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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (10 de 10)



“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
CONHECENDO A UNIDADE NA PRÁTICA.
        Quando nosso Senhor fala acerca da unidade da igreja no texto, Ele refere-se a toda igreja, a composição de todos os remidos. É claro que no texto os discípulos que estavam ali em Sua presença representavam a totalidade do Seu povo. Posso afirmar aqui que é essa unidade é vista na unidade da fé. Não existe um crente sequer que creu de modo diferença, que recebeu outra justiça fora de Cristo, que foi aceito por Deus mediante outro mediador. Assim, a linguagem dos crentes no que tange à salvação de suas almas é uma só. Todos podem dizer juntos que Cristo morreu por eles. Pode haver diferença em estilos de cultos. Não podemos comparar um culto numa tribo de índios com um culto feito numa igreja americana. Mas, se unirmos os crentes americanos com os crentes indígenas, veremos que a fé é a mesma, a alegria é a mesma, a confissão é a mesma, a esperança e o amor são os mesmos.
        Quero dar ênfase ao fato que satanás utiliza o mundo na tentativa de destruir a unidade da igreja. Tudo ele faz para apagar a força dessa brilhante luz da fé cristã que brilha no coração do salvo. O que ele faz é o que acontece com as nuvens quando encobrem o sol, mas é por pouco tempo. De forma esperta satanás procura confundir tudo com imitações religiosas e ultimamente isso tem acontecimento (pelo menos aqui no Brasil). Impressionante como ele espalhou a fé para todos; como ele conseguiu levar a todos a ter a mesma linguagem “cristã”, usando os mesmos vocábulos bíblicos, como louvor, interseção, oração, adoração, etc. na tentativa em fazer com que os pecadores sintam que Deus é o Deus de todos.
        Satanás também procura imitar com falsas conversões. Facilmente todos hoje sentem que pertencem a Jesus; parece que há um avivamento, mas claramente vemos que não é obra do Espírito Santo e da Palavra. É apenas uma euforia emocional sem qualquer resultado de temor a Deus e vida piedosa no viver. Enquanto isso a sociedade tem prazer em usar palavreados religiosos em suas festas e em suas maldades. O falso crente não conhece unidade do espírito, porque não é a mesma fé, a mesma esperança e o verdadeiro amor.
        Satanás também tenta imitar a unidade da igreja utilizando falsos pastores. Elementos que jamais conheceram a salvação em Cristo e que jamais tiveram suas vidas transformadas pelo poder da graça passaram a liderar a igreja do Senhor, trazendo trágicos problemas. Pastores homossexuais têm tomado a frente de igrejas; mulheres passaram a ocupar o cargo que Deus entregou apenas a homens chamados por Ele para esse serviço santo. Assim vemos escândalos e mais escândalos envolvendo a igreja em nossos dias, de tal maneira que o cristianismo passou a ser motivo de chacota da parte dos infiéis. O que podemos dizer sobre pastores amantes de dinheiro? Não são mais novidades os escândalos que ocorrem em casos de adultérios envolvendo pastores e até mesmo assassinatos como queima de arquivos para encobrir maldades.
        Mas a unidade é mantida por Deus. O Senhor conhece os que Lhe pertencem. Podemos conhecer os verdadeiros crentes, pois são conhecidos pelo amor que têm pela palavra de Deus. Os santos são todos assim em qualquer lugar deste planeta. Eles amam a Cristo, são verdadeiros discípulos e seguem ao Senhor. Em muitas nações eles são perseguidos cruelmente e mortos, porque ousam confessar a fé em Cristo Jesus. Não importa se há heresias, os santos não toleram a mentira e são capazes de discernir a mentira. O Senhor guarda o Seu povo; livra suas ovelhas das garras dos lobos devoradores e retira Seus santos dos ambientes mundanos e ímpios. Deus está à frente do Seu rebanho. Se os pastores falham, o Senhor não falha, porque Ele ama e deu Sua vida para ter consigo o pequenino rebanho. Ninguém, nem mesmo a apostasia reinante pode apagar a força da luz que emana do povo de Deus aqui na terra e um dia o universo inteiro será tomado pelo fulgor da beleza e formosura de Cristo, vistas na igreja.






quinta-feira, 28 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (9)


