quinta-feira, 18 de abril de 2013

COMO ENTENDER?



William MacDonad
Agora vemos por espelho, obscuramente...” (1 Coríntios 13:12).

       Poucas vezes isto é tão evidente como quando vamos à mesa do Senhor para recordá-Lo a Ele e à Sua morte por nós. “Vemos por espelho, obscuramente”. Parece haver um véu espesso e impenetrável. Por um lado, estamos nós com todas as nossas limitações. Pelo outro, está todo o grande drama da redenção: Belém, Getsêmane, Gábata, o Calvário, a Tumba Vazia, Cristo exaltado à destra de Deus. Percebemos que em tudo isto há algo vastíssimo, e procuramos assimilá-lo, mas, no intento sentimo-nos mais como torrões de lodo do que como seres vivos.
            Procuramos entender os sofrimentos do Salvador pelos nossos pecados. Esforçamo-nos por captar o horror do Seu ser abandonado por Deus Pai. Sabemos que suportou o tormento que nós devíamos ter sofrido, por toda a eternidade. Todavia, sentimo-nos frustrados ao darmo-nos conta de que há muito mais. Estamos na margem de um mar inexplorado!
            Pensamos naquele Amor que entregou o melhor do Céu pelo pior da Terra. Comovemo-nos ao recordarmo-nos que Deus enviou o Seu Filho Unigênito a esta selva de pecado para procurar e salvar o que se havia perdido. Estamos tratando com o Amor de Deus, um Amor que ultrapassa todo o conhecimento, e nós só em parte O conhecemos.
            Cantamos sobre a Graça do Salvador, O qual, ainda que fosse rico, por nossa causa se fez pobre, para que pela Sua pobreza pudéssemos ser enriquecidos. Isto é suficiente para deixar boquiabertos os anjos. Os nossos olhos esforçam-se procurando espionar as vastas dimensões desta Graça incomparável, mas é em vão. Estamos limitados pela nossa curta vista humana.
            Sabemos que deveria comover-nos a contemplação do Seu sacrifício no Calvário, mas somos frequentemente tão estranhamente impassíveis... Se realmente entrássemos no outro lado do véu, choraríamos a lágrimas despregadas e teríamos que confessar:
De mim mesmo fico surpreso,
Ao pensar em Ti, Cordeiro amante, agonizante,
Ao percorrer com o olhar este mistério
Que não possa ser movido a amar-Te mais, enternecido.
Devemos interrogarmo-nos com as palavras do poeta:
Sou uma pedra, e não um homem, que eu possa,
Oh Cristo, sob a Tua cruz estar,
E gota a gota contar,
O Teu lento sangrar,
E, contudo, não posso eu chorar?
Como os dois discípulos no caminho de Emaús, os nossos olhos foram abertos. Ansiamos, com ardente anelo, aquele tempo, quando o véu será tirado e possamos ver com melhor cuidado, o tremendo significado, do pão partido e do vinho derramado.

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