segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A GLÓRIA DE CRISTO



CAPITULO 1( a)

Para que vejam a Minha glória.” (Jo 17:24)
por John Owen
         O sumo sacerdote sob o Antigo Testamento, fazendo os sacrifícios requeridos no dia da propiciação, entrou no lugar santíssimo com as suas mãos cheias de incenso de um doce aroma, o qual pôs no fogo diante do Senhor. Assim, o grande sumo sacerdote da Igreja, nosso Senhor Jesus Cristo, havendo-Se oferecido pelos nossos pecados, entrou no Céu com o doce aroma das Suas orações a favor do Seu povo. O Seu desejo eterno pela salvação do Seu povo é manifesto no versículo citado no princípio: “Pai... quero... que vejam a Minha glória” (João 17:24). José pediu aos Seus irmãos que contassem a seu pai acerca da sua glória no Egito: “Fareis, pois, saber a meu pai toda a minha glória no Egito...” (Gn 45:13). Isto fê-lo José, não para vangloriar-se, mas para dar a seu pai o gozo de saber acerca da sua elevada posição no Egito. Assim Cristo desejava que os discípulos vissem a Sua glória, para que estivessem satisfeitos e desfrutassem da plenitude desta bênção para sempre. Havendo conhecido o Seu amor, o coração do crente estará sempre inquieto até que veja a glória de Cristo. O ponto culminante de todas as petições que Cristo faz a favor dos Seus discípulos (neste capítulo 17) é que vejam a Sua glória. Então, eu afirmo que um dos maiores benefícios para o crente, neste mundo e no vindouro, é a consideração da glória de Cristo.
         Desde começo do Cristianismo, nunca houve tanta oposição direta para a natureza (tanto a divina como a humana) e para a glória de Cristo como a que existe atualmente. É dever de todos aqueles que amam o Senhor Jesus dar testemunho (segundo a sua capacidade) da Sua natureza única e da Sua glória. Portanto, queria fortalecer a fé dos verdadeiros crentes demonstrando que o ver a glória de Cristo é uma das experiências e um dos maiores privilégios possíveis neste mundo e no vindouro. Agora, nesta vida ao contemplarmos a glória de Cristo, somos transformados na Sua semelhança (Veja 2Co 3:18). Na vida vindoura, seremos semelhantes a Ele porque O veremos tal como Ele é (Veja 1Jo 3:2). Este conhecimento de Cristo é em forma contínua, a vida e a recompensa para as nossas almas. Aquele que tem visto a Cristo, tem visto o Pai; a luz do conhecimento da glória de Deus é vista somente na face de Jesus Cristo (Veja14:9 e 2Co 4:6).
         Há duas maneiras para se ver a glória de Cristo: Agora, neste mundo, por meio da fé, e no Céu pela vista, durante toda a eternidade. É à segunda maneira que Cristo Se refere na sua oração (a oração registrada em João 17). Cristo pede que os Seus discípulos estejam com Ele (no Céu) e que vejam a Sua glória. Mas uma visão da Sua glória neste mundo por meio da fé também está implícita, e exponho as seguintes razões pelas quais enfatizo isto:
1. Na vida vindoura, nenhum homem verá a glória de Cristo, a menos que a tenha visto pela fé nesta vida. É necessário que sejamos preparados para a glória por meio da graça, e que por meio da fé sejamos preparados para ver Cristo com a nossa vista. Algumas pessoas que não têm a fé verdadeira imaginam que verão a glória de Cristo no Céu, mas estão enganando-se a si mesmos. Os Apóstolos viram esta glória, “glória como a do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14). Esta não foi uma glória mundana como a que possuem os reis ou o papa. Ainda que Cristo tenha criado todas as coisas, Cristo não teve onde reclinar a Sua cabeça. Não havia nenhuma glória inusitada ou formosura na Sua aparência como homem. O Seu rosto e a Sua aparência foram desfiguradas mais do que a dos filhos dos homens (Is 52:14 e 53:2). Tão-pouco se podia ver neste mundo a plena manifestação da glória da Sua natureza divina. Então, como puderam os Apóstolos ver a Sua glória? Viram-na por meio do entendimento espiritual da fé. Ao vê-Lo como cheio de graça e de verdade, e ao ver o que fez e o que falou, “Receberam-No e creram em Seu nome” (Jo 1:12). Aqueles que não possuíam esta fé não viram nenhuma glória em Cristo.
TRADUÇÃO DE ANTÔNIO CARLOS

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