quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A OBRA DO ESPIRITO SANTO NO MUNDO (1)





de
George Whitefield (1714-1770)



“E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo.” (Jo 16:8)
         Estas palavras contêm parte de uma grande promessa, que o Bendito Jesus Se agradou fazer aos Seus discípulos chorosos e pesarosos. O momento aproximava-se, no qual o Filho do Homem ia primeiro ser elevado na cruz, e depois para o céu. Amigo afável, maravilhoso amigo afável! Este Sumo Sacerdote tinha sido misericordioso para com os Seus discípulos durante o tempo do Seu tabernáculo entre eles. Ele teve compaixão das suas enfermidades, respondeu por eles quando eram assaltados pelos seus inimigos, e pô-los no caminho correto, quer em princípio quer na prática. Ele não os chamou, nem os usou como servos, mas como amigos; e revelou-lhes os Seus segredos de vez em quando. Ele abriu-lhes o seu entendimento, para que eles pudessem compreender as escrituras; explicou-lhes os mistérios ocultos do reino de Deus, quando falou com os demais em parábolas: mais ainda, Ele tornou-Se o servo de todos eles, e até condescendeu em lavar-lhes os pés.
         O pensamento de se separarem de tão querido e amoroso Senhor como este, especialmente por um longo período, deveria tê-los afetado muito. Quando, em certa ocasião, Ele tentou estar ausente deles somente por uma noite, é-nos dito, que Ele estava obrigado a constrangê-los para que O deixassem. Não é para estranhar, que quando Ele então os informou de que devia ausentar-Se para sempre, e que na sua ausência os Fariseus os expulsariam das suas sinagogas, e que os excomungariam; sim, que viria a hora, em que qualquer que os matasse, pensaria que faria um serviço a Deus (uma profecia, que alguém poderia imaginar, projetada duma maneira especial para os ministros sofredores da sua geração); não é de admirar, digo, considerando tudo isto nos diz no versículo 6. A tristeza encheu os vossos corações: "Porque isso vos tenho dito, o vosso coração se encheu de tristeza."
         A expressão é muito enfática; os seus corações estavam tão cheios de preocupação, que estavam prontos para estalar. Portanto, para os reconciliar da sua triste dispensação, o nosso querido e compassivo Redentor mostrou-lhes a necessidade em que Se encontrava de os deixar; "Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá:’’ Como se Ele lhes tivesse dito, não penseis, meus queridos discípulos, que eu os deixo com irritação: "não, é para vosso bem, para vosso benefício que eu vá: porque se eu não for, se Eu não morrer na cruz pelos vossos pecados, e Me ergue-Se outra vez para vossa justificação, e subisse para o céu para fazer intercessão, e implorasse os Meus méritos perante o Trono de Meu Pai; o Consolador, O Espírito Santo, não poderia vir para vós; mas se Eu for, enviá-lo-ei para vós. E para que ele soubessem o que Ele ia fazer, “Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo.”
         A pessoa referida nas palavras do versículo, é claramente o Consolador, o Espírito Santo; e a promessa foi primeiro feita aos apóstolos de nosso Senhor. Mas, se bem que ela tivesse  sido primeiramente feita a eles, e fosse literalmente e extraordinariamente cumprida no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio como um vento veemente e impetuoso, e também quando três mil foram compungidos no coração pelo sermão do Pedro; agora, como os Apóstolos eram os representantes de todo o corpo de crentes, nós devemos inferir, que esta promessa deve ser vista, como se fosse falada para nós, e para os nossos filhos, e para tantos como o Senhor nosso Deus chamar.
A minha ideia destas palavras, é mostrar a maneira como o Espírito Santo geralmente trabalha nos corações daqueles, os quais através da Sua graça, são feitos vasos de misericórdia, e transladados do reino da escuridão para o reino do querido Filho de Deus.

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