sem paz? Eles querem ver a face de Deus, mas como a verão sem paz? Eles querem escapar da ira e cólera de Deus, mas como escaparão se não forem santificados nessa paz?
        O cabo de aço desce do céu, é para que os perdidos sejam puxados para o alto e assim escapar do inferno que agora está aceso debaixo dos seus pés.
“Cristo Jesus com amor divinal, chama por ti, que amor sem igual!”

quarta-feira, 15 de maio de 2019

A VISÃO DO GRANDE SALVADOR (11 de 12)



“Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra!” Isaías 45:22
O PROPÓSITO DA GRANDE VISÃO: “...e sereis salvos...”
        Chego agora à parte final e veremos o propósito da grande visão, e isso aparece nas palavras: “...e sereis salvos...”. O alvo do Salvador é salvar. Ele não tem outra intenção, senão mostrar a razão pela qual Ele desceu do céu e veio à terra. Ele comunica essa verdade desde o começo, até o final de toda Escritura. A entrada do pecado no mundo mostra que a condição do homem não mais ou menos ruím. Deus não tem qualquer plano de mudar este mundo, melhorar o sistema familiar e conceder uma vida melhor num ambiente marcado para ser destruído completamente.
        O mundo é um vale de dor; é um ambiente onde reina a morte, o pecado e o diabo. Não há como estabelecer a vida aqui; não há como obter sucesso num imenso cemitério, onde os homens jazem nas mãos do maligno (1 João 5:19). Olhando de outro ângulo, não há como viver num império de trevas, onde o príncipe é extremamente pior do que o cruel Faraó. Aqui é um local de sofrimento, de dores, tristezas, angústias e por baixo arde o forno do fogo do inferno, aguardando as almas que continuamente são atiradas lá. Quão inútil é pintar esse cemitério! Quão inútil é melhorar essas aparências de vaidades! Por essa razão a ênfase do Senhor aparece com clareza: “...veio buscar e salvar o perdido”; “Deus enviou seu Filho ao mundo...para salvar o mundo”, e outras muitas passagens que revelam esse nítido propósito do Salvador.
        Além disso, nenhum pecador que Ele chama tem qualquer  desejo em permanecer aqui. Todos os santos viveram e vivem neste mundo como peregrinos e forasteiros. Os perdidos são aqueles que olharam para o passado, para o presente e para o futuro e viram que não há escape aqui; que a morte marcha em direção a eles e que o curso deste rio mundano termina com a morte. Os perdidos percebem que todos os seus esforços são inúteis e que não há como construir algo perpétuo aqui. Quando pecadores são despertados para a salvação, realmente eles são espiritualmente tirados deste mundo (Colossenses 1:13) e em todos os aspectos mostram que não são daqui e que caminham de fato para a cidade eterna. Percebemos o quanto nosso Senhor norteou Seus discípulos sobre esse assunto, quando afirmou que iria preparar lugar para eles na casa do Seu Pai. (João 14); Paulo assegurou aos crentes de Filipos que nossa cidade está no céu e não aqui (Filipenses 3).
        Em tudo percebemos o quanto nosso Senhor assegura aos pecadores que a salvação visa arrancá-los daqui e não mantê-los aqui. Ele não tem promessas mundanas; não visa um mundo melhor. Ao contrário, a salvação é radiante, maravilhosa, eterna e incrivelmente inexplicável às mentes mundanas; todo o plano do Salvador tirar os pecadores daqui, e transportá-los para o céu; toda promessa visa tirar os homens da imperfeição e conduzi-los para a perfeição eterna. O Salvador veio para arrancá-los da ferocidade do inferno, a fim de torna-los partícipes do reino de amor.
        Dei apenas um pouco daquilo que o grande Salvador oferece em Sua tão grande salvação. Que haja corações sedentos pela verdade, anelantes por joias eternas e que querem conhecer o Salvador e Sua tão grande salvação! É quase raro achar um perdido em nossos dias, é como buscar uma agulha num palheiro.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A VISÃO DO GRANDE SALVADOR (10)


