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terça-feira, 19 de agosto de 2014

VERDADEIROS CRENTES



“Através de teus preceitos obtive entendimento; por isso odeio todo caminho falso” Salmo 119:104

“...Por isso odeio todo caminho falso”. O Salmista tinha entendimento, e por causa dos preceitos divinos, ele detestava o pecado e a falsidade. Todo pecado é falsidade; pecamos porque cremos numa mentira, e no fim o mal promissor se converte em mentiroso, e descobrimos que fomos traídos.
Os corações verdadeiros não são indiferentes ante a falsidade, sua indignação se inflama; como amam a verdade, daí odeiam a mentira. Os santos de Deus nutrem um horror universal por tudo o que é contrário à verdade; os santos de Deus não toleram qualquer falsidade ou insensatez; os santos de Deus reagem contra todo erro doutrinal ou vida perversa. Aquele que é amante de um
pecado, mesmo que pareça bem insignificante, está inscrito no exército de todos os pecados; não devemos dar trégua nem parlamentar sequer com um só dos amalequitas, pois o Senhor faz guerra contra eles de geração em geração, e assim devemos fazer o mesmo.
É bom ser alguém que saiba odiar. O que isso significa? Alguém que odeia corretamente não odeia as pessoas, mas odeia “todo caminho falso”. O caminho do livre-arbítrio, da auto justiça, da busca egoísta, do mundanismo, da soberba, da descrença, da hipocrisia, da luxúria – esses são, todos eles, caminhos falsos, e por isso não só devem ser evitados, mas também abominados.
Este verso lido marca um grande avanço no caráter, e mostra que o homem de Deus está se tornando mais forte, mais ousado e mais feliz do que antes. Ele já foi instruído pelo Senhor, de modo que discerne entre o precioso e o vil, e enquanto ama a verdade fervorosamente, odeia intensamente a falsidade. Que todos nós alcancemos este estado de discriminação e determinação, de modo a podermos glorificar a Deus gloriosamente!


C. H. S.

domingo, 21 de outubro de 2012

A AÇÃO PODEROSA DA PALAVRA




“... Sim, as minhas palavras fazem bem ao que anda retamente” Miquéias 2:7
        A Palavra de Deus não é um livro mágico! Os falsos mestres estão tentando passar esta inverdade para a multidão incauta e supersticiosa em nossos dias. A Bíblia não é um livro para que eu a use a fim de descobrir nela o que melhor me agrada e o que mais pode favorecer minhas expectativas de favores passageiros. As Escrituras não foram dadas para funcionar como um mapa onde os homens podem achar o tesouro das prosperidades materiais. Satanás é o dono das riquezas, que tanto almeja ter o coração mundano e carnal. Ele oferece o seu mundo de prazeres aos homens em troca do serviço e adoração que prestam a ele, o pai da mentira.
        Podemos ver no texto de Miquéias 2:7 que a Palavra de Deus faz bem ao que anda retamente. Isso significa que ela não fará bem para alguém cujo viver é tortuoso. É perigosíssimo tentar forçar a Bíblia dizer algo que ela não está dizendo, porquanto o Nome Santo e a Honra do Grande Nome de Deus estão na Palavra Dele.
        Por que as Palavras do Senhor fazem bem ao que anda retamente? Em nada está subtendendo perfeição por parte daqueles que trilham os caminhos retos (Salmo 119:1). Para andar pelos caminhos da retidão é preciso primeiramente humilhação. Isso aconteceu quando a pessoa foi salva. Ela foi descoberta pelo raio x da lei de Deus; sua maldição por ter transgredido os preceitos do Senhor ficou marcada dentro do seu coração, e ele se emudeceu perante o Deus Santo, viu sua tremenda culpa e sua merecida condenação. Foi salvo quando se converteu a Cristo e a Poderosa Obra da Graça passou a Justiça e retidão de Cristo para tal pecador (2 Coríntios 5:21).
        Em segundo lugar, as Palavras do Senhor fazem bem ao que andam retamente porque tal alma convertida tem prazer pelos conselhos do Senhor. É uma ovelha que segue o Seu Pastor invisível, é uma alma humilde que depende inteiramente dos santos conselhos de Deus para trilhar pelo caminho estreito da retidão e da santidade.
        Em terceiro lugar, as palavras do Senhor fazem bem ao que anda retamente porque é o seu livro para seu viver. Tal alma tem prazer na lei do Senhor e nela medita de dia e de noite (Salmo 1:2). Por que fugir daquilo que tanto lhe faz bem? Por que se afastar, como Caim, da presença Bondosa e tão cheia de ternura do Salvador e Senhor? O genuíno crente precisa da Palavra de Deus constantemente. Ela não é usada como um chá para acalmar uma dor de cabeça, nem como calmante para os momentos de tensão e desespero.
         A Palavra de Deus para ele é a poderosa arma de combate contra o diabo, o mundo e a carne. A palavra de Deus é a fonte de poder para encher seu coração constantemente do amor de Deus a fim de servir melhor aos semelhantes. Enfim, a Palavra de Deus traz o brilho da esperança. Nela o santo de Deus pode vislumbrar as glórias da perfeição que lhe aguarda na sua Santa Cidade onde ele habitará para sempre.
                                       Enquanto ó Salvador, Teu Livro eu ler
                                       Meus olhos vêm abrir, pois quero ver
                                       Da mera letra além, a Ti Senhor
                                        Eu venho a Ti Jesus, meu Redentor!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A DESTRUIÇÃO DA FAMILIA