     
“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
CONHECENDO A UNIDADE NA PRÁTICA.
        A unidade da igreja é vista na santíssima fé que foi entregue aos santos de uma vez por todas. Vivemos numa época de frouxidão doutrinária e consequentemente frouxidão no amor e noutros detalhes da vida cristã. O espírito da época é de covardia espiritual, de busca por conforto e amizades humanas. Com isso os homens ignoram o que significa a verdade pela qual podemos doar nossa própria vida. Em nome de uma paz tosca milhares não percebem a cilada do diabo na área religiosa. A unidade da igreja indica que santos de Deus pensam e creem na mesma coisa. Eles estão estribados na história da cruz e as outras doutrinas, do céu, do inferno, da segurança eterna, da igreja, de Deus, do Espírito Santo, do Senhor Jesus, Deus-Homem eles carregam no coração como armas de defesa e ataque na batalha contra o mal.
        A unidade é vista na demonstração de firme amor que se manifesta em buscar o bem do próprio em todos os detalhes da vida. Os verdadeiros crentes realmente amam, com amor sincero. O amor bíblico não é cego, não vive de meras emoções; não engole o mal, mas tem consigo as armas da fé para ajudar, consolar, edificar e fundamentar uns aos outros. Os sinceros crentes querem estar na igreja, nos cultos, adorando a Deus juntamente com outros irmãos. A unidade da igreja é vista num viver de santidade, mostrando individualmente que pertencemos ao Senhor. Uma vida mundana e carnal só evidencia o fato que a pessoa não pertence à igreja do Senhor. Sincero desejo de pureza no viver, a fim de agradar ao Senhor é prova clara que a pessoa pertence à noiva de Cristo.
        A unidade da igreja é vista num viver de justiça. Aliás, justiça é santidade na prática. Os que conheceram a perfeita justiça de Cristo na salvação, realmente querem andar na justiça prática. Esse é o ensino de Romanos 6, onde Paulo diz que os que foram justificados passam a servir a justiça. Não vemos isso em nossos dias. O que vemos são homens e mulheres que afirmam serem crentes, mas que desconhecem o real significado de justiça. A mulher crente que não se submete ao seu marido, realmente nada conheceu da justiça de Cristo. O marido que não lidera com amor a vida de sua esposa, desconhece a justiça; filhos que não respeitam seus pais, nada sabe de justiça prática, e é assim o que acontece na sociedade, onde a igreja brilha a glória de Cristo num mundo de escuridão. A igreja é submissa a Cristo e na vida individual essa submissão deve ser vista. Jesus é o Senhor da igreja; Jesus é o Senhor de homens e mulheres que foram salvos e libertos da morte para a vida. A igreja pertence a um reino – o reino de Deus, portanto devemos entender que há um Rei a quem devemos submissão, respeito e obediência.
        Também, a unidade é vista pela fé. Não servimos ao Senhor tendo os princípios da carne e do mundo como base. Os verdadeiros crentes recusam sentimentos e costumes desta vida passageira. Os verdadeiros crentes são conhecidos como os que creem naquilo que está escrito e pronto. Nem todos têm profundos conhecimentos teológicos, mas todos carregam a sublime verdade em seus corações; eles amam o Senhor e a fé deles tem sido provada e aprovada no fogo das dificuldades achadas aqui neste mundo. A unidade da igreja tem as Escrituras como o livro onde os santos puseram sua confiança; é o pão e a agua da vida dos fieis. Os que não são do Senhor podem ser conhecido até mesmo numa igreja, como odeiam a verdade; como pessoas que não se interessam pela palavra de Deus. Pertencem eles a uma igreja, mas não à igreja do Senhor. Não são ovelhas, mas sim bodes, porque dão trabalho para o pastor.
Que o Senhor tenha misericórdia de muitos que vivem enganados!

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (8)



“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
CONHECENDO A UNIDADE NA PRÁTICA.
        Posso ir mais longe ao afirma que a unidade da igreja não é vista numa aproximação de comunhão em torno de uma organização religiosa. É claro que devemos esforçar por ter comunhão com nossa denominação. Eu mesmo sou batista e amo o movimento, pois desde meu nascimento era levado à igreja por minha mãe. Estou filiado a essa denominação a muitos anos e amo essa comunhão batista. Mas esse ajuntamento em torno de nossa denominação não significa unidade da igreja. Ela nos fortalece, anima e nos encoraja a lutar pela causa. Quando estamos juntos percebemos o quanto os verdadeiros crentes amam ao Senhor e edificam uns aos outros. Mas não significa a unidade da igreja, porque muitos dentro de uma denominação não são realmente crentes e outros buscam mais os interesses da denominação do que da causa da verdade.
         Digo mais, que a unidade da igreja não é algo que se fundamenta em alegria tosca e atividades, como churrascos, baladas evangélicas, programações sociais, e coisas do gênero. Tudo isso pode trazer alegria carnal, formar amizades e ajuntar o pessoal para que compareçam mais na igreja. Essas coisas em si mesmas não são erradas, mas elas não mostram a real unidade da igreja. Ultimamente tem sido dada muita ênfase a essas coisas, como se elas fossem essenciais para o bem da igreja. Muitos até mesmo deixam a igreja e vão à procura de outras, porque não têm essas atividades. Acontece que muitos faltam em alguns cultos, não levam a sério o culto de oração, a edificação mútua, nem tampouco dão apoio aos cultos onde é destacada a pregação do evangelho.
        Olhando de forma mais positiva, posso afirmar que a unidade da igreja é vista numa vida de fé. Percebe-se hoje que não há isso em muitas igrejas, pois não há o mesmo espírito de fé. Alguns compartilham do culto porque gostam do pastor, do ambiente, ou mesmo por causa de algumas atividades citadas, ou mesmo dos chamados louvores. Mas a fé que eles têm não é bíblica. Eles não compartilham da confissão santa vinda de uma conversão genuína. Alguns desconhecem a verdade da cruz, porque jamais experimentaram a realidade do novo nascimento. Alguns jamais pegam na bíblia para ler durante a semana, não interessam por uma vida piedosa no lar e na sociedade, por isso não se ocupam em servir, exortar, consolar e ajudar uns aos outros.
        A unidade verdade é vista nos resultados produzidos pelo evangelho. É exatamente isso o que vemos em Atos 2, porque após a conversão de mais de três mil almas, a igreja se  uniu em comunhão mostrada no temor ao Senhor e estar juntos na adoração, no partir do pão e nas orações. O evangelho é poderoso e suficiente para operar a viva fé nos corações e essa fé é igual, comum a todos os santos. Todos os crentes creem no mesmo Senhor e estão ligados a Ele no que se refere ao ocorrido na morte, sepultamento e na ressurreição do Senhor. Todos os santos podem dizer que Cristo morreu no lugar deles e é isso que mostra a unidade na fé. É óbvio que se cem crentes de uma igreja tiverem a mesma fé no Salvador que foi morto, sepultado e ressuscitado, então a unidade será vista naquela igreja.
        Essa unidade produzida pelo evangelho é mostrada no mundo inteiro. Se eu for visitar outro país, lá verei crentes com a mesma fé. A linguagem deles não interrompe a confissão que envolve a vida de todos os santos. Todos têm a mesma alegria, o mesmo sentimento e o mesmo prazer pela palavra. A unidade não discrimina a raça, a cor, a cultura, etc. Ela é igualmente preciosa na Pessoa do nosso Senhor.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (7)



