Spurgeon
“Aquele
capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu,
poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o
verás com os teus olhos, porém disso não comerás” (2 Reis 7:19).
Tentarei es ta manhã neste pequeno
espaço mostrar a natureza extremamente má do pecado da incredulidade.
Em primeiro lugar, ficará evidente como
o pecado da incredulidade é terrível quando lembramos que ele é o pai de toda
outra iniquidade. Não há crime que a descrença não possa conceber. A meu ver a
queda do homem foi em boa parte devida a ele; foi neste ponto que o diabo
tentou Eva. Ele lhe disse: “É assim que Deus disse? Não comerás de toda árvore
do jardim?” Ele sussurrou e insinuou uma dúvida: “Foi isto que Deus disse?” É
como se ele dissesse: “Você tem certeza?” Foi por meio da incredulidade – este fio
estreito da lâmina – que o outro pecado entrou. A curiosidade e o resto
seguiram. Ela tocou na fruta, e a destruição entrou no mundo. Desde aquele dia
a incredulidade tem sido o pai prolífico de todo tipo de culpa. Um descrente é
capaz do crime mais vil que jamais foi cometido. A descrença, senhores! Ela
endureceu o coração do faraó, tornou atrevida a língua blasfema de Rabsaqué,
sim, tornou-se deicida e assassinou Jesus. Incredulidade! Ela tem afiado a faca
do suicídio, misturado mais de um copo com veneno, levado milhares à forca e
outros tantos a um túmulo infame, pessoas que mataram a si mesmas e se
apresentaram com mãos sangrentas no tribunal do seu Criador, por causa da
descrença. Tragam-me um descrente; digam-me que ele duvida da Palavra de Deus,
que não conta com suas promessas nem com suas ameaças; com essa premissa eu
concluirei que, se ele não for restringido por um poder muito forte, ele se
tornará culpado dos crimes mais horrendos e infames.
Deixem-me acrescentar aqui que a
incredulidade no cristão é da mesma natureza que a descrença no pecador. O fim
não será o mesmo, porque no cristão ela será perdoada; já está perdoada. Foi
colocada sobre o antigo bode expiatório; foi apagada e expiada; mas tem a mesma
natureza de pecado. Na verdade, se existe um pecado mais hediondo do que a
incredulidade de um pecador, é a incredulidade de um santo. Porque um santo que
duvida da Palavra de Deus, que não confia em Deus mesmo com incontáveis
demonstrações do Seu amor, com milhares de provas da Sua misericórdia, supera
tudo. Alem disso, em um santo a descrença é a raiz de outros pecados. Quem é
perfeito na fé, é perfeito em tudo mais.
Em segundo lugar, a incredulidade não
só gera, mas também promove o pecado. Como é que as pessoas conseguem continuar
no pecado mesmo sob o travão do pregador do Sinai? Como é possível que, quando
Boanerges está no púlpito e exclama pela graça de Deus: “Maldito é todo aquele
que não guarda todos os mandamentos da lei”, e o pecador ouve as advertências
tremendas da justiça de Deus, ele endurece ainda mais e avança em seus caminhos
maus? Eu lhes direi: a incredulidade nas ameaças impede que elas tenham
qualquer efeito sobre eles. O diabo dá descrença ao ímpio; assim ele estabelece
uma barreira e se refugia atrás dela. Ó pecadores! No dia em que o Espírito
Santo derrubar sua descrença, quando comprovar a verdade com poder, como a lei
atuará sobre sua alma!
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