sábado, 7 de junho de 2014

“A IMUTABILIDADE DE DEUS” (7)



C. H. Spurgeon

“Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.” (Malaquias 3:6)

9. Também está o fato da infinidade de Deus, a qual elimina a possibilidade de mudança. Deus é um Ser infinito. O que significa isso? Não existe um homem que te possa dizer o que entende por um ser infinito. Mas não pode haver dois infinitos. Se uma coisa for infinita, não há espaço para nada mais, pois infinito quer dizer tudo. Significa sem limites, não finito, que não tem fim. Bem, não pode haver dois infinitos. Se Deus é infinito hoje, e pudesse mudar e ser infinito amanhã, haveria dois infinitos.
         Contudo, isso não pode ser. Suponhamos que é infinito e depois muda. Então deve tornar-Se finito, e não poderia ser Deus. Ou Ele é finito hoje e finito manhã, ou é infinito hoje e finito manhã, ou finito hoje e infinito manhã. Todas estas hipóteses são igualmente absurdas. O fato de que Ele é infinito imediatamente anula o pensamento de que Ele é um ser cambiável. A palavra “imutabilidade” está escrita sobre a própria testa da infinidade.
10. Agora, queridos amigos, olhemos para o passado: e ali vamos recolher algumas provas da natureza imutável de Deus. “Ele falou que faria e não fez? Ele jurou e isso não vai acontecer?” Porventura não pode ser dito de Jeová que “fará toda a Sua vontade e estabelecerá o Seu propósito”? Voltai-vos para a Filístia e perguntai onde está ela. Deus disse: “Grite Asdode e os portões de Gaza, pois serão destruídos”; e onde estão eles? Onde está Edom? Perguntai a Pátara e às suas muralhas em ruínas. Será que elas não ecoarão a verdade que Deus há dito: “Edom será uma presa e será destruída”? Onde está Babel e onde está Nínive? Onde Moabe e onde Amon? Onde estão as nações de que Deus disse que as destruiria? Acaso Ele não as desarraigou e as expulsou da face da Terra?
         E Deus lançou fora o Seu povo? Alguma vez Se esqueceu de uma das Suas promessas? Alguma vez não cumpriu o Seu juramento ou o Seu pacto, ou Se apartou alguma vez do Seu plano? Ah, não! Indicai um momento na história em que Deus tenha mudado! Não podereis fazê-lo, senhores; pois através de toda a história, ressalta o fato de que Deus foi imutável nos Seus propósitos. Às vezes ouço alguém dizer: “Eu posso recordar-me duma passagem da Escritura onde Deus mudou!” E assim pensei eu, no passado. O caso a que me refiro é esse da morte de Ezequias. Isaías entrou e disse: “Ezequias, tu vais morrer, a tua enfermidade é incurável, ordena a tua casa.” Ele virou-se para a parede e começou a orar. E antes que Isaías andasse até à metade do pátio, foi-lhe ordenado que voltasse e lhe dissesse: “Vais ainda viver quinze anos mais.”
         Vós poderíeis pensar que isso demonstra que Deus muda. Mas eu não posso ver no relato a menor prova de mudança que possa existir. Acaso vós achais que Deus não sabia que isso aconteceria? Ora, Deus sabia disso; Ele sabia que Ezequias viveria. Então Ele não mudou, pois se Ele sabia disso, como poderia mudar? Isso é o que eu quero saber. Não obstante, sabeis de uma coisa? Que o filho de Ezequias, Manassés, não tinha nascido então, e que se Ezequias tivesse morrido, e se não tivesse existido Manassés, e não tivesse existido Josias, nem tampouco teria existido Cristo, porque Cristo veio precisamente dessa linhagem.
         Podereis comprovar que Manassés tinha doze anos quando seu pai morreu, de tal maneira que deverá ter nascido três anos depois destes fatos. E não credes vós que Deus tinha decretado o nascimento de Manassés, e o conhecia de antemão? Certamente. Então, Ele decretou que Isaías fosse e dissesse a Ezequias que a sua enfermidade era incurável, e que depois lhe dissesse, no mesmo instante, “eis aqui que Eu te curarei e viverás.” Deus agiu dessa maneira para incitar Ezequias à oração.
         Ele falou, em primeiro lugar, como homem: “De acordo com as probabilidades humanas a tua enfermidade é incurável, e tu vais morrer.” Depois esperou até que Ezequias orasse; e logo veio um pequeno “mas” no final da frase. Isaías não tinha terminado a frase. Ele disse: “Deves ordenar a tua casa, pois não há qualquer cura humana; mas…” (e depois saiu, Ezequias orou por um instante, e depois ele (Isaías) entrou novamente, e disse) “Eu te curarei.” Acaso há alguma contradição ali, exceto no cérebro daqueles que lutam contra o Senhor, e desejam fazer Dele um ser mutável?

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