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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (10 de 10)



“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação” (ROMANOS 10:1)
EXAMINANDO O TEXTO
        Para finalizar creio que é bom vermos de perto o texto em Romanos 10:1, porque Paulo está tratando sobre Israel. A tendência de muitos evangélicos é achar que o povo judeu ainda é o povo de Deus e vejo até mesmo um tipo de idolatria quando se fala sobre a nação de Israel. O povo judeu é como qualquer outro povo; é como os gentios no mundo inteiro. Os judeus estão na classe dos condenados, nascidos em Adão e herdeiros do inferno, como qualquer outros. Paulo, na inspiração do Espírito viu as coisas assim. Ele contemplava os judeus crentes como os que tinham a mesma fé proveniente de Abraão.
        Ora, Jesus deixou isso claro para judeus no capítulo 8 de João, porque aquele povo achava que eram herdeiros do Paraíso celestial; acreditavam que iriam morar com o pai Abraão após a morte. Nosso Senhor ousou cortar esse engano dos seus corações. Nosso Senhor não hesitou em chama-los de “filhos do diabo” (João 8:44) e que estavam prontos para fazer a vontade desse pai deles e a prova estava no fato que eles estavam prontos para matar o Senhor e só não o fez porque não havia chegado a ocasião certa. Paulo entendia assim, por isso foi escrito o impressionante capítulo 9 de Romanos. Mas a intensidade do amor de Paulo em favor do seu povo só aumentou. Foram os líderes de Israel que incitaram uma mortal perseguição contra o apóstolo, a fim de extirpa-lo da face da terra; Paulo foi desterrado por causa da fúria do seu povo e por amor ao Senhor a quem ele tanto perseguiu (Atos 9).
        Como Paulo mostrou essa compaixão por Israel? Essa disposição foi mostrada pelas suas orações incessantes. Paulo desejava que seu povo fosse salvo. No capítulo 9 ele mostrou que estava pronto a ser um maldito de Deus por amor ao seu povo. Que postura! A misericórdia em nossas vidas nos leva a entender o que ocorreu com Cristo na cruz. Nós estaremos prontos a ver a situação de cegueira, dureza de coração e rebelião contra Deus. A misericórdia faz com que nós vejamos que somos semelhantes a eles, que eles vão morrer em seus pecados e que precisam escapar da punição eterna. O que podemos fazer em favor deles. O termo usado por Paulo em Romanos 10 para oração é a palavra grega deêsis. Esse termos mostra que havia boa vontade de Paulo para isso; que não havia preguiça nele, que ele não se acomodou em seu canto.
        Outro detalhe importante é que na misericórdia não estaremos indo contra Deus em Sua soberania. A misericórdia invoca o perdão de Deus; o tom da misericórdia mostra que a pessoa encara o coração misericordioso e tenta de tudo; há um “quem sabe!” da parte daquele que mostra misericórdia. É por meio da misericórdia que invocamos uma visitação de Deus ao nosso povo e que faz com que Deus desça em Sua compaixão e dê mais tempo de Sua graça.
        O povo de Deus é o povo chamado de misericordioso, porque alcançou misericórdia e posso assegurar que é essa misericórdia que faz a glória de Deus brilhar neste mundo; é a mão de misericórdia que segura a mão de Deus armada com o cutelo da Sua ira. Podemos nós usar de misericórdia em nossos dias? Há esse sentimento em nós? Queremos o bem eterno dos perdidos? Estamos prontos a lutar por eles em oração e santa intercessão? Que o Senhor nos livre desse espírito mundano que tanto tomou o coração do povo chamado evangélico, quando muitos querem desfrutar o conforto daqui, sentindo que estão indo para o céu.










quinta-feira, 28 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (9 de 10)


