sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O PECADO DA INCREDULIDADE (4)




Spurgeon
         Aquele capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás” (2 Reis 7:19).
         Tentarei es ta manhã neste pequeno espaço mostrar a natureza extremamente má do pecado da incredulidade.
         Em primeiro lugar, ficará evidente como o pecado da incredulidade é terrível quando lembramos que ele é o pai de toda outra iniquidade. Não há crime que a descrença não possa conceber. A meu ver a queda do homem foi em boa parte devida a ele; foi neste ponto que o diabo tentou Eva. Ele lhe disse: “É assim que Deus disse? Não comerás de toda árvore do jardim?” Ele sussurrou e insinuou uma dúvida: “Foi isto que Deus disse?” É como se ele dissesse: “Você tem certeza?” Foi por meio da incredulidade – este fio estreito da lâmina – que o outro pecado entrou. A curiosidade e o resto seguiram. Ela tocou na fruta, e a destruição entrou no mundo. Desde aquele dia a incredulidade tem sido o pai prolífico de todo tipo de culpa. Um descrente é capaz do crime mais vil que jamais foi cometido. A descrença, senhores! Ela endureceu o coração do faraó, tornou atrevida a língua blasfema de Rabsaqué, sim, tornou-se deicida e assassinou Jesus. Incredulidade! Ela tem afiado a faca do suicídio, misturado mais de um copo com veneno, levado milhares à forca e outros tantos a um túmulo infame, pessoas que mataram a si mesmas e se apresentaram com mãos sangrentas no tribunal do seu Criador, por causa da descrença. Tragam-me um descrente; digam-me que ele duvida da Palavra de Deus, que não conta com suas promessas nem com suas ameaças; com essa premissa eu concluirei que, se ele não for restringido por um poder muito forte, ele se tornará culpado dos crimes mais horrendos e infames.
         Deixem-me acrescentar aqui que a incredulidade no cristão é da mesma natureza que a descrença no pecador. O fim não será o mesmo, porque no cristão ela será perdoada; já está perdoada. Foi colocada sobre o antigo bode expiatório; foi apagada e expiada; mas tem a mesma natureza de pecado. Na verdade, se existe um pecado mais hediondo do que a incredulidade de um pecador, é a incredulidade de um santo. Porque um santo que duvida da Palavra de Deus, que não confia em Deus mesmo com incontáveis demonstrações do Seu amor, com milhares de provas da Sua misericórdia, supera tudo. Alem disso, em um santo a descrença é a raiz de outros pecados. Quem é perfeito na fé, é perfeito em tudo mais.
         Em segundo lugar, a incredulidade não só gera, mas também promove o pecado. Como é que as pessoas conseguem continuar no pecado mesmo sob o travão do pregador do Sinai? Como é possível que, quando Boanerges está no púlpito e exclama pela graça de Deus: “Maldito é todo aquele que não guarda todos os mandamentos da lei”, e o pecador ouve as advertências tremendas da justiça de Deus, ele endurece ainda mais e avança em seus caminhos maus? Eu lhes direi: a incredulidade nas ameaças impede que elas tenham qualquer efeito sobre eles. O diabo dá descrença ao ímpio; assim ele estabelece uma barreira e se refugia atrás dela. Ó pecadores! No dia em que o Espírito Santo derrubar sua descrença, quando comprovar a verdade com poder, como a lei atuará sobre sua alma!

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