                           
                  
“Honrado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; pois aos devassos e adúlteros, Deus os julgará” (Hebreus 13:4).

         Satanás sempre lutou para destruir a família e essa destruição vem com a banalização do sexo. Homens e mulheres brincam e divertem com sexo hoje, como se Deus estivesse aprovando e felicitando-os com essa onda de maldade. É minha tarefa abrir os olhos de todos para que saibam o que Deus diz a respeito disso.
         Amigo olhe comigo no texto bíblico de Hebreus 13:4. Primeiramente vemos a ordem de Deus para que seja honrado o matrimônio e o leito sem mácula. Aquilo que Deus criou é perfeito, santo e puro. Mas os homens modernos acham que têm todo direito de arruinar a sociedade com suas maldades. Como é que os homens destroem a família?
1.      Destroem quando abandonam suas esposas e vão procurar felicidade em relações sexuais fora daquilo que é permitido por Deus.
2.      Destroem quando mulheres quebram a aliança feita com o amigo de sua mocidade e se enveredam por caminhos que aviltam seu caráter e joga na lama sua dignidade.
3.      Destroem quando os filhos são atirados ao desprezo, jogados em creches para que outros venham a criar. Quando o amor ao dinheiro ocupa o lugar daquilo que é mais importante do que pureza e virtudes. Filhos começam desde cedo a ver o caminho tortuoso de seus pais. As filhas são atiradas à lama da prostituição por ausência de pais que não as protegem.
4.      Destroem quando leis são criadas para promover liberdade sexual. Sexo fora do contexto matrimonial faz do moço um bandido e faz da moça uma prostituta. O ambiente na sociedade torna-se cheio de crueldade, sem qualquer segurança para os mais fracos.
         Mas no final do texto Deus afirma que: “...julgará os impuros e adúlteros”. A punição de Deus chegará, não tardará. Por essa razão os homens são chamados ao arrependimento. Não é para brincar com Deus! Não é para afrontá-Lo! Não é para ignorar Sua Palavra!
         Cristo Jesus veio ao mundo para purificar corações sujos e mostrar o caminho certo por onde homens e mulheres devem andar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Púlpito