                        
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
COMPAIXÃO E PUNIÇÃO – EQUILÍBRIO CRISTÃO.
        Notemos que a compaixão é uma visão do Deus-Homem, de como Ele vê o homem. Foi nesse espírito de intensa compaixão que nosso Senhor viu a multidão. É dito que Ele a viu como ovelhas sem pastor, errantes. Foi nesse espírito que queimava Seu coração de misericórdia que nosso Senhor se entregou, a fim de usar cada dia em benefício dos homens. Ele odiava a religiosidade aparente; elementos que usavam a religião como mecanismo para fazer o povo sofrer, assim como faziam os fariseus, os quais criavam cargas pesadas, a fim de por sobre os ombros de um povo sofrido. Foi por isso que Ele usou o verso de Miquéias: “Misericórdia quero e não sacrifícios”, para que eles pudessem entender o que é o sofrimento de uma raça caída no pecado.
         Foi nesse espírito que Ele convidou a multidão, com Seu famoso “Vinde a mim!” do capítulo 11 de Mateus. Nosso Senhor viu como satanás usava a religião e a política para fazer do povo os “burros de carga” deles. Como eles não tinham descanso nem no corpo nem na alma. Por isso o Senhor se postou como um manso animal – um boi – e convidou os pecadores cansados e sobrecarregados para vir a Ele. Ele lhes disse que o jugo Dele era suave, e o fardo leve. Foi nesse espírito que ele se embrenhou na sociedade, pronto para servir os pecadores e sempre pronto para dar-lhes a paz, o perdão e reconciliação com Deus. O “Varão de dores”, que soube o que é padecer pode entender as lutas, sofrimentos e lágrimas dos homens. Que amor glorioso do Senhor!
        Será que nós, seres humanos caídos podemos estar cheios dessa compaixão do Senhor? Por natureza não somos assim. Por natureza estamos prontos a pisar sobre nossos semelhantes, porque na queda caímos nessa desgraça. Mas homens e mulheres salvos por Cristo podem conhecer as misericórdias de Deus em suas vidas. Basta uma compreensão do amor de Cristo para que venhamos ser tomados do mesmo amor. Se afastarmos da mensagem da cruz, logo cairemos na jogada carnal do egoísmo. Foi isso o que estava acontecendo nas igrejas da Galácia, porque aqueles irmãos estavam se desviando da graça para a lei. Por isso passaram, na linguagem de Paulo, a devorar uns aos outros. Na igreja de Corinto a mesma situação estava ocorrendo, porque desviaram da mensagem da cruz.
        Foi nesse vislumbre da misericórdia de Deus que homens deixaram o conforto de suas famílias e países, a fim de pregar o evangelho em lugares ermos e perigosos. Eles simplesmente ignoraram suas vidas e se entregaram à missão de anunciar o evangelho onde milhares jamais tinham ouvido. Muitos morrem nessa empreitada, mas muitos realmente conquistaram corações devido ao amor e compaixão de Cristo neles.  
        Temos essa mesma compaixão? Alguns conseguem ter uma visão de povos distantes, mas não conseguem ver ao seu derredor. Podemos nós olhar nossos vizinhos e a população perdida de nossa cidade? Nós somos semelhantes a eles; viemos da mesma queda; estamos sujeitos aos mesmos pecados que eles praticam; éramos ímpios e perversos como eles são. Eles estão indo para o inferno e nós estávamos indo para lá também. Por que não lutar por eles? Por que não amá-los? Por que não podemos ver além das aparências físicas e sociais, a fim de ver descendentes de Adão, escravos e condenados à perdição eterna?

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (8)


