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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

OS FALSOS PROFETAS (8 de 8)




John Wesley
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes  (Mateus 7:15).
         14.    Meus caros irmãos, não endureçais os vossos corações! Por muito tempo trancastes vossos olhos à luz. Abri-os agora, antes que seja demasiadamente tarde; antes que sejais lançados nas trevas exteriores! Não permitais que qualquer consideração de ordem temporal vos constranja, porque a eternidade está em jogo. Correstes antes que fosseis enviados. Oh! Não vades mais longe! Não continueis a vos perder e a perder aos que vos ouvem! Não tendes fruto em vosso labor. E por que acontece isto? Porque o Senhor não está convosco. Podeis, pois, ir à guerra à vossa própria custa? Isto não pode ser! Então, humilhai-vos diante de Deus. Clamai a Ele desde o pó, para que Deus possa primeiro despertar vossa alma, dar-vos a fé que opera por amor, que é humilde e manso, puro e misericordioso, zeloso de boas obras, regozijando-se em tribulação, injúria, aflição, perseguição por causa da justiça! Assim “O Espírito de glória e de Cristo descansará sobre vós” e demonstrará que Deus vos enviou. Fareis, na verdade, “a obra de um evangelista, e dareis plena prova de vosso ministério”. A Palavra de Deus em vossa boca será “Um martelo que reduz as rochas a pedaços”. Pelos vossos frutos será então conhecido que sois um profeta do Senhor, através dos filhos na fé que Deus vos conceder. E, tendo “inclinado muitos à justiça”, “brilhareis como estrelas pelos séculos dos séculos”.
FINAL

terça-feira, 30 de setembro de 2014

OS FALSOS PROFETAS (7)




John Wesley
“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes”  (Mateus 7:15).
         10.    Não posso concluir sem dirigir algumas palavras aos de quem temos estado a falar: Ó vós, falsos profetas! Ó vós, ossos secos! Ouvi, de vez, a Palavra do Senhor! Até quando mentireis em nome de Deus, dizendo: “Deus falou”, quando Deus nada disse por vosso intermédio? Até quando pervertereis os retos caminhos do Senhor, pondo trevas por luz e luz por trevas? Até quando ensinareis o caminho da morte, dando-lhe o nome de caminho da vida? Até quando entregareis a satanás as almas que professáveis estar conduzindo a Deus?
         11.    “Ai de vós, cegos condutores de cegos; porque fechais o reino dos céus aos homens, de modo que nem entrais, nem consentis que entrem os que estavam para entrar.” Os que “porfiavam por entrar pela porta estreita”, vós os fizestes voltar para a estrada larga. Os que somente um passo davam nos caminhos de Deus, vós diabolicamente os impedistes de ir mais além. Os que começavam a ter “fome e sede de justiça”, vós os advertistes a que não fossem “justos em excesso”. Assim, fizestes que eles tropeçassem logo à saída, e na verdade caíram e nem se levantaram nunca! Oh! Por que o fizestes? Que proveito há no seu sangue, quando eles se despenham no abismo? Miserável lucro vos resulta! “Eles perecerão em sua iniquidade, mas Deus requererá o seu sangue de vossas mãos!”.
         12.    Onde estão vossos olhos? Onde está vossa compreensão? Enganastes aos outros, até que vós também vos enganásseis a vós mesmos? Quem exigiu de vós que ensinásseis um caminho que jamais conhecestes? Estais “entregues” a um tão “forte erro”, que não somente ensinais a mentira, mas “credes na mentira”? E é possível que acrediteis que Deus vos enviou? Que sois seus mensageiros? Não; se o Senhor vos tivesse enviado, a obra do Senhor teria prosperado em vossas mãos. Vive o Senhor que, se fôsseis mensageiros de Deus, Ele confirmaria “a palavra de seus mensageiros”; Mas a obra do Senhor não prospera em vossas mãos; não levais pecadores ao arrependimento. O Senhor não confirma vossa palavra, pois que não salvais almas da morte eterna.
         13.    Como podeis eficazmente fugir à força das palavras de nosso Senhor – tão completas, tão vigorosas, tão expressivas? Como podeis fugir ao conhecimento de vós mesmos através de vossos frutos – maus frutos de árvores corrompidas? E como poderia ser de outra sorte? “Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” Tomai esta interrogação para vós, a quem ela pertence! Ó vós, árvore  estéreis, por que atravancais o solo? “Toda árvore boa dá bom fruto”.  Não notais que esta regra não admite exceção? Reconhecei, portanto, que não sois boas árvores, porque não produz bons frutos. “Mas a árvore má produz maus frutos”; e assim tendes feito desde o começo. Vossas falas, insinuadas em nome de Deus, somente têm confirmado os que as ouvem no caráter, senão nas obras do diabo. Obedecei ao aviso daquele em cujo nome falais, antes que se execute a sentença por Ele proferida: “Toda árvore que não dá bom fruto é corta e lançada ao fogo”.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

