segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O PECADO DA INCREDULIDADE (5)




Spurgeon
         Aquele capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás” (2 Reis 7:19).
         Se o homem não acredita que a lei é santa, que os mandamentos são santos, justos e bons, como ficará abalado diante da boca aberta do inferno! Não haveria mais ninguém sentado à vontade ou dormindo na casa de Deus, nem ouvintes descuidados, ninguém que fosse embora para logo esquecer que tipo de pessoas somos. Digo mais uma vez: Como pode ser que as pessoas ouvem o chamado da cruz do calvário e não vêm a Cristo? Como pode ser que pregamos sobre os sofrimentos de Jesus e terminamos dizendo: “Ainda há lugar”, que falamos sobre sua cruz e paixão, e as pessoas não ficam contritas em seus corações? O relato da história do Calvário é suficiente para partir uma rocha. As rochas se despedaçaram quando viram Jesus morrer. O relato da tragédia do Gólgota é suficiente para fazer uma pedreira jorrar lágrimas e o patife mais endurecido chorar seus olhos em amor penitente. Mas a vocês eu a conto, e repito, mas que chora por ela? Quem se importa? Senhores, vocês estão sentados tão despreocupados como se não fosse com vocês. Oh! Olhem e vejam todos vocês que estão passando. A morte de Jesus não diz nada para vocês? Vocês parecem dizer: “Não é nada”. Qual é o motivo? Há incredulidade entre vocês e a cruz.
         Há ainda um terceiro ponto. A incredulidade torna a pessoa incapaz de fazer qualquer coisa boa. “Tudo o que não provém de fé é pecado” é uma verdade muito importante, em mais de um sentido. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. Você nunca me ouvirá dizer uma palavra contra a moralidade; você nunca me ouvirá dizendo que a honestidade não é uma coisa boa, ou a sobriedade; pelo contrário, digo que são coisas recomendáveis, mas vou dizer-lhes o que falo depois: elas são como o dinheiro da índia; ele pode ser moeda corrente entre os indianos, mas não na Inglaterra. Essas virtudes podem ser comuns aqui em baixo, mas não lá em cima. Se você não tem nada melhor que sua própria bondade, você nunca irá para o céu. Algumas tribos da Índia usam pequenas tiras de pano em vez de dinheiro. Eu não teria problemas com isso para morar entre eles, mas aqui na Inglaterra tiras de pano não me servem para muita coisa. Desta forma, honestidade, sobriedade e coisas assim podem ser muito boas entre as pessoas, e quanto mais tiver delas, melhor. Eu os exorto a que tenham o que é amável, puro e de boa fama; mas elas não lhe servirão lá em cima. Nem todas essas coisas juntas, sem fé, agradam a Deus. Virtudes sem fé são pecados lavados. Obediência sem fé, se é que ela é possível, é desobediência disfarçada. Não crer anula tudo. É como a mosca no perfume, o veneno na panela.
         Certo homem tinha um filho possesso e afligido por um espírito mau. Jesus estava no monte Tabor, transfigurado; assim, o pai trouxe seu filho aos discípulos. O que estes discípulos fizeram? Eles disseram: “Bem, nós o expulsaremos”. Puseram as mãos sobre ele e tentaram, mas cochicharam entre si: “Temos medo de não conseguir”. Logo o moço começou a espumar pela boca, arranhar a terra e bater-se em seu ataque. O demônio dentro dele se manifestou, e não saiu. Em vão eles repetiram o exorcismo, o espírito imundo ficou como um leão em sua toca, e os esforços deles não o desalojaram. Ele diziam: “Sai”, mas ele não saía. “Vá para o abismo!” eles gritavam, mas ele estava irredutível. Lábios incrédulos não assustam o maligno, que pode bem ter dito: “A fé eu conheço, Jesus eu conheço, mas quem são vocês? Vocês não têm fé” Se tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, eles teriam expulsado o demônio, mas sua fé tinha ido embora, e por isso não podiam fazer nada. (continua)















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