                      
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
COMPAIXÃO E PUNIÇÃO – EQUILÍBRIO CRISTÃO.
        Já mencionei um pouco a respeito de Moisés e aprenderemos com Ele como é que funciona a compaixão de Deus através do Seu povo. Se quisermos conhecer em nossas vidas o real significado na prática do que significa a compaixão de Deus, certamente devemos conhecer nosso Deus. O Deus da revelação bíblica só será conhecido por aquele que O ama e que se apega à Sua palavra. Quem não se interessa pelas letras sagradas será analfabeto no conhecimento de Deus, e é a partir dessa ignorância que vem outros absurdos no viver.
        Notemos bem o quanto Moisés conhecia o Senhor. Percebemos em suas palavras, assim que se posicionou em interceder pelo seu povo. Moisés viu perante si o Deus da aliança feita com Abraão; aliás, uma aliança feita totalmente pela Sua graça. Foi assim que aquele homem aproveitou dessa verdade para tocar no coração de Deus. Ora, ele sabia que perante ele estava o Deus Fiel, Aquele que não pode mentir e que mostrou que de fato estava ocupado com o povo da promessa – os descendentes de Abraão. Foi assim que Moisés usou argumentos que tocassem no maravilhoso, compassivo e amoroso coração de Deus. Notemos bem que Ele não ignorou a glória de Deus; ele não se posicionou contra os juízos de Deus, a fim de defender o povo. Ele apenas lidou com o fato que a aliança feita com Abraão foi derivada de Sua graça e compaixão por Israel e que isso foi provado pelo fato que o Senhor veio e libertou o povo da escravidão egípcia.
        Moisés em sua comunhão com Deus conquistou esse dom de Deus; tornou-se um homem cheio do Espírito, a fim de lidar com uma raça rebelde. Não temos em Moisés um herói humano, conforme o padrão buscado pelo mundo. Temos nele um homem que conheceu em sua vida o real significado da compaixão e que por isso entender a situação do povo. Vejamos bem que o Espírito de Deus concedeu-lhe uma liderança sábia, compassiva, mas também lhe deu um coração cheio de capacidade de julgar. Moisés sabia o que era amar a justiça, por isso foi ao coração de Deus, mas também sabia o que significava odiar a iniquidade, por isso tratou com o bezerro de ouro com inflamante ódio. Assim que se posicionou perante o povo, estava ali um homem disposto a tratar duramente o pecado de idolatria como deveria ser tratado.
        A compaixão de Deus não está separada do juízo de Deus. Um homem cheio de compaixão é também cheio de juízo. A santidade de Deus ordena que devemos amar a justiça e ter ódio da iniquidade. Muitos entendem compaixão de forma diferente, porque não passa de sentimentos humanistas. Eu vejo hoje como muitos compreendem evangelismo como atividade social, tendo dó dos que passam fome. Em nada é errado sentir dó dos que passam dificuldade financeira. Muitos homens de Deus lutaram para ajudar os necessitados. Mas isso pode não significar compaixão. Durante a jornada pelo deserto Moisés mostrou o que significava juízo e estava pronto a punir o pecado de elementos rebeldes. Às vezes a população ficava indignada com a punição de alguns, achando que Moisés e Arão estavam sendo cruéis com o povo. A compaixão dos homens é cruel, a compaixão de Deus habita sob o teto da Sua graça. A compaixão de Deus é livre para agir assim com quem Ele bem quiser, porque Ele é Deus.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (7)


                       
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
COMPAIXÃO E PUNIÇÃO – EQUILÍBRIO CRISTÃO.
        Pude tratar um pouco sobre o fato que a compaixão de Deus não é uma emoção sem equilíbrio. O mesmo Deus que opera com misericórdia no mundo, é o Deus que também opera em juízo e justiça (Jeremias 9:24). Vemos essa atuação de Deus mostrada em Salmo 136, num resumo histórico, mostrando o fato que Deus atua neste mundo em salvar e punir. O Deus que entrou no Egito para salvar Seu povo da fornalha de ferro, foi o mesmo Deus que sepultou Faraó e seu exército no mar vermelho. Tal verdade é de grande significado para nós, porque se desejarmos conhecer a compaixão de Deus em nossas vidas, certamente deveremos aprender que a misericórdia opera em meio ao juízo.
        Falo isso porque o mundo religioso pensa diferente, porque desconhece os atos de misericórdia de Deus. Vejamos esta religião moderna, onde o que prevalece é um amor sem qualquer vínculo com juízo e justiça. Percebe-se que onde se fala muito de amor, bondade, simpatia e outros atrativos da natureza humana, não há qualquer sinal de misericórdia. Atos compassivos são vistos em ambiente de guerra. Quando Napoleão passava com seus soldados em meio aos corpos de inimigos mortos, havia um deles que que ainda vivo pedia água. Napoleão ordenou que um dos soldados desse agua ao soldado inimigo. Mas quando Napoleão se descuidou um pouco, aquele moço empunhou a arma e atirou para lhe matar, mas a bala não o atingiu. Mesmo assim, Napoleão ordenou que lhe desse agua.
        Isso é apenas uma mera ilustração do que significa misericórdia no meio dos homens. Deus opera em guerra neste mundo, conforme o ensino do Salmo 7. Foi assim em Jericó, pois quando a mão de Deus estava erguida para destruir aquela população, eis que algo extraordinário aconteceu, pois ali uma mulher mostrou ser uma convertida ao Deus de Israel. É a belíssima história de Raabe, segundo a narrativa de Josué capítulo 2. Se anularmos essa verdade certamente não entenderemos na prática os termos: graça, amor, bondade, ternura e outras atividades provenientes da graça de Deus no meio dos homens. No mundo não há isso; o mundo desconhece compaixão. Quando Deus permitiu que Roboão, o rei de Judá caísse nas mãos do rei do Egito, foi para que aquele elemento rebelde soubesse a diferença entre um Deus compassivo e o horror de cair nas mãos dos homens (2 Crônicas 12:8).
        O rei Davi entendeu bem essa verdade, pois quando, contra a vontade Deus contou o número do povo de Israel, ao vir a proposta do castigo de Deus entre cair nas mãos dos inimigos ou cair nas mãos de Deus, preferiu imediatamente cair nas mãos do Senhor, porque, segundo ele, o Senhor era misericordioso, enquanto os homens não (2 Samuel 24). Foi essa diferença que notáveis homens de Deus perceberam quando se viram cercados pelas mãos cruéis de homens ímpios. Daniel sentiu essa verdade na Babilônia, por isso orou humildemente confessando a indignidade dele e do seu povo (Israel) e assim exaltou a magnificente atitude de misericórdia da parte do Senhor. Foi essa mesma verdade que era desconhecida do profeta Jonas, que tanto queria a destruição do povo ali em Nínive, por isso o livro dele encerra com grande lição acerca da poderosa atividade compassiva de Deus no meio dos homens.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (6)


