“Afastai-vos,
pois, do homem cujo fôlego está no seu nariz; porque em que se deve ele
estimar?” (Is 2:22)
William
Mac Donald
Quando damos a um homem ou a uma mulher
o lugar que só Deus deve ocupar, seremos amargamente decepcionados. Logo
aprenderemos que os melhores homens são nada mais que homens. Ainda que tenham
muitas qualidades, contudo têm ainda pés de ferro e de barro. Isto pode parecer
cinismo, mas não o é. É realismo.
Quando
os exércitos invasores ameaçavam Jerusalém, o povo de Judá procurou o Egito
para a sua liberação. Isaías denunciou-os por darem essa confiança imerecida ao
Egito e advertiu-os: “Eis que confias no Egito, aquele bordão de cana quebrada,
o qual, se alguém se apoiar nele lhe entrará pela mão, e a furará; assim é
Faraó, rei do Egito, para com todos os que nele confiam.” (Is 36:6, ACF) Mais
tarde, Jeremias declarou algo semelhante em circunstâncias parecidas: “Assim
diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço,
e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jeremias17:5) O salmista mostrou um grande
conhecimento do tema quando escreveu: “É melhor confiar no SENHOR do que
confiar no homem. É melhor confiar no SENHOR do que confiar nos príncipes.”
(Salmo 118:8-9). E de novo: “Não confieis em príncipes, nem em filho de homem,
em quem não há salvação. Sai-lhe o espírito, volta para a terra; naquele mesmo
dia perecem os seus pensamentos.” (Salmo 146:3-4)
Certamente,
devemos reconhecer que há um sentido no qual devemos confiar nos demais. O que
seria de um matrimônio, por exemplo, sem uma medida de confiança e respeito? No
terreno dos negócios, o uso de cheques como moeda apoia-se num sistema de
confiança mútua. Confiamos nos médicos para diagnosticar e prescrever adequadamente.
Confiamos nas etiquetas que vêm nas latas e pacotes de comida que compramos no
supermercado. Seria quase impossível viver em qualquer sociedade sem confiar no
nosso próximo em alguma medida.
O
perigo está quando confiamos que o homem pode fazer o que só Deus pode fazer,
despojando Deus do Seu trono e sentando no Seu lugar um simples mortal. Seja
quem for que substitua Deus do nosso afeto, intenta tomar o Seu lugar na nossa
confiança, e apropria-se de qualquer das Suas prerrogativas sobre nós, o que
sem dúvida nos decepcionará amargamente. Dar-nos-emos conta, demasiado tarde
então, de que o homem não é digno da nossa confiança.
Tradução
de Carlos António da Rocha
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