“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
CONHECENDO A UNIDADE NA PRÁTICA.
        Veremos agora o que realmente significa essa verdade na prática. Primeiramente mostrarei isso no aspecto negativo. Sabendo como o mundo pensa de forma enganosa, necessário é que mostremos o que não é, a fim de sabermos a verdade positiva. Posso afirmar com segurança que a unidade da igreja não é vista num ajuntamento ecumênico, porque tal ajuntamento pode agradar ao mundo, mas não a Deus. A igreja veio da verdade, enquanto as religiões fabricadas aqui no mundo são resultados de mentiras, mesmo aquelas que parecem ser verdadeiras; mesmo aquelas que foram erigidas tendo algumas verdades como base. Se não for toda verdade, conforme o evangelho de Cristo, então o ajuntamento torna-se um verdadeiro perigo.
        Onde há qualquer elemento de mentira, tal mentira irá lutar para que a verdade seja tirada. Nunca houve nem haverá qualquer possibilidade de unir a luz com as trevas. Ora qualquer mentira não é luz, mas sim treva. Em atos 15 vemos como simples costumes da lei queria entrar para desfazer a obra da graça no meio dos gentios, e foi por isso que foi necessária a reunião dos apóstolos e pastores para tratar do assunto, trazendo a vitória da verdade. O Senhor, o Deus de toda verdade não está presente num ajuntamento ecumênico, mesmo que estejam fora terríveis seitas. Satanás cria um ajuntamento mentiroso normalmente chegando mansamente, trazendo ideias aparentemente bíblicas e que na aparência trarão bons resultados.
        O pai da mentira se apresenta neste mundo como um anjo de luz, a fim de enganar pastores e igrejas, convidando-os para uma suposta comunhão. Os que não estão na fileira dos fieis à verdade do evangelho não são dignos de confiança; normalmente são simpáticos por fora, mas cruéis por dentro. Custou caríssimo para o rei Josafá a tentativa de se unir com o perverso rei Acabe (2 Crônicas 18). Percebe-se que ele queria ajudar o rei do norte. Mas quase foi morto e depois da sua morte houve consequências funestas para sua família (2 Crônicas 21). O movimento moderno luta incessantemente para unir a fé do mundo à fé dos verdadeiros crentes. Quanto perigo! O resultado tem sido visto com satanás conseguindo desarmar os fieis. Muitos pastores ficaram calados e não pregam a verdade como deve ser pregada; muitos crentes se associaram à fé dos ímpios e a igreja deixou de brilhar num mundo perigoso e odiador de Deus.
        Os servos do Senhor devem estar munidos de toda verdade e com real discernimento, se realmente querem o bem espiritual da igreja e a glória de Deus no mundo. Muitas vezes queremos ignorar o que dizemos ser “picuinhas” evangélicas. De fato têm tais “picuinhas”, pois tratam de coisas sem qualquer valor, como roupas e costumes. Mas às vezes caímos no laço de não levar a sério poderosas doutrinas, deixando-as de lado, como se fossem coisas sem importância. Para Golias, a pequena pedra que Davi pegou não tinha valor, comparada com a espada e sua armadura. Mas foi a pequena pedra que lhe tirou a vida. O que é importante deve gravado no coração, como algo da nossa fé. Nossa espada deve ser mantida limpa e amolada para os momentos de guerra. Devemos cuidar, porque uma pequena abertura nas nossas convicções santas é que satanás causa um rombo.
        Quando vemos um cristianismo apagado, mundano, sem profundidade nas convicções é que notamos onde satanás chega e ganha vitória. O ecumenismo atual vibra com as canções mundanas de um povo chamado evangélico, que foi derrotado pelo trabalho sutil do pai da mentira, que disfarçado de anjo de luz conseguiu fazer a cabeça de muitos.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (6)

                        
“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
A INDESTRUTIVEL UNIDADE: “E eu lhes dei a glória...”
        Quando nosso Senhor declara: “E eu lhes dei a glória...” Ele refere-se à glória que lhe foi dada pelo Pai desde que entrou no mundo. Trata-se daquela glória santificadora, quando Deus separa alguém para si e a protege, assim como fez com Seu Filho enquanto aqui esteve. Foi a glória que preservou o Filho em santidade, protegendo de todo mal e das atividades do mundo e dos poderes das trevas aqui. É também a glória do amor do Pai pelo Filho: “Este é meu Filho Amado...”. O prazer do Pai pelo Filho não foi desfeita na humilhação; nada foi alterado e Deus comunicou essa verdade ao homens neste mundo. Também, posso afirmar que foi a glória da verdade, para que o Filho fosse cercado, envolvido pela luz da verdade no viver, no andar e no propósito para o qual Ele veio ao mundo. Foi essa glória dada pelo Pai que preservou o Senhor da maldade e da contaminação de um mundo maligno e sujo. Mesmo carregando em Seu corpo de humilhação os pecados do Seu povo, nosso Senhor foi guardado como o Cordeiro puro e livre de qualquer mácula, mantido assim para a obra da redenção que seria efetuada de uma vez por todas ali na cruz.
        Foi essa a glória que Cristo passou para Sua igreja; assim como um homem que ama sua noiva passa sua proteção, carinho, amor e cuidado para ela, envolvendo-a por completo. Notamos essa linguagem acerca dessa envolvente glória que reveste a igreja aqui na terra de várias maneiras mostrada nas Escrituras. Em Efésios 5 Paulo afirma que “Cristo amou a igreja...”. O verbo usado no tempo passado em nada altera o amor do Senhor, porque é amor eterno. E esse amor envolve a igreja aqui na contínua proteção do Senhor, não importa onde os santos estão; se moram distantes uns dos outros; se são pobres aqui ou ricos ali, etc. o amor é o mesmo do Senhor em relação a todo rebanho de ovelhas.
        Na linguagem ilustrada do Senhor Ele declara que conhece Suas ovelhas (João 10). Significa que Ele não perde nenhuma de vista. Neste mundo somos tão limitados e mesmo que eu ame meus filhos e minha esposa, eu fatalmente os perco de vista. Quando estão longe eu fico incapaz de ajudar numa difícil situação. Mas não é o caso do Senhor em relação ao Seu povo, pois conhece individualmente seu povo eleito e não perde nenhum deles de vista; está sempre presente (Salmo 46:1), cuidando, guardando e protegendo de todo ódio de satanás usado seu sistema mundano. Em Mateus a linguagem do Senhor é de um filho mais velho cuidando dos seus irmãos. Era costume dos judeus que o primogênito envolvesse seus irmãos mais novos de segurança, caso o pai não estivesse por perto. Em Mateus Ele chama Seu povo de “Meus pequeninos”, como se estivesse lidando com crianças.
        Assim, vemos que a igreja é uma unidade. Pode não aparecer essa unidade numa igreja, devido ao fato que muitos que participam do rol de membros de uma igreja não são genuínos crentes. E mesmo que todos sejam sinceros crentes, há uma unidade sim, mesmo sendo diferentes como pessoas. A unidade é vista em que todos têm a mesma fé e lutam juntos pela mesma causa do evangelho, como se fossem um só corpo. A igreja é indestrutível. O fato que há diferentes igrejas, não significa que desunião. O que vemos é discordância em doutrinas e outras coisas que são importantes. Mas a verdade é que há uma unidade sim. Se eu encontrar um crente de outra igreja no centro da cidade, por exemplo, mostraremos nossa unidade de fé na alegria que temos de pertencer a Cristo. Essa é a prova da unidade. Há uma ligação inquebrável feita pela obra da cruz na vida de todos os genuínos crentes, mesmo que sejam de igrejas diferentes