                
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS BÍBLICOS.
        Percebemos que Neemias, sob a autoridade do rei, foi para Jerusalém movido pela intensa compaixão de Deus em relação ao Seu povo. Notamos como a compaixão que ferve num coração piedoso tem como fonte o coração de Deus. Quando é mera emoção, ela não possui um comando da fonte. Moisés sentiu compaixão pelo povo, mas percebemos que não foi natural dele; não ocorreu como quando matou o egípcio e o escondeu. Na compaixão acesa na alma, a pessoa busca o lugar de perfeita compaixão. Moisés entrou em ação, como se fosse um mediador. Neemias também, pois ele foi imediatamente ao Senhor; ele não tomou decisão por precipitação, a fim de fazer o que pensava fazer pelo povo. É aí que vemos o real sentido de compaixão pelos nossos semelhantes.
        A compaixão, quando vem de Deus ao coração, realmente trata-se de fortes e reais emoções, mas é uma emoção sob o controle do amor. Assim que chegou em Jerusalém Neemias não chorou mais; precisava entrar em ação e mover o povo para agir também. Quando é mero sentimento humano, a compaixão trabalha sozinha e é mais levada a buscar socorros passageiros. Neemias sempre mostrou ser um homem de Deus, humilde, capaz de enfrentar as duras oposições e buscar de Deus o socorro, porque sabia que aquela obra era de Deus e não dele. Notamos essa compaixão na vida dos grandes profetas do Senhor. Alguns deles pareciam ser homens de ferro, de personalidades fortes, mas o que vemos por detrás de tudo era que aqueles homens falavam ao povo, movidos por intensa compaixão. Quão cheio de compaixão era Jeremias! Seus sentimentos pelo seu povo brotavam muitas vezes em lágrimas; seus sofrimentos foram muitos, em face da perseguição dos líderes religiosos e políticos em Jerusalém. Foi preso, jogado numa cisterna de lama, açoitado, mas estava sempre pronto a falar a mesma mensagem e até ao fim não desistiu.
        São muitos os santos de Deus que mostraram ter seus corações inflamados de amor compassivo. Daniel é outro modelo, pois mesmo distante de Jerusalém não cessava de orar em favor do seu povo. Sua posição na corte babilônica não o envolveu de orgulho e é impossível ler seu livro sem perceber o quanto amava seu Deus, que mantinha sua piedade, mesmo em face das perseguições. Seus ingratos colegas de serviço deviam a Daniel muito, porque foi ele que enfrentou o furioso Nabucodonosor, a fim de livrá-los da morte. Mas é a oração dele por Israel (capítulo 9) que mostra o quanto amoroso e carregado de misericórdia era aquele homem de Deus. Bem já idoso pode orar com intensidade por Israel, se colocando como culpado por tudo o que aconteceu, resultando no exílio e na destruição de Jerusalém. Daniel foi um homem movido por intensa compaixão.
        Podemos deixar de mencionar Estêvão? Um homem cheio do Espírito  e movido por uma coragem incomum para falar a verdade de Cristo ao seu povo. Mesmo cercado por elementos cruéis e criminosos; mesmo sendo quebrado cada membro do seu corpo pelas pedradas e já beirando a morte ainda pode elevar sua voz e pedir do Senhor Seu perdão em favor dos seus algozes. Não é um relato digno de nossas meditações?