                              
“Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra!” Isaías 45:22
UMA APRESENTAÇÃO DO DEUS DESSA VISÃO: “...porque eu sou Deus e não há outro”.
        Oh! Que possamos entender no coração, em santo temor a grandeza desse Deus, o qual desprezou Sua glória e aqui desceu para nos buscar. Que tanto amor do Salvador! Aquele que foi desprezado por nós, devido a nossa vã maneira de viver em todos os detalhes do nosso comportamento; não hesitou em sangrar-se a Si mesmo, sofrer de forma inigualável, passar pela via dolorosa até chegar à cruz, não haveremos nós de conhecê-Lo? Não é o desejo santo de corações que foram santificados pela graça salvadora? “Perto de Ti almejo estar, perto, sim, bem perto! Tua presença desfrutar, perto sim, bem perto!”
        Basta um pouquinho da Sua revelação bíblica e será suficiente para que saibamos o quanto Ele se ocupou em comunicar conosco, por meio de Sua palavra escrita. Sua comunicação tão cheia de amor e graça é sempre a mesma, sempre atual, e todos os santos de todas as épocas desfrutaram, desfrutam e desfrutarão dessa voz tão meiga e doce do Salvador. Quanta tristeza ao ver como o mundo não percebe que vive sem comunicação! Os ídolos vão dizer o que? Os não crentes se apegarão aos seus ídolos, completamente destituídos de vida; eles se apegam àquilo que podem ver aqui, por isso confiam em seus deuses visíveis e suas perguntas inúteis serão sempre as mesmas, quando dirigidas aos crentes: “Onde está o vosso Deus?” (Salmo 115). Eles não sabem que satanás, encobertamente fazem com que eles confiam na nulidade e que todas as suas obras resultarão em cinzas, assim como seus ídolos. Os mundanos vivem como uma mulher sozinha, sem a comunicação de amor do marido que não está mais com ela. Os santos bebem sempre da Palavra e têm seu Deus presente, falando aos seus corações, mostrando a eles como são continuamente amados com amor eterno.
        Também, nosso Salvador comunica-Se conosco com uma linguagem acessível aos crentes. Aquele que desceu e se identificou com nossa miséria, mantém continuamente uma linguagem simples, amorosa e inteligível aos Seus amados. Ele não inventou uma linguagem estranha; Aquele que dividiu as línguas na torre de babel conhece bem nossa linguagem; Ele não teve que estudar para aprender nosso idioma e assim fala conosco em palavras claras, de tal maneira que os mais simples crentes entenderão.
        Mais do que isso, que temamos e tremamos ao saber que Ele é Aquele que soberanamente faz o que Ele bem quiser; que é livre em Sua atuação neste mundo; que não é empurrado pela oca e vã vontade humana. Aquele que é poderoso para punir e salvar; Aquele que destruiu o exército de Faraó, sepultando todos no mar vermelho, é Ele o mesmo Deus que chega com infinda compaixão aos pecadores no mundo inteiro, a fim de salva-los. Ei-lo agora mesmo a dizer aos pecadores: “Olhai para mim, e sereis salvos...!”. Todos os homens devem saber disso; todos os moradores da terra devem ouvir essa voz, porquanto Ele não está falando inutilmente. Essa voz de amor, chamando homens e mulheres à salvação é mais gloriosa do que a chuva, o sol, a saúde e outros bens desejáveis aqui, porquanto Ele chama os pecadores à salvação da penalidade e para tirar os pecadores da escravidão do pecado, e leva-los ao céu.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

A VISÃO DO GRANDE SALVADOR (9)



“Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra!” Isaías 45:22
UMA APRESENTAÇÃO DO DEUS DESSA VISÃO: “...porque eu sou Deus e não há outro”.
        O texto também faz a apresentação desse grande Salvador. Ele se apresenta com o único Deus. É direito do Senhor se apresentar assim, para que os homens caídos no pecado, tendenciosos à perversa idolatria, possam saber que não estão lidando com deus, mas sim com o único Deus. Essa ênfase é para mostrar aos pecadores que só há um braço forte; só há um nome, um Redentor e que somente Ele pode reivindicar o direito de ser o Salvador. Ele fez assim com Israel, desde quando tirou o povo do Egito. Levou a população à solidão do deserto e ali fez questão de nocautear a idolatria natural; fez questão de exigir que a nação destruísse todo vestígio de adoração aos ídolos, assim que entrasse na terra prometida.
        Mas é interessante que nós mesmos conheçamos o Senhor, porque somos semelhantemente tendenciosos à idolatria. Quão profundo é o efeito do pecado! Quão longe estamos de uma compreensão pelo menos superficial de Deus! Mesmo que aprendamos a respeito dele; mesmo que passemos por salas de aulas para aprendermos teologia, ainda assim as verdades jamais chegarão aos nossos corações, caso Ele mesmo não nos ensine. Na verdade, o verdadeiro conhecimento do Senhor será revelado em temor que Lhe é devido.
        Assim, envolvamo-nos de confissão, humildade e santa dependência desse tão glorioso Deus. Lembremos que só Ele é Deus e que é terrivelmente perigoso confiar em qualquer outro braço aqui. Que a luz dessa singular presença permeie nosso ser e que sejamos tomados por essa verdade em nosso coração. Lembremos que Ele é o Criador. Foi Ele quem nos fez; olhemos para nós, vejamos as maravilhas do nosso corpo; vejamos as perfeições simétricas como fomos formados por Ele; vejamos como Ele tomou da massa pecaminosa, a fim de moldar uns para serem vasos de honra, enquanto moldou outros para serem vasos da Sua ira. Que impressionante obra! Será que esse fato não vem diretamente ao nosso ser como luz do céu? Oh! Como a insensatez do pecado roubou nossos pensamentos e encheu nossas emoções de trevas!
        Eis que Aquele que foi desprezado pelo homem na queda; Aquele que foi ofendido e desprezado por suas criaturas, Ele não as abandonou, porque ecoa Sua voz do céu, ordenando aos homens para que olhem para Ele, a fim de serem salvos! Aquele que na criação concentrou no Éden, agora se concentra no mundo inteiro. Aquele que expulsou o homem caído do jardim, Ele mesmo estende Seu olhar gracioso pelos quatro cantos da terra, chamando os perdidos. Como satanás caiu na própria rede armada por Ele! Quão enganoso é o coração, ao pensar que pode vencer o Senhor! Quem poderia contar com a graça? Quem entenderia acerca do braço forte do Senhor?
        Essa mensagem ecoa agora do céu aos corações aflitos e desesperados. A mão do Senhor está estendida para salvar; ele está declarando aos homens que Ele é o único poderoso para realizar a façanha de tirar os pecadores do pecado e da miséria eternal que lhes aguarda. Não é o momento, agora para que homens e mulheres confessem a Ele busquem Dele essa tão imensa salvação?

quinta-feira, 9 de maio de 2019

A VISÃO DO GRANDE SALVADOR (8)