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (5)



“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
A INDESTRUTIVEL UNIDADE: “E eu lhes dei a glória...”
        Outra impressionante lição aparece na oração do Senhor em João 17, quando Ele afirma que deu aos Seus a mesma glória que o Pai lhe havia dado. Creio que será de grande utilidade para nós a compreensão dessas palavras ditas pelo nosso Senhor, em Sua oração ao Pai. Será que Ele passou para a igreja a mesma glória que Ele, como Filho sempre teve? Nosso Senhor claramente não está referindo à glória que é atribuída a Deus, que pertence somente a Deus e que jamais será dada a qualquer pessoa entre os homens, ou mesmo entre os anjos.
        O Senhor estava ciente dessa glória que Ele mesmo colocou de lado, por assim dizer, a fim de ser humilhado ao baixar-Se aqui neste mundo. Ele não perdeu essa glória, apenas não a usou, conforme vemos em Filipenses 2:5. Ele anelava estar de volta à mesma posição ao lado do Pai, uma vez cumprido Seu ministério aqui. A glória que estamos vendo em Sua oração trata-se da glória que o Pai lhe deu assim que o Filho entrou no mundo. Essa glória Ele a passa para a igreja. Creio que será de grande valor para nossas vidas, se obtivermos o conhecimento dessa glória, passada pelo Senhor para Seus discípulos aqui. Já sabemos que a glória pertencente à divindade jamais será dada à igreja. A igreja nunca terá as atribuições que pertencem a Deus. A igreja nunca será onipotente, onisciente ou onipresente; a igreja nunca terá o atributo de ser eterna. Ela habitará a eternidade, mas ela sempre entenderá sua história que teve inicio na queda. A igreja é santa, mas ela terá o atributo de santidade que eternamente pertencia a Deus. E assim por diante.
        A glória que o Senhor passa para Seu povo é a glória que Deus deu ao Filho, a fim de que o mundo soubesse que era Ele o eleito de Deus, separado por Deus e para Deus. Essa glória jamais o mundo conhecerá, porque o mundo jaz no maligno. A glória da igreja no mundo é a mesma glória que preservou o Filho em santidade, amor e verdade, por ser Ele distintamente do Pai. Essa é a glória dada pelo Senhor à igreja aqui. Ela é a igreja do Deus vivo; ela brilha a glória de Deus aqui, como uma cidade construída sobre um alto monte (Mateus 5:14). É a glória que preserva a igreja em santidade aqui, pois foi ela comprada com sangue e amada desde a eternidade. Essa santidade distingue a igreja do mundo, como sendo propriedade exclusiva do Senhor, assim como um jovem separa a moça que ama, sendo ela distinta de qualquer outra. Não importa se a igreja sofre, passa por escuridão, sente o ódio opressivo do mundo, a igreja é santa e trabalhada pelo Espírito para ser apresentada ao Filho naquele grande dia.
        Também, pensamos como a igreja é gloriosamente amada: “...Cristo amou a igreja e a Si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25). Pensamos num homem que ama sua esposa, ou noiva e a cerca dessa proteção, de tal maneira que ela se vê segura, amparada e confiante. Assim é a igreja do Senhor. O amor de Cristo funciona como paredes e tetos de proteção sobre Seu povo, de tal maneira que não há quem possa deturpar e manchar a igreja. É fato que há muitos falsos crentes, mas isso não afeta o povo salvo, porque o Senhor conhece os que Lhe pertencem.
        Outro fato importante, que mostra a glória do Senhor, passada para os eleitos é que a igreja é coberta da verdade. A verdade é luz. Enquanto o mundo é coberto de trevas, a igreja é coberta desse brilho de glória, proveniente da verdade que nos foi revelada. O Senhor não é um Deus que se ocultou, em tudo o que a igreja precisa saber já foi revelado a ela, por meio da palavra escrita.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (4)


