sábado, 22 de fevereiro de 2014

“Os incrédulos tropeçam — os crentes regozijam-se” (1)



Spurgeon
“Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; e todo aquele que crer nela não será confundido.” (Rm 9:33)

         O nosso Apóstolo foi inspirado por Deus, e, não obstante, ele foi levado a citar passagens tomadas do Antigo Testamento. O Espírito de Deus teria podido ditar-lhe novas palavras; teria podido mostrar-lhe como confirmar a verdade mediante outros argumentos, mas a Ele não Lhe agrada fazer isso. Guia o Seu servo a estabelecer a Verdade presente por meio de verdades reveladas anteriormente, e assim dá-nos o exemplo de como esquadrinhar as Escrituras e de valorizar os antigos oráculos de Deus. A passagem sob a nossa consideração parece estar composta por duas Escrituras entrelaçadas até serem convertidas numa, um método que era utilizado com frequência pelos apóstolos. Uma parte do texto que estamos considerando encontra-se em Isaías 28: 16.
         O Apóstolo não faz uma citação literal, porém dá-nos o sentido em lugar das palavras: “Eis que Eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada: aquele que crer não se apresse.” (Is 28:16). Mas, o Apóstolo Paulo insere essa palavra de profecia na outra, citando desta vez de Isaías 8: 14: “Então Ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel.” Não posso evitar fazer uma ou duas observações sobre estas passagens antes de abordar o texto que vamos considerar.
         Em Isaías 8:14, percebe-se uma surpreendente prova da divindade de Cristo. Vede o décimo terceiro versículo: “Ao SENHOR dos Exércitos, a Ele santificai; e seja Ele o vosso temor e seja Ele o vosso assombro. Então Ele”, isto é, o SENHOR dos Exércitos “será por santuário” para os crentes; “mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel.” Isaías expressa uma profecia do SENHOR dos Exércitos, e Paulo cita-a em referência ao Senhor Jesus Cristo, com o propósito claro de que concluamos que o Senhor Jesus Cristo não é outro que o próprio SENHOR, Ele mesmo.
         Aprendemos da segunda passagem outra Verdade de Deus que serve para ilustrar mais de perto o nosso texto. Em Isaías 28:16, lemos, “Eis que Eu assentei em Sião uma pedra.” O apóstolo omitiu as palavras “por fundamento” e inseriu as palavras da outra passagem, “mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo.” Mas a profecia original de Isaías serve para nos mostrar que o propósito real de Deus ao pôr Cristo em Sião não era para que os homens tropeçassem Nele, mas sim, para que Ele fosse o alicerce para as suas esperanças. O propósito real de Deus era que Cristo fosse a pedra angular para a confiança humana.
         Mas o resultado foi que para um conjunto de homens renovados pela Graça Toda poderosa, Cristo veio a ser um santuário de refúgio e uma pedra de dependência. E para outros, deixados na sua própria depravação, Ele tornou-Se numa pedra de tropeço e rocha de escândalo — estes são alguns comentários sobre as primitivas Escrituras que Paulo cita. Vamos, agora, ao próprio versículo. O nosso texto informa-nos que muitos tropeçam em Cristo. E, logo, em segundo lugar, assegura-nos que quem recebe a Cristo e crê nEle, não terá motivo para estar envergonhado.
(extraído de NO CAMINHO DE JESUS)
tradução de Antônio Carlos

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