                
“Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra!” Isaías 45:22
O ALCANCE DO CHAMADO A ESSA VISÃO: “...todos os moradores da terra”.
        Como é maravilhosa e encantadora a tão grande salvação! Aquele que envia chuva, que nos deu o sol, o ar e que dá a todos alimentos, entre outros milhares de bens, Ele mesmo chama os homens à salvação. Aquele que fornece ampla mesa de fartura aos homens em toda extensão deste planeta, Ele mesmo chama os pecadores a olhar para Ele, a fim de que todos vejam o escape da perdição eterna. Aquele que mostra a grandeza de Sua bondade em coisas terrenas, muito mais mostra Sua graça e compaixão quando chama os pecadores às maravilhas celestiais. O Criador que fez um Éden terreno, agora mostra ser Ele o Salvador que preparou o Paraíso celestial.
        O convite é dirigido a todos os homens e não há qualquer distinção, porque o pecado atingiu toda raça. Não foi enviada essa voz a um grupo seleto de homens; a voz vem do céu a todos quanto podem ouvir. Por acaso os homens estão surdos? Por acaso o criador não lhes concedeu ouvidos para ouvir? Por que temos de ignorar isso? Talvez alguém pode afirmar que a voz é dirigida aos que mais têm pecado. Mas onde há espaço no homem que não foi atingido por essa natureza maligna? Se jogarmos gotas de veneno numa caixa de agua de mil litros, toda aquela quantia de agua fica contaminada. A entrada do pecado não veio por medida; não afetou uns mais e outros menos. Ao tratar do pecado, não estamos lidando com uma mera moléstia que infeccionou os pés, ou a cabeça, ou outra parte do corpo. O pecado veio e afetou inteiramente todos. Não há, aos olhos de Deus pecadores mais afetados do que outros. Em Sua linguagem dirigida a Israel (Isaías 1), a infecção afetou da cabeça aos pés.
        O pecado envolveu a natureza total do homem. Atingiu os olhos, a mente, as emoções, a boca, as mãos e os pés. Todos os efeitos do pecado. são vistos no modo de falar, encheu a mente de escuridão, destruiu os sentimentos, contaminou o serviço e o andar, etc. de tal maneira que não há parte sã em nenhum ser humano. Olhemos também o mais horroroso resultado, trazendo aos homens a tragédia do pecado – a morte. Não morreu apenas a cabeça, ou os pés, ou as mãos, etc. Tudo foi atingido e mostrando agora seus horríveis e dramáticos efeitos. Onde no corpo não vemos os efeitos da morte? Onde a dor não aparece? Onde o desespero não pode tomar conta? Onde a vergonha não entrou? Onde a corrupção não surge para mostrar sua face cruel?
        Há alguma diferença? Por acaso há nos ricos um efeito menor do que nos pobres? Por acaso, os intelectuais estão em maior vantagem? Porventura, uma criança está livres desses dissabores da morte? Há alguma religião que promova que traga mais conforto e que elimine as aflições? Que diferença tem o judeu do gentio? Não são todos provenientes do mesmo Adão caído? Onde está a esperança do homem? Se olharmos para qualquer direção horizontal neste mundo, veremos que por todos os lugares o desespero habita ali.
        Então, podemos entender por que Deus está chamando todos os pecadores no mundo inteiro: “Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra”. Não é uma mensagem cheia da compaixão de Deus? Podemos nós ignorar essa voz? Que essa mensagem venha sacudir os corações; que venha tremer nossas consciências e que venha nos mostrar que a mais poderosa e urgente mensagem a ser pregada e que precisa ser ouvida por todos.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

A VISÃO DO GRANDE SALVADOR (7)



“Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra!” Isaías 45:22
O ALCANCE DO CHAMADO A ESSA VISÃO: “...todos os moradores da terra”.
        Como é preciosa a notícia da salvação, quando vem diretamente de Deus! Mesmo no Antigo Testamento Sua mensagem é dirigida a todos, por quê? Por a salvação bíblica tem em vista “...todos os moradores da terra”. Para um Israel endurecido e cheio de religiosidade carregada de superstições e de ódio, tal mensagem seria motivo de ódio. Mas o mesmo Senhor que fala em Isaías, aparece em João 10, dizendo aos judeus que Ele tinha ovelhas de outro aprisco e que um dia elas seriam reunidas num só aprisco, a fim de ser um rebanho só e ter apenas um Pastor. Nosso Senhor não discrimina os pecadores; Ele não pede documento, para saber se é desta ou daquela nação. Os olhos do Senhor olham pecadores e todos têm o mesmo documento que declara que estão perdidos.
        Aliás, em Isaías o Senhor se apresenta ao mundo, chamando os que têm sede (Isaías 55:1). Onde estão os sedentos? Estão somente em Israel? Não! Eles estão espalhados pelo mundo, à busca da pura água que vem do trono da graça, a fim de saciar a sede para sempre. Ele chama todos os moradores da terra, e entre eles têm homens de toda raça, condição social, cor e cultura. Essas diferenças nós as vemos aqui, mas nada têm de valor aos olhos de Deus. Ao lidar com pecadores no mundo, o dinheiro, a fama, o prestígio, a cultura e outras condições sociais são ignorados, porque todos se encontram na mesma condição de pecadores. Olha um homem tão religioso, levando consigo o mais alto grau que uma religião pode oferecer – Saulo. Mas, quando desceu ao pó para ser elevado à graça da salvação, eis que um novo homem surgiu, a fim de confessar que era o principal dos pecadores. Antes ele era o principal dos religiosos, mas agora não, ele se coloca entre os homens dignos de dó.
        Quando homens veem o Salvador na visão da fé bíblica, eis que tudo muda. Cai por terra seu orgulho, vaidade e tudo que era religiosamente importante é colocado na posição de lixo. No mundo tão cheio vaidades, onde os homens consideram lucro a vida de luxo, fama e riquezas, eles os picos e vales nas diferenças entre eles aqui. Mas a Bíblia tira essa pintura feita pelo arrogante sistema mundano e põe todos numa planície, onde todos se prostram, adora e servem ao diabo. Na salvação toda arrogância tomba no pó com toneladas de peso e em lugar nasce no coração um conceito incrível de visão social – compaixão. Os santos de Deus, mesmo sabendo que são cidadãos do céu, enquanto estão no mundo, eles olham seus semelhantes, vendo-os na mesma condição em que eles antes se achavam. Incrível a maneira que Jesus, como Homem olhou os homens. Ele os viu como ovelhas sem pastor. Ele olhou para o rico que deu as costas para Ele, abandonando a verdade e mesmo assim diz a bíblia que o Senhor o amou.
        Significa que todos os pecadores são chamados e que todos os que são de fato, pecadores na prática, certamente vão olhar para cima pela fé. Milhares não olham porque continuam cegos. A voz da graça, quando ecoada do céu, ela suficiente para abrir os olhos e ouvidos. O Senhor não chama pecadores em vão; o Senhor não faz ecoar sua voz atoa. Ele é o Salvador que está agora ao lado do Pai, grande Advogado, grande Redentor e enfim, Fiel e Justo, pronto para salvar os que de coração creem Nele.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

