terça-feira, 14 de outubro de 2014

O PECADO DA INCREDULIDADE (6)




Spurgeon
         Aquele capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás” (2 Reis 7:19).
         Veja também o caso do pobre Pedro. Enquanto teve fé, ele andou sobre as ondas agitadas do lago. Foi um passeio esplêndido; eu quase invejo, andando sobre o lago. Se Pedro continuasse tendo fé, teria andado por sobre o Atlântico até a América. Mas aí veio uma onde por trás dele, e ele disse: “Essa vai me levar”. Depois veio outra da frente, e ele gritou: “Essa vai me afundar!”. Então ele pensou: “Como pude ser tão presunçoso e achar que poderia andar por cima dessas ondas?” e lá se foi ele para o fundo. A fé era a boia salva-vidas de Pedro; a fé era seu amuleto, que o mantinha à tona, mas a incredulidade o mandou para o fundo. Você sabia que você e eu, por toda nossa vida, teremos de andar por sobre a água? A vida do cristão é sempre andar sobre a água – a minha é – e cada onda quer engoli-lo e devorá-lo, mas a fé o mantém à tona. No momento em que você para de crer, o desânimo se faz presente, e lá vai você para baixo. Por que você duvida, então?
         Nossa próxima constatação é que a incredulidade é punida com severidade. Abra as Escrituras! Vejo um mundo justo e belo, as montanhas sorrindo no sol e os campos alegrando-se na luz dourada. Vejo moças dançando e rapazes cantando. Que visão bela! Mas oh! Um senhor respeitável e sério levanta sua voz e exclama: “Vem aí um dilúvio inundar a terra. As fontes das profundezas serão escancaradas, e todas as coisas serão cobertas. Vejam esta arca! Trabalhei cento e vinte anos para construí-la; fujam para ela, e vocês serão salvos”. “Ora, homem velho, vá embora com suas predições vazias! Estejamos alegres enquanto podemos. Quando vier o dilúvio, construiremos uma arca; só que não vem nenhum dilúvio. Digo o que quiser aos tolos; nós não cremos nessas coisas”. Veja os incrédulos andar atrás das suas danças alegres. Ouça, incrédulo! Você não ouviu a voz do trovão? Os intestinos da terra começaram a se mover, as costelas de pedra se sentem pressionadas por convulsões de dentro. Veja! Elas irrompem com força incrível de dentro da terra, torrentes desconhecidas desde que Deus as ocultou no interior do nosso mundo. O céu se parte ao meio! Chove. Não são gotas, mas nuvens inteiras que vêm abaixo. Uma catarata como o velho Niágara desce do céu com um estrondo terrível. Os dois firmamentos, as duas profundezas – a de cima e a de baixo – se dão as mãos. E agora, incrédulo, onde estás? Lá estão os últimos sobreviventes. Um homem – a esposa o abraça pela cintura – está de pé no último cume de montanha que ainda não está coberta pela água. Olhe agora! A água já atingiu sua cintura. Ouça seu último grito! Ele agora flutua – submergiu. Noé olha da arca e não vê mais nada. Nada! Só um grande vazio. “ Monstros marinhos se instalam e procriam nos palácios dos reis”. Tudo está derrubado, coberto, afogado. O que fez isto? O que trouxe o dilúvio sobre a terra? A incredulidade. Pela fé Noé escapou ao dilúvio. Pela descrença o resto foi afogado.
         Você não sabe que a incredulidade impediu Moisés e Arão de entrar em Canaã? Eles não honraram a Deus: bateram na rocha quando deviam ter falado com ela. Eles não creram, e por isso o castigo veio sobre eles, de modo que não herdaram a boa terra pela qual trabalharam e se esforçaram (continua)










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