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segunda-feira, 28 de março de 2011

PSICOLOGIA CRISTÃ X SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS por Pastor Márcio Trindade

        Recentemente estive ministrando em um congresso cujo tema era: Espiritualidade na Pós-modernidade. Foi me dado a oportunidade de ministrar aos casais durante três dias onde o tema das minhas palestras foi: A Influência da Pós-Modernidade na Família. Para minha surpresa na última palestra quando falava sobre a Educação dos Filhos e que a Bíblia é suficiente para nos mostrar como proceder nesta área, fui surpreendido por uma gama de pessoas a favor da psicologia cristã. Isto me deixou pensativo sobre o assunto e me levou a escrever algumas linhas.
        Não posso concordar com a psicologia cristã e junto comigo estão alguns teólogos como John Piper, Jay E. Adams (autor do ótimo livro conselheiro capaz), Tedd Tripp (autor do livro pastoreando o coração da criança), Paul Washer, e muitos outros.  Este é um movimento que oferece técnicas adquiridas a partir de terapias seculares e aplicadas por profissionais que recebem por seus serviços. A psicologia cristã usa a Palavra de Deus, mas sempre misturando com os pensamentos de Freud, Rogers, Jung e outros. O problemas é que a psicologia cristã não conduz a igreja a uma direção Bíblica. Tem deixado várias pessoas com o entendimento de que a Palavra de Deus e incompleta, insuficiente, arcaica, jurássica e incapaz de oferecer ajuda aos que se encontram em situações difíceis na área espiritual e porque não dizer emocional. Além de levar vários ministros do evangelho para longe da Palavra de Deus e a deixarem de cumprir seu papel como conselheiro cristão, passam a usar a psicologia como algo para tirar o peso de suas costas. Leva os membros das igrejas para longe da Palavra de Deus e de seus pastores.
        O maior argumento de minha parte contra a psicologia cristã e a favor da Teologia ou da Suficiência das Escrituras é a minha própria vida. Quando estive em uma situação difícil no fundo de posso (para mim) a psicologia não me ajudou em nada, me levou apenas a comer “com os porcos”.   Pensando assim Jay E. Adams nos deixa uma citação em seu livro que diz:
“Poucos foram os problemas resolvidos... Agente fica perguntando até quando os escarnecidos erros de Freud continuarão empestando a psiquiatria” (uma área da psicologia).
 
“Os pacientes que não obtiveram recuperação, depois de anos de análises e de milhares de dólares gastos, também andam fazendo perguntas sobre os alardes da psiquiatria. Alguns que pioraram começaram a suspeitar que alguns de seus problemas são iatrogênicos (isto é induzidos pelo tratamento)”.


H.J. Eysenck, Diretor do departamento de Psicologia da Universidade de Londres escreveu o seguinte: “O sucesso da revolução freudiana parecia completo. Só uma coisa andava mal: Os pacientes não obtinham melhora nenhuma”
 
        Resumindo: Este movimento não tem ajudado em nada, e acima de tudo tentando minar a suficiência das Escrituras. Mas, ainda bem que a Palavra de Deus é soberana.
        E devido a Sua Soberania, ao longo da história tem transformado vidas (eu sou um exemplo). Esta mesma palavra que criou o universo, que libertou cativos e oprimidos, que curou aleijados, que ressuscitou mortos, que acalmou tempestades é a mesma ainda hoje e que tem poder para curar o deprimido, para libertar o drogado e para curar qualquer tipo de problema, seja espiritual ou emocional; e é o guia que  Deus deixou para instrução da família cristã. A Bíblia é suficiente e não precisa de uma “ajudinha” da psicologia ainda que seja esta chamada de “cristã”.

Pensemos em algumas implicações.
  • Temos que ter a Bíblia como o único caminho suficiente para a preservação, instrução da família.
  • Temos que crer na Bíblia como o único meio sobrenatural para a transformação de vidas problemáticas, não podemos seguir outras vertentes paliativas como a psicologia cristã. 
  • A tentativa de misturar a Bíblia com a psicologia cristã trará mais desajustes do que imaginamos.
  • Não é possível termos uma interpretação correta das Escrituras e ao mesmo tempo achar espaço para a psicologia cristã.
  • Como lideres devemos nos esmerar ao máximo para acharmos meios saudáveis em nossos aconselhamentos onde somente a Palavra de Deus deve ser aplicada.
 Quero concluir este texto defendendo minha tese de que A BÍBLIA É SUFICIENTE PARA TODAS AS SITUAÇÕES DA VIDA.   Continuo erguendo a bandeira da “SOLA SCRIPTURA”.


A Palavra de Deus e sua declaração própria:
            João 8:32  “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
            João 17:17  “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

 Pastor Márcio Trindade

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Igreja Ideal (por John MacArthur Jr.)

1 Tessalonicenses 1.1-10
Fica bem evidente na Palavra de Deus que a finalidade principal de Deus, ao criar o homem, era ter um povo sobre o qual pudesse dizer: "Eu sou deles, e eles são meus. Eu serei seu Deus e eles serão o meu povo." Este é o plano geral de Deus que aparece continuamente através das Escrituras: chamar um povo para o Seu nome. A notável história bíblica narra a maneira como Deus ainda continuou com o seu propósito de chamar um povo para o Seu nome, apesar, em primeiro lugar, da queda de Adão que corrompeu o plano inicial; e, em segundo lugar, do constante pecado e rejeição final de Israel, que fez com que Deus se voltasse para o que chamamos e a Bíblia chama de A Igreja, o Corpo constituído por aqueles que crêem. A Igreja é de Cristo. Ela é de fato, na terra, uma extensão visível da vida de Cristo. O único modo pelo qual você pode ser membro da igreja verdadeira é nascer com a própria vida de Cristo. A única vida que a verdadeira igreja tem é a vida de Cristo. Ao mesmo tempo em que somos uma extensão da vida de Cristo, somos certamente uma extensão do ministério de Cristo. Mas é triste dizer que a maioria das igrejas está infinitamente longe deste fato. Muitas são igrejas, apenas em virtude do fato de terem um prédio que se chama igreja. Ao considerarmos agora o primeiro capítulo da primeira carta aos Tessalonicenses, desejo que mantenhamos em mente a seguinte pergunta: Quais as qualidades presentes numa igreja ideal? Os trabalhos práticos e as qualidades exibidas pelos crentes de Tessalônica é que fizeram daquela igreja uma igreja ideal. Nestes dez versículos do primeiro capítulo, aparecem cinco qualidades de uma igreja ideal. Penso que, com a visão delas, entenderemos exatamente o que Deus espera de nós como igreja.

A primeira qualidade desta igreja é que era ela uma igreja salva. V. 1: "Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos Tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. . . " Estar em Deus e em Cristo é estar salvo. Esta é a chave. E então ele continua dizendo: ". . . graça e paz a vós outros. Damos sempre graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações. . .", e prossegue, entrando no versículo três: ". . . e sem cessar recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição, porque o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas sobretudo em poder, no Espírito Santo." Observe que aparecem as três pessoas da Trindade. Eles estão em Deus, eles estão em Cristo e eles estão no Espírito Santo. ". . . e em plena convicção.
assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós, e por amor de vós." Estes cinco versos iniciais comunicam-nos, principalmente, uma coisa, o fato de que aquela igreja era uma igreja salva. ,

O sucesso dessa igreja baseava-se desde o princípio no fato de que eles se mantinham sempre puros. Constituíam uma igreja pura, porque cada uma das partes vitais da igreja, isto é, cada indivíduo em particular dentro da igreja, estava em união vital com Deus, com Cristo e com o Espírito Santo, como vimos nos versos 4 e 5. Isto é que é uma igreja salva. Parte do problema nas igrejas de hoje é que existe dentro delas muito peso morto, que impede o seu desenvolvimento. Há elos partidos na corrente e a igreja não pode funcionar. Se há qualquer pessoa entre vocês que não está em união vital com Cristo, não chamem membro. Não permitam que ele esteja envolvido no funcionamento das coisas básicas da igreja, porque ela não será uma igreja totalmente salva enquanto houver peso morto. E ser uma igreja salva é o primeiro passo na direção de uma igreja ideal. Quando a igreja, por assim dizer, se torna uma igreja real, o mundo que se cuide, porque está a ponto de ser sacudido. Então o versículo cinco, de Paulo destaca que a evidência da salvação deles era o fato de que o Evangelho havia chegado em poder. Paulo estava dizendo: "eu soube que vocês eram eleitas de Deus pela maneira como receberam o Evangelho." O Reino de Deus se demonstra em poder e não em palavras. Paulo havia pregado, Silas havia pregado, Timóteo também, e eles haviam recebido a Palavra de Deus. Em I Coríntios 2: 1-5, Paulo escreve: "Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem, ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana; e, sim, no poder de Deus." A pregação apostólica real é a pregação feita no poder e no Espírito Santo e isto é exatamente o que ele diz no versículo 5: em poder e no Espírito Santo. Lembre-se de Mateus 13, da semente semeada em terreno pedregoso; ela cresceu por um pouco tempo. Mas por causa da pouca terra, a planta não pode aprofundar suas raízes e, ao chegar o sol com seu calor, ela murchou e morreu. Isto é semelhante àqueles que ouvem e aceitam, aqueles que tem uma apreensão do evangelho, mas nunca entraram na relação vital de união com Cristo. Assim,eles morrem quando a primeira adversidade chega. Paulo está dizendo que a Palavra não chegou a eles estritamente em sabedoria humana, porém chegou no poder de Deus. Certamente isto é o que ele queria dizer em Romanos 1:16, quando afirmou: "Porque não me envergonho do evengelho de Cristo, pois é o poder de Deus. . ." Jesus declarou que nenhum homem chega ao Pai senão por Ele, e é o Espírito de Deus quem aproxima alguém ao Pai. Nenhum pregador jamais poderá levar alguém a Jesus Cristo. Poderíamos dizer, numa linguagem figurada, que no Evangelho está contida a dinamite do Espírito Santo, e a dinamite é suficiente, como você pode observar no versículo 9, para demolir ídolos e arrastá-los. No entanto mais do que isso, trata-se de uma dinamite que constrói. Não apenas arrasa, mas também edifica. Observe o v. 9: "... deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro. . ." É a dinamite do Espírito Santo que destrói os ídolos e reconstrói um novo homem. Conforme Paulo diz, "se alguém está em Cristo é nova criatura". Observe ainda que ele também, declara, no versículo 5, que a sua mensagem chegou "em plena convicção". Isto quer dizer que ele pregou a mensagem ousadamente; e continua. '\ . . assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós, e por amor de vós." Eles tinham ouvido e recebido a mensagem, tinham encontrado o Cristo do Evangelho numa união vital, constituíam uma unidade do Corpo de Cristo e, consequentemente, estavam a ponto de explodir no mundo de uma forma como ninguém antes havia feito. Eles eram uma igreja salva.