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (5)


                        
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS BÍBLICOS.
        Preciso continuar mostrando os exemplos achados na história bíblica, acerca dos homens usados como homens cheios de compaixão. Precisamos saber que eles eram iguais a nós, porque viemos da queda em Adão. Só há uma resposta para que homens semelhantes a nós puderam ser carregados da compaixão de Deus, e essa resposta está na bendita graça que prevalece e apodera de nossas tremendas fraquezas, a fim de tornar-nos fortes. Olhemos a vida de Saulo de Tarso, um homem perverso no zelo que tinha pela sua religião, mas quando se tornou um novo homem, eis que tinha um coração cheio de afetos de misericórdia e pode amar com desvelo o seu povo Israel.
        Encaremos a vida de José. Olhando do ponto de vista humano, José seria visto como um herói de Hollywood, pronto para contra atacar e vingar-se dos seus irmãos. Mas a história daquele jovem que durante anos viveu como escravo é uma história de como a graça de Deus opera. No Salmo 105 o Espírito Santo afirma que a palavra de Deus provou José, carregou seu coração de genuíno amor e foi assim que subiu ao trono para reger o mundo, dando suprimento contra a fome. Um moço que sofreu sob a força da graça pode obter um coração generoso e compassivo.
        Nota-se que José não era um bobo; não era vencido por sentimentos, apesar de ser cheio de emoções. Em meio às forças saltitantes da carne ele pode se conter e assim experimentar seus irmãos, para que no tempo certo pudesse agir. Foi num ambiente tomado de juízo, sabedoria e misericórdia que os irmãos de José puderam experimentar o real significa do perdão. Foi um ambiente de corações quebrantados, resultando em choro de alegria. A compaixão de José fez com que as maldades daqueles homens fossem perdoadas e esquecidas. Que incrível história do amor, perdão e compaixão de Deus por pecadores!
        A história de José seria suficiente para nos deter por muito tempo, porque é cheia de atrações para nossas almas. Mas quero que chequemos a vida de Neemias. O livro dele narra um pouco acerca desse homem que também mostrou ser cheio da compaixão de Deus. O período do domínio babilônico tinha passado para entrar o reis da Média e da Persa, aliás um período de muitas bênçãos para os desterrados judeus. Neemias se tornou um funcionário público, trabalhando no palácio como copeiro do rei. Foi um moço que conquistou a confiança do rei e poderia viver confortavelmente o resto da vida. Para que pensar em voltar para Jerusalém? Mas aquele homem de fé não pensava assim. O conforto do palácio não tirou os afetos de Neemias pela sua cidade – Jerusalém e pelo seu povo.
        Quando Neemias soube da condição de Jerusalém, com os muros caídos e com os judeus vivendo na miséria lá, isso foi suficiente para encher seu coração de tristeza. Neemias amava seu povo, bem como amava sua cidade. Ele realmente queria levar seu  socorro para Jerusalém, por isso resolutamente buscou o Senhor em santa oração, súplica e intercessão (Neemias 1). Eis aí o segredo de um coração compassivo. O homem de fé conhece o coração compassivo de Deus. Neemias sabia que o Deus de Israel era um Deus de tremenda compaixão, por esse fato ele orou.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (4)



“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS BÍBLICOS.
        Tomemos a vida de Moisés como sendo um modelo de compaixão. Ouvi uma mensagem do diretor da escola onde estudei e o tema foi: “Moisés, o amigo de Israel”. Naquela mensagem sr. Paulo Guiley procurou mostrar o quanto Moisés, ao interceder pelo povo, mostrou ser um grande amigo. É claro que o pregador usou Moisés para mostrar o amor de Cristo na cruz em favor dos pecadores. Mas aqui desejo mostrar o quanto a compaixão de Deus envolvia aquele homem. O texto que quero tomar agora é a passagem famosa de Êxodo 32, quando o povo de Israel fez o bezerro de ouro e numa atitude blasfema adorou o bezerro, dizendo que foi esse ídolo que lhes havia tirado do Egito.
        Obviamente a compaixão não era proveniente do próprio Moisés. Sem dúvida alguma ele aprendeu misericórdia na sala de aula da graça com o próprio Senhor. Moisés era incansável em permanecer na Tenda da Congregação, lugar onde ele permanecia com o Senhor. No capítulo 32 vemos como Moisés tinha um conhecimento profundo do seu Deus; ele O conhecia como o Deus de Abraão, o Deus que fez as promessas, a aliança e ligou Israel nessa aliança. Por esse fato Moisés orou com sabedoria, foi incisivo e vitorioso em sua intercessão. Assim, quando ele percebeu a gravidade da situação, que o povo havia pecado contra o Senhor; quando ele percebeu a fúria para destruir o povo, imediatamente Moisés se colocou entre Deus e o povo. Isso é compaixão. Moisés não estava interessado em si; não tinha ambições terrenas, pois já havia renunciado o Egito com suas grandezas. Ele se entregou, a fim de sofrer pelo povo de Deus e com esse povo. Por isso ele foi ousado em sua petição.
        Nota-se que a compaixão não é desligada de conhecimento; não é veiculada por meras emoções. Ter compaixão significa que a pessoa experimentou isso em sua vida, porque Deus usou de compaixão para com ele, por isso ele pode usar de compaixão com seus semelhantes. Deus usa seres humanos nos contatos com outros seres humanos. Os anjos nunca seriam instrumentos de compaixão, porque eles nada sabem disso, mas homens salvos sabem. Outra nota importante é que a compaixão não se desliga do juízo. Ambos estão interligados. O Deus de toda compaixão é o mesmo Deus que vem em Sua fúria contra os inimigos. Moisés foi assim, pois quando desceu do monte e viu a realidade do que havia acontecido, não encobriu a maldade do povo. Moisés foi forte e capaz de lidar com a situação, ordenando que milhares fossem mortos, mas ele fez isso não usando a espada de Deus, mas sim aqueles que realmente estivessem dispostos a lidar com a situação.
        Podemos aprender a conquistar compaixão? Claro que podemos! A razão óbvia é que Deus usou de compaixão conosco. Tenho percebido que quanto mais afligidos somos aqui, mais cresce a compaixão de Deus em nós. Quanto mais estivermos perto do Deus que nos amou em Cristo, mais conquistaremos dessa imensidão do coração de Deus. Quanto mais distantes da palavra e mais perto do mundo estivermos, mais ocos, levianos e egoístas seremos em nosso trato com seres que estão ao nosso derredor, os quais caminho céleres para o abismo de horror – o inferno.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (3)


