6. Tiramos real proveito da Palavra, quando nos mostramos
constantes, em evitar os empecilhos, que entravam a alegria.
Por que razão, um tão grande
número de crentes, goza de tão pouca alegria? Porventura, não nasceram todos
eles filhos da luz, e filhos do dia? Esse termo, "luz", que é tão
frequentemente utilizado nas Escrituras para descrever-nos a natureza de Deus,
e as nossas relações com Ele, e nosso destino futuro, é extremamente sugestivo
acerca da alegria, e do regozijo. Que outra coisa, existente na natureza, seria
tão benéfica e bela como a luz? "Deus é luz, e não há Nele, treva nenhuma".
(I João 1:5).
É somente quando andamos com
Deus, na luz, que nossos corações podem ser realmente jubilosos. É quando
permitimos deliberadamente a intervenção de coisas que atrapalham nossa
comunhão com Ele, que a nossa alma se torna gélida, e obscurecida. É a indulgência
da carne, a fraternização com o mundo, e o enveredar por sendas proibidas, que
arruínam a nossa vida espiritual, tirando-nos toda a alegria. Davi precisou
clamar: "Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustenta-me com um
espírito voluntário". (Salmo 51:12).
Davi se tornara lascivo, e
autoindulgente. Quando as tentações o assaltavam, ele não tinha qualquer poder
para resistir. Por isso, ele cedia às tentações, e um pecado o conduzia a
outro. Estava desviado, fora do contato com Deus. O pecado não confessado
pesava sobre a sua consciência. Oh, meu irmão e minha irmã em Cristo, se
tivermos de ser resguardados de tal queda, se não quisermos perder nossa
alegria espiritual, então precisamos negar ao próprio "eu",
precisamos crucificar os afetos e as concupiscências da carne. Precisamos estar
perenemente vigilantes contra a tentação. Devemos passar muito tempo de
joelhos. Precisamos beber com frequência da Fonte de águas vivas. Precisamos
estar cem por cento, dedicados ao Senhor.
7. Beneficiamo-nos da Palavra, quando preservamos diligentemente, o
equilíbrio entre a tristeza e a alegria.
Se a fé cristã se adapta
admiravelmente bem à produção da alegria, também tem uma tendência, e um
desígnio quase idênticos para produzir a tristeza, – uma tristeza que é solene,
máscula e nobre: "Entristecidos, mas sempre alegres...". (II
Coríntios 6:10). Essa é a grande regra da vida cristã. Se a fé lançar a sua
luz, sobre as nossas condições, sobre a nossa natureza, sobre os nossos
pecados, então a tristeza será um dos efeitos desse fato.
Não existe algo mais
desprezível em si mesmo, nem sinal mais certo de um caráter superficial, e de
ocupações triviais, do que uma alegria sem variação, que não repouse nos
alicerces profundos de uma tristeza calma e paciente, – tristeza, porque sei o
que sou, e o que deveria ser; tristeza, porque contemplo o mundo, e vejo as
chamas do inferno a rebrilhar por detrás do júbilo e das gargalhadas, sabendo
bem na direção do que os homens se
precipitam rapidamente. Aquele que foi ungido com o óleo da alegria, mais do
que os seus companheiros (Salmos 45:7), também era, "Homem de dores e que
sabe o que é padecer.". (Isaías 53:3). E ambos esses itens, (até certo
ponto) se repetem nas operações do Seu Evangelho, em cada coração daqueles que
verdadeiramente O acolhem.
Por um lado, pois, – devido
aos temores que assim são removidos de nós, e às esperanças que são insufladas
em nós, e ao companheirismo a que assim somos introduzidos, somos ungidos com o
óleo da alegria. Por outro lado, –
devido ao senso de nossa própria vileza, que o Evangelho nos ensina, devido ao
conflito entre a carne e o Espírito, também nos assoberba uma tristeza que
encontra expressão na exclamação:
"Desventurado homem que sou!". (Romanos 7:24). Esses dois
aspectos não se contradizem um ao outro, mas, se complementam. O Cordeiro
precisava ser consumido juntamente com, "Ervas amargas". (Êxodo
12:8).
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