Há uma segunda grande qualidade e esta é que eles também eram uma igreja submissa. Observem o v. 6: ". . . vos tornastes imitadores nossos e do Senhor. . ." Note a palavra "imitadores". No grego é a palavra mime-tai, da qual descende a nossa palavra mímica. Paulo está dizendo que eles o imitaram, fizeram mímica do apóstolo. Você poderá reagir a esta idéia dizendo: "Espere um momento, Paulo. É preciso ter cuidado com uma declaração desse tipo. Você está se colocando como exemplo, e nós não devemos seguir ninguém além de Cristo; não é isto que sempre dizemos aos outros? — O seu problema é que você está seguindo aos homens. Você está moldando a sua vida olhando para os homens e você deveria olhar para Cristo! A verdade é que isto não é muito fácil para muita gente, porque o único Cristo, que eles conhecem é aquele que você mostra a eles. Portanto, se alguém está imitando o seu exemplo, talvez o problema não seja dele, mas seja seu. Paulo está dizendo àquela igreja que o sucesso deles, e a submissão que eles demonstram é devido ao fato de o estarem imitando. Notem que estes gentios nunca tinham ouvido falar de Cristo, e não sabiam nada a respeito d'Ele, a não ser aquilo que Paulo lhes havia dito. Veja também que Paulo, para eles, era a personificação de Jesus Cristo e tudo o que eles podiam fazer era imitar a vida de Paulo, aquilo que ele era. Mas entenda o significado desta sentença: "vos tornastes imitadores nossos e do Senhor." No final das contas, ele dá a honra a quem merece, quando diz: "sede meus imitadores, porque eu sou de Cristo" (1 Cor 11: 1). E, em Efésios 5: 1: "Sede imitadores de Deus." Portanto, Paulo está dizendo àquela gente: "vocês podem me imitar, porque eu estou imitando a Cristo, o qual é a imagem expressa de Deus." Eis aí a qualidade de uma igreja ideal: submissão ao propósito de se tornar como Cristo. Penso que esta é a resposta à oração de Jesus em João 17, quando ele rogou que os seus discípulos fossem um. Cristo orou pela unidade. E sabem de onde vem esta unidade? Vem do fato de sermos como Cristo. Cristo não está dividido. Para atingir realmente esta unidade é necessário que todos sejam como Cristo. Tozer disse o seguinte: "Se eu tiver cem pianos e quiser afiná--los, afinando cada um através de um outro, causarei uma confusão. Mas, se eu tomar um diapasão e afiná-los todos pelo mesmo diapasão, todos eles, no fim, terão a mesma afinação." A mesma coisa acontece na igreja. Quando todos nós como indivíduos, você e eu, estamos submissos ao propósito de sermos como Cristo, seremos totalmente unidos uns aos outros. Você pode perguntar: mas como é que Cristo é? Em primeiro lugar Ele é a personificação do amor, pois fala de Si mesmo em João 15: 9: "assim como o Pai me amou e eu amo o Pai, assim permanecei vós no meu amor." Ser semelhante a Cristo é a chave da unidade. Esta igreja era uma igreja submissa, submissa ao propósito de ser como Cristo. Eles eram imitadores de Jesus. Portanto esta igreja era a igreja ideal, pois era uma igreja salva, e era submissa.

Em terceiro lugar, era uma igreja sofredora. Observe a metade do v. 6: ". . . tendo recebido a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo. . ." Paulo declara que ela era uma igreja que sofria, porque havia recebido a Palavra através de muita tribulação. Em Atos 17, você pode descobrir qual foi esta tribulação; no v. 5 lemos: "Os judeus, porém, (aqueles que não creram) movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, ajuntando a turba, alvoroçaram a cidade. . ." Havia apenas setenta mil pessoas habitando em Tessalônica naquela época e estes novos cristãos, em questão de apenas algumas semanas, haviam causado um grande impacto em toda a cidade. Haviam virado a cidade de cabeça para baixo e causado um reboliço tão grande que aqueles homens resolveram se unir para fazer alguma coisa. ". . . trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, ajuntando a turba, alvoroçaram a cidade e, assaltando a casa de Jasom procuravam trazê-los para o meio do povo. Porém não os encontrando, arrastaram a Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui. . ." Mas que intrimento! ". . . aos quais Jasom hospedou todos estes procedem contra os decretos de César, afirmando ser Jesus outro rei. Quanto a multidão, quanto as autoridades, ficaram agitadas ao ouvirem estas palavras; contudo soltaram a Jasom e aos mais, após terem recebido deles a fiança estipulada." Uma igreja que é salva e submissa, é uma igreja que inevitavelmente irá sofrer perseguição do mundo. A igreja precisa ser antagonista do mundo. Se não está sendo, não é igreja ideal. Você pode comentar: "eu detesto a idéia de sofrer", mas observe o que está no v. 6: ". . . tendo recebido a Palavra, posto que em meio da muita tribulação, com alegria do Espírito Santo. . ." Com alegria! Lembre-se de que Atos 16, antes de irem à Tessalônica, Paulo e Silas tiveram aquela pequena experiência da cadeia. Lembra-se do que aconteceu? Eles foram colocados atrás das grades e, no meio da noite, o que estavam fazendo? Estavam cantando. Portanto, Paulo já conhecia um pouco do que significa sofrer com alegria. Em João 16: 33, Cristo disse: "Neste mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." Paulo recomendou: "Em tudo dai graças." Será que você pode receber a aflição com alegria, da mesma forma como você recebe uma bênção com alegria? O mundo jamais tolerará uma igreja salva e submissa. Se a igreja não é antagonista do mundo, isto se dá por dois motivos. Ou ela não é salva ou não é submissa, caso contrário será literalmente "o espinho na carne" do mundo. E isto se aplica a cada indivíduo na igreja. Se você quer descobrir até que ponto você é semelhante a Cristo, eu posso lhe dar um termômetro neste instante. Compare-se com este versículo e meça a sua semelhança a Cristo: "Se o mundo vos odeia, sabeis que, primeiro do que vós outros, me odiou a mim. (Estas são palavras de Cristo.) Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário dele vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros. . ." Faça uma avaliação própria. Será que o mundo o odeia? Será que o mundo o está perseguindo ou será que você se tornou tão conformado com este mundo que a distinção é quase impossível de se notar? Esse trecho foi João 15: 18-20 e Cristo estava dizendo a seus discípulos que estivessem prontos porque eles iriam sofrer. O crente realmente salvo e submisso irá sofrer perseguição do mundo. Olhe para a vida de onze dos doze apóstolos de Cristo: foram martirizados. Observe os três primeiros séculos da história da igreja. Satanás tentou acabar com a igreja e, quanto mais ele matava os cristãos, mas rapidamente a igreja crescia. Finalmente Satanás mudou de tática e Constantino fez uma das coisas mais perigosas da história da igreja; fez do cristianismo a religião do estado, e implantou-a praticamente em todo o mundo conhecido da época. E sabem o que aconteceu? Quase acabou com o cristianismo. Quando a igreja sofre, a igreja cresce. Quando a igreja é absorvida no mundo, ela não cresce. Ela para de se desenvolver e definha. Em Tessalônica, a igreja sofria; era uma igreja salva, submissa e sofredora.

Em quarto lugar, ela era uma igreja que ganhava almas: ". . . de sorte que vos tornastes o modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia. Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor, não só na Macedônia e Acaia, mas por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar cousa alguma; pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro. . ." (vs. 7-9). A tarefa primária de qualquer igreja é fazer o Evangelho conhecido até os confins da terra. É com a finalidade de reproduzir-se, que a comunidade eleita, a qual Cristo redimiu pela sua morte, deve continuamente crescer e crescer até atingir a sua totalidade. Este é o propósito da igreja. O tema da igreja, seja ela a igreja primitiva, a igreja de hoje, ou qualquer outra igreja é evangelismo e expansão. Você pode indagar: E a edificação? Bem, o propósito da edificação é evangelização. Nós treinamos e ensinamos para que os crentes saiam e compartilhem o Evangelho de Cristo. A evangelização é o alvo final. Notem a dupla abordagem ao evangelismo, no v. 7: "de sorte que vós tornastes o modelo". Aqui aparece o testemunho da vida. Paulo disse que aqueles cristãos de Tessalônica eram exemplo. A palavra que aparece é modelo. Isto possui a idéia de um molde, que poderá ser usado para traçar um contorno. Paulo está dizendo, em outras palavras, que a vida deles era literalmente um modelo ou um molde de vida cristã. É bom lembrar as palavras de Paulo a Tito: "Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras." A Timóteo, ele disse: "torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, etc." Uma igreja que ganha almas, é uma igreja onde a vida dos crentes é um padrão para as outras pessoas. Pela própria vida que vivemos nós demonstramos um Cristo a este mundo.

A segunda dimensão deste testemunho, está no versículo 8: "... de vós repercutiu a palavra do Senhor." Não se trata apenas de exibir uma vida modelo, mas também de pregar a palavra. Desejo explicar melhor esta expressão repercutiu. Isto significa que a Palavra do Senhor ecoou da igreja dos tessalonicenses. Em outras palavras, eles não foram nada mais do que apenas uma caixa sonora para a Palavra de Deus. Ela era repercutida daquela igreja pura como ali chegara. Não havia qualquer distorção. Normalmente quando se fala alguma coisa e se ouve o eco, este reproduz o mesmo som original. Acho que às vezes descobrimos igrejas que possuem nas mãos a Palavra de Deus, porém o eco da Palavra ali não repercute claramente. A igreja de Tessalônica mereceu de Paulo um elogio, porque no seu testemunho estava agindo apenas como caixa de percussão, da qual a Palavra do Senhor ecoava para o mundo. Apenas algumas semanas mais tarde o testemunho deles já se tinha espalhado por toda a parte. Observe o final do verso 8: "por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus. . ." A notícia havia se espalhado por todos os lugares. Portanto, o testemunho deles era duplo, em palavra e em ação.

O versículo 10 acrescenta o fato de que eles não eram apenas uma igreja salva, submissa, sofredora, e ganhadora de almas; constituíam também uma igreja que cria na segunda vinda: "e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura." A idéia de aguardar dos céus a vinda do Filho de Deus, significa que ela era uma igreja que estava preparada. A igreja que crê na segunda vinda de Cristo é aquela que está preparada para esta vinda. A igreja apóstata, os falsos mestre em 2 Pedro perguntam: "Onde está a promessa da sua vinda? Porque. . . todas as coisas permanecem desde o princípio. . ." A primeira característica da igreja apóstata é que ela nega a Cristo. E a segunda, que é consequência, ela também nega a segunda vinda de Cristo. E sabem por que? Porque a segunda vinda está sempre associada a julgamento. A única igreja que pode aguardar ansiosamente a segunda vinda é a igreja que está preparada para esta vinda. Esta é a igreja milagre: salva, submissa, sofredora, ganhadora de almas, e que aguarda a segunda vinda do Senhor. Nossa igreja nunca será a igreja ideal, a menos que você e eu, como indivíduos, sejamos salvos, submissos, sofrendo quando necessário, ganhadores de almas, e aguardando a segunda vinda de Cristo.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sondando sua Consciência por Jonathan Edwards

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos, vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmos 139.23,24).

O Salmo 139 é uma meditação sobre a onisciência de Deus. Deus vê e sabe perfeitamente todas as coisas. O salmista apresenta esse perfeito conhecimento afirmando que Deus conhece todas as nossas ações (“Sabes quando me assento e quando me levanto” v. 2a); todos os nossos pensamentos (“de longe penetras os meus pensamentos” v. 2b); todas as nossas palavras (“Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conhece toda” v. 4).

Depois ele ilustra a impossibilidade de fugir da presença divina:

Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa (vs. 7-12).

Em seguida, fala do conhecimento que Deus tinha dele até mesmo antes do seu nascimento:

Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe… Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda (vs. 13,15,16).

Depois disso, o salmista observa o que deve ser inferido como uma conseqüência necessária da onisciência de Deus: “Tomará, ó Deus, desses cabo do perverso” (v.19).

Finalmente, o salmista faz uma aplicação prática da sua meditação sobre a onisciência de Deus: ele implora para que Deus o sonde e o examine e veja se há nele algum caminho mau, e que o guie pelo caminho eterno.

Obviamente, o salmista não está implorando que Deus o sonde para que Deus possa obter qualquer informação. O objetivo de todo o Salmo é a declaração de que Deus sabe todas as coisas. Por essa razão, o salmista está orando para que Deus o sonde a fim de que o próprio salmista possa ver e ser informado do pecado do seu próprio coração.

Davi obviamente examinou seu próprio coração e seus caminhos, mas não confiou nisso. Ele ainda temia que pudesse ter algum pecado desconhecido que tivesse escapado de sua própria sondagem; então pediu para que Deus o examinasse.

Em outro lugar, Davi escreveu: “Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas” (Sl 19.12). Quando disse “faltas ocultas” ele quis dizer que elas lhe eram secretas – aqueles pecados que tinha, mas não era consciente deles.

Todos nós deveríamos nos preocupar em saber se vivemos com algum tipo de pecado que até nós mesmos desconhecemos. Se alimentamos algum desejo secreto ou negligenciamos algum dever espiritual, nossos pecados escondidos são tão ofensivos a Deus e o desonram tanto quanto os conhecidos, evidentes e os notórios. Desde que somos tendentes ao pecado, e o nosso coração está cheio deles, devemos tomar um cuidado especial para evitar aqueles que são insolentes, involuntários e cometidos na ignorância.


Por que as pessoas vivem no pecado sem saber

Nosso problema em reconhecer se há em nós algum caminho mau não é por falta da luz externa. Certamente Deus não falhou em nos dizer clara e abundantemente quais são os maus caminhos. Ele nos deu mandamentos mais do que suficientes que mostram o que deveríamos e o que não deveríamos fazer; e eles estão claramente colocados diante de nós na sua Palavra. Então, nossa dificuldade em conhecer nosso próprio coração não é pelo fato de nos faltarem normas adequadas.

Como é possível as pessoas viverem de maneira que desagradam a Deus – e no entanto parecerem completamente insensíveis a isso e seguirem em frente totalmente esquecidas de seus pecados? Diversos fatores contribuem para essa tendência maligna da humanidade:

A natureza cega e enganosa do pecado. O coração humano é cheio de pecado e corrupção; e a corrupção tem um efeito espiritual de cegueira. O pecado sempre carrega um grau de obscuridade. Quanto mais ele prevalece, mais ele obscurece e ilude a mente. Ele nos cega para a realidade que está no nosso próprio coração. Assim, o problema não é, em absoluto, a falta da luz da verdade de Deus. A luz brilha suficientemente ao nosso redor, mas a falha está nos nossos olhos; estão obscurecidos e cegos pela incapacidade mortal que resulta do pecado.

O pecado engana facilmente porque controla a vontade humana, e isso altera o julgamento. Quando a concupiscência prevalece, predispõe a mente para aprová-la. Quando o pecado influencia nossas preferências, ele parece agradável e bom. A mente é naturalmente predisposta a pensar que tudo o que é agradável é correto. Portanto, quando um desejo pecaminoso vence a vontade, também lesa o entendimento. Quanto mais a pessoa anda no pecado, provavelmente, mais a sua mente será obscurecida e cega. Assim é que o pecado assume o controle das pessoas.

Portanto, quando elas não estão conscientes do seu pecado, fica extremamente difícil fazê-las enxergar o erro. Afinal de contas, o mesmo desejo maligno que as levou ao pecado, as cegará. Quanto mais uma pessoa raivosa consente com a malícia ou com a inveja, mais esses pecados cegarão seu entendimento para que ela os aprove. Quanto mais um homem odeia o seu vizinho, mais ele tende a pensar que tem uma boa causa para odiar, e que aquele vizinho é digno de ódio, que merece ser odiado, e que não é seu dever amá-lo. Quanto mais prevalecem os desejos de um homem impuro, mais doce e agradável o pecado lhe parecerá, e mais ele tenderá a pensar que não há mal nisso.

Semelhantemente, quanto mais uma pessoa deseja coisas materiais, provavelmente mais pensa que é desculpável por agir assim. Dirá a si mesma que precisa de certas coisas, e que não pode viver sem elas. Se são necessárias, raciocina ela, não é pecado desejá-las. E as concupiscências do coração podem assim ser justificadas . Quanto mais prevalecem, mais cegam a mente e influenciam o julgamento que as aprova. Por isso, a Bíblia denomina os apetites mundanos de “as concupiscências do engano” (Ef 4.22). Até pessoas piedosas podem por um tempo permanecer cegas e iludidas pela concupiscência, e assim viverem de uma maneira que desagrada a Deus.

A concupiscência também incita a mente carnal a inventar desculpas para as práticas do pecado. A natureza humana é muito sutil quanto se trata de racionalizar o pecado. Alguns são tão devotados às suas maldades que quando a consciência os importuna, torturam a mente a fim de encontrar argumentos que façam com que ela se cale e que os convençam de que procederam licitamente quando pecaram.

O amor a si mesmo também predispõe as pessoas a desculparem o seu pecado. Elas não gostam de se condenar. São naturalmente preconceituosas em seu próprio favor. Procuram bons nomes para denominar suas tendências pecaminosas. Elas as transformam em virtudes – ou no mínimo em tendências inocentes. Rotulam a avareza de “prudência”, ou então chamam a ganância de “negócio inteligente”. Quando se alegram com as calamidades do próximo, fingem que é porque esperam que isso trará algum bem à pessoa. Se bebem muito, é porque sua constituição física o exige. Se caluniam , ou falam do vizinho, afirmam ser zelosos quanto ao pecado. Se entram numa discussão, dizem ter uma consciência obstinada e consideram sua discórdia mesquinha uma questão de princípios. E assim, encontram bons nomes para todas as formas de mal.

As pessoas têm a tendência de adaptar os seus princípios à sua prática, e não o contrário. Além de permitir que seu comportamento se conforme com a consciência, despenderão uma energia tremenda tentando fazer com que sua consciência se adapte ao seu comportamento.

Como o pecado é tão enganoso, e como temos muito pecado no coração, é difícil julgar nossos próprios caminhos com justiça. Por causa disso, deveríamos fazer um auto-exame diligente e nos preocupar em descobrir se há em nós algum caminho mau. “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.12,13).

As pessoas vêem mais facilmente os erros dos outros do que os seus. Quando vêem os outros errarem, imediatamente os condenam – até mesmo enquanto se desculpam pelos mesmos pecados! (cf. Rm 2.1) Todos vemos um argueiro nos olhos dos outros e não a trave nos nossos olhos. “Todo caminho do homem é reto aos próprios olhos” (Pv 21.2). “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9) Não podemos confiar em nosso coração nesta questão. Em vez disso, devemos nos vigiar, interrogar nosso coração cuidadosamente, e pedir a Deus que nos sonde completamente. “O que confia no seu próprio coração é insensato” (Pv 28.26).

A sutileza de Satanás. O demônio trabalha corpo a corpo com as nossas paixões enganosas. Ele labuta para tornar-nos cegos às nossas faltas. Continuamente se esforça para nos levar ao pecado, e então, trabalha com a nossa mente carnal nos bajulando com a idéia de que somos melhores do que realmente somos. Assim, ele cega a consciência. É o príncipe das trevas. Cegar e enganar têm sido seu trabalho desde os nossos primeiros pais.

A força do hábito. Algumas pessoas se esquecem dos pecados que lhe são habituais. Freqüentemente os pecados habituais entorpecem a mente, e dessa maneira, tais pecados, que uma vez afligiram a consciência, começam a parecer inofensivos.

O exemplo dos outros. Alguns se tornam insensíveis ao próprio pecado porque deixam a opinião popular ditar o seu padrão. Observam o comportamento dos outros a fim de discernir o que está certo ou errado. Porém, a sociedade é tão tolerante com o pecado que muitos deles perderam seu estigma. As coisas que não agradam a Deus e são consideradas abomináveis à sua vista parecem inocentes quando visualizadas através dos olhos da opinião popular. Talvez as vejamos sendo praticadas por pessoas que estimamos, ou nossos superiores, ou por aqueles que são considerados sábios. Isso tende a favorecer essas coisas e a diminuir o sentido de sua pecaminosidade. É especialmente perigoso quando homens piedosos, líderes cristãos respeitados são vistos comprometidos com práticas pecaminosas. Isso especificamente tende a calejar o coração do observador e a cegar a mente a respeito de qualquer hábito maligno.

Obediência incompleta . Aqueles que obedecem a Deus indiferentemente ou pela metade correm o risco de viverem em pecado encoberto. Alguns cristãos professos negligenciam parte de seus deveres espirituais enquanto se concentram em outra parte. Seus pensamentos talvez estejam completamente voltados à oração secreta, à leitura bíblica, à adoração pública, à meditação e a outros deveres religiosos – enquanto ignoram os deveres morais: suas responsabilidades em relação à esposa, aos filhos ou aos vizinhos.

Sabem que não devem defraudar o seu vizinho, mentir ou fornicar. Mas parecem não considerar quanto mal há em falar dos outros de modo leviano, censurar o vizinho, contender e brigar com as pessoas, viver hipocritamente diante da família ou negligenciar a instrução espiritual de seus filhos.

Esse tipo de pessoa parece ser muito consciente em algumas coisas – aquelas áreas de sua obrigação sobre as quais se mantém vigilante – mas negligencia completamente outras áreas importantes.


Como descobrir o pecado desconhecido no íntimo

Como observamos, naturalmente, é muito difícil avaliar honestamente o nosso próprio pecado. Mas, se estivermos realmente preocupados com isso, se formos rígidos e sondarmos totalmente o nosso coração, podemos, na maioria das vezes, descobrir o pecado no íntimo. As pessoas que querem agradar e obedecer a Deus, com toda luz que desfrutamos, certamente não precisam continuar nos caminhos pecaminosos por causa da ignorância.

É verdade que o nosso coração é muito enganoso. Mas Deus, em sua santa palavra, nos deu luz suficiente para o estado de trevas em que nos encontramos. Por meio do cuidado e da averiguação, podemos conhecer nossas responsabilidades espirituais e saber se estamos vivendo em algum caminho mau . Todo aquele que tem algum amor a Deus ficará grato pela ajuda bíblica nesta questão. Tais pessoas estão preocupadas em andar em todas as coisas que Deus queria que andassem, como agradá-lo e honrá-lo. Se a vida delas, de alguma maneira, ofende a Deus, terão prazer em saber disso e de maneira nenhuma optam por ocultar de si mesmas o próprio pecado.

Também, aquele que pergunta com sinceridade, O que eu devo fazer para ser salvo? irá querer identificar o pecado em sua vida, já que é o pecado o que o separa de Cristo.

Há duas maneiras pelas quais chegamos ao conhecimento do nosso pecado:

Conhecimento da Lei de Deus. Se você deseja saber se vive em pecado desconhecido, deve familiarizar-se totalmente com o que Deus quer de você. Na Bíblia, Deus nos deu normas perfeitas e verdadeiras pelas quais devemos andar. Ele expressou seus preceitos clara e fartamente, assim, somos capazes de saber – a despeito das nossas trevas e desvantagens espirituais – exatamente o que ele requer de nós. Que revelação da mente divina completa e abundante temos nas Escrituras! Quão clara é em nos instruir sobre como nos comportar! Quão freqüentemente seus preceitos são repetidos! E quão explicitamente são revelados, de várias maneiras, a fim de que pudéssemos entendê-los completamente!

Mas que proveito há em tudo isso se negligenciamos a revelação de Deus e não nos esforçamos em nos inteirar dela? Que proveito há em se ter princípios piedosos se ainda não os conhecemos? Por que Deus revelaria a sua mente, se não nos importamos em saber o que é ela?

No entanto, a única maneira pela qual podemos saber se estamos pecando é conhecendo sua lei moral: “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.20). Entretanto, se não queremos continuar desagradando a Deus, devemos estudar diligentemente os princípios do certo e do errado que ele revelou. Devemos ler e pesquisar muito mais as santas Escrituras. E devemos fazer isso com a intenção de conhecer todo o nosso dever, assim a Palavra de Deus pode ser “lâmpada para os [nossos] pés e luz para os [nossos] caminhos” (Sl 119.105).

E, assim sendo, está claro que a maior parte das pessoas é muito mais culpada simplesmente por causa da sua negligência aos deveres espirituais. Antes de tudo, são culpáveis porque desprezam a Palavra de Deus e outras fontes que poderiam informá-las. Agem como se o estudo fosse somente um trabalho dos pastores. Tal ignorância é freqüentemente uma negligência proposital e deliberada. Se não são conscientes do que Deus quer delas, é sua própria falta. Elas têm oportunidade suficiente para saber, e poderiam saber se o quisessem.. Além disso, se esforçam para ter outros tipos de conhecimento. São bem treinadas em qualquer interesse mundano que lhes agradam. Aprendem qualquer coisa que seja necessário para ganhar a vida no mundo. Porém, não gastam nenhuma energia para buscar o que conta para a eternidade.

O autoconhecimento. Segundo, se você deseja saber se está odiando o seu pecado secreto deve examinar a si mesmo . Compare a sua vida com a lei de Deus, e veja se você se conforma com o padrão divino. Este é o caminho primário que devemos tomar para descobrir nosso próprio caráter. Esta é uma diferença importante entre o ser humano e os animais irracionais: o homem é capaz da auto-reflexão, capaz de contemplar seus próprios atos e avaliar a natureza e a qualidade deles. Sem dúvida nenhuma isso foi parte do motivo pelo qual Deus nos deu o seu poder – a fim de que pudéssemos conhecer e avaliar nossos próprios caminhos.

Devemos nos examinar até descobrirmos se concordamos ou não com os princípios da Bíblia. Isso requer a máxima atenção, a fim de não omitir os nossos próprios erros, ou de não permitir que nenhum caminho mau se esconda de maneira dissimulada.


Como examinar a si mesmo

Você poderia pensar que já temos mais informação sobre nós mesmos do que sobre qualquer outra coisa. Afinal de contas, estamos sempre junto de nós. Somos totalmente conscientes dos nossos atos. Instantaneamente sabemos tudo o que acontece conosco, e tudo o que fazemos.

Mas, em alguns aspectos, é mais difícil obter um conhecimento verdadeiro sobre nós mesmos do que sobre quase qualquer outra coisa. Portanto, devemos investigar diligentemente no segredo do nosso coração e examinar cuidadosamente todos os nossos caminhos e condutas. Aqui estão algumas diretrizes para ajudar neste processo:

Sempre una a auto-reflexão com a leitura e o ouvir da Palavra de Deus . Quando você ler a Bíblia ou ouvir sermões, reflita e compare os seus caminhos com o que você leu ou ouviu. Pondere que harmonia ou desarmonia existe entre a Palavra e os seus caminhos. A Bíblia testifica contra todo tipo de pecado e tem direções para qualquer responsabilidade espiritual, como escreveu Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16,17; ênfase acrescentada). Portanto, quando ler os mandamentos dados por Cristo e seus apóstolos, pergunte-se: Vivo de acordo com essas regras? Ou vivo de maneira contrária a elas?

Quando ler histórias da Bíblia sobre os pecados e sobre os culpados, faça uma auto-reflexão enquanto avança na leitura. Pergunte a si mesmo se é culpado de pecados semelhantes. Quando ler como Deus reprovou o pecado de outros e executou julgamentos por seus pecados, questione se você merece punição semelhante. Quando ler os exemplos de Cristo e dos santos, questione se você vive de maneira contrária aos seus exemplos. Quando ler sobre como Deus louvou e recompensou seu povo pelas suas virtudes e boas obras, pergunte se você merece a mesma bênção. Faça uso da Palavra como um espelho pelo qual você examina cuidadosamente a si mesmo – e seja um praticante da palavra (Tg 1.23-25).

Poucos são aqueles que fazem como deveriam! Enquanto o ministro testifica contra o pecado, a maioria está ocupada pensando em como os outros falham em estar à altura. Podem ouvir centenas de coisas em sermões que se aplicam adequadamente a eles; mas nunca pensam que o que o pregador está falando lhes diz respeito. A mente deles está fixa em outras pessoas para quem a mensagem parece se encaixar, mas eles nunca julgam necessitar dessa pregação.

Se você faz coisas que geralmente são evitadas por pessoas perspicazes e maduras, tenha um cuidado especial em questionar-se se tais atos poderiam ser pecaminosos. Talvez você tenha argumentado consigo mesmo que tal ou tal prática é lícita; você não vê mal algum nela. Porém, se a coisa é geralmente condenada por pessoas piedosas, com certeza isso parece suspeito. Será prudente de sua parte considerar conscientemente se isso desagrada a Deus. Se uma prática não é aprovada por aqueles que em tais casos, em geral, provavelmente são mais corretos, você deveria considerar, com o maior cuidado, se a coisa em questão é lícita ou ilícita.

Pergunte a si mesmo se no seu leito de morte terá lembranças agradáveis em relação à maneira que viveu. Pessoas saudáveis freqüentemente aceitam o que não se aventurariam a fazer se pensassem que logo estariam perante o Senhor. Pensam na morte como algo distante, e assim acham muito mais fácil tranqüilizar a consciência sobre o que estão fazendo no presente. Porém, se pensassem que poderiam morrer logo, não achariam tão confortável contemplar o Senhor com tais atos. A consciência não é facilmente cegada e silenciada quando o fim da vida parece iminente.

Solenemente pergunte a si mesmo e veja se está fazendo algo agora que pode trazer problemas quando você estiver no leito de morte. Pense nos seus caminhos e examine-se a si mesmo com a expectativa sensata de logo partir deste mundo para a eternidade. Empenhe-se com sinceridade para julgar imparcialmente as coisas com as quais você terá prazer no seu leito de morte – bem como as que você vai desaprovar e desejar deixar.

Considere o que outros podem dizer sobre você. Embora as pessoas estejam cegas quanto às suas próprias faltas, facilmente descobrem os erros dos outros – e consideram-se aptas o suficiente para falar deles. Algumas vezes, as pessoas vivem de maneiras que absolutamente não são adequadas, porém estão cegas para si mesmas. Não vêem seus próprios fracassos, embora os erros dos outros lhes sejam perfeitamente claros e evidentes. Elas mesmas não vêem suas falhas; quanto às dos outros, não podem fechar os olhos ou evitar ver em que falharam.

Alguns, por exemplo, são inconscientemente muito orgulhosos. Mas o problema aparece notório aos outros. Alguns são muito mundanos ainda que não sejam conscientes disso. Alguns são maliciosos e invejosos. Os outros vêem isso, e para eles lhes parecem verdadeiramente dignos de ódio. Porém, aqueles que têm esses problemas não refletem sobre eles. Não há verdade no seu coração e nem nos seus olhos em tais casos. Assim devemos ouvir o que os outros dizem de nós, observar sobre o que eles nos acusam, atentar para que erro encontram em nós, e com diligência verificar se há algum fundamento nisso.

Se outros nos acusam de orgulhosos, mundanos, maus ou maliciosos – ou nos acusam de qualquer outra condição ou prática maldosa – deveríamos honestamente nos questionar se isso é verdade. A acusação pode nos parecer completamente infundada, e podemos pensar que os motivos ou o espírito do acusador está errado. Porém, a pessoa perspicaz verá isso como uma ocasião para um auto-exame.

Deveríamos especialmente ouvir o que os nossos amigos dizem para nós e sobre nós. É imprudente, bem como não-cristão, tomar isso como ofensa e se ressentir quando os outros apontam nossas falhas. “Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos” (Pv 27.6) Deveríamos nos alegrar que nossas máculas foram identificadas.

Mas, também deveríamos atentar para as coisas sobre as quais os nossos inimigos nos acusam. Se eles nos difamam e nos insultam descaradamente – até mesmo com uma atitude incorreta – deveríamos considerar isso como um motivo para uma reflexão no íntimo, e nos perguntar se há alguma verdade no que está sendo dito. Mesmo se o que for dito é revelado de modo reprovável e injurioso, ainda pode ser que haja alguma verdade nisso. Quando as pessoas criticam outras, mesmo se seus motivos forem errados, provavelmente têm como alvo verdadeiros erros. Na verdade, nossos inimigos provavelmente nos atacam onde somos mais fracos e mais defeituosos; e onde demos mais abertura para a crítica. Tendem a nos atacar onde menos podemos nos defender. Aqueles que nos insultam – embora o façam com um espírito e modos não-cristãos – geralmente identificarão as genuínas áreas onde mais podemos ser achados culpados.

Assim, quando ouvirmos outros falando de nós nas nossas costas, não importa o espírito de crítica, a resposta certa é a auto-reflexão e uma avaliação quanto à verdade da culpa em relação aos erros de que nos acusam. Com certeza essa resposta é mais piedosa do que ficar furioso, revidar ou desprezá-los por terem falado maldosamente. Desse modo talvez tiremos o bem do mal, e esta é a maneira mais certa de derrotar o plano dos nossos inimigos, que nos injuriam e caluniam. Eles fazem isso com motivação errada, querendo nos injuriar. Mas, dessa maneira converteremos isso em nosso próprio favor.

Quando vir os erros dos outros, verifique se você tem essas mesmas deficiências . Muitos estão prontos para falar dos erros dos outros, apesar de terem as mesmas falhas. Nada é mais comum para orgulhosos do que acusar o orgulho de alguém. Semelhantemente, é comum para o desonesto reclamar de ter sido enganado por outra pessoa. As características ruins e os maus hábitos dos outros parecem muito mais odiosos nos outros do que em nós mesmos. Facilmente podemos ver quão desprezível é este ou aquele pecado em outra pessoa. Vemos muito prontamente nos outros como o orgulho é detestável, ou quão má a malícia pode ser, ou quão pernicioso é o erro dos outros. Mas, embora vejamos facilmente muitas imperfeições nos outros, quando olhamos para nós mesmos essas coisas ficam obscurecidas por um espelho de ilusão.

Entretanto, quando você vê o erro dos outros, quando percebe quão impróprios são os atos de alguém, que atitudes rudes eles mostram, ou quão inadequado seu comportamento é, quando ouve outros falarem sobre isso, ou quando vê erros no tratamento deles em relação a você – reflita. Avalie se não há algum erro semelhante na sua conduta ou atitude. Perceba que essas coisas são tão inconvenientes e ofensivas em você como são nos outros. O orgulho, o espírito arrogante, e os maneirismos são tão odiosos em você como são no seu vizinho. Seu espírito malicioso e vingativo em relação ao seu vizinho é tão desprezível quanto o dele em relação a você. É exatamente tão pecaminoso o seu erro ou o dolo do seu vizinho quanto isso é para ele em relação a você. É tão indelicado e destrutivo você falar dos outros pelas costas quanto os outros fazerem o mesmo em relação a você.

Avalie como os outros são cegos em relação aos próprios pecados, e pergunte a si mesmo se você sofre do mesmo tipo de cegueira. Você sabe que as pessoas são cegas pelas próprias paixões. Os mesmos apetites e paixões carnais da mente já o cegaram? Veja como os outros estão cegos pelo mundanismo. Questione se sua ligação com este mundo pode estar lhe cegando de tal forma que o leve a justificar coisas na sua vida que não estão certas. Você é tão propenso à cegueira por causa dos desejos pecaminosos quanto os outros. Você tem o mesmo coração enganoso e desesperadamente corrupto. “Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim, o coração do homem ao homem” (Pv 27.19).


Sonde sua consciência buscando os pecados secretos

Examine os segredos do seu coração. Você negligencia algum dever que somente você e Deus conhecem? Você aceita alguma prática secreta que ofende os olhos de Deus que tudo vêem? Examine-se a si mesmo em relação às responsabilidades básicas: leitura da Bíblia, meditação, oração secreta. Você cumpre totalmente todos esses deveres? Se sim, você os cumpre de uma maneira irregular e desatenta? Como é o seu comportamento quando está escondido dos olhos do mundo – quando você não tem limites além da sua consciência? O que ela lhe diz?

Mencionarei duas questões em particular:

Pergunte a si mesmo se negligencia a leitura bíblica. Certamente a Bíblia foi escrita para ser lida – não somente por ministros, mas também pelas pessoas. As Escrituras nos foram dadas para estarem conosco continuamente, para atuarem como regra da vida. Assim como o artesão precisa da medida padrão e o cego do se guia, assim como aquele que caminha na escuridão carrega uma luz, assim a Bíblia deve ser a lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos (Sl 119.105).

Josué 1.8 diz: “Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito, então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido”. Deuteronômio 6.6-9 ordenou aos israelitas:

Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

Da mesma maneira Cristo nos ordenou a buscar as Escrituras (Jo 5.39). São estas as minas que temos que cavar a fim de alcançarmos os tesouros escondidos. Você negligencia este dever?

Pergunte a si mesmo se secretamente você está entretendo alguma paixão sensual. Há muitas maneiras e muitos graus de agradar a nossa concupiscência carnal, mas cada um deles está provocando a um Deus que é santo. Você até mesmo se reprime de um prazer indecente, mas, de vez em quando, de algum modo você gratifica suas paixões e se permite testar a doçura de um prazer ilícito?

Você percebe que ofende a Deus, até mesmo quando faz isso apenas em pensamento e imaginação? Você é culpado desse pecado?


O perigo do pecado não-abandonado

As instruções para você auto-examinar-se quanto a algum pecado do qual talvez você não esteja crente já foram dadas. Como estão as coisas na sua vida? Você acha que está vivendo em algum caminho mau? Não estou perguntando se você está livre de pecado. Isso não é o esperado, pois não há quem não peque (1Rs 8.46). Mas há algum tipo de pecado incorporado ao seu estilo de vida e prática? Sem dúvida alguns estão limpos nessa questão, alguns “irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor… que guardam as suas prescrições, e o buscam de todo coração; não praticam a iniqüidade e andam nos seus caminhos” (Sl 119.1-3).

Permita que sua consciência responda sobre como você vê sua própria vida. Você pratica algum pecado pela força do hábito? Você se deu permissão para isso? Se esse for o caso, considere o seguinte:

Se você tem procurado a salvação e ainda não a encontrou, a razão disso pode ser algum tipo de pecado em sua vida. Talvez tenha se perguntado qual é o problema que o deixa tão preocupado em relação à sua salvação – quando diligentemente você a tem buscado – e ainda não teve retorno. Muitas vezes já implorou a Deus, e ele ainda não atentou para você. Outros recebem conforto, mas você ainda permanece em trevas. Mas isso não deve surpreender, se você se agarrou a algum pecado por muito tempo. Não é isso uma razão suficiente para que todas as suas orações e todas as suas pretensões deixem de ser atendidas?

Se você tem tentado reter seu pecado enquanto busca o Salvador, você não está buscando a salvação da maneira correta. O caminho certo é abandonar sua perversidade. Se você tem algum membro corrupto e não o corta fora, corre o risco de ele o levar para o inferno (Mt 5.29,30).

Se a graça parece estar definhando ao invés de florescer na sua alma, talvez a causa disso seja algum tipo de pecado. A maneira de crescer na graça é andar em obediência, e ser muito determinado nisso. A graça vai florescer no coração de todo aquele que vive dessa maneira. Se você vive em algum caminho mau, ele será como uma doença incubada sugando sua vitalidade. O pecado então o manterá pobre, fraco e desfalecido.

Basta que um pecado seja praticado habitualmente para anular sua prosperidade espiritual e frear o crescimento e a força da graça em seu coração. Ele entristecerá o Espírito Santo (Ef 4.30). Ele impedirá a boa influência da Palavra de Deus. O tempo que ele permanecer será como uma úlcera, que o mantém fraco e deficiente, embora você se alimente da melhor e mais proveitosa comida espiritual.

Se você caiu em grande pecado, talvez algum tipo de pecado na sua vida tenha sido a raiz fundamental do seu grande fracasso. Uma pessoa que não evita o pecado e não é meticulosamente obediente, não pode ser guardada dos grandes pecados. O pecado em que vive será sempre uma abertura, uma porta aberta pela qual Satanás encontrará a entrada. É como uma brecha na fortaleza, por onde o inimigo pode entrar e encontrar seu caminho. Se você caiu num pecado terrível, talvez seja essa a razão.

Ou se você permite algum tipo de pecado como um escape para sua corrupção, ele será como uma brecha numa represa que, se abandonada, se abrirá sempre mais até que não seja mais possível contê-la.

Se você vive em trevas espirituais, sem sentir a presença de Deus, a razão disso pode ser algum tipo de pecado. Se você lamenta não ter um pouco da doce comunhão com o Senhor; se sente que Deus o desertou; se Deus parece ter lhe escondido sua face e raramente lhe mostra evidências da sua glória e graça; ou se parece que você foi deixado tateando e vagueando no deserto – essa pode ser a razão. Talvez você clame a Deus freqüentemente. Talvez você passe noites em claro e dias tristes. Se está vivendo desta maneira, é muito provável que essa seja a causa, a raiz dos seus desenganos, o seu Acã, o causador de problemas que ofende a Deus e traz tantas nuvens de trevas sobre sua alma. Você está entristecendo o Espírito Santo, e por isso você não recebe o seu conforto.

Cristo prometeu que se revelaria aos seus discípulos, mas com a condição de que eles guardassem os seus mandamentos: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14.21). Mas se você rotineiramente vive em desobediência aos seus mandamentos, não é de se admirar que ele não se manifeste a você. A maneira de receber o favor divino é andar perto dele.

Se você duvida da sua salvação, talvez algum tipo de pecado na sua vida tenha levantado essas dúvidas. O melhor jeito de se ter a clara evidência da sua salvação é por meio de um andar junto a Deus. Isso, como já notamos, é também a maneira de se ter a graça florescendo na alma. E quanto mais graça vigorosa de Deus em nós, mais provável é que seja vista. E quando Cristo se revela a nós, temos a certeza do seu amor e favor.

Mas se você vive com algum tipo de pecado, não é de surpreender que isso diminua grandemente a sua certeza. Afinal de contas, isso subjuga o exercício da graça e esconde a luz da face de Deus. E pode acontecer de você nunca saber se é um verdadeiro cristão até que tenha abandonado totalmente o pecado no qual vive.

Se Deus o reprovou, talvez algum tipo de pecado em sua vida explique o motivo. Provavelmente a prática de um hábito pecaminoso ou o fato de tolerar um ato maldoso tenha sido a razão de ter recebido uma reprovação e um castigo dolorosos. Às vezes, Deus é excessivamente severo no trato com seu povo pelos seus pecados neste mundo. Deus não permitiu que Moisés e Arão entrassem na Terra Prometida porque o haviam desobedecido e pecado com seus lábios nas águas de Meribá. E como Deus foi terrível quando tratou com Davi! Que aflição levou para sua família! Um dos seus filhos violentou sua irmã; outro matou o irmão e depois de expulsar seu pai do trono na vista de todo Israel, deflorou a concubina de seu pai perante todos. O seu fim foi terrível; machucou completamente o coração de seu pai (2Sm 18.33). Imediatamente depois, aconteceu a rebelião de Seba (2Sm 20). No fim da vida, Davi viu seu outro filho usurpar o trono.

Quão severamente Deus tratou Eli por ele ter vivido no pecado, não refreando seus filhos da maldade! Os dois filhos foram mortos no mesmo dia, e o próprio Eli morreu violentamente. A arca foi levada cativa (1Sm 4). A casa de Eli foi amaldiçoada para sempre; o próprio Deus jurou que a iniqüidade da casa de Eli nunca seria expiada por meio de sacrifícios e ofertas (1Sm 3.13,14). O sacerdócio foi tirado de Eli e transferido para outra linhagem. Nunca mais houve um sacerdote na família de Eli (2Sm 12.31).

O motivo das repreensões divinas que recebeu é algum tipo de pecado na sua vida? Na verdade, no tocante aos acontecimentos da Providência, você não pode ser julgado pelos seus vizinhos, porém com certeza você deveria se perguntar se Deus está contendendo com você (Jó 10.2).

Se a morte lhe causa medo, talvez seja porque você está vivendo em algum tipo de pecado. Quando pensa na morte, você se encolhe a esse pensamento? Quando tem uma doença, ou quando alguma coisa ameaça sua vida, você sente medo? Os pensamentos de morte e a eternidade alarmam você, embora seja um cristão?

Se você vive num caminho mau, provavelmente essa seja a razão de seus medos. O pecado deixa a sua cabeça sensual e mundana e, portanto o impede de desfrutar de uma alegria celestial. O pecado diminui a graça e impede o desfrute das antecipações do conforto celestial que, de outra maneira, você desfrutaria. O pecado impede o sentimento da presença e do favor divinos. Sem isso, não é de espantar que você não veja a morte diante de si sem temor.

Não permaneça em qualquer tipo de pecado. Se, ao ler este livro, você percebeu que vive em um tipo de pecado, considere que de agora em diante, se viver da mesma maneira, estará vivendo com um pecado conhecido . Se era ou não era conhecido no passado, você talvez tenha vivido assim inadvertidamente. Mas, agora que é consciente dele, se continuar nele, seu pecado não será um pecado da ignorância, mas você se mostrará como um dos que vivem intencionalmente em caminhos de pecados conhecidos.

* Adaptado e parafraseado para o inglês moderno a partir do ensaio de Edwards, “ Christian Cautions : The Necessity of Self-Examination ” (impresso pela primeira vez em 1788).

Sobre o autor: Jonathan Edwards (1703-1758) foi pastor congregacionalista e pregador influente durante o Grande Reavivamento nos Estados Unidos. Foi o maior teólogo-filósofo das Américas dos anos 1700, e um forte apologista calvinista contra a teoria do livre-arbítrio.

(Extraído de John MacArthur, Jr. Sociedade sem Pecado . 1ª Edição. Editora Cultura Cristã, 2002 . São Paulo, SP. Apêndice 3: 225-241.)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PARABOLA DOS DOIS FILHOS.

“Tendo Jesus chegado ao templo, estando já ensinando, acercaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, perguntando: Com que autoridade fazes estas coisas? E quem te deu essa autoridade? E Jesus lhes respondeu: Eu também vos farei uma pergunta; se me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. Donde era o batismo de João, do céu ou dos homens? E discorriam entre si: Se dissermos: do céu, ele nos dirá: Então, por que não acreditastes nele? E, se dissermos: dos homens, é para temer o povo, porque todos consideram João como profeta. Então, responderam a Jesus: Não sabemos. E ele, por sua vez: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas. E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus. Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.” (Mateus 21:23-32 RA)

O Contexto da Parábola.

Os principais Sacerdotes e os anciãos do povo, perguntaram a Jesus com que autoridade e quem lhe deu autoridade para ele ensinar no templo. Jesus então responde com outra pergunta dizendo que se eles respondessem a esta pergunta, ele responderia a deles. De onde era o batismo de João dos homens ou do céu? Eles se viram numa encruzilhada sem poder dar a resposta, porque se dissessem que é dos céus eles perceberam que Jesus lhes diria porque não crê nele? Se dissessem dos homens, eles temiam o povo pois todos acreditavam em João como profeta. Então a resposta deles foi que não sabiam. Então como não deram resposta alguma Jesus também disse que não lhes faria com que autoridade ele ensinava.
Então Jesus passa a ensinar por meio de três parábolas:
1. A parábola dos dois filhos
2. A parábola dos lavradores maus.
3. E a parábola da festa e seus convidados.

PARABOLA DOS DOIS FILHOS.

A autoridade de Jesus para Ensinar.
A resposta à pergunta dos principais sacerdotes e anciãos do povo era simples. A autoridade de Jesus vinha do próprio Pai que o enviara ou ainda poderíamos dizer que Ele como Filho de Deus, tinha esta autoridade em si mesmo. Mas Jesus se recusa a responder porque sabia que eles não criam nele, pois não haviam crido nem mesmo no seu predecessor João Batista.
Jesus é Senhor, e como Senhor não somente tem autoridade para ensinar, mas também tem direito sobre a nossa vida. Ele é Senhor dos crentes e dos incrédulos. A diferença é que os crentes o reconhecem e o confessam como Senhor e submete ao seu Senhorio. É isso que as autoridades religiosas daquela época não estavam dispostas a fazer, porque não criam nele. E muitos hoje não o confessam porque também não crêem Nele. Hoje muitos até dizem reconhecer a autoridade de Jesus para ensinar as pessoas do seu tempo; o reconhecem como um grande mestre. Mas uma coisa é reconhecer a autoridade para ensinar outros; outra coisa é reconhecer a autoridade para ensinar você. Alguns podem até chegar neste ponto de reconhecer que ele tem autoridade para lhe ensinar; mas daí a submeter-se ao seu ensino é que é o grande problema da nossa geração, ou melhor, dizendo dos homens de todas as épocas. Este talvez seja o seu problema. Ser discípulo significa deixar tudo e seguir a Jesus. Este é o sentido mais completo daqueles que reconhecem a sua autoridade.
Por que os homens não se submetem a autoridade de Jesus? Tudo se resume em incredulidade. Não crêem em quem Jesus é Não crêem na sua obra e a razão da mesma. Não crêem na sua palavra, e o que a Palavra ensina sobre quem é o homem e o destino do mesmo.
1. Não crêem em quem Jesus é. A pergunta de Jesus para os sacerdotes e para os anciãos antes de ser uma pergunta capciosa era uma pergunta instrutiva, pois João Batista ensinou a seu respeito e como não creram que João Batista era de Deus, não creriam em Jesus também. O que João Batista ensinou a respeito de Jesus?
a) Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
“No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29 RA) Esta declaração de João Batista, já seria suficiente para crerem na autoridade de Jesus.
O cordeiro no Velho Testamento era oferecido como oferta pelo pecado, o sangue teria que ser derramado a gordura queimada. O cordeiro era o substituto do pecador. Estes cordeiros nada mais eram do que sombra do verdadeiro Cordeiro de Deus, do substituto de Deus que tira o pecado do mundo.
Então nesta frase de João Batista temos duas informações sobre quem é Jesus – Ele é o Substituto, o nosso substituto, o cordeiro de Deus. E em segundo lugar Ele tira o pecado do mundo. Tira o pecado, porque o pecado dos seus ele levou sobre si.
b) “disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Lucas 3:16 RA)
“Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.” (Mateus 11:11 RA)
Se compararmos estes dois testemunhos de Jesus para João e de João para Jesus podemos ver que João por maior que seja disse que não era digno desatar-lhes as correias das suas sandálias. Isso mostra que ele cria que Jesus era o Cristo. “És tu o Cristo mandou perguntar ele. Cristo quer dizer o ungido de Deus, aquele que foi
c) “Convém que ele cresça e que eu diminua.” (João 3:30 RA) Nestas palavras João Batista reconhece que a Jesus pertence a glória, renuncia a todo e qualquer tipo de reconhecimento. Reconhece também que ele era apenas o seu predecessor.
2. João Batista ensinava arrependimentos
3. “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 3:2 RA)
O ensinamento principal de João Batista está na sua própria mensagem e é disso que vai tratar a nossas parábolas em questão ou as nossas parábola, a dos dois filhos, dos lavradores maus e a da festa e seus convidados.

O QUE ENSINA A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS SOBRE ARREPENDIMENTO?


O primeiro Filho:
Não houve confronto, não discutiu não se desgastou diante do Pai, disse que ia trabalhar, mas não foi. Ele foi mentiroso, hipócrita. Este filho representa aquele tipo de pessoa que houve a repreensão, parece atento, reconhece a necessidade de mudança, até professa uma obediência, mas não obedece. Talvez este filho representasse os principais dos sacerdotes e os anciãos do povo. Eram religiosos, sempre falavam em Deus em obediência, em fé, mas na verdade não havia mudança nas suas vidas. Professavam que iam obedecer, mas não obedeciam. Faziam suas próprias interpretações da lei para que pudessem estar com as consciências tranqüilas. No caso de Jesus, não criam em Jesus, não criam em João Batista, e nem na mensagem destes que era “Arrependei-vos. Estavam cheios de justiça própria, e não tinham do que arrepender, portanto não viam a necessidade de um salvador.
Você se parece com o primeiro filho, você se considera religioso, vem a Igreja, professa crer em Jesus, e professa ser salvo. Mas na verdade nunca chegou a um estado espiritual na vida em que sentisse o grande peso do pecado, a grande tortura da eminente condenação e a grande afronta que este pecado faz a Deus, Nunca sentiu que o seu pecado e hediondo, que afronta a santidade de Deus. Será que nunca chegou ao ponto de saber que este mesmo pecado custou a vida do Filho. Mas talvez esteja cheio de justiça própria, cheio das suas próprias idéias. Talvez até tenha ouvido os outros, mas os considera uns retrógados, suas idéias humanistas atrapalham você de se submeter a Palavra de Deus e a Palavra Viva que é Jesus. Oh amigo aparência de piedade não engana o Senhor rei do Universo, a sua prontidão para, e sua recusa para obedecer o levará para o inferno. Ninguém que nunca se arrependeu não será salvo. A sua religiosidade não o salvará, as suas orações, não o salvará. As suas boas obras não o salvarão. Arrependa-se da vida que leva, da hipocrisia, seja verdadeiro para com Deus, pois de Deus não se zomba e nem se engana. Que o espírito de Deus esteja movendo o seu coração neste momento, e se isto está acontecendo, não faça como este filho que disse que obedeceria ao Pai, mas não obedeceu. Talvez esteja pensando eu não consigo, não consigo obedecer. Que este pensamento não seja um pensamento de incredulidade e sim um pensamento que vem do Espírito de Deus, que está mostrando a sua total incapacidade. Jesus falou para os seus discípulos: “O que é impossível aos homens é possível a Deus.” Então clame ao Senhor para que tire de você este coração de pedra e lhe dê um coração de carne, propenso para crer, disposto a obedecer. Não é natural no ser humano se despir de toda a justiça própria e depender totalmente da justiça outrem. É isso que você deverá fazer, arrependa-se e confie só em Jesus para a sua salvação.
O Segundo Filho:
A recusa de Trabalhar na Vinha do Pai. “Não quero” disse ele. A sua vontade não estava quebrada.
1. Primeira coisa que podemos observar é que ele foi sincero, não justificou, não mentiu e não omitiu a sua vontade. Disse ele não quero.
Mentir para Deus escondendo-se atrás de uma religião ou da justiça própria é especialidade de muitos Mas no caso deste jovem, ele conseguiu expressar para o pai a sua vontade para ele não queria ir trabalhar. A vontade do ser humano está degenerada, contra a vontade do Pai, mas o primeiro passo é reconhecer este estado, é admitir que não quer fazer a vontade de Deus.. A bíblia diz que ninguém busca a Deus e diz ainda que Ele, é efetua em nós o querer. Eu não quero, oh se o ser humano conhecesse a si mesmo, então saberia que não tem interesse em fazer a vontade do pai, saberia que tem uma natureza corrompida, pecaminosa e por mais que diga quero fazer a vontade de Deus, sua natureza o engana, e vai observar que não consegue, mesmo quando quer. Mas o mesmo Deus que diz que Ele quem efetua o querer e o mesmo que no mesmo versículo diz que é quem efetua o realizar.
“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2:13 RA)

2. Mudança de Pensamento. O Filho que não queria ir trabalhar foi foi. Alguma coisa deve ter acontecido na sua mente e coração que o fez mudar de idéia e atitude? O Senhor Jesus explica mais adiante que foi o arrependimento.
A bíblia está repleta de versículos que mostra a necessidade de arrependimento para alguém vir a Jesus e sua vontade ser transformada; vejamos alguns. O arrependimento foi o apelo feito por João Batista, O próprio Jesus e também os apóstolos.
“ Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 3:2 RA)

“ Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 4:17 RA)

“ dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” (Marcos 1:15 RA)

“ Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (Atos 2:38 RA)

“ Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,” (Atos 3:19 RA)
“ Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.” (Mateus 9:13 RA)

Caro pecador, que Deus lhe dê a graça de chegar ao ponto de perguntar, “que faremos irmãos? Arrependei-vos é a resposta, mude sua opinião, que Deus penetre na sua mente e a transforme, aquilo que pensava que nunca mudaria o seu pensar, Deus o transforma a tal ponto de você mesmo se admirar, “nunca imaginei que pensaria desta forma. Mas caro amigo o processo é doloroso, os aguilhões que nos prendem são de ferro e com a força humana não se quebra. Nossa maneira de pensar está entranhada de tal forma que quando pensamos na possibilidade mudança começamos a recalcitrar, quando a luta se trava no seu interior, você luta para manter-se como está. A sua oposição contra aqueles que estão sendo usados para provocar esta mudança se torna ainda mais ferrenha, você passa odiá-los principalmente quando você observa que eles estão transformados e você sabe que isto é impossível, por outro lado a culpa e a certeza de que precisa mudar se tornam mais intensas. Ó caro amigo é o Espírito Santo, trabalhando na sua mente, nenhum homem poderia provocar esta mudança em você, nenhum homem poderia penetrar em seu interior e lutar contra você e vencê-lo. É o próprio Deus que está lutando, e é contra ele que você luta, não resista, rende-se aos seus pés. Arrependei-vos.

3. Mudança de Atitude - “Arrependendo-se foi” Ele a principio não queria, mas foi. O arrependimento sempre leva a uma mudança de atitude. O nosso jovem não queria trabalhar na vinha, mas foi trabalhar. O sua mente fora transformada, ele parou de lutar e resolveu obedecer ao pai.
Caro amigo. Todo arrependimento leva a mudança de atitude, a bíblia gosta sempre de nos mostrar este contraste. Fazia aquilo, agora faz outra coisa.
Veja alguns exemplos em Efésios
“No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Efésios 4:22-30 RA)
Os primeiros versículos falam de despojar e renovar e revestir-se. Deixa a mentira e fale a verdade. Não furtar, mas trabalhar, para acudir ao necessitado. Não sair da aboca palavra torpe, mas sair da boca palavras que seja boa para edificação e assim transmitir graça.
O que Paulo exorta aos irmãos da Igreja de Éfeso, é que eles coloquem em prática o seu arrependimento que professavam. A mudança de vida e atitude espera-se daquele em que o Espírito Santo de Deus já operara o arrependimento. Amigo você pode dizer que é de Deus se ainda não houve em você uma mudança de atitude. A bíblia diz que aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado. O pecado talvez ainda queira te dominar, mas aquele em quem Deus fez a obra não há de permanecer no pecado, porque é nascido de Deus e nele permanece a divina semente.
Você que professa ser salvo, que mudança de atitudes, você pode nomear que houve em sua vida. Seus interesses mudaram? Seus objetivos de vida mudaram? Tens interesse de conhecer mais a Deus, de orar mais? Apanhaste gosto pela palavra de Deus? Gosta de estar na Igreja com os seus irmãos, para ouvir da palavra de Deus?

4. Ele fez a vontade do Pai. A mudança de pensamento e de atitude leva automaticamente a uma terceira mudança. Renuncia da própria vontade para fazer a vontade do Pai. Há uma luta entre a carne e o Espírito para que porventura na seja feito o vosso querer. Sim o querer do crente muda, mas ainda existe uma luta interior da carne resistindo à vontade Deus. Só que agora nosso coração está mudado você tem liberdade para fazer a vontade do Pai, não és mais escravo do pecado. Você que professa arrependimento, tem prazer na vontade de Deus? Ou fazes ainda a sua vontade.
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2 RA)
“Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.” (Salmos 1:2 RA)


CONCLUSÃO:

31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram eles: O segundo. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.
32 Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele.


PUBLICANOS E MERETRIZES.
Estes eram os pecadores mais desprezados dos sacerdotes e principais dos anciãos, Jesus volta a falar sobre João Batista, afirmando que Publicanos e Meretrizes deram crédito às Palavras de João, enquanto que eles (principais sacerdotes e anciãos do povo) não deram crédito. Mesmo vendo isso acontecer não deram crédito às suas palavras para crer nele ou na sua mensagem.
Há o testemunho de muitos pecadores. Óh quantos pecadores como estes não se tem convertido e você tem ouvido falar e tem até ouvido muitos testemunhos dos mesmos. Mas mesmo assim rejeitas o salvador e não crê nele. Achas que o Salvador foi bom para eles que eram pecadores, mas você não é tão pecador assim! Oh quem dera ficasses como o apóstolo Paulo ficou, quando ainda era Saulo, prostrado diante da intensa luz que veio sobre o seu coração, revelando-lhe que a sua justiça não passava de refugo e te considerasses o maior de todos os pecadores. Neste ponto ele não mais se comparava com publicanos e meretrizes, mas sim para aquele Jesus a quem ele estava perseguindo, de quem era inimigo e quando viu a sua luz, o seu coração pode ver o quando era pecador. Só um coração quebrantado como este pode se arrepender. Que Deus faça esta obra em você.

domingo, 19 de dezembro de 2010

DEUS E O HOMEM – A GRANDE DIFERENÇA (6)

“Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos” (Salmo 36:1)
CONHECENDO O HOMEM (continuação):
Caro leitor, eu sei que o conhecimento do homem no pecado, conforme o Salmo 36 mexe profundamente com nosso orgulho pessoal. Não toleramos ser descobertos pela revelação bíblica, e como minhocas que se escondem na terra, ocultamos da luz. Vimos que a principal atividade do pecado é retirar Deus da frente do homem: “Não há temor de Deus diante de seus olhos”. Temos visto que se o coração estiver sob o comando do pecado, Cristo não reina ali, e, com efeito, todo viver será direcionado pela transgressão. Em Romanos 8 Paulo afirma que tal forma de viver é uma constante inclinação à carne e demonstra inimizade contra Deus, por isso os que estão na carne não podem agradar a Deus (Romanos 8:6,7). Vimos também, que o pecado comanda o viver sob o controle de uma iniqüidade especial, como um vício, idolatria, sexo, ira, ou qualquer outro pecado.
O que diz o Salmo 36? “...não há temor de Deus diante de seus olhos”. Uma vez que há ausência do temor ao glorioso e santíssimo Deus, todo viver do homem no pecado é visto como se fosse um horizonte de glória; acha no íntimo que é uma pessoa com livre-arbítrio e que tem todo direito de tomar por si mesmo suas decisões. O homem sob a liderança da transgressão age como se fosse dono absoluto do seu próprio viver, porquanto não há em sua frente ninguém maior do que ele, alguém superior diante de quem há de prestar contas; não é visto um juiz que condene seus atos, alguém temido.
Amigo leitor veja como é exatamente assim o poderosíssimo comando do pecado no coração de um homem não regenerado. Não podemos esperar outra coisa dele, porquanto vive no pecado, anda no pecado e com todo prazer serve ao pecado dia após dia. Quando Jesus encarou a multidão de judeus incrédulos pode mostrar-lhes exatamente essa verdade. Cristo não usou palavras lisonjeadoras, jamais encobriu sua triste condição em Adão quando declarou que eles não passavam de “escravos do pecado” (João 8:34). Mas posso ir bem firme em meus argumentos. O viver do ímpio prova isso. O que é destacado no viver transgressor do ímpio? Não é exatamente que lhe falta o temor ao Senhor? Alguém afirmou que a maior prova da condição do homem no pecado é que em sua vida não há lugar para a soberania e glória de Deus. Não há em seu coração qualquer lugar para um viver que glorifique a Deus; não há culto ao Senhor; não há gratidão, respeito, reverência, serviço, ações de graças e obediência ao Senhor. O viver do ímpio é conhecido também pelas suas palavras, porque elas refletem exatamente o que vem do coração. Não há louvor ao Senhor; não há ações de graças em suas palavras, pelo contrário, suas palavras revelam um coração cheio de ira, maldades, imoralidades, perversidades e coisas semelhantes. Suas palavras também revelam seu apego à mentira, assim como aqueles judeus que pegaram em pedras para matar o Senhor Jesus, quando este lhes mostrou a verdade a Seu respeito (João 8).
O caminho do ímpio também reflete a liderança do pecado na vida. Ele prefere estar sempre onde agrada as suas paixões carnais. Ele quer estar onde pode sentir-se bem, onde há aquilo que tanto a natureza adâmica sente atração. Se não for alguém que vive sob a influência dos prazeres carnais, será voltado para um viver centralizado numa forma de pensar completamente contrária aos pensamentos bíblicos. Seus pensamentos jamais serão submetidos aos pensamentos do Senhor, assim como seus caminhos não são os caminhos do Senhor (Isaías 55:8).
Por que fugir dessas verdades tão importantes? Ora, você não foge de um médico honesto que prova que sua enfermidade é séria. Por que fugir do Deus da verdade? Por que se ocultar daquele que tudo sabe, tudo vê e que tem prazer em libertar o pecador do poder subjugador do pecado?

DEUS E O HOMEM – A GRANDE DIFERENÇA (5)

“Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos” (Salmo 36:1)
CONHECENDO O HOMEM (continuação):
Caro leitor, na meditação de ontem procurei mostrar a importância do conhecimento do coração humano. Boa parte das Escrituras se ocupa com isso, especialmente na época da lei. Uma das manobras ardilosas de satanás é encobrir a verdade da culpa e do estado corrompido do homem no pecado. O evangelho vem para trazer essa verdade à tona, e assim levar pecadores à confissão sincera de seus pecados perante aquele que é o Salvador dos perdidos (Lucas 19:10).
Continuemos vendo o restante do verso 1: “...não há temor de Deus diante de seus olhos” (Salmo 36:1). O começo do verso mostrou com clareza o que está no recôndito do coração do homem no pecado. Saiamos desse lugar tenebroso para que vejamos o que acontece no lado de fora. O engano do pecado nos leva a entender de forma errônea o que realmente significa pecado. Achamos que o homem é mais pecador devido aos terríveis males praticados, como roubar, matar, beber, usar drogas, e outros atos semelhantes. Não há dúvida que são atos horrorosos, detestáveis e reprovados por milhares. Porém, a Palavra não revela a situação do homem baseando-se nesse ponto de vista. Encaremos seriamente as sagradas letras, porquanto no texto lido tudo é revelado de uma maneira bem simples: “...não há temor de Deus diante de seus olhos”.
O amigo leitor percebeu? Qual é a principal função do pecado operando dentro do coração do homem? Simples! Deus é retirado da frente dos olhos do pecador. Eis aí a mais ardilosa obra de arte maligna do pecado, porque ao retirar o temor de Deus diante de seus olhos, imediatamente o caminho pela frente é caminho de transgressão. Não importa o tamanho do pecado; não importa se os atos serão feios ou não aos nossos olhos, a verdade é que se há ausência do temor do Senhor, o viver é de transgressão. Repito, a principal função do pecado no coração é retirar da frente do homem toda e qualquer verdade a respeito de Deus. Não há qualquer acordo entre Deus e o pecado; não há no coração do homem uma sala para as atividades de Deus e outra para o serviço maligno do pecado. Não há possibilidade de servir a dois senhores, conforme diz o Senhor Jesus.
Amigo leitor, visto que a atividade do pecado é conduzir o homem pelo caminho da transgressão, obviamente Deus tem que ser retirado da frente do pecador. O Deus da revelação bíblica é eliminado da sua mente, de suas emoções e de suas determinações, para que seu caminho seja desobstruído. Eis aí, meu amigo leitor a triste verdade a respeito do caminho pelo qual anda o homem no pecado, dentro ou fora de uma igreja; praticando pecados feios ou sendo excelente pessoa aos olhos humanos. A nossa queda em Adão nos levou à condição natural de escravos do pecado (João 8:34). No comando do pecado não há lugar para o senhorio do Senhor; não há lugar para o comando daquele que é Santo. O viver do homem no pecado é como uma ovelha errante, sem pastor, sem esperança e sem Deus neste mundo (Efésios 2:12).
Quão terrível é o reino tirânico do pecado no coração! O pecado habilmente conduz o pecador naquilo que o pecado quer, e assim toda mente, emoção e volição são conduzidas sob a prisão do pecado. Aquele homem que foi a Cristo querendo saber o que poderia fazer para herdar a vida eterna, não sabia que o pecado lhe controlava no amor às riquezas. Ele não queria perder seu ídolo, por isso afastou-se ao deparar com o caminho estreito rumo à vida eterna, apresentado pelo Senhor (Lucas 18:22,23). Judas parecia um genuíno apóstolo de Cristo, até que a ocasião própria revelou seu amor aos prazeres. Quando a fortuna chegou-lhe às mãos, mostrou que o pecado comandava seu viver no sonho de ser grande, na soberba da vida. O peso atroz do pecado empurrou-lhe para o triste e amargo destino das almas impenitentes.

DEUS E O HOMEM – A GRANDE DIFERENÇA (4)

“Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos” (Salmo 36:1)
CONHECENDO O HOMEM (continuação):
Prezado leitor, com coragem, porém com nossos corações cheios de temor, encaremos firmemente o conhecimento daquilo que o Espírito de Deus nos ensina a respeito da triste condição do homem no pecado, conforme o Salmo 32, versos 1-4. Ora, se há a voz da transgressão, certamente há alguém ali; há um poder que reina, controla e domina o viver do homem, e esse comando é a partir do coração. Já pude mostrar que todo problema do homem está no coração dele. O que ele é e faz por fora é efeito de um poder dominador em seu coração. Sendo que é a voz da transgressão, significa que todo viver do homem ainda no pecado é de contínua prática da iniqüidade. Ele é chamado de iníquo, transgressor da lei de Deus e mesmo que não pratique pecados feios, grosseiros, o domínio é do pecado no coração, tendo o programa para cada pessoa, a fim de que faça o que o pecado quer, e não o que Deus quer.
Caro leitor, saibamos que nem todo ímpio mata, rouba, ou pratica coisas horríveis, mas todos estão sob a liderança do pecado no coração, por isso os homens no pecado são chamados servos do pecado. Paulo trata sobre isso em Romanos 6. Ele escreve aos salvos, mostrando que o resultado da morte de Cristo na cruz em favor do Seu povo, conquistou para esse povo plena e completa libertação do domínio do pecado, de tal maneira que de agora em diante: “Não reine, portanto o pecado em vosso corpo mortal para obedecerdes as suas concupiscências” (Romanos 6:12). Ainda no verso 13 Paulo fala que os salvos não precisam mais oferecer os membros de seus corpos ao pecado como instrumentos de iniqüidades.
Tendo essas verdades em mentes voltemos para o Salmo 36:1. Deu para o amigo leitor entender que não há meio termo? Ou o homem vive como servo do pecado ou vive como servo de Deus. Se não foi salvo, resgatado, perdoado, justificado mediante o sangue do imaculado Cordeiro de Deus, certamente não passa de ser um escravo do pecado neste mundo. O pecado não deixa o coração do pecador mediante atividades religiosas. Mesmo sendo religioso, honesto, trabalhador, etc., é o pecado que está no comando do coração e não Deus, portanto a vida é de contínua transgressão contra Deus e contra Sua santa lei.
Prezado leitor, que seu coração humildemente depare com a necessidade de arrependimento sincero. O Deus da revelação bíblica não é ludibriado, manipulado pelas articulações do homem. Ele vê o homem no coração, e não na aparência; o reino do pecado a partir do coração está completamente escancarado perante os olhos perscrutadores daquele que é Onisciente. Ninguém pode ser aceito por Deus, a não ser mediante Seu glorioso Filho, o único mediador entre Deus e o homem (1 Timóteo 2:5). E ninguém pode achegar-se ao Salvador bendito sem arrependimento, humilhação, quebrantamento e confissão (Romanos 10:9). É na confissão sincera que o pecador revela que o reino de tirania do pecado no coração acabou, que o pecado deixou para sempre seu domínio e que o Rei da glória passou a reinar. Aquele antigo súdito do pecado passa agora a servir a justiça (Romanos 6:13), amar santidade e odiar a iniqüidade.
Amigo leitor, eu sei que essas verdades chegam de forma chocantes às nossas mentes, mas quão salutar elas são! O homem no pecado precisa saber em que situação desesperadora ele se encontra, e que não há remédio; não há força capaz de mudar seu coração em um novo coração! Viemos assim de Adão, nossa história é triste história e nosso destino é assaz horroroso enquanto o coração não for lavado e santificado pelo sangue da cruz (1 Pedro 1:18,19). Meus esforços têm em vista levar meus leitores à verdadeira humilhação, reconhecimento de que seus pecados têm ofendido ao Senhor, e que Ele tem prazer em salvar homens e mulheres arrependidos!

DEUS E O HOMEM – A GRANDE DIFERENÇA (3)

“Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos” (Salmo 36:1)
CONHECENDO O HOMEM (continuação):
Amado leitor, os primeiros quatro versos do salmo 36 nos conduzem ao conhecimento de quem é o homem no pecado. Não esqueçamos de que o Espírito Santo está tratando do homem caído em Adão. A luz da verdade revelada chega aos lugares escuros, onde até mesmo o homem desconhece o que ali acontece. O que vemos logo no início mostra tal verdade: “Há no coração do ímpio...”. Onde está o problema do homem? Ora, sempre estamos vendo as coisas do lado de fora; achamos sempre que o problema nosso está nas dificuldades normais da vida, como saúde, finanças, família, etc. E entre tantas outras que já conhecemos, não raro atribuímos nossos problemas ao diabo e aos demônios. O mundo normalmente tem resposta para tudo isso, mesmo sendo respostas passageiras.
A Palavra de Deus, porém, vai diretamente à fonte do problema do homem, e onde está a fonte de todo problema? No coração dele! Notemos bem que não é do lado de fora, mas sim por dentro; não é visto no aspecto externo do homem, mas sim no interno. Ora, vemos essa verdade difundida em toda Escritura: “Enganoso é o coração e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9); “Diz o néscio em seu coração: Não há Deus...” (Salmo 14:1); “É do coração do homem que procede todo mau desígnio...” (Marcos 7:21). Poderia aqui multiplicar tantas outras referências, mostrando a triste condição do homem no coração. Diante desse fato é que as Escrituras constroem a doutrina mais importante a ser divulgada no meio dos homens, que é o ensino a respeito da depravação total. Os homens desconhecem o que eles são em Adão; nada sabem a respeito do significado da queda; ignoram a triste condição na qual se encontram agora e acham que nada merecem da destruição eterna que os espera no além.
Mas em nosso estudo não vamos passar por cima de um assunto tão importante; se eu ignorar isso não serei leal aos meus leitores; não serei honesto se não expor a verdade, conforme está revelada perante nossos olhos nas sagradas letras. Por que o problema do homem está no coração dele? A resposta é simples, o homem não é o que vemos na aparência, mas sim no coração dele. Deus vê o homem ali, e não porque pertence a uma família crente; participa de uma igreja; é visto como uma boa pessoa porque nunca fez mal a ninguém, etc.
Afinal, o que o homem tem em seu coração que é tão pernicioso assim? A resposta vem de forma clara: “Há no coração do ímpio a voz da transgressão...”. Deu para o leitor perceber o que acontece no interior do coração? Percebeu que ali, bem no santuário, no lugar mais oculto do homem há uma voz, e que essa voz não é a voz de Deus; não é voz da bondade, da fraternidade, da boa vontade do homem? De quem é essa voz? “... a voz da transgressão...”! Ora, se há uma voz é sinal que há alguém ali. Quem é que está ali? O nome de quem está no comando do coração do homem é transgressão.
Veja caro leitor, como o homem é descoberto imediatamente! Veja como as Escrituras vêm, quebra as trancas do portão, invade o lugar oculto e mostra o que está acontecendo ali? Veja amigo, como ninguém pode ficar oculto perante as Sagradas Letras? Veja como a Palavra de Deus é confrontadora e chega para desbancar todo orgulho, arrogância e prepotência humana? Veja amigo, como não há como esconder-se de Deus? Se fugir da Palavra revelada agora, fatalmente terá um confronto com ela no último dia. Bendito o homem que se achega humildemente perante a verdade escrita, e que não foge! A Palavra de Deus nos descobre para nosso bem eterno, a fim de que o homem humilhado encontre a resposta para sua miséria no Bendito Senhor que veio ao mundo buscar e salvar perdidos pecadores (Lucas 19:10).

sábado, 18 de dezembro de 2010

DEUS E O HOMEM – A GRANDE DIFERENÇA (2)

“Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos” (Salmo 36:1)
CONHECENDO O HOMEM (continuação):
Prezado leitor, nossa primeira atividade ao sondar este impressionante salmo é ver como a palavra de Deus revela quem é o homem. O leitor atento observará que os oito primeiros versos revelam aquilo que jamais conheceríamos, a não ser por meio da revelação escrita. A Bíblia descobre o homem, ela chega onde ninguém pode chegar, ela descobre o engano e as manipulações oriundas do coração enganoso e enganado, ela denuncia e revela o que ali está oculto. Ah! Quanto os homens fogem desse confronto! Quanto odeia essa investida da verdade no recôndito de seus corações! Eles gostam que a luz brilhe do lado de fora, porém odeiam quando a verdade chega para invadir as “salas ocultas” do seu coração, descobrindo toda verdade a seu respeito.
A verdade é que Deus revelou tudo a nosso respeito, e isso deve ser pregado com toda ousadia pelos arautos da verdade. O Deus da revelação escrita requer a verdade no íntimo, e não na superfície, como os homens tanto querem (Salmo 51:6). Estou plenamente convicto que o Salmo 36 versos 1-4 fechará toda boca; anulará toda vanglória; desmascarará toda hipocrisia; silenciará todo falso louvor e desmanchará toda arrogância e prepotência humana. Mas, quanto isso é salutar! Quando os homens conhecem o estado depravado de seus corações, certamente estarão no caminho certo do arrependimento. Ora, quando é que alguém busca o socorro médico? Não é quando está enfermo? Ultimamente satanás, por meio do falso evangelho está encobrindo a condição maligna do coração humano, por isso a falsa fé espalhou como erva daninha e, com efeito, a maldade prospera.
Convido o leitor para que juntos sondemos os primeiros quatro versos. Primeiramente veremos como o Espírito de Deus nos conduzirá no conhecimento do que está escondido no coração. Estou tomando a versão atualizada, porque vejo mais sentido na tradução: “Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos”. Vejamos bem que a Palavra de Deus está sondando o coração do não salvo: “Há no coração do ímpio...”. Você, leitor deve sondar o seu coração à luz da revelação bíblica. Não importa o que eu acho que sou; se pertenço a uma igreja ou não; se tenho bíblia, ou deixo de ter; se sou bonzinho ou não sou, etc. Devo curvar-me perante o fato que vim de um Adão caído; que a história a meu respeito é contada a partir da queda no Éden: “Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12).
Mas ao sondar seu coração à luz desses dois versos iniciais do salmo 36, você leitor perceber que você foi assim, mas agora é diferente, porquanto um dia você ouviu a mensagem do evangelho e sua vida foi transformada, certamente você irá se alegrar com tais verdades. Quem é da luz ama a luz, porquanto conheceu a verdade e a verdade o libertou (João 8:32). Os verdadeiros crentes não se escondem da revelação bíblica, eles andam continuamente à luz da presença divina e podem dizer juntamente com o salmista: “...grande é a tua benignidade para comigo, e livraste a minha alma das profundezas do Seol” (Salmo 86:11).
Entretanto, um coração endurecido estará fechado para o salmo 36:1-4. Corações em rebeldia contra a verdade selecionam os textos bíblicos que lhe interessam. Que caminho perigosíssimo! Meu amigo, não tente se esconder do Senhor! O Senhor conhece a triste condição do coração humano, e tudo foi revelado a fim de que sejamos humilhados e arrependidos. Cristo veio buscar perdidos, pessoas cujos corações foram descobertos pela verdade, mas que correm em busca do socorro e livramento proveniente da cruz. Os ouvidos do Senhor estão apurados para ouvir o clamor de uma alma aflita.