                          
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS BÍBLICOS.
        Quando olhamos a história narrada por Deus em toda Escritura, o que percebemos é a jornada de juízo e de misericórdia de Deus por este mundo. Queremos destacar essas compaixões de Deus em favor de homens perdidos, caídos no pecado. Essa luz benditas desse “sol de misericórdias” brilha em todas as páginas, desde a queda, até o final de todo esse programa da graça de Deus agindo neste mundo. Não podemos pensar em Noé sem perceber que através da vida daquele crente Deus estava expondo ao mundo de então o quanto Ele é compassivo e tardio em irar. Por muitos anos Noé, em seu trabalho de construir a arca para a salvação de sua casa, estava mostrando que qualquer um poderia escapar do juízo de Deus, que viria com o dilúvio. Sem dúvidas, Noé amava seu povo e queria ver o bem eterno deles.
        Outro exemplo de notável compaixão temos na vida de nosso pai na fé – Abraão. Quantos ensinos ele passa a nós de uma vida de íntima confiança em Deus! Um homem compassivo é acima de tudo alguém que se compadece e busca socorrer seu próximo e foi assim que Abraão mostrou essa atitude para com Ló, seu sobrinho. Vemos que compaixão não é algo de um coração medroso, pois Abraão era exatamente o contrário – muito corajoso. Quando reis inimigos se ajuntaram e levaram Ló com a família, Abraão reuniu seus homens e corajosamente foi derrotar aqueles elementos para trazer de volta Ló com a família.
        Mas o destaque na atitude compassiva de Ló  foi quando ele aproveitou a presença do Senhor e intercedeu em favor de moradores de Sodoma e Gomorra (Gênesis 18). Deus já havia determinado destruir aquelas cidades, devido a gravidade do pecado daquele povo. O Senhor ficou ali porque estava perante Seu servo e ouvira a petição dele. Que momento incrível! Quantas vezes Abraão mexeu com o coração gracioso do Senhor! Quantas vezes tocou na sensibilidade compassiva de Deus! Abraão nem citou Ló, ele mencionou a hipótese de haver justos na cidade. Eis ali a ligação que seres humanos têm com Deus em orar compassivamente por seus semelhantes e nós devemos aproveitar isso. Deus usa seres humanos salvos para lidar com seres humanos não salvos. Os dois anjos foram para Sodoma, a fim de exercer juízo ali, mas o Senhor comunicou Seu coração, não a um anjo, mas a um homem que foi salvo por Ele.
        Não é uma lição incrivelmente prática para nós? Claro! Vivemos envolvidos num sistema terrivelmente egoísta neste mundo. Hoje vemos cada um buscando um melhor e mais confortável modo de viver e por isso é raro ver pessoas chamadas de crentes envolvidas em oração piedosa, choro e tristezas em face de um mundo que desce para o abismo de trevas e terrores eternos. Muitos estão contentes e satisfeitos, porque, segundo eles foram salvos, eleitos por Deus antes da fundação do mundo. Ah! Como é confortante isso! Nada mais lhes interessa, pois acharam um confortável colchão doutrinário, onde repousam. Mas o que a bíblia nos ensina? Não é para que os eleitos de Deus sejam cheios de ternos afetos de misericórdia? Não é para que agora, valentes soldados do Senhor estejam prontos para a guerra da intercessão, como foram homens de Deus no passado?

sábado, 16 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (2)


“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
OLHANDO OS EXEMPLOS DISSO.
        A compaixão por nossos semelhantes para algo que jamais poderemos alcançar. Sem dúvida é algo que vem de Deus em nós, porque não faz parte de nossa natureza sentir compaixão. A título de esclarecimento, não estou tratando de ter compaixão das pessoas pobres, doentes e que sofrem outros problemas causados pelo pecado neste mundo. Muitos dão de seus bens, a fim de aliviar milhares da fome, como acontece em muitos lugares na África. É claro que muitos santos de Deus já se entregaram, a fim de encarar o sofrimento físico de muitos e sei que muitos deram até mesmo suas vidas para morrer por outros que sofrem. Não devemos ignorar tais atitudes heroicas de homens e mulheres que não somente fizeram isso, mas que ainda estão fazendo nos quatro cantos deste mundo.
        Quero, entretanto olhar o ponto de vista espiritual. Eu creio e prego as doutrinas da graça; creio na eleição incondicional, na depravação total e nos outros pontos que completam o que muitos denominam de “Calvinismo”, mas que eu considero como sendo o puro e santo evangelho. Quem lê minhas mensagens digitadas ou pregadas podem percebem as minhas reais convicções. Sinceramente não me ocupo com outros detalhes e costumes dos calvinistas do passado nem do presente. Meu trabalho consiste em pregar o evangelho que considero ser o evangelho da glória. Não tenho comigo os 5 pontos das doutrinas da graça, a fim de discutir ou até brigar, deixo isso com outros. Quero pregar o evangelho que me foi confiado e que homens santos e fieis pregaram no passado. Para mim o evangelho é completo, tendo tudo o que os homens precisam.
        Mas, o evangelho bíblico deve envolver nossas vidas em compaixão. Veja bem, sei que o Senhor está salvando e irá salvar os eleitos, porque Ele conhece os que de antemão conheceu. Mas quanto aos não eleitos? A resposta é que eu não sei quem são eles. Ninguém tem o título de eleito na testa ou na mão. Conhecemos o povo eleito na conversão. Eu sei que sou um dos eleitos de Deus, porque Ele me salvou dos meus pecados, o que eu jamais poderia fazer por mim mesmo. Mas, o que fazer com os milhares que vivem ao nosso derredor; com os que se encontram nas trevas, cegos, surdos, mudos e paralíticos espiritualmente? O que fazer com um mundo que odeia Deus e que odeia o povo de Deus. Enquanto estivermos aqui viveremos ao lado deles. Alguns crentes têm parentes não crentes; nossos vizinhos, amigos, colegas de escolas e de trabalho, etc. eles são muitos.
        O que acontece normalmente é que esquecemos deles. Muitos se acomodam e deitam no gostoso “colchão” da eleição e ali se sentem confortados. Mas a mensagem vem para nos dar um “beliscão” nos fazer lembrar que estamos no mundo; que milhões vão morrer e irão para o inferno; que eles estão em Adão, mas que nós também estávamos em Adão anteriormente. Eles são nossos semelhantes; temos o mesmo sangue, falamos a mesma língua, etc. Podemos nós sentir as compaixões de Deus por eles? Podemos nós desejar que eles também sejam salvos? Podemos nós tentar, como que agarrá-los, para que eles não caiam no inferno? Ora, foi isso o que Paulo mostrou em Romanos 10:1 e espero que seja algo que nos motive a dar um passo gigantesco nesse desafio