OS FALSOS PROFETAS (6)



John Wesley
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes  (Mateus 7:15).
         8.      Ainda mais: a eles, aos falsos profetas, inegavelmente reconhecíveis como tais, é com frequência  também cometida (oh! Faz pena dizê-lo, porque essas coisas não deviam ser assim!) a administração dos sacramentos. Recomendar, portanto, aos homens que os não ouvissem, seria, como efeito, privá-los das ordenanças de Deus. Isto não devemos, entretanto, fazer, desde que se considere que a validade da ordenança não depende da bondade do que ministra, mas da fidelidade daquele que a ordenou, que nos encontrará e encontra em seus caminhos estabelecidos. Assim, a este respeito, tenho, como homem prudente, escrúpulo de dizer: Não ouças o falso profeta! Mesmo através dos que se acham debaixo da maldição, Deus nos pode dar, e efetivamente dá, suas bênçãos. Porque o pão que eles partem, experimentalmente reconhecemos ser a “comunhão do corpo de Cristo”; e o cálice que Deus abençoa, mesmo pelos lábios profanos dos falsos profetas, é para nós a comunhão a comunhão do sangue de Cristo.
         9.      Tudo quanto, afinal, posso dizer, é isto: em cada caso particular, dirigi-vos a Deus em humilde e fervorosa oração e procedei então de acordo com as melhores luzes que tiverdes; procedei segundo aquilo de que estiverdes persuadidos, pesadas todas as circunstâncias, ser o melhor para vosso crescimento espiritual. Tomai grande cuidado em não julgardes temerariamente; não penseis levianamente que alguém seja falso profeta; e mesmo tendo prova cabal, vede que nenhum rancor ou amargura deite raízes em vosso coração. Depois de tudo, na presença e no temor do Senhor, determinai por vós mesmos. Somente posso dizer que, se por experiência achais que em os ouvir há prejuízo para a vossa alma, então não os escuteis; afastai-vos tranquilamente, procurando ouvir aos que vos aproveitem. Se, ao contrário, julgais que eles não prejudicam a vossa alma, então continuai ouvindo-os. Somente “tomai cuidado com o modo de ouvir”; guardai-vos deles e de sua doutrina. Ouvi com temor e tremor, temendo não sejais enganados e vos abandoneis, como eles, a um grave erro. Como eles estão misturando a cada passo verdade e mentira, quão facilmente podeis abraçar as duas ao mesmo tempo!
         Ouvi com fervorosa e contínua oração àquele que é o único a ensinar sabedoria ao homem. E não deixeis de trazer o que ouvirdes “à lei e ao testemunho”. Não recebais coisa alguma que não tenha sido provada; nada que não tenha sido pesada na balança do santuário; nada acrediteis do que eles dizem, a não ser que haja clara confirmação em passagens dos Sagrados Escritos. Rejeitai totalmente tudo quanto difere das Escrituras ou por elas não se possa provar. Rejeitai, em particular, com o mais profundo aborrecimento, o que se apresente como sendo o caminho da salvação, e diverso do caminho que nosso Senhor assinalou no precedente discurso, ou sendo um atalho proposto em troca daquele caminho.
         10.    Não posso concluir sem dirigir algumas palavras aos de quem temos estado a falar.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

OS FALSOS PROFETAS (5)




John Wesley
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes  (Mateus 7:15).
         5.      Oh!  Guardai-vos desses falsos profetas”, porque, embora venham “com vestes de ovelhas, interiormente são lobos vorazes”. Eles somente destroem e devoram o rebanho: reduzem-no a pedaços, se não houver alguém que lhe venha em auxílio. Como o fariam eles, se nem conhecem semelhante caminho? Oh! Guardai-vos para que eles não vos desviem da estrada, levando-vos a “perder o que tendes conseguido pelo trabalho”.
         6.      Agora talvez perguntareis: “Se há tal perigo em ouvi-los, não é melhor que os não ouçamos de forma alguma?”. Aí está uma pergunta séria, que provoca as mais profundas considerações, e que não deve ser respondida senão após o mais calmo pensamento e a mais intensa reflexão. Durante muitos anos me arreceei de tocar neste assunto, incapaz que me sentia de determinar um ou outro caminho ou de proferir juízo sobre a questão. Muitas razões há que de pronto ocorrem, inclinando-me a dizer: “Não os ouçais!” E, todavia, o que nosso Senhor fala acerca dos falsos profetas de seu tempo, parece implicar no contrário: “Então falou Jesus ao povo e a Seus discípulos: Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus” – são os mestres comuns estabelecidos em vossa igreja. “Fazei e observai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis em suas obras; porque dizem e não fazem”.
         Que esses tais fossem falsos profetas, e no mais profundo sentido da palavra, mostra-o nosso Senhor durante todo urso de seu ministério, do que temos exemplo nesta mesma passagem: “dizem e não fazem”. Entretanto, pelos seus frutos os discípulos não podiam deixar de reconhecê-los, visto terem os olhos abertos ao conhecimento de todos os homens. O Mestre exorta-os mais e mais a que se guardem desses falsos profetas; ao revés, o Mestre, com efeito, lhes recomenda que o façam, naquelas palavras: “Fazei e observai, pois, tudo quanto eles vos disserem”; porque, a não ser que os ouvissem, não poderiam conhecer e, ainda menos fazer, o que eles lhes recomendavam que fizessem. Aí pois, nosso Senhor em pessoa estabelece uma clara direção, tanto para os apóstolos como para toda multidão, no sentido de que, em certas circunstâncias, ouçam mesmo os falsos profetas, tido e havidos como tais.
         7.      Dir-se-á talvez: “Ele somente determinou que os falsos profetas fossem ouvidos, no caso de estarem estes procedendo à leitura da Palavra de Deus, feita para a congregação”. Respondo: ao mesmo tempo em que liam as Escrituras, eles geralmente também as comentavam. E não existe nada de que se possa inferir que os discípulos pudessem ouvir somente a leitura e não o comentário juntamente. Demais, os próprios termos : “Tudo quanto vos disserem”, excluem qualquer limitação.
(continua)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

