William MacDonad
“Agora vemos por espelho, obscuramente...”
(1 Coríntios 13:12).
Poucas vezes isto é tão evidente como
quando vamos à mesa do Senhor para recordá-Lo a Ele e à Sua morte por nós.
“Vemos por espelho, obscuramente”. Parece haver um véu espesso e impenetrável. Por um lado, estamos nós com
todas as nossas limitações. Pelo outro, está todo o grande drama da redenção:
Belém, Getsêmane, Gábata, o Calvário, a Tumba Vazia, Cristo exaltado à destra
de Deus. Percebemos que em tudo isto há algo vastíssimo, e procuramos
assimilá-lo, mas, no intento sentimo-nos mais como torrões de lodo do que como
seres vivos.
Procuramos entender os
sofrimentos do Salvador pelos nossos pecados. Esforçamo-nos por captar o horror
do Seu ser abandonado por Deus Pai. Sabemos que suportou o tormento que nós
devíamos ter sofrido, por toda a eternidade. Todavia, sentimo-nos frustrados ao
darmo-nos conta de que há muito mais. Estamos na margem de um mar inexplorado!
Pensamos
naquele Amor que entregou o melhor do Céu pelo pior da Terra. Comovemo-nos ao
recordarmo-nos que Deus enviou o Seu Filho Unigênito a esta selva de pecado
para procurar e salvar o que se havia perdido. Estamos tratando com o Amor de
Deus, um Amor que ultrapassa todo o conhecimento, e nós só em parte O
conhecemos.
Cantamos
sobre a Graça do Salvador, O qual, ainda que fosse rico, por nossa causa se fez
pobre, para que pela Sua pobreza pudéssemos ser enriquecidos. Isto é suficiente
para deixar boquiabertos os anjos. Os nossos olhos esforçam-se procurando
espionar as vastas dimensões desta Graça incomparável, mas é em vão. Estamos
limitados pela nossa curta vista humana.
Sabemos
que deveria comover-nos a contemplação do Seu sacrifício no Calvário, mas somos
frequentemente tão estranhamente impassíveis... Se realmente entrássemos no
outro lado do véu, choraríamos a lágrimas despregadas e teríamos que confessar:
De mim mesmo fico surpreso,
Ao pensar em Ti, Cordeiro amante, agonizante,
Ao percorrer com o olhar este mistério
Que não possa ser movido a amar-Te mais,
enternecido.
Devemos interrogarmo-nos com as
palavras do poeta:
Sou uma pedra, e não um homem, que eu possa,
Oh Cristo, sob a Tua cruz estar,
E gota a gota contar,
O Teu lento sangrar,
E, contudo, não posso eu chorar?
Como os dois discípulos no caminho de Emaús, os nossos olhos foram
abertos. Ansiamos, com ardente anelo, aquele tempo, quando o véu será tirado e
possamos ver com melhor cuidado, o tremendo significado, do pão partido e do
vinho derramado.
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