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sábado, 19 de julho de 2014

SANTO ESCÂNDALO (continuação)




Logo está desfeito o escândalo da cruz” (Gálatas 5:11).
         Caro leitor lembremos bem que a mensagem da cruz sempre será motivo de loucura para este mundo que se acha tão culto. É também para os enfatuados que se acham biblicamente capaz no conhecimento da verdade. A mensagem da cruz visa nos levar ao temor, a fim de que saibamos o preço que o Filho de Deus pagou, a fim de que fôssemos comprados para Deus.
         3.      Então, o que acontece? Eis que homens e mulheres se escandalizam. Eles se escandalizam com as ordenanças do evangelho. A salvação não é conquistada por uma mera decisão ou levantar de mãos. Aos pecadores é ordenado que se arrependam; que vejam onde foi que caíram em Adão e como viveram para afrontar o Senhor. Aos pecadores vem a ordem para que se convertam, deixando seus caminhos ímpios, a fim buscarem a justiça perfeita de Cristo, a fim de que andem resolutamente para o céu, em santidade de vida. Se escandalizam pela forma como os crentes devem andar, demonstrando plena submissão ao Senhor da igreja e que não pode haver compromisso com o sistema mundano no viver do crente.
         Eles se escandalizam com a força advinda da cruz, a fim de que os crentes possam viver e triunfar neste mundo. Eles não concordam com um cristianismo tão dependente de Deus e da força da graça; que se aparta do mundo a fim de agradar o Senhor no dia a dia. Eles se escandalizam com a única coisa que pode salvar os homens e que em nada depende sequer de uma virgula da ajuda do homem. Por isso se irritam por ver que o evangelho chama os cansados e sobrecarregados; chama os humildes que de coração invocam o Nome do Senhor.
         Eles se escandalizam com uma mensagem repleta de sabedoria e beleza. O que é loucura para os sábios, fortes e ricos deste mundo, é verdadeira sabedoria para os que temem ao Senhor. A mensagem da cruz é o farol que brilha para o céu. Os salvos nessa mensagem veem um caminho de regozijo e riquezas eternas e mais que eles avançam mais perto chegam da perfeição. Para o mundo essa mensagem é feia e terrível, mas para os salvos eles contemplam a beleza do Homem perfeito neles e caminham de glória em glória, a fim de alcançar a perfeição na ressurreição.
         Em nada sentimos inveja dos que estão ganhando bem, porque seguem o espírito deste presente século. Não fomos chamados para ter sucesso mundano, mas sim para sermos fieis a mensagem que nos foi entregue. A mensagem simples e clara nunca será agradável a este sistema liderado pelo pai da mentira, mas pelas misericórdias do Alto eis que milhares de pecadores são atraídos pela graça para essa sábia “loucura”. Esse fato irrita os poderes das trevas, porque há milagre e Deus opera por milagres neste mundo.
         Enfim, a mensagem da cruz vem abalar este mundo; vem para afirmar que Aquele que morreu, ressuscitou; vem para avisar que “vive o Senhor!”; vem para declarar a derrota deste mundo e mostrar aos pecadores a perfeita salvação pela graça para todo aquele que humildemente crê nesse Nome bendito!

UM SANTO ESCÂNDALO




Logo está desfeito o escândalo da cruz” (Gálatas 5:11).
         Caro leitor, em Gálatas vemos como a mensagem da cruz é intensificada, porque é o tema de um apóstolo fiel e é a mensagem mais visada pelo ódio inimigo. Devemos saber que como no passado, o escândalo da cruz nunca cessou e que a perseguição inimiga hoje é ainda mais cruel, porque em nossos dias satanás conseguiu ressuscitar todos os erros e que no passado atacou a cruz e que agora estão mancomunados contra a mesma mensagem pregada por Paulo – a mensagem da cruz.  A história mostra como essa mensagem tem sido assaltada com o mais amargo ódio, porque ela é claramente ofensiva à mente não regenerada.