OS FALSOS PROFETAS (4)




John Wesley
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes  (Mateus 7:15).
         2.      Em todas as ocasiões podeis facilmente aplicar esta regra. Para discernir dentre os que falam em nome de Deus quais são os falsos ou os verdadeiros profetas, é fácil observar, primeiro – quais os frutos de sua doutrina que eles próprios mostram? Que efeito suas doutrinas produziram sobre sua própria vida? São eles santos e indesculpáveis em todas as coisas? Que efeito têm essas doutrinas sobre seu coração? Transparece do teor geral de sua conversação, que seu caráter é santo, celestial, divino? Que neles há a mente que houve também em Cristo Jesus? Que são pacíficos, humildes, pacientes, amantes de Deus e dos homens e zelosos de boas obras?
         3.      Podeis facilmente observar, em segundo lugar, os frutos de sua doutrina sobre os que ouvem - em muitos, pelo menos, embora não em todos, pois que os próprios apóstolos não converteram a todos que os ouviram. Têm eles a mente que houve em Cristo? E andam conforme Ele mesmo andou? Foi por terem dado ouvidos àqueles homens que começaram a proceder assim? Eram interna e externamente maus até o dia em que os ouviram? Se assim é, eis uma prova manifesta de que os tais são verdadeiros profetas, mestres enviados da parte de Deus. Mas, se os fatos não se passarem assim, se eles efetivamente não ensinam a si mesmos, nem aos outros, a amar e servir a Deus, aí está uma prova manifesta de que são falsos profetas, e de que Deus não os enviou.
         4.      Duro discurso, este! Quão poucos podem ouvi-lo! Jesus o sentiu e, assim, condescendeu em prová-lo mais extensamente, por argumentos vários e convincentes. “Colhem, porventura, os homens” – pergunta Ele – “uva dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (verso 16). Esperaríeis que esses homens ruins produzissem bons frutos? Mais depressa poderíeis esperar que os espinheiros produzissem uvas ou que figos crescessem dos abrolhos. “Toda árvore boa produz bons frutos; mas a árvore corrupta produz mau fruto” (verso 17). Todo profeta verdadeiro, todo ensinador que eu tenha enviado, dará bons frutos de santidade. Mas o falso profeta, o mestre que Eu não tiver credenciado, somente produzirá pecado e iniquidade. “A árvore boa não pode produzir mau fruto, nem pode a árvore corrupta dar bom fruto”.
         Um verdadeiro profeta, um mestre enviado da parte de Deus, não produz bons frutos somente algumas vezes, mas sempre; não acidentalmente, mas por uma espécie de necessidade. Da mesma maneira, um falso profeta, o que Deus não enviou, não produz mau fruto acidentalmente, ou algumas vezes apenas, mas sempre – e necessariamente. “Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo” (verso 19). Tal será infalivelmente o destino daqueles profetas que não mostram bons frutos, que não salvam as almas de seus pecados, que não levam os pecadores ao arrependimento. Por isso fiquem essas palavras como regra eterna: “Pelos seus frutos os conhecereis” (verso 20). Aqueles que de fato levam os orgulhosos, os apaixonados, os impiedosos, os amigos do mundo, a serem humildes, devotados, amantes de Deus e dos homens – esses tais são verdadeiros profetas; são enviados de Deus, que através dos resultados lhes confirma a palavra. Por outro lado, aqueles cujos ouvintes, se eram injustos, injustos permanecem, ou, pelo menos, não chegam a possuir justiça que exceda “a justiça dos escribas e fariseus” – são falsos profetas; não são enviados de Deus; sua palavra cai sobre a terra; e, sem um milagre da graça, ele e seus ouvintes reunidos se precipitarão no abismo insondável!