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A COMPAIXÃO POR NOSSOS SEMELHANTES (1)


                        
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação”
(ROMANOS 10:1)
INTRODUÇÃO:       Amado leitor, tomo este tema agora porque constitui para mim um grande desafio. Quando examino fico perplexo ao ver que nada há de compaixão em mim em relação aos meus semelhantes. Mas quando leio as palavras de Paulo em relação à sua nação, seu povo Israel, posso me animar mais, por saber que homens semelhantes a mim conquistaram a compaixão de Deus em relação aos seus semelhantes. Não somente Paulo, mas grande é a fileira de homens e mulheres que demonstraram fervorosamente uma compaixão abnegada em favor dos seres humanos caídos. Isso significa que posso também obter essa riqueza extraída da graça de Deus. Eu sei o quanto a queda nos tornou egoístas e perversos. Ao tratar de um tema como este sei que nada vai nos motivar a pensar nos que perecem. Vejo isso em minha própria vida e confesso a vocês que tenho de clamar a Deus que Sua compaixão venha encher minha vida.
        Ora, a bíblia está cheia desse ensino prático e doutrinário sobre as misericórdias de Deus. Foi após a grande tragédia ocorrida em Jerusalém, quando o exército caldeu tomou posse da cidade, matando milhares, pondo fogo em casas e prédios e levando cativos milhares para Babilônia e deixando atrás as marcas do que significa destruição. Foi nesse ambiente de tamanha desolação que Jeremias disse: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos destruídos, porque as suas misericórdias não têm fim” (Lamentações 3:22). Foi uma lição aprendida após esse amargo acontecimento. Quando vemos nações sendo destruídas pelos terroristas, famílias inteiras assassinadas, parece que o “sol” da misericórdia brilha mais numa ocasião dessa.
        Mas não é o momento para que esperemos que horríveis coisas aconteçam conosco ou com nosso povo, para aprendermos sobre misericórdia, porque a bíblia deve ser nosso livro de instrução doutrinária e prática. Olhemos o que Deus nos ensina, contemplemos o fato que Ele usou de misericórdia para conosco, (Tito 3:5). Acredito que o evangelho tão raso e aguado, como o que tem sido espalhado no mundo ultimamente tem mais trazido escuridão do que iluminação. Não vejo o povo chamado crente entendendo o que significa as ternas compaixões de Deus. Não vejo os que dizer ser salvos podendo compreender no íntimo o que Paulo quis dizer: “Rogos irmãos, pelas misericórdias de Deus...” (Romanos 12:1).
        Uma razão clara é que falaram da graça, do amor, mas não disseram nada acerca da condição vil do pecador em seus pecados. Vi um folheto num supermercado mostrando vários  versos da bíblia que tratam sobre a salvação e no fim orientando a pessoa a fazer uma decisão de aceitar Jesus. Esse folheto é um pequenino resumo do que acontece com o chamado evangelho falado em nossos dias. Nada é dito a respeito da condição do homem perante a lei, da miséria dele, do seu coração em estado depravado e arrogante. Não há mais aquela pregação que aponta a lança de Deus ao coração. Tudo hoje é feito de tal maneira que não crie obstáculo para o pecador, tudo é feito para que ele seja encaminhado para tal decisão, e amargamos com isso resultados desastrosos para a igreja de Deus e para o testemunho dos salvos neste mundo.