         1.      Onde está o escândalo da cruz? Está no fato que a mensagem da expiação substitutiva, do Cordeiro imaculado que foi morto para ocupar o lugar do perdido, de fato é escandalosa para a sabedoria do homem mundano com toda sua vaidade e superficialidade. Leve essa mensagem para os púlpitos modernos e eis que os rebeldes vão se manifestar e posicionar contra tais pregadores da cruz. A mensagem da cruz chega para tirar a falsa paz e aniquilar o sossego “espiritual” dos falsos crentes modernos. Eles confiaram num cristo imaginário e logo são descobertos carregados de justiça própria.
         A mensagem da cruz chega para escandalizar a mente moderna, a qual entrou nos arraiais evangélicos, trazendo consigo boas e excelentes ideias do movimento ecumênico e daquilo que puderam extrair do mundo. A mensagem da cruz é elevada em santidade, por isso escandaliza o amor que o homem no pecado tem pelo mundo e suas paixões. A salvação em Cristo assegura um novo coração para a alma arrependida, a qual doravante andará em justiça e santidade. Ora, isso é notícia de horror para o mundano disfarçado de evangélico.
         2.      Como aparece esse escândalo? Aparece principalmente em perseguição aos verdadeiros crentes. Não demora para que os sábios deste século corram e peguem suas armas, justamente porque foram descobertos pela luz da verdade. Como não podem ver o Senhor que ressuscitou dentre os mortos, eles se lançam contra aqueles que realmente seguem a Cristo. A perseguição aparece muitas vezes em forma de calúnia, menosprezando os crentes e chamando-os de antiquados, tolos débeis mentais e cruéis.
         Também, muitos são espertos, ocupando o púlpito para pregar uma mensagem diferente. Eles ousam falar de coisas bonitas tiradas da Bíblia, mas escondem a verdade da cruz. Querem expor a sabedoria teológica; querem mostrar o quanto têm cabeça de ouro no conhecimento da Bíblia, mas todo objetivo é silenciar a mensagem que Deus entregou aos Seus servos. “Os pregadores que apanharam o espírito deste presente século pertencem ao mundo e o mundo os ama; nós, porém, devemos rejeitá-los” (Spurgeon).
         Caro leitor, se você é crente, volte para a mensagem da cruz. Ela é e tem tudo o que você precisa, porque nos mantém continuamente na humilde posição perante o Senhor. A mensagem da cruz mantém a luz da eternidade brilhando à frente e nos concede força suficiente para prosseguirmos na jornada para o céu. A cruz é também a mensagem capaz de atrair o perdido arrependido até os pés do Salvador!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O HOMEM DE UMA SÓ MENSAGEM Spurgeon



I. A nossa primeira consideração esta manhã será: QUAL ERA ESSE TEMA, A QUE PAULO SE TINHA DETERMINADO CONFINAR, QUANDO ELE PREGAVA À IGREJA DE CORINTO? Esse tema era um, ainda que muito bem pudesse ser dividido em dois —era a Pessoa e a obra de nosso Senhor Jesus Cristo— pondo especial ênfase naquela parte da Sua obra, a qual sempre enfrenta as maiores objeções, isto é, o Seu Sacrifício substitutivo, a Sua morte redentora. Paulo pregava a Cristo em todos os Seus ofícios, porém, dava particular importância a Cristo crucificado.
         O Apóstolo, primeiramente, pregava sobre a Pessoa do seu grandioso Mestre, Jesus Cristo. Quando Paulo falava de Jesus de Nazaré, não havia nenhuma margem de dúvida. Apresentava-O como um homem real — e não como um fantasma— que foi crucificado, morto e sepultado, e que ressuscitou dos mortos com uma existência corporal real. Tampouco havia nenhuma dúvida a respeito da Sua Divindade. Paulo pregava a Jesus como o Filho do Altíssimo, como a sabedoria e o poder de Deus, “no Qual habita corporalmente toda a plenitude da Deidade.” Ao escutar-se Paulo, não existia nenhuma dúvida de que cria tanto na Divindade como na Humanidade do nosso Senhor Jesus Cristo — que Lhe rendia culto e O adorava como ao Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. Pregava a Sua Pessoa com toda a claridade de linguagem e também com todo o calor do amor. O Cristo de Deus era Tudo em Tudo para Paulo.
         O Apóstolo falava igualmente com toda clareza do trabalho do Redentor, pondo especial ênfase sobre a Sua morte. “Horrível”, dizia o Judeu, “como podes vangloriar-te acerca de um Homem que morreu como um criminoso e que era maldito já que foi pendurado num madeiro!” “Ah”, dizia o Grego, “não queremos saber mais do teu Deus que morreu! Deixa já de palrar a respeito da ressurreição. Nunca vamos crer em semelhante loucura.” Mas, Paulo não pôs de lado estas coisas dizendo “Senhores, começarei por contar-vos a vida de Cristo e a excelência do Seu exemplo — e mediante isto espero convencer-vos de que havia algo de Divino Nele, para posteriormente concluir que Ele fez uma expiação pelo pecado.”
         Justamente o contrário, ele começava com a Sua bendita Pessoa e claramente O descrevia conforme tinha sido ensinado pelo Espírito Santo! E quanto à Sua crucificação, punha-a em primeiro plano, dando-lhe o lugar de proeminência. Não dizia: “Bem, por agora não tocaremos o tema da Sua morte” ou “Consideraremo-lo da perspectiva de um martírio mediante o qual Ele ratificou o Seu testemunho”, Não! Paulo glorificava no Redentor crucificado, o Cristo morto e sepultado, o Cristo que carregou com os pecados, o Cristo feito maldição por nós, como está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.” Este foi o tema em que ele se concentrou em Corinto — e não tocou em nenhum outro. Mais ainda, não somente decidiu limitar a sua pregação a esse ponto, mas, resolveu, também, não saber de nenhum outro tema! Ele queria excluir da sua mente qualquer outro pensamento, exceto o de Jesus Cristo e Este crucificado!
         Isto deve ter parecido muito pouco político. Consultai uma assembleia de sábios segundo o mundo, e certamente condenarão este enfoque imprudente; em primeiro lugar, este tipo de pregação afastaria a todos os Judeus. Estando os Judeus apegados às Escrituras do Antigo Testamento, e conhecendo os ensinos sobre o Messias, e crendo firmemente na unidade da Deidade, eles tinham avançado um bom trecho para a luz — e se Paulo tivesse evitado os pontos de discórdia por um pouco de tempo mais— não tê-los-ia aproximado um pouco mais, e assim, gradualmente, os conduziria à cruz? Os sábios teriam assinalado a esperança que havia para os Israelitas, se ele os tratasse com discrição, e o seu conselho teria sido: “Não te pedimos que renuncies aos teus sentimentos, Paulo, simplesmente disfarça-os por um pouco de tempo mais! Não digas o que não é verdade, porém, ao mesmo tempo, sê um pouco reticente acerca do que é verdade, para não espantares a estes judeus cheios de esperança.”

         O Apóstolo não cedia ante tais políticas! Assim ele não ia ganhar nem a Judeus nem a Gentios dizendo verdades pela metade, posto que sabia que tais convertidos não são verdadeiros. Se o homem que está perto do reino vai ser afugentado do Evangelho ao ouvir a crua Verdade, isso não é da responsabilidade de Paulo; Ele sabe que o Evangelho deve ser para uns “aroma de morte para morte”, enquanto que para outros “aroma de vida para vida”, e, portanto, independentemente do resultado, ele devia entregar a sua própria alma: os resultados não diziam respeito a Paulo, mas ao Senhor! A nós corresponde-nos dizer a Verdade com denodo, e em cada caso seremos um aroma grato a Deus. Mas querer contemporizar, esperando obter conversões, é fazer um mal para obter um bem — e isto deve estar fora da nossa consideração a todo momento!
         Outro diria: “Mas Paulo, se tu fizeres isto, vais gerar oposição. Não sabes que o Cristo crucificado é um objeto de escárnio e uma recriminação para todos os seres pensantes? Em Corinto há um bom número de filósofos, e, crê-me, farás um ridículo monumental se apenas abres a tua boca para falar do Crucificado e da Sua ressurreição. Não te lembras de como se escarneceram de ti na Colina de Marte, quando pregaste sobre esse tema? Não lhes provoques o seu desprezo! Debate com o seu Gnosticismo e mostra-lhes que tu também és um filósofo. Sê todas as coisas para com todos os homens. Sê um intelectual entre os intelectuais e mostra a tua retórica entre os oradores. Mediante estas técnicas farás muitas amizades e assim gradualmente a tua conduta conciliatória conduzi-los-á a aceitar o Evangelho.”
