“Sacrifícios pacíficos tinha eu de oferecer; paguei hoje os meus
votos” (Provérbios 7:14).
Caro leitor devemos
perceber que o caminho pervertido da mulher adúltera é também sofisticadamente
religioso e aparentemente espiritual. Notemos bem como ela é cuidadosa para
engendrar meios, a fim de acobertar suas maldades, numa tentativa de afastar
até mesmo a ira de Deus. Notemos bem o quanto ela cerca seu ambiente, a fim de
que seu terrível pecado não seja visto e que ela e seu amante saiam sem
qualquer culpa. Por essa razão ela apodera de toda formalidade religiosa. Vemos
que quando ela tem o adúltero consigo em seu quarto ela se apresenta com
aparatos espirituais e piedosos. Segundo ela, tudo já tinha sido feito, Deus
estava contente com ela, pois seu sacrifício costumeiro já tinha sido
realizado; ela foi religiosamente zelosa e cumpriu suas obrigações. Ela já
tinha oferecido a Deus suas ofertas queimadas; preparou tudo muito bem e nada
faltou. Tudo agora está pronto e ela está bem protegida, porquanto, segundo o
engano do coração, Deus está satisfeito com ela, pois em nada ela faltou com
seus votos.
Caro leitor é
exatamente isso o que acontece com aqueles que não foram convertidos em seu
coração. Quando homens e mulheres desconhecem o arrependimento e a sincera
conversão a Deus, todo seu sistema de vida religiosa é uma tentativa vã de
oferecer a Deus seus “sacrifícios
pacíficos”. Ora, quando o homem se converte de todo coração, seus olhos
vislumbram a glória do Cordeiro na cruz; seu coração repousa em perene paz,
mediante a perfeita e poderosa conquista do perdão e da perfeita salvação
mediante o sangue. Sem conversão o homem permanece em seus pecados. Mas, seu
sistema religioso é incrivelmente ampliado; seu campo de ação em forma de
sacrifícios é expandido, especialmente usando a Palavra de Deus para tecer
meios aparentemente santos e assim encobrir seus pecados.
Caro leitor, permita
que eu possa explicar essas atividades ocultas num coração enganoso e enganado.
Sem a verdadeira conversão a alma está aprisionada em seus laços; está de mãos
dadas com o mal; vive continuamente flertando a carne e o mundo; sempre está
jogando “beijinhos” para os prazeres pecaminosos. No pecado o homem utiliza seu
sistema religioso, seus deuses são inventados no coração; seu cristo é
fabricado pelo mundo; o espírito que opera nele é o espírito de engano e de
mentiras. Ele continuamente recebe provisões para enfeitar sua vida com
adereços religiosos, justamente porque quer ocultar seus pecados e assim escapar
da ira de Deus.
Muitos são aqueles que
com carnal habilidade conseguem oferecer seus “sacrifícios pacíficos”; estão
sempre dizendo “paz, paz” quando não há paz. Estão sempre dizendo no íntimo:
“Já ofereci sacrifícios pacíficos hoje; já estou fiz a minha parte; já paguei
os meus votos; já pude fazer o melhor de mim, por isso acho que Deus está
satisfeito comigo; agora posso curtir o mundo; agora posso fazer o que eu
gosto; posso ter meus amigos mundanos; posso seguir o caminho que quero,
porquanto já cumpri meus deveres”. O sistema “evangélico” moderno fornece
material em abundância para esse sistema de “sacrifícios pacíficos”, porque
negam a verdade da cruz e todos são aceitos na igreja sem quebrantamento,
arrependimento e conversão (Atos 3:19).
Meu caro leitor,
quanto perigo envolve um coração iludido! Mas, a conversão sincera desmancha
tudo isso e leva a alma ao pé da cruz. O pecador quebrantado tem a visão
correta da fé, pois encara o Cordeiro que foi morto. Cristo vem para chamar
essas almas para Si; o Príncipe da paz chega e fala ao coração de um pecador
arrependido; chega e transforma seu coração, implanta o temor e o leva a uma
vida de santidade até o fim.
Ó, que o Senhor em Sua
compaixão venha visitar essa geração! Que as almas tão tomadas pelo engano da
nova era possam conhecer o verdadeiro Deus, o Deus da revelação bíblica, a fim
de que este mundo respire a presença de homens e mulheres piedosos e tementes
ao Senhor (Salmo 12:1).
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