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domingo, 5 de maio de 2013

MEDITAÇÃO DE SPURGEON





“Ainda há razões a favor de Deus.” (Jó 36:2)

      NÃO devemos procurar publicidade para as nossas virtudes, ou notoriedade para o nosso zelo, mas, ao mesmo tempo, é um pecado estar sempre procurando esconder o que Deus nos concedeu para bem dos outros. Um Cristão não tem de ser uma aldeia edificada num vale, porém “uma cidade edificada sobre um monte.”
      Não tem de ser uma candeia colocada debaixo de um alqueire, mas, uma candeia no velador, dando luz a todos. O retraimento pode ser agradável no seu tempo, e o ocultar-se a si mesmo, é sem dúvida, sinal de modéstia, porém, o ocultar a Cristo em nós nunca pode ser justificado, e o retrair-se da verdade que nos é preciosa, é um pecado contra os nossos semelhantes e uma ofensa contra Deus.
      Se tens um temperamento nervoso e uma disposição a ser retraído, tem cuidado para não tolerares demasiado esta propensão tremente, para que não sejas inútil à Igreja. No nome Daquele que não se envergonhou de ti, procura fazer alguma leve violência aos teus sentimentos, e conta aos outros o que Cristo te tem dito a ti.
      Se não poderes falar com voz de trombeta, fá-lo com voz aprazível. Se o púlpito não pode ser a tua tribuna, se a imprensa não pode levar sobre as suas asas as tuas palavras, contudo, diz com o Pedro e João: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isso te dou.” Se não poderes pregar um sermão dum monte, fala com a mulher samaritana junto ao poço de Sicar; louva a Jesus nas casas, se não o podes fazer no templo; fá-lo no campo, se não o podes fazer na Bolsa de valores, entre a tua própria família, se não o podes fazer no meio da multidão.
      Dos ocultos mananciais, deixa que fluam agradavelmente os regatos vivos do testemunho, dando assim de beber a todos os transeuntes. Não ocultes o teu talento; negocia com ele, e, levarás um bom lucro ao teu Senhor e Dono. O falar a favor de Deus será motivo de refrigério para nós, motivo de alegria para os santos, motivo de proveito para os pecadores, e, para o Salvador motivo de honra. Os filhos mudos são uma aflição para os pais. Senhor, solta a língua de todos os Teus filhos.

Tradução de Carlos António da Rocha

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

“O PODER OU ONIPOTÊNCIA DE DEUS”


por
Cornelius Van Til
O poder de Deus não deve ser identificado com Sua vontade, embora a vontade de Deus implique em poder para realizar o que Ele quer.
A onipotência de Deus não significa que Ele pode fazer uma mentira ser verdade, ou que Ele possa pecar. Não há poder absoluto em Deus que opere em contradição com Suas perfeições. Deus é a fonte da possibilidade. O que é possível é determinado pela natureza de Deus. A própria questão de que se Deus pode fazer o impossível é impossível. Ela não tem sentido, a menos que tenhamos assumido primeiramente que haja tal coisa como uma impossibilidade aparte de Deus. Agora, se há tal impossibilidade, Deus não é Deus, de forma que a questão se perde. Por outro lado, se não há tal impossibilidade, isto é, se Deus é a fonte da possibilidade, a questão é respondida antes que se formule a mesma: isto é, então Deus não quer quebrar uma impossibilidade. Ele estaria negando a si mesmo, o que Ele nos diz que não pode fazer. Números 23.19, 1 Samuel 15.29, 2 Timóteo 2.12, Hebreus 6.18, Tiago 1.13 e Tiago 1.17
Nem tudo o que é possível para Deus é realmente realizado. Nesse sentido, a possibilidade é maior do que a realidade atual. Génesis 18.14, Jeremias 32.27, Zacarias 8.6, Mateus 3.9, Mateus 26.53. É necessário manter isso uma vez mais contra o panteísmo, o qual mantém, por causa da sua elevação do princípio acima da personalidade, que tudo o que é possível no universo já foi realizado também. Isso comprometeria uma vez mais a liberdade e a independência de Deus.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