         O Apóstolo sacode a sua cabeça, o seu pé golpeia o chão, e com voz firme declara: “Já o decidi”, diz, “cheguei a uma conclusão, estais desperdiçando os vossos comentários e o vosso conselho no que a mim concerne. Decidi não saber nada no meio dos Coríntios —sem importar quão cultos sejam os que ali são gentios, ou quanto amem a retórica— só quero saber de Jesus Cristo, e Este crucificado.” Essa é a posição de Paulo. É muito importante observar adicionalmente que o Apóstolo estava convencido de que o seu tema ia atrair de tal maneira os seus ouvintes, que ele não precisava de recorrer à excelência das palavras para apresentá-lo, nem adorná-lo com a sabedoria humana.
         Talvez vós tenhais escutado do famoso pintor que retratou o rei Jaime I. Ele representou-o sentado sob uma caramanchão com todas as flores da estação ao seu redor — e ninguém emprestou a menor atenção ao rosto do rei, posto que todas as olhares eram cativadas pela beleza das flores! Paulo resolveu não ter flores ao seu redor! O quadro que ele ia desenhar devia ser de Cristo crucificado, sem adornos, e a doutrina da Cruz, com exclusão de qualquer flor que proviesse de poetas ou de filósofos! Alguns de nós devemos ser discretos a respeito da nossa resolução de evitar uma linguagem florida, já que podemos ser muito pouco dotados a esse respeito. Mas o Apóstolo era um homem de poderes naturais sutis e de vastos predicados pessoais — um homem ao qual não poderiam desprezar os críticos de Corinto— se bem que Paulo se tenha despojado de todo o ornamento para dar passo à beleza sem adornos da Cruz!
         Da mesma maneira como ele não adicionaria flores, tampouco ia enegrecer a Cruz com fumo, pois há uma forma de pregar o Evangelho que o asfixia no mistério e na dúvida, de tal maneira que os homens não podem recebê-lo. Um grupo numeroso de pessoas está sempre aquecendo e removendo um gigantesco caldeirão filosófico, fumegante com um denso vapor, que oculta a Cruz de Cristo da maneira mais horrível. Ai daquela sabedoria que oculta a Sabedoria de Deus! É a mais culpada forma de loucura. Algumas pessoas pregam a Cristo, da mesma maneira como é representado, às vezes, um casco de um navio de guerra, em alguma pintura. O pintor pintou unicamente o fumo, de tal forma que te perguntas: “E onde está o navio?” Pois bem, se olhares com atenção, podes, eventualmente, discernir um fragmento da parte superior de um dos mastros, e, talvez, uma porção da sua estrutura; o navio estava ali, indubitavelmente, mas o fumo oculta-o! Da mesma maneira Cristo pode estar na pregação de alguns homens, mas esta pregação encontra-se rodeada de tanta nuvem de pensamento, de tão densa cortina de profundidade, de tão horrível roupagem de filosofia, que vos impedem de ver o Senhor!
         Paulo pintava sob um céu limpo. Não queria utilizar nenhuma escuridão ilustrada; decidiu abandonar toda a técnica da oratória quando falava; para não pensar com a profundidade com que presumem os filósofos, mas apenas saber de Jesus Cristo, e Este crucificado — e apresentá-Lo na Sua própria beleza natural, sem adornos. Ele prescindiu de todo o elemento acessório que tendesse a distrair o olho da mente do ponto mais importante — Cristo crucificado. “Um experimento imprudente”, diria alguém. Ah, Irmãos, é o experimento da fé, e a fé é justificada por todos os seus filhos! Se confiarmos no simples poder da persuasão, confiamos no que é nascido da carne! Se dependermos do poder da argumentação lógica, então novamente confiamos no que é nascido da razão do homem! Se confiarmos nas expressões poéticas e nos atrativos rodeios da linguagem, estamos procurando meios carnais.