John Owen
A Bíblia fala de pessoas que abandonam a igreja porque nunca
pertenceram realmente a ela (1 João 2:19). A forma em que isto ocorre a muitas
destas pessoas é mais ou menos como segue: Elas estavam sob convicção por algum
tempo e isto as conduziu a fazer certas obras e a professar a fé em Cristo.
Eles apartaram-se das contaminações do mundo pelo conhecimento do Senhor e
Salvador Jesus Cristo (2 Pedro 2:20). Mas, depois de que conheceram o Evangelho
cansaram-se dos seus deveres espirituais.
Posto que seus corações nunca tinham sido realmente mudados,
eles permitiram-se a si mesmos, descuidar vários aspectos do ensino bíblico a
respeito da graça. Uma vez que este mal tinha apanhado os seus corações, foi
somente uma questão de tempo até que se afundaram no caminho que conduz ao
Inferno. (Quer dizer, converteram-se em apóstatas.) Uma influência que endurece outros.Uma pessoa que não
mortifica em si mesma o pecado não pode ser preservada de cair abertamente na apostasia,
e que não obstante, ao mesmo tempo exerce uma influência dúbia sobre outras
pessoas:
Quando os inconversos podem ver tão pouca diferença entre as
suas próprias vidas e a de uma pessoa que professa o cristianismo mas que não
mortifica os seus pecados, então não veem nenhuma necessidade de ser
convertidos. Eles observam o zelo religioso de dita pessoa, mas também observam
a sua impaciência para com aqueles com quem não estão de acordo. Eles observam
as suas muitas inconsistências. Eles veem que em algumas coisas se separa do
mundo, mas que se fixam mais no seu egoísmo e na sua falta de esforço para
ajudar outros. Eles escutam a sua
conversação espiritual e as suas reclamações para ter comunhão com Deus; mas
tudo é contraditado pela sua conformidade com os caminhos do mundo. Eles
escutam a sua jactância de que os seus pecados foram perdoados, mas também se
fixam na sua falha de não perdoar a outros. Então, observando a pobre qualidade
de vida de tal pessoa, endurecem-se nos seus corações contra o cristianismo e
concluem que as suas vidas são tão boas como as de qualquer “crente”.
Por outro lado, outros podem tomar a tal pessoa como um
exemplo de um cristão e assumir que, devido a que podem imitar o seu exemplo ou
melhorá-lo, portanto eles também poderiam considerar-se como cristãos. Desta
forma tais pessoas são enganadas e pensam que são cristãos quando em realidade
não possuem a vida eterna.
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