                   
“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
O QUE SIGNIFICA UNIDADE
        Na página anterior procurei mostrar através da própria bíblia o que significa unidade. Nosso Senhor está lidando com Seu povo eleito, o povo por quem Ele se entregou na cruz, pela igreja que Ele amou e a comprou com Seu sangue. A igreja forma uma unidade, como é um corpo, por isso que Paulo usou essa figura de linguagem em 1 Coríntios, a fim de tratar sobre esse assunto. O fato é que, embora no mundo a igreja de Deus não mostra unidade, parecendo dispersa e separada, realmente a igreja de Deus é uma verdadeira unidade ligada a Cristo. Paulo fala de Cristo como cabeça e a igreja como Seu corpo. Ora, isso é unidade.
        Não esqueçamos que a igreja toda, no mundo inteiro participa igualmente das maravilhas dessa união mística, resultante do amor do Senhor pelo Seu povo. Em Romanos 6 Paulo diz que a igreja, de forma intrínseca foi ligada a Cristo em Sua morte, sepultamento e ressurreição, a fim de que a confissão de fé de cada crente possa ser igual: “Cristo morreu pelo meu pecado”, ou “Cristo morreu pelos nossos pecados”. Mencionei um pouco sobre justiça. Mas quero enfatizar o quanto esse assunto envolve unidade. Não há um crente sequer que foi aceito na salvação mediante seus méritos, como bondade, religião, etc. Todos foram igualmente justificados e vestidos da justiça perfeita do Filho de Deus. Assim, todos os crentes podem dizer, como diz um antigo hino: “Entrarei no céu enfim, pelo Seu precioso sangue”.
        A unidade da igreja é provada na forma como os verdadeiros crentes mostram santidade, porque habita neles o Espírito Santo. Todos os crentes amam a justiça e odeiam a iniquidade; todos os crentes lutam por crescer e agradar a Deus, vivendo para Ele, separando do mundo e vivendo para Sua glória aqui. Ser crente e não ser santo no viver é ser pior do que o mundo. Em Sua Palavra Deus ordena os seus que todos devem crescer em santidade (1 Pedro 1:15). É claro que nem todos os crentes desenvolveram maturidade em santidade, mas todos lutam por isso; todos carregam em seus corpos mortais os desejos malignos e vis do pecado, mas todos lutam no poder do Espírito para conquistar as grandes conquistas da fé, numa vida cristã separada para Deus. Assim vemos que há esse mesmo Espírito de santidade, amor, justiça e disposição de andar para o céu na vida de todos os sinceros crentes, e isso prova o quanto a igreja é uma unidade.
        Preciso avançar um pouco nesse assunto em pauta. A ligação que a igreja de Deus no mundo inteiro tem com o Senhor prova a unidade dela. As expressões: “Vós em mim”, e “Eu em vós” aparecem para fortificar ainda mais esse ensino. Foi isso o que Senhor quis dizer na oração em João 17: “Eu neles...”. Ainda em Romanos 8:1: “Não há condenação para os que estão em Cristo Jesus”. Essas palavras mostram que a igreja não é mera organização, mas sim um organismo vivo e eterno. Pelo batismo do Espírito Santo cada crente foi tirado da ligação que tinha em Adão para ser posto no segundo Adão. Assim como uma mulher passa a estar ligada ao marido num matrimônio, assim também a igreja está unida, ligada para sempre a Cristo Jesus.
        Que ênfase bendita é dada quanto a esse tema! Cristo amou um povo e se entregou por esse povo; Cristo amou um povo com amor eterno. Cristo amou um povo e todas as bênçãos espirituais pertencem a esse povo, devido a ligação que tem com esse Senhor (Efésios 1:3). Essa unidade é impossível ser desmanchada, pois todos os santos, em toda história e para sempre fazem parte dessa ligação que foi instituída na eternidade. Os crentes podem juntos cantar o coro de um antigo hino: “Eu sou de Jesus, aleluia! De Cristo Jesus meu Senhor!”

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (3)



“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
O QUE SIGNIFICA UNIDADE
        Devemos saber que não estamos tratando de união, mas sim de unidade. Pode haver união sem unidade. A união exige apenas o grupo, mas a unidade exige mais do que um grupo; na unidade há um só pensamento e um só objetivo. Na unidade tudo funciona como um corpo. Há diferentes membros no corpo humano, mas tudo funciona com uma perfeita unidade, de modo tal que se um membro do corpo estiver fraco ou doente, todo resto do corpo sente. É assim a unidade da igreja. Eu sei que a igreja no mundo parece ser dividida e é necessário que seja assim, mas na mente de Cristo Ele não via Seu povo como nós vemos no mundo. Nosso Senhor refere-se ao Seu povo, Sua noiva que Ele compraria com Seu sangue. Ela possui unidade. Essa unidade aparece no sentido de formar uma coisa só, de maneira que jamais será destruído.
        Como estamos tratando de coisas espirituais e eternas, feitas por Deus é mister que nos envolvamos com pensamentos da unidade divina. Nós cremos na existência de um Deus triuno; não cremos em 3 deuses, mas sim em 3 Pessoas que formam uma unidade chamada de Deus. É disso que entendemos o real significado de unidade. São 3 Pessoas, mas elas são co-iguais, possuindo os mesmos poderes da divindade, de tal maneira que as obras feitas têm em vista a glória de Deus. A unidade divina envolve todos os aspectos, na alegria, felicidade, comunhão, respeito, etc. Essas coisas todas pertencem a Deus de forma perfeita e as 3 Pessoas participam delas. Há em Deus alegria, felicidade, riquezas, emoções, comunhão, etc. e tudo de modo perfeito. Notamos isso nas palavras do Senhor (João 17): “...tu, ó Pai, és em mim, e eu em Ti, para que eles sejam um em nós”. Eis aí o real significado de unidade.
        Aprendemos isso também num casamento. Com profunda tristeza vemos hoje como o casamento está sendo paulatinamente destruído, para a ruina da sociedade. Mas quero ignorar isso, porque devemos lembrar que casamento mostra ser uma unidade. Embora são duas pessoas, elas se tornam de forma mística uma só carne. Há uma ligação incrível de dependência um do outro em todos os aspectos da vida e essa unidade é vista nos filhos, porque trazem consigo os traços do papai e da mamãe. Voltando às palavras do Senhor em Sua ligação com o Pai, vemos essa unidade porque Ele usa termos que nós usamos aqui, como “pai”  e “filho”.
        Na unidade há elementos que lidam nessa ligação incrível. Por exemplo, nosso Senhor fala do amor existente entre Ele e o Pai. Na unidade o que liga é o amor, como sangue que circula em toda essa ligação, mantendo tudo vivo. Podemos pensar na igreja como sendo ela assim, pois nela passa o sangue do amor do Senhor: “Cristo amou a igreja...” . E esse amor indica que há unidade, que não pode haver divisão na igreja do Deus vivo, mesmo que aqui neste mundo vemos separação e até mesmo contendas. Além do amor há a perfeita justiça que une o povo de Deus, formando uma família só. Nenhum crente foi salvo por obras; todos foram alcançados da mesma forma; todos foram justificados e aceitos por Deus mediante o sangue.
        A unidade também é vista pela presença do Espírito Santo. Coletivamente Ele veio habitar na igreja, mas essa verdade é vista individualmente em cada crente. Cada crente, individual prova a unidade da igreja vista coletivamente, porque o Espírito Santo veio habitar em cada crente. Não há crente com mais do Espírito Santo que outro. Alguns podem manifestar mais poder e maturidade, mas não significa que tenha mais do Espírito que outro.
        Que essas verdades venham encher nossos corações de alegria e prazer. A igreja é composta de milhões e milhões de crentes, mas há uma unidade nela. Com a graça de Deus continuaremos a examinar isso à luz das Escrituras.

