quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

OCULTOS NA CRUZ (3)




“Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gálatas 6:14)
A INCLINAÇÃO NATURAL DO HOMEM EM BUSCAR ONDE SE GLORIAR.
        Paulo em Gálatas está usando sua própria experiência, a fim de mostrar aos crentes que nossa glória está na cruz e não na lei ou noutras atividades rotineiras da carne. Estou tomando o texto, a fim de esclarecer essas verdades tão reveladoras aos nossos corações. Nós estamos mais pertos de afastar da verdade, do que caminhar a estrada estreita rumo ao céu, mediante o poder da graça. Em nossos dias vemos que o cheiro das obras religiosas originadas da carne tem se espalhado em todos os lugares. Tudo hoje conspira contra a glória de Deus e trabalha para elevar o homem, por isso todo cuidado é pouco.
        Assim como os crentes da galácia buscavam glória nas obras da lei, também nós todos buscamos glória nas obras aqui. Não estou ignorando as obras, porque a verdadeira fé ela é operante, mostrando ser ativa e firme. Mas as obras da fé sempre revelam que seu combustível vem da palavra de Deus, e não do homem. Quando a fé é natural, quando é do homem, então suas obras são baseadas na justiça humana. É perceptível que a pessoa está à busca de honras e glórias daqui mesmo. Nosso Senhor atacou veementemente as obras praticadas pelos fariseus, porque tudo o que faziam tinha como objetivo atrair a atenção dos homens. Suas orações, suas vestes suntuosas, o requerer assentar-se nos primeiros lugares, etc. Tudo aquilo ostentava aparente espiritualidade, mas não passava de trapos imundos aos olhos de Deus.
        Toda obra da carne tem o humanismo como pano de fundo. Até mesmos os pastores podem se envolver nesse perigo, de querer grandeza, posição e elevação perante todos, por essa razão deixam de tratar daquilo que Deus quer e ordena que seja tratado perante os homens aqui. Por que os homens agem assim? A única razão é que isso não passa de ser a soberba do pecado. Os homens são completamente ignorantes de Deus, mesmo que sejam teólogos, conhecedores de muitos ensinos bíblicos. A verdade só tem valor quando sai do papel entra no coração.
        No livro de Jó (Jó 35:6-8), Eliú mostra que os homens têm naturalmente uma concepção errada de Deus, por essa razão eles pensam erroneamente acerca dos seus pecados e da sua justiça própria. Eliú pergunta: “Se pecas, que mal lhes causas tu...”. A lição é que os homens pensam que seus erros afetam Deus. Aqui neste mundo um ladrão pode roubar qualquer coisa de um ricaço e isso lhe dará prejuízo. Mas o pecado dos homens em nada afeta Deus. Ele não deixa de ser Deus; em nada alterou sua santidade nem mexeu em sua glória.
        A seguinte pergunta (verso 7) deve ter surpreendido Jó: “Se és justo, que lhe dás ou que recebe ele da tua mão?”. A ideia é que os homens não estão “dando uma mãozinha” para ajudar Deus com seus atos de justiça. Deus não precisa de absolutamente nada. Sua justiça é perfeita e inalterável. Então, Eliú responde no verso 8 que os nossos pecados fazem mal aos homens e não a Deus e nossas justiças só podem beneficiar aos homens e não a Deus. Nossas justiças aqui em relação a Deus podem ser comparadas à luz de um palito de fósforo perante a luz do sol. Quando os homens estão tentando mostrar que têm algo de bom, de religioso e que podem satisfazer a Deus com suas obras, eis que agem como um mendigo que tira seus trapos, a fim de oferecê-los a um rei.
        Quão triste é a condição dos homens! Até mesmos os crentes se definham espiritualmente, quando se elevam em seus atos. Nossa justiça própria tende a nos empurrar para baixo, a nos humilhar ainda mais. A glória é de Deus e não dos homens. O poder é da graça e não da lei. A coroa de glória pertence ao Rei dos reis e Senhor dos senhores, e não a nós, pobres pecadores.

Nenhum comentário: