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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

FÉ (final)




Spurgeon
“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6)
        III.    Agora, para concluir, a pergunta, a pergunta vital: querido ouvinte, você tem fé? Você crê no Senhor Jesus Cristo de todo o seu coração? Se sim, você tem esperança de ser salvo. Sim, você pode concluir com certeza que jamais verá a perdição. Você tem fé? Devo ajudar você a responder esta pergunta? Quero lhe dar  três testes, o mais breve que eu puder, para não o cansar e depois chega por esta manhã. A pessoa que tem fé renunciou a sua justiça própria. Se você colocar um átomo de confiança em si mesmo, você não tem fé; se você se apoiar um pouco que seja em qualquer coisa que não o que Cristo fez, você não tem fé. Se você confia em suas obras, então elas são anticristo, e Cristo e anticristo de forma alguma podem andar juntos. Cristo quer tudo ou nada; Ele deve ser um Salvador totalmente ou não ser Salvador. Se, então, você tem fé, você pode dizer:
                                       Não tenho nada em minha mão;
                                       Na cruz está a minha salvação.
        Em segundo lugar, a fé autêntica pode ser reconhecida porque gera uma grande estima pela pessoa de Cristo. Você ama a Cristo? Você morreria por Ele? Você procura servi-Lo? Você ama Seu povo? Você pode dizer:
                                       Jesus, Teu nome é para mim
                                       Som doce ao coração.
        Sim! Se você não ama a Cristo, você não crê Nele, porque crê em Cristo gera amor. E mais uma coisa: quem tem fé autêntica tem obediência autêntica. Se alguém diz que tem fé e não tem obras, está mentindo. Se alguém declara que crê em Cristo e não leva uma vida santa, está cometendo um erro, porque, apesar de não confiar em obras, sabe que a fé sempre gera boas obras. A fé é a mãe da santidade, e não existe mãe que não ame seu filho. Deus abençoa com as duas mãos. Numa mão Ele tem o perdão, mas na outra Ele tem santidade; ninguém pode ser um sem ter a outra.


















quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

FÉ (7)



      

Spurgeon
“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6) continuação:    
        - Diga-me honestamente: quais são seus defeitos? – o vendedor respondeu:
        - Que eu saiba, ele tem só um defeito: ele costuma orar.
        - Bem – disse o comprador, - eu não gosto disso, mas conheço algo que vai curá-lo rapidamente desse defeito.
        Assim, no dia seguinte o escravo foi surpreendido por seu patrão quando orava com fervor em meio à plantação, intercedendo por este, a esposa dele e sua família. O homem ficou parado ouvindo, e não disse nada no momento; mas, na manhã seguinte, chamou-o e disse:
        - Não quero brigar com você, meu homem, mas não quero que ore na minha propriedade; portanto, pare com isso.
        - Patrão – respondeu este, - não consigo parar de orar; tenho que orar sempre.
        - Vou ensinar você a orar se continuar com isso!
        - Patrão, tenho de orar.
        - Bem, vou lhe dar vinte e cinco chicotadas por dia até que você pare de orar.
        - Patrão, mesmo que me dê cinquenta, tenho de orar.
        - Se é assim que você é rebelde com seu patrão, vai ter logo o que merece, - O patrão amarrou-o no pelourinho, deu-lhe Vince e cinco chicotadas e perguntou se iria orar de novo.
        - Sim, patrão, tenho de orar sempre; não consigo parar. O patrão olhou atônito; não conseguia compreender como um pobre santo podia continuar orando quando não parecia lhe fazer nenhum bem, só perseguição. Contou à sua esposa do ocorrido. Sua esposa lhe disse:
        - Por que você não pode deixar o pobre homem orar? Ele faz bem o seu trabalho; você e eu não ligamos para a oração, mas não há mal algum em deixá-lo orar, se ele cumprir com suas tarefas.
        - Mas eu não gosto disso – disso o patrão. – Ele sempre me deixa muito assustado. Você devia ver como ele olha para mim.
        - Ele estava com raiva?
        - Não. Eu não devia me preocupar com isso, mas depois que tinha o surrado ele olhou para mim com lágrimas nos olhos, como se tivesse mais pena de mim do que de si mesmo.
        Naquela noite o patrão não conseguiu dormir. Ele rolava na cama de um lado para outro; seus pecados lhe foram trazidos à memória, e ele se conscientizou de que tinha perseguido um santo de Deus. Sentando-se na cama, ele disse à sua esposa:
        - Mulher, você poderia orar por mim?
        - Eu nunca orei em toda a minha vida – ela respondeu. – Não sei orar por você.
        - Estou perdido – disse ele, - se alguém não orar por mim; não posso orar por mim mesmo. – Eu não sei de ninguém aqui na propriedade que saiba orar, a não ser o Cuffey, o novo escravo – disse sua posa. Fizeram soar a campainha, e Cuffey foi trazido. Tomando a mão de seu servo negro, o patrão disse:
        - Cuffey, você pode orar por seu patrão?
        - Patrão, estou orando pelo senhor desde que me chicoteou, e pretendo orar sempre pelo senhor. Cuffey caiu de joelhos e derramou sua alma em lágrimas, e ambos, marido e esposa, foram convertidos. Aquele homem negro não poderia ter feito isto sem fé. Sem fé ele teria ido embora na mesma hora, dizendo:
        - Patão, vou parar de orar; não quero mais o chicote do homem branco.
        Mas porque ele perseverou por sua fé, o Senhor honrou-a e lhe deu a alma do seu patrão por salário.
(continua)
       

















quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

FÉ (6)




Spurgeon
“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6) continuação:
        Você não vê que aqui está uma ilustração prática? A fé é o vínculo com Cristo. Cristo está por assim dizer na margem, segurando a corada da fé e, se segurarmos a outra ponta com a mão da confiança, Ele nos puxa para Si. Nossas obras, porém, quando não têm relação com Cristo, são arrastadas pela correnteza do desespero. Podemos segurá-las com toda a força, até com ganchos de aço, mas no fim elas não nos servem de nada. Tenho certeza de que você entende o que quero lhe mostrar. Algumas pessoas não gostam de história; continuarei usando-as até que parem de objetar. Não há maneira melhor de apresentar a verdade do que contando histórias, como Jesus quando falou do homem que tinha dois filhos, e do homem rico que foi viajar e deu certa quantia a cada funcionário: a um dez talentos, e outro um.
        5.     Só mais um argumento. “Sem fé é impossível agradar a Deus” porque é impossível perseverar na santidade sem fé. Quantos cristãos de tempo bom existem em nossos dias! Muitos cristãos se parecem com náutilos, que com tempo bom e agradável nadam na superfície do mar em pequenos cardumes muito bonitos como navios poderosos, mas assim que a primeira lufada de vento agita a água, eles recolhem as velas e submergem nas profundezas. Muitos cristãos são assim. Em boca companhia, em salas de culto evangélicos, em grupos de estudos em casa, em capelas e reuniões do conselho eles são tremendamente espirituais; porém quando são expostos a um pouco de ridículo, se alguém sorri para eles e os chama de metodistas ou presbiterianos ou algum nome depreciativo, acabou a religiosidade deles até o próximo dia de tempo bom. Então, quando tudo está bem e a religião atende a suas aspirações, lá vão eles levantar as velas, e são espirituais como antes. Creia em mim, esse tipo de religião é pior que nenhuma. Eu quero que as pessoas sejam exatamente o que são, homens direitos. Se alguém não ama a Deus, que não diga o contrário; mas se é um cristão de verdade, um seguidor de Jesus, que o diga e se garanta. Não há por que envergonhar-se disso; a única razão de se envergonhar é de ser hipócrita. Sejamos honestos naquilo que professamos, e isso será nossa glória. O que você faria sem fé em épocas de perseguição? Vocês, pessoas boas e consagradas que não têm fé, o que vocês fariam se a estaca fosse novamente erigida em Smithfield e novamente as chamas reduzissem os santos a cinzas? Se a torre dos lolardos fosse novamente aberta, se a tortura fosse aplicada, o tronco usado, como já foi, pela igreja protestante, como testemunha a perseguição do meu predecessor, Benjamin Keach, que certa vez foi preso no tronco em Aylesbury por escrever um livro contra o batismo de crianças. Mesmo se a forma mais branda de perseguição fosse reiniciada, como as pessoas se espalhariam em todas as direções! Alguns dos pastores também abandonariam seus rebanhos. Contarei mais uma história e espero com isso levá-los a ver a necessidade da fé, enquanto me encaminho à última parte do meu discurso. Um americano dono de escravos, na ocasião de comprar mais um, disse ao mercador com quem estava barganhando:
(continua)
       












terça-feira, 27 de janeiro de 2015

FÉ (5)




Spurgeon
“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6) continuação:
        -       Bem        -       respondeu ele, - a senhora não ouviu falar que a chave do céu está presa em seu cinto? Quando Ele abre, ninguém pode fechar; quando Ele fecha, ninguém pode abrir. – Explicando melhor para ela, ele continuou: - É Cristo e só Ele quem pode abrir o céu para a senhora, e não suas boas obras.
        - Mas, senhor pastor – exclamou ela, - quer dizer que nossas boas ações são desnecessárias?
        - De forma alguma, quando juntas com a fé. Se a senhor crê primeiro, pode fazer tantas boas ações quantas quiser, No entanto, se a senhora crê, nunca mais vai confiar nelas, porque se o fizer, a senhora arruinou-as, e não são mais boas ações. Faça quantas boas obras quiser; se não o fizer, sua chave jamais abrirá a porta do céu.
        Portanto, meus ouvintes, precisamos ter fé autêntica porque a velha chave das obras foi quebrada por nós que jamais entraremos no paraíso com ela. Se alguém aqui acha que não tem pecados, vou ser direto: você está se iludindo, e não há verdade em você. Se você imagina que por suas boas obras entrará no céu, jamais houve ilusão mais fatal. No último grande dia você descobrirá que suas esperanças eram inúteis, e que, como folhas secas das árvores no outono, suas ações mais nobres serão levadas pelo vento para o fogo onde você mesmo sofrerá para todo o sempre. Preste atenção em suas boas obras; faça-as depois de crer, mas lembre-se, o meio de ser salvo é simplesmente crer em Jesus Cristo.
        4.     Mais uma vez: sem fé é impossível ser salvo e agradar a Deus, porque sem fé não há união com Cristo. Ocorre que a união com Cristo é indispensável à nossa salvação. Se me achegou ao trono de Deus com minhas orações, não receberei respostas para elas se eu não trouxer Cristo comigo. Os antigos molóssos, quando não conseguiam do rei o que precisavam, adotavam um expediente singular: tomavam o único filho do rei nos braços e exclamavam, caindo de joelhos diante dele: “Ó rei, por amor ao teu filho atenda o nosso pedido”. Ele sorria e dizia: “Não nego nada a quem pede em nome do meu filho”.
        Com Deus é assim. Ele não nega nada a quem vem com Cristo pela mão; quem vem sozinho precisa ser expulso. A união com Cristo é, afinal de contas, o ponto centrar da salvação. Deixe-me contar uma história para ilustrar isso: as quedas impressionantes do Niágara são conhecidas em todo o mundo. Elas formam um espetáculo esplêndido e podem ser ouvidas de muito longe, mas são fatais para quem por acidente for tragada por elas. Há alguns anos dois homens, um barqueiro e um mineiro estavam em um barco que não conseguiam mais controlar. Estavam sendo levados rapidamente pela correnteza, e era inevitável que caíssem na catarata e fossem despedaçados. Na margem havia pessoas que os viam, mas não podiam fazer muito para salvá-los. Acabaram salvando um homem jogando-lhe uma corda que ele conseguiu agarrar. No mesmo instante em que a corda chegou à sua mão, um tronco passou boiando pelo outro homem. O barqueiro confuso e irrefletido, em vez de também segurar a corda agarrou o tronco. O erro foi fatal. Ambos estavam em perigo de morte, mas um foi puxado para a margem porque tinha um vínculo com as pessoas ali, enquanto o outro se segurava no tronco e foi arrastado pela correnteza, e desapareceu.
(continua)