sexta-feira, 4 de outubro de 2013

ENRIQUECENDO COM A BÍBLIA continuação



3. Tiramos real proveito da Palavra, quando ali nos é ensinado qual o Grande valor da alegria.
Para a alma, a alegria é o que as asas são para um passarinho, capacitando-nos a subir bem acima das coisas deste mundo. Isso fica claramente destacado em Neemias 8:10, onde se lê: "A alegria do Senhor é a vossa força". Os dias de Neemias assinalaram um ponto crucial na história do povo de Israel. Da Babilônia, retornara um remanescente judeu para a Palestina. A Lei, que desde há muito vinha sendo ignorada pelos cativos, agora estava sendo novamente estabelecida, como a norma da comunidade recentemente fundada. Eles tinham se lembrado dos muitíssimos pecados cometidos no passado, e as lágrimas muito naturalmente, se tinham misturado com as ações de graças, devido ao fato de que agora, eles eram novamente uma nação, dotados da adoração Divina e da Lei Divina entre eles. E o líder da nova nação, conhecendo perfeitamente bem, que se o espírito do povo começasse a hesitar, não poderia enfrentar e dominar as dificuldades de sua posição, disse-lhe: "Este dia, é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor, é a vossa força". (Neemias 8: l0).
A confissão de pecado, e a lamentação por ele, têm o seu devido lugar; e a comunhão com Deus, não pode ser mantida, sem esses elementos. Não obstante, quando o verdadeiro arrependimento é exercido, e as coisas são corrigidas defronte de Deus, precisamos olvidar as coisas que para trás ficam, "Avançando para as que diante de mim estão". (Filipenses 3:13).
E só podemos avançar com alacridade, quando os nossos corações estão cheios de alegria. Quão pesados os passos daquele que se aproxima do lugar onde jaz, frio na morte, um ente amado! Quão enérgicos os seus movimentos, porém, quando ele vai ao encontro de sua noiva! A lamentação não basta para as batalhas desta vida. Sempre que surge o desespero, não há mais o poder da obediência. Se não houver alegria, também não poderá haver adoração.
Meu prezado leitor, há tarefas que precisam ser realizadas, serviços ao próximo que precisam ser cumpridos, tentações a ser vencidas, batalhas a ser combatidas; e só estamos experimentalmente aptos para essas coisas, quando os nossos corações se regozijam no Senhor. Se nossas almas estiverem descansando em Cristo, se nossos corações estiverem repletos de tranquila alegria, então o nosso trabalho será fácil, nossos deveres nos parecerão agradáveis, as tristezas nos parecerão suportáveis e a constância, será possível. Nem a memória contrita dos fracassos do passado, e nem resoluções veementes nos farão avançar. Se o braço tiver de ferir com vigor, é preciso que fira sob as ordens de um coração leve. Acerca do próprio Salvador ficou registrado: "O qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia.". (Hebreus 12:2).

4. Tiramos benefício da Palavra, quando damos atenção à Raiz da alegria.
O manancial da alegria é a fé: "E o Deus da esperança, vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer.". (Romanos 15:13). Há uma admirável provisão no Evangelho, tanto naquilo que exige de nós, como naquilo que nos confere, outorgando aos corações crentes, uma aura de calma e de tranquilidade. O Evangelho tira a carga da culpa falando de paz às consciências pesadas. Remove o temor de Deus e o terror da morte que calcam a alma, enquanto ela está sob a condenação.
Confere-nos o próprio Deus, como porção dos nossos corações, como o grande objeto de nossa comunhão. O Evangelho outorga alegria, porque a alma descansa em Deus. Porém, essas bênçãos se tornam nossas, somente quando delas nos apropriarmos pessoalmente. É mister que a fé as receba; e quando isso ocorre, o coração é invadido de paz e alegria. E o segredo da alegria constante, consiste de mantermos aberto o canal, continuando tal como começáramos. É a incredulidade, que entope o canal. Se houver apenas ínfimo calor em torno da ponta de um termômetro, não nos poderemos admirar que o mercúrio assinale um grau tão baixo. Assim também, se houver uma fé fraca, a alegria não poderá ser intensa. Por isso, precisamos orar diariamente, para recebermos nova percepção sobre a preciosidade do Evangelho, nova apropriação de seu bendito conteúdo – e, então, haverá a renovação do nosso regozijo.