DEUS E O HOMEM – A GRANDE DIFERENÇA (10)



                                  
“As palavras de sua boca são malícia e dolo; abjurou o discernimento e a prática do bem. No seu leito maquina a perversidade, detém-se em caminho que não é bom, não se despega do mal”  (Salmo 36:3,4)
CONHECENDO O VIVER DO HOMEM (continuação):
               Amigo leitor, que a misericórdia do Senhor esteja sobre minha vida enquanto digito esta meditação. Não é fácil lidar com um assunto como este, conforme o Espírito Santo nos mostra no Salmo 32. Que a misericórdia desse Deus venha, também, encher o coração dos leitores com um espírito de humilhação, a fim de que a Palavra seja recebida com muita satisfação.
         Pretendo passar a vocês aquilo que o texto nos mostra acerca do viver do homem no pecado. Já passamos pelo conhecimento do seu coração, o que ele é no íntimo. Que jamais esqueçamos que revelamos por fora o que realmente somos no coração. No verso 3 vemos que o homem sob a escravidão do pecado é conhecido pela sua linguagem: “As palavra de sua boca são malícia e dolo...” . Observemos bem que a palavra malícia mostra a causa, dolo mostra o efeito. Malícia mostra as intenções egoístas do coração, enquanto que dolo é o meio usado para alcançar seus objetivos. Preste atenção nas palavras maliciosas de um homem em relação a uma mulher, e os meios dolosos que ele utiliza para alcançar seus objetivos. Foi assim com o infeliz Amnon, filho do rei Davi quando estava apaixonado pela formosa Tamar, sua meia Irmã. Logo tramou meios bem ardilosos para que ficasse sozinho com a jovem em seu quarto (2 Samuel 13).
         A língua é a mais mortífera arma do pecado, por isso a Palavra de Deus vezes após vezes combate esse mal. Os crentes são constantemente exortados para que lancem fora sua linguagem mundana que tinham quando viviam no pecado. O livro de Provérbios está cheio de ensinamentos contra o mau uso da língua, a razão disto é que a ela é o principal instrumento da iniqüidade. Vemos isso em Romanos no cap. 3, a partir do verso 10, quando Paulo resume a triste situação da raça humana caída em Adão. Notemos bem o que Paulo afirma no verso 13: “... veneno de víbora está debaixo dos seus lábios”. Incrível! Da mesma maneira que o veneno de uma serpente está na sua boca, os homens no pecado usam sua língua como veneno para destruir seu próximo. Tal fato é mostrado especialmente em nossos dias. Nunca houve um tempo quando os homens têm usado tanto suas línguas para o mal! Destroem suas famílias usando a língua, criando assim um ambiente de terror dentro do lar. Ofendem, maltratam, fazem os mais fracos sofrerem tanto por meio de palavra feias, imorais. O ambiente social hoje tem sido manchado, aviltado somente com o uso da língua. Quando falam de amor, não passa de ser um amor sujo; quando falam de amizades, suas palavras revelam malícias e motivações sujas, com planos de destruir o seu próximo.
          Trago a ilustração bíblica de Isaías 6. Parece que ali temos o acontecimento que marcou a conversão de Isaías. Ele era bem jovem quando pode ver a glória de Deus. Foi um momento extremamente alarmante na vida daquele moço, porquanto a visão da glória de Deus invadiu as profundezas de sua alma. Não foi um espetáculo que pudesse captar as emoções, mas foi uma visão aterradora para um homem caído. Foi ali que Isaías pode conhecer quem realmente era ele. A presença da santidade do Senhor mostrou ao jovem o que ele era no coração, por isso ele disse: “Ai de mim, estou perdido”! Por quê? Eis a resposta: “...porque sou homem de lábios impuros...”. E ainda acrescenta sua situação social: “...habito no meio de um povo de impuros lábios”. Veja leitor, que naquele momento Isaías não somente percebeu sua condição de escravo, como também percebeu seu trágico destino: “estou perdido...”. Ele estava diante do inferno naquele momento e certamente cairia lá, não fosse a misericórdia do Senhor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