sábado, 16 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (2)


     
“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
INTRODUÇÃO:      
        Devo continuar um pouco mais na introdução, tento em vista a necessidade de compreendermos o que nosso Senhor está falando em João 17, sobre a unidade da igreja. É claro que ainda Ele não foi à cruz; que não foi rasgado o véu do templo, dando um ponto final ao período da lei, a fim de que o evangelho pudesse alcançar judeus e gentios no muno inteiro. Retomemos onde finalizamos a página anterior.
        No capítulo 14 de João Ele mostra que Sua subida ao céu era para preparar o lar deles. O Espírito Santo desceria para habitar neles e glorificar o Nome do Senhor.
        No capítulo 15 o Senhor mostra a razão porque eles seriam deixados aqui neste mundo – para produzir fruto. O Senhor acrescenta o fato que Seus discípulos também encontrariam ferrenha      oposição do mundo contra eles, por causa do ódio que o mundo tem contra Cristo.
        No capítulo 16. Ele continua a mostrar a intensidade da perseguição do    mundo contra os santos. O Espírito Santo estaria aqui também para         convencer o mundo do pecado, justiça e juízo. Ele estaria guiando os santos na verdade. Então Ele mostra que o mundo seria o instrumento do ódio de satanás contra os santos de Deus. Percebemos que nosso Senhor não deixou Seus servos sem esclarecimento daquilo que eles precisavam saber. Eles foram advertidos do perigo que enfrentariam, mas por outro lado foram consolados com o fato que o Senhor, mediante o Espírito Santo viria para habitar neles. E no final o Senhor declara, então, a sublime vitória: “...eu venci o mundo!”
        3.     É nesse cenário de glória, de poder e da exuberante verdade eterna que começa o capítulo 17. Nesse capítulo os discípulos contemplam o Filho de Deus erguer sua cabeça e fazer essa impressionante oração de suplica ao Pai. Que majestoso momento! Ali não estava Moisés nem outro santo eminente, mas sim o próprio Senhor perante o santuário, falando com o Pai. O mundo estava do lado de fora planejando seus intentos perversos, mas ali no cenáculo havia as belezas ocultas do mundo mas cheias de glória e graça para os santos. Vale a pena meditar um pouco sobre essa oração do Filho.
        a)     Ele afirma que seu o trabalho mais glorioso estava chegando e logo estaria ao lado do Pai. O trabalho que Ele veio fazer terminaria com Sua morte e ressurreição e era anelo do Filho voltar à comunhão de glória que tinha com o Pai antes que houvesse mundo.
        b)     Ele faz um breve relatório daquilo que fora incumbido pelo Pai – dar vida eterna aos eleitos. Que ministério fiel! Estava chegando a parte final; era o momento do Cordeiro ser entregue pelo Seu povo. Não há medo Nele; há sim alegria e gozo. Logo estaria deixando este lugar transitório e agora seus pensamentos e palavras fixam nas realidades eternas. Aqueles que Ele veio buscar seriam envolvidos também na glória eterna.
        c)     Que Ele deixaria este mundo, mas que eles ficariam aqui, por isso Ele pede pelos Seus, não pede pelo mundo. Não é maravilhoso? Seus discípulos ficariam aqui para serem Suas testemunhas e expandir o reino de Deus pelo mundo. Eles seriam deixados como ovelhas no meio dos lobos; um mundo cruel, sob a liderança de satanás lhes esperava.
        d)     Pelo fato que eles ficariam aqui no mundo, certamente sofreriam os    ataques mais insidiosos e maliciosos do mundo. Por isso Ele pede pela unidade da igreja. Fui breve nesses comentários, apenas para mostrar que é exatamente aqui que desejo falar sobre a unidade da igreja de Deus. Minha esperança é que eu possa edificar os santos nesse assunto que agora devo tratar.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A INDESTRUTÍVEL UNIDADE DA IGREJA (1)