Spurgeon
Se existe um lugar abaixo do supremo céu mais santo do que outros, esse lugar é o púlpito, onde o Evangelho é pregado. Ele é o campo das Termópilas1 do reino cristão, onde deve ser travada a grande batalha entre a igreja de Cristo e os exércitos invasores de um mundo perverso. É o último vestígio do que nos foi deixado de sagrado.
         Hoje não temos altares – Cristo é nosso altar. Mas ainda restou o púlpito, um lugar onde é preciso descalçar os pés por ser santo. Consagrado pela presença de um Salvador, estabelecido pela clareza e força da eloquência de um apóstolo, mantido e preservado pela fidelidade e fervor de uma sucessão de evangelistas que, como estrelas, marcaram a época em que viveram, gravando nela os seus nomes, o púlpito é legado àqueles que prestigiam tudo o que é grandioso e santo. Apesar disso, tenho visto homens impuros a subirem e a descerem dele. Que coisa terrível!
         Se existe um pecador de coração endurecido, esse pecador é o homem que peca e sobe ao púlpito. Temos ouvido a respeito de um homem assim, que cometeu os pecados mais abomináveis e que, finalmente, foi descoberto. Mas tal é a depravação da raça humana que, quando ele voltou a pregar, multidões se aglomeram ao redor desse monstro somente para ouvir o que ele diria. Soubemos casos, também, em que homens apanhados em flagrante insistiram, desavergonhadamente. Talvez sejam estes os pecadores mais difíceis de lidar. Porém, uma vez manchadas as vestes, longe do pregador pensar em subir ao púlpito! Aquele que ministra junto ao altar precisa de estar limpo. Todo cristão precisa ser santo, mas ele (púlpito), que busca servir a Deus, vez por outra, tem tido no seu meio um sol que era escuro em vez de brilhante, e uma lua que era uma mancha de sangue, ao invés de estar cheia de clareza e beleza.
         Feliz a igreja que recebe de Deus ministros santos, porém, infeliz é a igreja presidida por homens iníquos. Conheço ministros nos nossos dias que sabem mais sobre varas de pescas do que sobre capítulos na Bíblia, mais sobre raposas do que sobre ir atrás de almas de homens, que entendem muito mais de Primavera e de rede de pesca do que de redes para pescar almas ou de exortações sérias para fugir da ira vindoura. Todos conhecemos indivíduos assim: são os mais agitados nas festas dos ricos, os mais barulhentos ao brindar e tilintar os copos, os mais afoitos entre os poderosos, os mais alegres, descontrolados e dissolutos. Pobre da igreja que permite tal coisa. Bendito será o dia em que essas pessoas forem expulsas do púlpito; então, ele será “brilhante como o sol, claro como a lua e terrível como um exército com as suas bandeiras”.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

JOB E OS SEUS AMIGOS (3)