AS DUAS PROVAS DA REBELIÃO DO HOMEM (35)




“Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”  (Jeremias 2:13).
         Caro leitor procurei esclarecer biblicamente o real significado da queda em Adão, mas eu sei que minhas palavras são tão débeis para expor a profundeza do poço da perdição, onde homens e mulheres foram atirados (Salmo 40). Que o Senhor em Sua misericórdia venha tomar essas verdades reveladas, a fim de levar pecadores e mais pecadores ao arrependimento; que almas ouçam o chamado da graça; que a mão poderosa do Senhor venha arrancar milhares desse lamaçal e colocá-los sobre a Rocha dos séculos e firmar seus passos.
         Mas as preciosas verdade do texto de Jeremias 2:13 não param aqui, porque temos duas provas da rebelião do homem. Já mostrei a primeira – a causa: “...a mim me deixaram...”. Agora é o momento de para que chequemos a segunda lição - O efeito: “...e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retém as águas”. Que linguagem tão clara e ilustrativa do Senhor! A nação de Israel podia receber essas palavras com profundo discernimento bíblico, porque aquele povo estava bem informado do significado de cisternas. Eles poderiam lembrar bem de Abraão e as cisternas que cavou em pleno território dos filisteus. Eles poderiam lembrar bem de Isaque e de Jacó, porque aqueles homens com suas famílias bebiam dessas fontes.
         A linguagem de Deus para Israel é mostrando que Ele é a fonte da água viva; é o próprio Senhor Jesus antes da Sua encarnação, mostrando ser Ele o Deus de compaixão que se manifestou ao Seu povo. É Deus mostrando que aquelas almas não teriam paz, alegria, prazer, sossego e felicidade fora Dele. Caro leitor, essa é a mesma mensagem que temos no Novo Testamento! É a mensagem de Cristo para a mulher Samaritana em João 4: “mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna”  (João 4:14).
         Então, dá para o leitor atento perceber que estamos lidando com a mesma mensagem – a mensagem do evangelho, tanto no Velho, como no Novo Testamento. O que o povo de Israel fazia nos dias de Jeremias, desprezando o Senhor, desprezando Sua verdade, Seu amor e Sua misericórdia, acontece também com todos os homens, em todas as épocas, em todos os lugares e toda condição social. A raça é uma só na queda; a natureza pecaminosa é a mesma em todos os filhos de Adão e os efeitos do pecado são exatamente os mesmos: “Não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Romanos 3:11). Os mesmos efeitos do pecado que atingiram a nação de Israel nos dias de Jeremias são presenciados em todos os homens em pleno século 21, aqui no Brasil e em qualquer parte deste mundo.
         Tomemos agora a Palavra de Deus e vejamos esse efeito tão dramático e maligno do pecado nos corações de homens, mulheres, jovens, meninos e meninas! O que significa realmente a ausência da água viva no coração e quais são as reações! Sabemos bem da importância da água em nossos corpos; sabemos bem que a ausência da água pode ser fatal à nossa existência; sabemos bem que não podemos viver sem água. O que é verdade para nosso corpo, Deus quer transmitir às almas de homens e mulheres.
         Mas, da mesma forma que o povo de Israel abandonou o Senhor, e na soberba de seus corações passaram a cavar cisternas rotas, assim também vemos homens e mulheres agitados pelos seus corações endurecidos no pecado, fugindo de Deus e lutando para saciar a sede da alma ao cavar seus próprios poços. Vou mostrar isso em duas lições principais. Na primeira veremos o que implica na alma a ausência da água viva. E na segunda mostrarei as atividades inúteis dos homens.
         Ó, que o Senhor desperte pecadores! Que o Senhor derrame do céu a benção eterna do arrependimento aos meus leitores! Que haja almas com intensa sede por conhecer a verdade da salvação em Cristo!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

AS DUAS PROVAS DA REBELIÃO DO HOMEM (30)




“Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”  (Jeremias 2:13).
         Caro leitor é possível ampliar um pouco mais sobre essa troca da fonte de glória pela miséria. Por estar atirado na miséria do pecado, longe da glória de Deus é impossível que os homens no pecado possam detectar a verdade eterna das coisas existentes. Eles não conseguem ver a glória de Deus na santidade de Deus. Ora, a função principal do pecado é sujar tudo, tapando tudo que reflete a glória de Deus; encobrindo a presença da santidade de Deus em tudo aquilo que foi criado.
         Por exemplo, a santidade de Deus é visto em Seu intenso ódio contra todo tipo de pecado e de qualquer iniquidade. Mas o pecado encobre tudo, traz escuridade e tapa os olhos das multidões. Então, tudo o que é lícito e puro é transformado em motivação para que homens e mulheres se atirem em suas paixões e venham a profanar a santidade de Deus naquilo que fora criado perfeitamente puro e santo. O pecado mancha o cenário branco de pureza e justiça, assim como as moscas sujam o branco de uma parece com seus excrementos. O pecado procria suas maldades e perversidades estendendo caprichosamente um cenário adequado para realçar as paixões. Onde o pecado está é tudo ofensa a Deus; a presença do pecado é blasfêmia e insolências dirigidas contra a face do trono de santidade.
         Mas, no pecado homens e mulheres ignoram isso; sujar a criação com suas artes de maldades, mentiras e impiedades é suicídio! Não sabem que o que realmente significa santidade, porque aos poucos conseguem manipular suas próprias consciências e assim ignoram o temor ao Senhor. É numa atmosfera de mentiras, vaidades e idolatrias que homens e mulheres buscam a felicidade. É nesse ambiente que eles acham que estão o mais longe possível de Deus e que nada está estorvando seus intentos. Eles ignoram os terrores de Deus, e mesmo quando são frequentemente visitados pela Ira do Senhor, mesmo assim o coração enganoso e ludibriado atribui tudo ao acaso. A bíblia afirma que é por meio das atividades malignas e vis dos ímpios que Deus canaliza Sua ira contra eles (Efésios 5:6).
         Temos um exemplo notável dessa arte enganosa do coração dos homens em 1 Samuel caps. 5 e 6. Deus disparou Sua ira contra aquele povo ímpio quando eles ficaram com a Arca da Aliança por seis meses. Foram forçados a devolver a Arca de Deus para Israel, porque estavam certos de que a mão de Deus estava pesando sobre toda população. Mas quando colocaram a arca no carro puxado por bois eles fizeram uma prova para ver se o que acontecera com eles veio de Deus ou não. Se os animais que puxavam o carro fossem diretamente para Israel, sozinhos, sem desviarem para qualquer lugar, assim eles estariam certos que todos os flagelos caídos sobre eles realmente tinham vindos de Deus. Realmente aconteceu, porque os animais foram em direção a Israel puxando o carro com a Arca da Aliança. Mas eles mudaram? Jamais! Renderam glórias ao Deus de Israel? Não!
         Caro leitor, quão aterrorizante é o efeito do pecado, porque homens e mulheres cegados, ludibriados e lisonjeados pelo pecado no íntimo não podem perceber a liderança de Deus em todas as coisas. Seus olhos tapados, suas mentes em completa escuridão e suas emoções embaçadas não conseguem vislumbrar o reino de Deus, que Ele reina sobre tudo e sobre todos. O pecado faz o indivíduo querer roubar a glória que pertence tão somente a Deus; o pecado fortalece o ego e dinamiza toda disposição para o mal. O pecado obscurece a realidade eterna e faz com que tudo seja visto aqui e agora.
         Ah! Quem pode livrar os pecadores dessa zona de miséria e destruição? Quem pode trazer homens e mulheres à verdade? Cristo Jesus! Ele sim, ninguém é o poderoso, suficiente e glorioso Salvador e Senhor! Seu ministério agora é salvar; Ele estende Sua mão ao aflito e desesperado que clama e busca Sua salvação!