Spurgeon
“Aquele
capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu,
poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o
verás com os teus olhos, porém disso não comerás” (2 Reis 7:19).
Veja também o caso do pobre Pedro.
Enquanto teve fé, ele andou sobre as ondas agitadas do lago. Foi um passeio
esplêndido; eu quase invejo, andando sobre o lago. Se Pedro continuasse tendo
fé, teria andado por sobre o Atlântico até a América. Mas aí veio uma onde por trás
dele, e ele disse: “Essa vai me levar”. Depois veio outra da frente, e ele
gritou: “Essa vai me afundar!”. Então ele pensou: “Como pude ser tão presunçoso
e achar que poderia andar por cima dessas ondas?” e lá se foi ele para o fundo.
A fé era a boia salva-vidas de Pedro; a fé era seu amuleto, que o mantinha à
tona, mas a incredulidade o mandou para o fundo. Você sabia que você e eu, por
toda nossa vida, teremos de andar por sobre a água? A vida do cristão é sempre
andar sobre a água – a minha é – e cada onda quer engoli-lo e devorá-lo, mas a
fé o mantém à tona. No momento em que você para de crer, o desânimo se faz
presente, e lá vai você para baixo. Por que você duvida, então?
Nossa próxima constatação é que a
incredulidade é punida com severidade. Abra as Escrituras! Vejo um mundo justo
e belo, as montanhas sorrindo no sol e os campos alegrando-se na luz dourada.
Vejo moças dançando e rapazes cantando. Que visão bela! Mas oh! Um senhor
respeitável e sério levanta sua voz e exclama: “Vem aí um dilúvio inundar a
terra. As fontes das profundezas serão escancaradas, e todas as coisas serão
cobertas. Vejam esta arca! Trabalhei cento e vinte anos para construí-la; fujam
para ela, e vocês serão salvos”. “Ora, homem velho, vá embora com suas
predições vazias! Estejamos alegres enquanto podemos. Quando vier o dilúvio,
construiremos uma arca; só que não vem nenhum dilúvio. Digo o que quiser aos
tolos; nós não cremos nessas coisas”. Veja os incrédulos andar atrás das suas
danças alegres. Ouça, incrédulo! Você não ouviu a voz do trovão? Os intestinos
da terra começaram a se mover, as costelas de pedra se sentem pressionadas por
convulsões de dentro. Veja! Elas irrompem com força incrível de dentro da
terra, torrentes desconhecidas desde que Deus as ocultou no interior do nosso
mundo. O céu se parte ao meio! Chove. Não são gotas, mas nuvens inteiras que
vêm abaixo. Uma catarata como o velho Niágara desce do céu com um estrondo
terrível. Os dois firmamentos, as duas profundezas – a de cima e a de baixo –
se dão as mãos. E agora, incrédulo, onde estás? Lá estão os últimos
sobreviventes. Um homem – a esposa o abraça pela cintura – está de pé no último
cume de montanha que ainda não está coberta pela água. Olhe agora! A água já
atingiu sua cintura. Ouça seu último grito! Ele agora flutua – submergiu. Noé
olha da arca e não vê mais nada. Nada! Só um grande vazio. “ Monstros marinhos
se instalam e procriam nos palácios dos reis”. Tudo está derrubado, coberto,
afogado. O que fez isto? O que trouxe o dilúvio sobre a terra? A incredulidade.
Pela fé Noé escapou ao dilúvio. Pela descrença o resto foi afogado.
Você não sabe que a incredulidade
impediu Moisés e Arão de entrar em Canaã? Eles não honraram a Deus: bateram na
rocha quando deviam ter falado com ela. Eles não creram, e por isso o castigo
veio sobre eles, de modo que não herdaram a boa terra pela qual trabalharam e
se esforçaram (continua)
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