Por C. H. Mackintosh
         A história dos caminhos de Deus com as almas que nos apresenta este livro constitui o campo mais fértil para o nosso estudo; uma história do mais interessante, extremamente instrutiva e proveitosa. O principal e grande objetivo destes desígnios de Deus com as almas é o de produzir uma verdadeira contrição e humilhação de espírito; apartar de nós toda a falsa justiça; fazer com que nos despojemos de toda a confiança em nós mesmos e ensinar-nos a procurar em Cristo o nosso único amparo.
         Todos têm que passar através do que se poderia denominar «o processo de despojamento e esvaziamento de si mesmos». Uns experimentam este processo antes da sua conversão ou novo nascimento; outros, depois. Alguns são trazidos a Cristo passando por terríveis experiências e penosos exercícios de coração e de consciência, exercícios que podem durar anos e, às vezes, toda a vida. Outros, pelo contrário obtêm esta mesma graça através de exercícios de alma relativamente fáceis. Estes últimos apropriam-se imediatamente das boas novas do perdão dos pecados que foi possível por mercê da morte expiatória de Cristo. O seu coração enche-se de gozo em seguida. Mas o despojamento e a vazão do eu vem depois e, em muitos casos, pode sacudir a alma desde os seus próprios alicerces e até fazê-la duvidar de sua própria salvação.
         Isto é muito doloroso, mas absolutamente necessário. Em efeito, o eu, cedo ou tarde, tem que ser conhecido e julgado. Se não aprender a conhecê-lo na comunhão com Deus, terminará fazendo-o através da experiência amarga de alguma queda; “Para que nenhuma carne se glorie perante ele.” (1Co 1:29). E todos nós devemos aprender a conhecer a nossa absoluta impotência para tudo, a fim de poder gostar da doçura e do consolo desta verdade: que Cristo “para nós foi feito, por Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção (1Co 1:30). Deus quer vasos vazios. Não o esqueçamos. É uma verdade solene e necessária. “Porque, assim diz o alto e o sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos.” (Is 57:15). Também lemos: “Assim diz o Senhor: O Céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés: que casa me edificaríeis vós? E que lugar seria o do meu descanso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas estas coisas foram feitas, diz o Senhor; mas eis para quem olharei: para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” (Is 66:1-2).
         Que propícias são estas palavras para todos nós! Um espírito contrito e quebrantado constitui uma das necessidades mais urgentes do nosso tempo. A maior parte de nossas calamidades e dificuldades podem atribuir-se a esta necessidade. Os progressos que fazemos dia a dia, na vida familiar, na assembleia, no mundo, em toda a nossa vida prática, quando o eu é subjugado e mortificado, são verdadeiramente admiráveis. Milhares de coisas que sem este exercício seriam como uma chama que faz arder os nossos corações, são consideradas como nada quando as nossas almas se acham num estado verdadeiramente contrito.
         Podemos então suportar repreensões e insultos; passar por cima de menosprezos e afrontas; pisotear os nossos caprichos, predileções e prejuízos, assim como também ceder ante os outros quando não se vejam comprometidos princípios fundamentais; estar dispostos para toda a boa obra, manifestar uma agradável largura de coração em todas as nossas relações, e ser menos rígidos no nosso trato com os outros, de modo a adornar a doutrina de Deus, nosso Salvador. Mas, ai, quão frequentemente ocorre o contrário conosco! Manifestamos um temperamento teimoso, inflexível; contendemos a favor dos nossos direitos; inclinamo-nos para tudo o que nos outorgue algum benefício; buscamos os nossos próprios interesses pessoais; queremos impor as nossas próprias ideias. Tudo isto demonstra claramente que o nosso eu não é ponderado nem julgado de forma habitual na presença de Deus.
         Contudo, repetimo-lo com ênfase: Deus quer vasos vazios. Ama-nos demasiadamente para nos deixar na nossa dureza e teimosia; e por isso considera conveniente fazer-nos passar través de todo tipo de exercícios a fim de nos trazer para um estado de alma em que possa utilizar-nos para a Sua glória. É necessário que a vontade seja quebrantada, que a confiança própria, a auto-satisfação e o orgulho sejam arrancados pela raiz. Deus valer-se-á das cenas e circunstâncias pelas quais temos que passar, assim como das pessoas com que nos relacionamos na vida diária, a fim de disciplinar o nosso coração, e de quebrantar a nossa vontade. E, além disso, Ele mesmo tratará diretamente conosco a fim de obter estes formidáveis resultados práticos.
         Tudo isto se revela com grande claridade no livro de Jó, tornando as suas páginas sumamente atrativas e frutíferas. É muito evidente que Jó precisava ser fortemente cirandado. Podemos estar seguros de que se isso não tivesse sido necessário, o Deus de graça e de bondade não o teria feito passar por semelhantes provas. Sem dúvida, não foi sem um propósito que Deus permitiu a Satanás disparar as suas mortíferas flechas sobre o Seu amado servo. Podemos afirmar, com absoluta segurança, que Deus não teria procedido dessa forma se o estado de Jó não o houvesse necessitado.
         Deus amava a Job com um amor perfeito; mas tratava-se de um amor sábio e fiel, um amor que tinha em conta todos as minúcias da sua vida, e que podia penetrar no coração deste amado servo de Deus, e descobrir uma profunda e maligna raiz moral que Job jamais tinha visto, nem julgado. Que graça é ter que ver com semelhante Deus! Que graça é estar nas mãos Daquele que não regateia penas quando tem que avassalar em nós tudo que seja contrário a Ele, e lavrar a Sua bendita imagem em nós!
         Mas, querido leitor, não há algo profundamente interessante no fato de que Deus pode até servir-se de Satanás como instrumento para a disciplina de Seu povo? Vemos isto na vida do apóstolo Pedro, o mesmo na do patriarca Jó. Pedro tinha que ser cirandado, e Satanás foi utilizado para cumprir esta tarefa: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo” (Lc 22:31). Ali também havia uma necessidade imperiosa. Havia uma raiz profunda no coração do Pedro que tinha que ser posta a descoberto: a raiz da confiança em si mesmo. E o seu fiel Senhor considerou absolutamente necessário fazê-lo passar através de um processo severo e doloroso a fim de que essa raiz fosse trazida à luz e julgada. Por isso permitiu a Satanás cirandar a Pedro para que se conduzisse com mesura todos os dias da sua vida, e jamais voltasse a confiar no seu próprio coração.
         Deus quer vasos vazios, quer seja que se trate de um patriarca ou de um apóstolo. Tudo, no homem, tem que ser abrandado e subjugado a fim de que a glória divina resplandeça nele com um brilho inextinguível. Se Jó tivesse conhecido este grande princípio, se tivesse captado o objetivo divino, quão diferentemente se teria conduzido! Mas ele —como nós— tinha que aprender a sua lição; e o Espírito Santo, no texto inspirado, relata-nos a maneira como Jó aprendeu esta lição, para que assim também nós possamos tirar proveito dela.

Tradução de Carlos António da Rocha