A VISÃO DO GRANDE SALVADOR (6)


                      
“Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra!” Isaías 45:22
O ALCANCE DO CHAMADO A ESSA VISÃO: “...todos os moradores da terra”.
        Caro leitor, se você não tem ainda essa convicção de salvação e o firme fundamento da paz que vem da justiça de Cristo, é certo que ainda você está perdido neste mundo. Ouça a voz do Senhor! Apure os ouvidos da alma e ouça a voz de amor do Senhor, convidando os pecadores a olhar para Ele. Lembre que fazem centenas de anos que milhares têm tido o poder da graça em erguer seus olhos para o alto e clamado a Ele. Todos os que fizeram isso foram salvos e todos os que endureceram o coração partiram para o sofrimento eterno.
        A visão que a Palavra de Deus mostra não é uma visão terrena; não é para aquilo que olhos físicos podem vislumbrar nesta vida. Milhares são os falsos mestres que ousam encantar os corações com crendices, visões e sonhos. Que você venha a fugir disso, porque são armadilhas inimigas armadas ao longo do caminho. A visão pode até elevar os olhos físicos para o céu, porque quando uma alma está aflita e desesperada, todo seu ser se volta para a direção vertical – para o Alto. Mas a verdade é que muitos pecadores que foram salvos dirigiram seus olhares para baixo, e não para cima. A mulher adúltera (Lucas  7), não teve coragem de olhar para os olhos do Senhor; ela não parava de chorar, pois estava coberta de humilhação e vergonha. Mas os olhos da alma puderam ver o Senhor, era mais do que um mero homem assentado ali. Ela estava consciente que diante dela estava o grandioso Salvador e Senhor.
        Tentarei de todas as maneiras mostrar o que significa essa fé. Funciona como um mendigo á espera de esmola. Ele ergue a mão, nada tendo para dar, porque aguarda ansiosamente receber alguma coisa. É assim que a alma olha para o Senhor. Ela quer as riquezas que aqui jamais podem ser adquiridas; ela quer riquezas do perdão, da herança eterna no céu, do amor de Deus e da certeza absoluta que foi purificada de todo pecado e aceito na família de Deus. Não foi assim com aquele pobre moço pendurado na cruz? Quando seus olhos foram abertos pela graça, eis que imediatamente entrou em ação a fé implantada nele por obra do Espírito de Deus. Por que esperar? A chance de escapar da punição eternal estava ali perante sua face aterrorizada. Por isso pode exclamar: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reino” (Lucas 23).
        A visão de fé traz também outra ilustração. É a de um coração não dividido. Não tem algo pior para o homem do que quando ele se acha na encruzilhada, sem saber o que quer. Dentro dele há como que uma guerra civil. Tal pessoa parece duvidosa por fora, mas lá dentro está pronto a dizer “Não” para Deus. A fé é singular, não brinca com Deus, não posterga sua decisão, porque está diante da verdade. Não pode voltar atrás, nem pode andar um passo a mais, porque diante de si está o abismo escancarado. Ele precisa do único e suficiente Salvador e mediador. Não há outra esperança; Cristo não é ponto facultativo na vida. Ou Jesus, ou a morte; ou Jesus ou a perdição merecida; ou Jesus ou será réu da espada divina que descerá para decepar seu pescoço.
        Sendo assim, não é este o momento certo? Não é o momento para que a alma aflita venha a clamar no coração para que o Salvador venha lhe salvar sua alma de uma vez para sempre?

