“Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que
deves seguir, e sob as minhas vistas te darei conselhos. Não sejais como o
cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são
dominados; de outra sorte não te obedecem” (Salmo 32:8,9)
CAMINHO
PERIGOSO
Caro
leitor, voltemos humilhados para esse verso tão carregado de profundas verdades
a respeito da nossa inclinação natural. Nessa tremenda advertência o Senhor
mostra que não agimos como seres humanos, mas sim irracionalmente, como
animais, quando decidimos fazer nossa própria vontade e corremos à frente de
Deus.
Meditemos
um pouco na linguagem de Deus vista no texto. Aprendemos que nossas decisões
derivadas de nossa carnalidade, motivações mundanas na busca de felicidade
terão resultados funestos lá adiante. Queremos alegria, prazeres, segurança,
amor, saúde, etc. e não percebemos que estamos semeando vento para colher
tempestade. Em toda revelação bíblica vemos o Senhor Deus comunicando aos
homens a loucura do pecado e a bênção de andar com Ele: “Ele te declarou, ó homem, o
que é bom; e que é o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça,
e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8). Obviamente,
o que é impossível para os homens nas exigências da lei, a graça se apresenta a
fim de mostrar sua força em mudar o coração e posicionar o homem pelo caminho
certo.
Então, caro leitor, as lições com as
quais deparamos no Salmo 32 não são derivadas da lei, mas sim da graça. O Salmo
32 é uma antecipação da mensagem da cruz, e releva a triunfante conquista do
calvário, por esse fato os versos 1 e 2 são usados por Paulo em Romanos 4:7,8.
Começa com humilhação e quebrantamento (versos 1 e 2); mostra o que acontece
com qualquer um que ouse manter oculto o pecado no íntimo (versos 3-5), e a
partir daí vemos o perfil do novo homem que agora anda no temor e na correção
do Senhor. Ora, a lei jamais poderá produzir um novo homem. Jamais! A lei não
opera felicidade, mas sim maldição: “Pois todos quantos são das obras da lei
estão debaixo da maldição...” (Gálatas 3:10).
Mas, viver na graça não significa que
Deus nos solta como crianças sem proteção, para que façamos o que bem
quisermos. Muitos pensam que uma vez salvo pela graça, pode o crente agora
circular livremente no pecado porque foi salvo de uma vez para sempre. Quão
errôneo é esse pensamento! Veja o que Paulo diz em Tito 2:11,12: “Porque
a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos,
para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente
mundo sóbria, e justa, e piamente”. Paulo ensina que a graça salva e
educa; que livra da penalidade, mas que trabalha para a nossa santidade; que
nos livra do inferno, mas nos prepara para o céu. Veja, caro leitor que é essa
lição que temos no Salmo 32, especialmente nos versos 8 e 9. No verso 9 a graça
de Deus mostra para onde somos inclinados a ir, caso somos deixados entregues
às nossas paixões. Ainda carregamos uma natureza carnal conosco, por isso a
bondade infinita não nos abandonará; amor cuidadoso e disciplinador cobrirá
nosso viver, para que jamais venhamos a agir como fazíamos quando estávamos nas
trevas.
Veja, caro leitor que agir segundo a
natureza corrompida é agir como “cavalo e mula”, como animais, sem
bom senso. “Cavalo e mula” são usados para montagem. Deus não quer que
sejamos usados para servir ao mundo e ao diabo. “Cavalo e mula” são fortes
fisicamente, mas o Senhor não tem prazer na força física, mas sim naquele que
confia Nele. “cavalo e mula” não vêem perigo, mas o Senhor livra Seus filhos
dos perigos, protegendo-os do mal e guardando-os das ciladas armadas por
satanás. Nossa felicidade consiste em habitar na segurança do amor eterno que
nos acolheu em Cristo; nossa felicidade está na cidadela forte que é o Nome do
Senhor, lugar de refúgio dos santos!
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