5. Beneficiamo-nos realmente da Palavra, quando temos o cuidado de conservar a nossa alegria.
A "Alegria no Espírito Santo" é algo inteiramente diferente da leveza natural de espírito. É produto do fato de que o Consolador habita em nossos corações e em nossos corpos, revelando-nos a Pessoa de Cristo, respondendo a todas as nossas necessidades de perdão e de purificação, assim fazendo-nos gozar de paz com Deus; e formando em nós a Pessoa de Cristo, para que Ele reine em nossas almas, subjugando-nos ao Seu controle. Não existe circunstância de prova, ou de tentação, que nos obrigue a interromper a nossa alegria, porquanto, a nós foi determinado:  "Regozijai-vos sempre". (I Tessalonicenses 5:16).
Aquele que baixou essa ordem, conhece tudo sobre o lado negro de nossas vidas, os pecados e as tristezas que nos cercam, a "muita tribulação" mediante a qual nos convém entrar no reino de Deus. A hilaridade natural, não leva em conta os "ais" de nossa sorte terrena. Logo se afrouxa, na presença das durezas próprias da vida: não pode sobreviver à perda de parentes, amigos ou da saúde. Porém, a alegria à qual somos exortados, não se limita a quaisquer séries de circunstâncias ou tipos de temperamento; e nem flutua de acordo com nossos sentimentos e com nossa sorte.
A natureza poderá impor-se aos que estão sujeitos a ela, conforme o próprio Jesus chorou, diante do sepulcro de Lázaro. No entanto, os crentes podem exclamar juntamente com Paulo: "... Entristecidos, mas sempre alegres...". (II Coríntios 6:10). O crente pode ser sobrecarregado de responsabilidades, e a sua vida pode sofrer uma série de reveses; seus planos podem ser frustrados, e suas esperanças podem ser arruinadas; o sepulcro pode fechar-se sobre entes amados que emprestaram ânimo, e doçura à sua vida, e contudo, a despeito de todos os seus desapontamentos e tristezas, o seu Senhor lhe ordena: "Regozija-te!".
Eis os apóstolos, no cárcere de Filipos, na masmorra interior, com os pés atados ao tronco, com as costas sangrando e ardendo, devido aos terríveis açoites que tinham recebido. E em que estavam ocupados? Em queixumes e ais? Indagando o que tinham feito para merecer tal tratamento? Não! À meia-noite, Paulo e Silas oravam e entoavam louvores a Deus, (Atos 16:25). Não havia qualquer pecado em suas vidas, porque estavam andando na obediência, pelo que também, o Espírito Santo sentia-se em liberdade, para tomar aquilo que era de Cristo, mostrando-o aos seus corações, de tal modo, que transbordavam de alegria. Sim, se tivermos de conservar nosso regozijo, precisamos evitar entristecer ao Espírito Santo.
Quando Cristo ocupa posição suprema, no nosso coração, a alegria o domina. Quando Ele é o Senhor de cada desejo, a fonte de cada motivo, o subjugador de cada paixão, então é que a alegria toma conta dos nossos corações, e o louvor nos ascende dos lábios. A possessão de tal alegria envolve a necessidade de tomarmos a cruz, a cada hora do dia; Deus ordenou as coisas de tal modo, que não podemos ter uma coisa sem a outra. O auto sacrifício, o decepar da mão direita, (espiritualmente falando), o arrancar do olho direito, são as avenidas, através das quais o Espírito de Deus entra em nossas almas, trazendo juntamente com Ele, a alegria do sorriso aprovador de Deus, e a certeza de Seu amor e de Sua presença.
Também muito depende da atitude com que iniciamos cada dia, em nossa vida neste mundo. Se esperamos, que as pessoas nos agradem ou nos elogiem, os desapontamentos nos deixarão aborrecidos. Se queremos que os outros nos alimentem o orgulho, nos sentiremos desprezados quando assim não acontecer. O segredo da felicidade consiste em nos esquecermos de nós mesmos, e em buscarmos a felicidade alheia. Assim como: "Mais bem-aventurado é dar que receber". (Atos 20:25), Assim também, sentimos maior felicidade em servir aos outros do que em sermos servidos.

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