terça-feira, 30 de abril de 2019

A VISÃO DO GRANDE SALVADOR (5)



“Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os moradores da terra!” Isaías 45:22
A APRESENTAÇÃO DO GRANDE SALVADOR: “Olhai para mim...”
        Oh! Que ordem da suprema graça vem do céu aos pecadores! Não é Deus em Sua fúria, mas sim em doce compaixão; não aparece apontando os canhões da Sua cólera contra homens condenados, mas Suas palavras são provenientes Daquele que dinamiza Suas ações salvadoras no meio dos homens. Que grande interesse Dele por mim e por ti! O que Ele viu em nós, a fim de interessar-Se por elementos que tanto Lhe ofenderam e atacaram Sua santidade e Seus atributos naturais no viver? Ele não registrou tais palavras por acaso; não tem interesse por nada daquilo que achamos ser nosso aqui. Ele é Deus, cheio de glória, poder, riqueza, alegria, prazer Nele mesmo e que de nada tem qualquer necessidade de nós.
        Amigo, tire os olhos dos homens! O que eles podem fazer por nós? Confiar nos homens, nos ídolos, na religião, nas obras aqui, etc. é beber veneno; é segurar em galhos podres, é entrar na cova de leões, a fim de achar refúgio ali. Amigo, ouça a voz do Alto! Não é verdade que aqui tudo que precisamos, esperamos receber do Criador? Quando a seca ameaça nossa existência terrena, não é verdade que olhamos para cima, na esperança que Ele dará ordens às nuvens? Quando a fome ameaça nossas vidas aqui, não é verdade que esperamos Daquele que põe a comida para os animais e dá sustento às aves do céu? Por que mirar o homem? Oh! Quão ingrato é mau é o homem! Mesmo vendo tudo de bom e de perfeição ao seu derredor, dado por Deus! Mesmo assim os olhos rondam este mundo; não pode mirar o alto, é surdo, por isso não pode ouvir esse chamar da voz gentil do Senhor!
        Mais do que isso, Aquele que diz: “Olhai para mim e sereis salvos...” já deu abundantes provas do quanto Ele tem feito por pecadores. Incrível são Seus feitos no meio dos homens. Os que creem no homem vão dizer que Ele salvou e salva somente aqueles que de boa vontade interessam na salvação. Certamente tem algo de certeza nisso, porque de fato Ele há de salvar os que O buscam de todo coração. Isso é fato inegavelmente bíblico. E os outros? O que aconteceu? Deus está sendo injusto? Não! Ele já deu prova aos homens de Sua incrível bondade, justiça, retidão, benevolência, sustento, cuidado, etc. A salvação de muitos é um feito total da graça. Quando Deus age com Seu braço forte em salvar perdidos, essa ação vem da total liberdade Dele em agir assim. Ora, ninguém quer esse Salvador; ninguém se interessa por essa salvação, mas Ele em amor o faz.
        Ele dá provas em agir com misericórdia. Olha o que ocorreu com Nínive. Quem esperava um arrependimento daqueles inimigos? O que aconteceu foi que Deus arrancou Suas armas que apontavam na direção da cabeça deles e mirou a cidade inteira com as nuvens cheias das abundantes aguas da compaixão. Que notícia! Por que Ele adiou o julgamento? Foi por misericórdia! Então, agora é o momento para que nós contemplemos Isaías 45:22, vendo as palavras de um Deus compassivo. Quando o Espírito Santo desceu sobre Jerusalém, mais de três mil almas caíram ao ver a culpa e miséria dele, mas ressoou em seguida as palavras de arrependimento e eles puderam olhar para o alto e puderam ouvir a voz do Salvador e foram salvos da merecida condenação!