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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

meditações de Spurgeon



“O último Adão.” (1Co 15:45)

JESUS é a cabeça federal dos Seus escolhidos. Assim como em Adão cada herdeiro da sua carne e do seu sangue têm nele um interesse pessoal, por ser ele a cabeça do pacto e representante da linhagem humana do ponto de vista da lei das obras; assim, também, sob a lei da graça cada alma redimida é uma com o Senhor do Céu, posto que Ele é o Segundo Adão, o Fiador e o Substituto dos escolhidos no novo pacto de amor.
       O apóstolo Paulo declara que Levi estava nos lombos de Abraão quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro. É também verdade que o crente estava nos lombos de Jesus Cristo, o Mediador, quando na remota eternidade as decisões do pacto de graça foram decretadas, ratificadas e asseguradas para sempre. Assim, tudo o que Cristo tem feito, tem-no feito a favor de todo o corpo da Sua Igreja.
       Somos crucificados com Ele e sepultados com Ele (lede Colossenses 2:10-13), e para fazer isto ainda mais admirável, ressuscitamos com Ele e ainda subimos com Ele às alturas (Efésios 2:6). É assim como a Igreja cumpriu a lei e é “aceita no Amado.” É assim como ela é olhada com complacência pelo justo Jeová, pois Ele a vê em Jesus e não a vê como estando separada da sua cabeça do pacto.
       Como o Ungido Redentor de Israel, Cristo Jesus não tem nada que seja distinto da Sua Igreja. Tudo o que Ele tem, tem-no para ela. A justiça de Adão era nossa enquanto ele a manteve, e, quando ele pecou o seu pecado foi nosso também. Da mesma maneira, e pelo fato de ser nosso representante, tudo o que o Segundo Adão é ou faz, pertence tanto a Ele como a nós.
       Aqui está o fundamento do pacto de graça. Este misericordioso sistema de representação e de substituição que moveu o Justino mártir a exclamar: “Oh bendita mudança, oh doce permuta!”, é a própria base do Evangelho da nossa salvação e tem de ser recebido com fé inquebrável e com júbilo extático.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

CABEÇA DO CORPO



“Qual o celestial, tais também os celestiais.” (1Co 15:48)

Spurgeon
        A cabeça e os membros são de uma mesma natureza, e não como aquela monstruosa cabeça que Nabucodonosor viu no seu sonho. A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o seu peito e os seus braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre; as pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro.
        Mas o corpo místico de Cristo não é uma absurda combinação de elementos opostos. Os membros eram mortais, e por isso, Jesus morreu; a glorificada cabeça é imortal, e, portanto, o corpo é também imortal, pois assim está escrito: “Porque Eu vivo, vós também vivereis.” Como é a nossa amorosa Cabeça, assim é o corpo e cada um de seus membros.
        Há, pois, uma Cabeça escolhida com membros escolhidos; uma cabeça aceite com membros aceites; uma Cabeça vivente com membros viventes. Se a cabeça for de ouro puro, todas as partes do corpo são também de ouro puro. Temos assim uma dupla união de natureza como a base para uma comunhão mais íntima. Faça uma pausa aqui, piedoso leitor, e olhe, se poder contemplar, sem uma extática admiração, a infinita condescendência do Filho de Deus, ao exaltar assim a tua miséria à bendita união com a Sua Glória. Tu és tão desprezível que, ao recordares a tua mortalidade, bem podes dizer à corrupção: “Tu és meu pai”, e aos vermes: “Vós sois minha irmã.” Mas, em Cristo és tão elevado nEle que podes chamar ao Todo-Poderoso: “Abba, Pai”; e ao Deus encarnado: “Tu és meu irmão e meu esposo.”
        De fato, se o parentesco com as famílias nobres e antigas faz com que os homens se sintam enaltecidos, nós, que temos a Deus por Pai, temos do que nos glorificar sobre as cabeças de todos eles. Que os crentes mais pobres e desprezados retenham este privilégio; que a insensata indolência não os impeça de descobrir a sua linhagem distinta, e que não permita que o néscio apego às presentes vaidades, ocupe os seus pensamentos e exclua das suas mentes esta gloriosa e celestial honra da união com Cristo.