Spurgeon
“Aquele
capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu,
poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o
verás com os teus olhos, porém disso não comerás” (2 Reis 7:19).
Deixem-me levá-los par onde Moisés e
Arão moraram – o grande e silencioso deserto. Vamos andar um pouco por ele; com
os pés cansados, nos tornaremos como os beduínos andarilhos, que vagueiam pelo
deserto. Ali há um esqueleto esbranquiçado no sol; lá mais um, e acolá um
outro. O que significam esses ossos secos? Quem são esses corpos – ali um
homem, lá uma mulher? Quem são todos esses? Como esses cadáveres foram parar
aqui? Certamente deve ter havido aqui um
grande acampamento, destruído numa noite por uma explosão, ou por um ataque.
Ah, não. Esses ossos são os ossos de Israel; os esqueletos são as antigas
tribos de Jacó. Não puderam entrar na terra por causa da incredulidade. Não
confiaram em Deus. Os espias disseram que eles não conseguiriam conquistar a
terra. A incredulidade foi a causa da morte deles. Não foram os anaquins que
destruíram Israel, não foi o deserto uivante que os engoliu. O Jordão não os
impediu de entrar em Canaã, não foram os heveus e os jebuseus que os mataram;
foi somente a incredulidade que os manteve fora de Canaã. Que maldição foi
pronunciada sobre Israel depois de quarenta anos de peregrinação: Não puderam
entrar porque não creram!
Por último, quero dizer que você
reconhecerá a natureza hedionda do pecado nisso – este é o pecado que condena.
Existe um pecado pelo qual Cristo não morreu: O pecado contra o Espírito Santo.
E há outro pecado pelo qual Cristo não fez expiação. Você pode mencionar
qualquer crime na lista do mal, e eu lhe mostrarei pessoas que receberam o perdão
por eles. Mas pergunte-me se a pessoa que morreu descrente pode ser salva, e eu
lhe respondo que não há expiação para essa pessoa. Há expiação pela descrença
de um cristão, porque é temporária; mas a incredulidade final – a descrença
pela qual as pessoas morrem – não foi expiada.
II. Isto
nos leva a concluir com o castigo. “Tu o verás com os teus olhos, porém disso
não comerás” Ouçam, incrédulos! Esta manhã vocês ouviram seus pecados; agora
ouçam suas consequências: “Tu o verás
com os teus olhos, porém disso não comerás”. Isso acontece com muita
frequência com os próprios santos de Deus. Quando eles não creem, eles veem a
misericórdia, mas não podem comê-la. Há trigo na terra do Egito; mas há santos
de Deus que vêm no dia de descanso e dizem: “Não sei se o Senhor estará comigo
ou não”. Alguns deles dizem: “Bem, o evangelho está sendo pregado, mas não sei
se será bem sucedido”. Estão sempre duvidando e temendo. Ouça o que dizem
quando saem do culto: “Você recebeu uma boa refeição esta manha?”. “Não havia
nada para mim”. É claro que não. Você pode vê-lo, mas não comeu porque não teve
fé. Se tivesse vindo com fé, você teria recebido sua porção. Tenho visto cristãos que cresceram tão críticos que, se a
porção de carne que tem para receber não lhe é trazida bem cortada sobre um
prato especial de porcelana, eles não a comem. Estes têm de sair sem nada, e
ficar sem nada até ficarem com apetite. Terão aflições que agiram sobre eles
como um quinino. Serão forçados a comer com um gosto amargo na boca; serão
colocados na prisão por um ou dois dias até que seu apetite volte, e então
ficarão contentes por comer a comida mais simples, do prato mais comum, ou sem
prato nenhum. Mas a verdadeira razão por que o povo de Deus não se alimenta com
o ministério é porque não tem fé.
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