                
“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós para que o mundo creia que tu me enviaste” (JOÃO 17:21-23:)
INTRODUÇÃO:      
        Amado leitor estou introduzindo outro tema, na tentativa de ver o povo de Deus no mundo inteiro crescendo no pleno conhecimento da verdade. Sei que não sei acerca da verdade total, porque a cada dia aprendo mais. Mas o fato é que a igreja só será unida se conhecer toda verdade, especialmente naquilo que embasa nossa convicção de fé. Confesso que enfrento o maior desafio na pregação ao tomar um tema como esse. Já ouvi muito sobre a unidade da igreja e já presenciei programações feitas, sem dúvidas por homens sinceros, os quais buscaram com intensidade e oração o bem do povo de Deus. Mas a minha conclusão é que todo aquele esforço resultou em maior confusão. O que eles pensavam em unidade era a união das igrejas evangélicas, mesmo com diferenças de credos e costumes. Mas foi justamente aí que entrou a falácia total.
        A razão é que ninguém pode unir a igreja, porque ela já uma unidade indestrutível. Quando nosso Senhor orou em João 17, Ele estava falando ao Pai sobre o que aconteceria entre as nações; que após a sua morte não teria apenas o rebanho de Israel, mas sim de pessoas do mundo inteiro que viria a crer, a fim de tornar um só rebanho e um só Pastor. Para mim, eis aí a unidade, porque a igreja é um rebanho e um pastor. A unidade da igreja da igreja não é vista num ajuntamento solene de todas as igrejas evangélicas, porque acarretará em prejuízo e não benefício, caindo no inevitável buraco ecumênico.
        Tomo o cap. 17 de João para falar sobre esse assunto tão especial. Creio que para entendermos melhor o texto devo atrair a atenção de todos para o contexto. O que aconteceu que levou o Senhor não somente a essa oração impressionante, como também à declaração: “... para que todos sejam um...”, a fim de que possa edificar a vida dos que amam de fato a palavra da verdade..
1.     A partir do cap. 13 desse incrível livro de João, vemos que nosso Senhor deixa de lado as multidões, para estar a sós com Seus discípulos. Ele está caminhando rumo à cruz, por isso deixa sua atenção dada ao povo lá fora, a fim de exortar, instruir e consolar Seus perplexos discípulos. Preste atenção porque até Judas deve sair de cena, porque ele não fazia parte dessa comunhão e dos ensinos de amor que seriam dados.
2.     Ele passa a transmitir os ensinos para aqueles que ficariam neste mundo. Aqueles homens simples logo ficariam sem a presença física do Senhor, por isso precisavam de orientação. Ele iria deixá-los num mundo perigoso; eles não foram chamados para seguir ao Senhor apenas enquanto o Mestre estivesse vivo. Eles pertenciam ao reino de Deus para sempre; eles não eram mais do mundo; eles não voltariam a ter a vida que tiveram mais, já tinham jogado fora seus apetrechos de serviço, a fim de seguir o Senhor. Muitas coisas aqueles homens simples não sabiam por que ainda não haviam recebido neles o Espírito Santo. Eles receberia o poder para testemunhar sobre a ressurreição do Senhor, como acontece na narrativa de Atos 2.
        Logo no capítulo13 Ele mostra como Seus discípulos devem se tornar servos uns dos outros. Nosso Senhor dá uma lição bem prática sobre isso quando pega uma bacia e sai a lavar os pés de cada um deles. Essa é a primeira lição que mostra como o reino de Deus funciona diferente da forma como funciona o mundo. Nosso Senhor é o perfeito modelo de um servo, por isso Seus discípulos trabalhariam assim também.
        Vou encerrar por hoje esta página, para prosseguir na página 2 na introdução. Minha esperança é que o assunto redunde em bênção na vida de todos e que nosso Senhor seja glorificado na vida de cada um dos santos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Heresia do Egocentrismo


"Não negligencieis a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]"
Hebreus 13.16
            O egocentrismo não tem lugar na igreja. Nem devíamos dizer isso, mas, desde o alvorecer da era apostólica até hoje, o amor próprio em todas as suas formas tem prejudicado incessantemente a comunhão dos santos. Um exemplo clássico e antigo de egocentrismo fora de controle é visto no caso de Diótrefes. Ele é mencionado em 3 João 9-10, onde o apóstolo diz: "Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja".
Diótrefes anelava ser o preeminente em sua congregação (talvez até mais do que isso). Portanto, ele via qualquer outra pessoa que tinha autoridade de ensino – incluindo o apóstolo amado – como uma ameaça ao seu poder. João havia escrito uma carta de instrução e encorajamento à igreja, mas, por causa do desejo de Diótrefes por glória pessoal, ele rejeitou o que o apóstolo tinha a dizer. Evidentemente, ele reteve da igreja a carta de João. Parece que ele manteve em segredo a própria existência da carta. Talvez ele a destruiu. Por isso, João escreveu sua terceira epístola inspirada para, em parte, falar a Gaio sobre a existência da carta anterior.
            Na verdade, o egoísmo de Diótrefes o tornou culpado do mais pernicioso tipo de heresia: ele rejeitou ativamente e se opôs à doutrina apostólica. Por isso, João condenou Diótrefes em quatro atitudes: ele rejeitou o ensino apostólico; fez acusações injustas contra um apóstolo; foi inóspito para com os irmãos e excluiu aqueles que não concordavam com seu desafio a autoridade de João. Em todo sentido imaginável, Diótrefes era culpado da mais obscura heresia, e todos os seus erros eram frutos de egocentrismo.
Em nosso estado caído, estado de carnalidade, somos todos assediados por uma tendência para o egocentrismo. Isto não é uma ofensa insignificante, nem um pequeno defeito de caráter, nem uma ameaça irrelevante à saúde de nossa fé. Diótrefes ilustra a verdade de que o amor próprio é a mãe de todas as heresias. Todo falso ensino e toda rebelião contra a autoridade de Deus estão, em última análise, arraigados em um desejo carnal de ter a preeminência – de fato, um desejo de reivindicar para si mesmo aquela glória que pertence legitimamente a Cristo. Toda igreja herética que já vimos tem procurado suplantar a verdade e a autoridade de Deus com seu próprio ego pretensioso.
De fato, o egocentrismo é herético porque é a própria antítese de tudo que Jesus ensinou ou exemplificou. E produz sementes que dão origem a todas as outras heresias imagináveis.
Portanto, não há lugar para egocentrismo na igreja. Tudo no evangelho, tudo que igreja tem de ser e tudo que aprendemos do exemplo de Cristo golpeia a raiz do orgulho e do egocentrismo humano.
Koinonia
            As descrições bíblicas de comunhão na igreja do Novo Testamento usam a palavra grega koinonia. O espírito gracioso que essa palavra descreve é o extremo oposto do egocentrismo. Traduzida diferentemente por "comunhão", "compartilhamento", "cooperação" e "contribuição", esta palavra é derivada de koinos, a palavra grega que significa "comum". Ela denota as ideias de compartilhamento, comunidade, participação conjunta, sacrifício em favor de outros e dar de si para o bem comum.
Koinonia era uma das quatro atividades essenciais que mantinha os primeiros cristãos juntos: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão [koinonia], no partir do pão e nas orações" (At 2.42). O âmago da "comunhão" na igreja do Novo Testamento era culto e sacrifício uns pelos outros, e não festividade ou funções sociais. A palavra em si mesma deixava isso claro nas culturas de fala grega. Ela foi usada em Romanos 15.26 para falar de "uma coleta em benefício dos pobres" (ver também 2 Co 9.3). Em 2 Coríntios 8.4, Paulo elogiou as igrejas da Macedônia por "participarem [koinonia] da assistência aos santos". Hebreus 13.16 diz: "Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]". Claramente, o egocentrismo é hostil à noção bíblica de comunhão cristã.
Uns aos outros
            Esse fato é ressaltado também pelos muitos "uns aos outros" que lemos no Novo Testamento. Somos ordenados: a amar "uns aos outros" (Jo 13.34-35; 15.12, 17); a não julgar "uns aos outros" e ter o propósito de não por tropeço ou escândalo ao irmão (Rm 14.13); a seguir "as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros" (Rm 14.19); a ter "o mesmo sentir de uns para com os outros" e acolher "uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus" (Rm 15.5, 7). Somos instruídos a levar "as cargas uns dos outros" (Gl 6.2); a sermos benignos uns para com os outros, "perdoando... uns aos outros" (Ef 4.32); e a sujeitar-nos "uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5.21). Em resumo, "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo" (Fp 2.3).
No Novo Testamento, há muitos mandamentos semelhantes que governam nossos relacionamentos mútuos na igreja. Todos eles exigem altruísmo, sacrifício e serviço aos outros. Combinados, eles excluem definitivamente toda expressão de egocentrismo na comunhão de crentes.
Cristo como cabeça de seu corpo, a igreja
No entanto, isso não é tudo. O apóstolo Paulo comparou a igreja com um corpo que tem muitas partes, mas uma só cabeça: Cristo. Logo depois de afirmar, enfaticamente, a deidade, a eternidade e a proeminência absoluta de Cristo, Paulo escreveu: "Ele é a cabeça do corpo, da igreja" (Cl 1.18). Deus "pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo" (Cl 1.22-23). Cristãos individuais são como partes do corpo, existem não para si mesmos, mas para o bem de todo o corpo: "Todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor" (Ef 4.16).
Além disso, cada parte é dependente de todas as outras, e todas estão sujeitas à Cabeça. Somente a Cabeça é preeminente, e, além disso, "se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam" (1 Co 12.26).
            Até aquelas partes do corpo aparentemente insignificantes são importantes (vv. 12-20). "Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo?" (vv. 18-19).
Qualquer evidência de egoísmo é uma traição de não somente o resto do corpo, mas também da Cabeça. Essa figura torna o altruísmo humilde em virtude elevada na igreja – e exclui completamente qualquer tipo de egocentrismo.
Escravos de Cristo
            A linguagem de escravo do Novo Testamento enfatiza, igualmente, esta verdade. Os cristãos não são apenas membros de um corpo, sujeitos uns aos outros e chamados à comunhão de sacrifício. Somos também escravos de Cristo, comprados com seu sangue, propriedade dele e, por isso, sujeitos ao seu senhorio.
Escrevi um livro inteiro sobre este assunto. Há uma tendência, eu receio, de tentarmos abrandar a terminologia que a Escritura usa porque – sejamos honestos – a figura de escravo é ofensiva. Ela não era menos inquietante na época do Novo Testamento. Ninguém queria ser escravo, e a instituição da escravidão romana era notoriamente abusiva.
            No entanto, em todo o Novo Testamento, o relacionamento do crente com Cristo é retratado como uma relação de senhor e escravo. Isso envolve total submissão ao senhorio dele, é claro. Também exclui toda sugestão de orgulho, egoísmo, independência ou egocentrismo. Está é simplesmente mais uma razão por que nenhum tipo de egocentrismo tem lugar na vida da igreja.
O próprio senhor Jesus ensinou claramente este princípio. Seu convite a possíveis discípulos foi uma chamada à total auto renúncia: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me" (Lc 9.23).
            Os doze não foram rápidos para aprender essa lição, e a interação deles uns com os outros foi apimentada com disputas a respeito de quem era o maior, quem poderia ocupar os principais assentos no reino e expressões semelhantes de disputas egocêntricas. Por isso, na noite de sua traição, Jesus tomou uma toalha e uma bacia e lavou os pés dos discípulos. Sua admoestação para eles, na ocasião, é um poderoso argumento contra qualquer sussurro de egocentrismo no coração de qualquer discípulo: "Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.14-15).
            Foi um argumento do maior para o menor. Se o eterno Senhor da glória se mostrou disposto a tomar uma toalha e lavar os pés sujos de seus discípulos, então, aqueles que se chamam discípulos de Cristo não devem, de maneira alguma, buscar preeminência para si mesmos. Cristo é nosso modelo, e não Diótrefes.
Não posso terminar sem ressaltar que este princípio tem uma aplicação específica para aqueles que estão em posições de liderança na igreja. É um lembrete especialmente vital nesta era de líderes religiosos que são superestrelas e pastores jovens que agem como estrelas de rock. Se Deus chamou você para ser um presbítero ou mestre na igreja, ele o chamou não para sua própria celebridade ou engrandecimento. Deus o chamou a fazer isso para a glória dele mesmo. Nossa comissão é pregar não "a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos [escravos], por amor de Jesus" (2 Co 4.5).