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quarta-feira, 1 de julho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE DEUS (11 de 11)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
O PERIGO POR NEGLIGENCIAR A OPORTUNIDADE: “muitos procurarão entrar e não poderão”
        Muitos procuram escapar de maneira errada. Satanás criam fantasias religiosas e ilusões na mente e nas emoções. Uma das artes da natureza enganosa do pecado é fazer o homem sentir-se que está isento dos juízos. Eles acreditam no íntimo que conseguem fazer coisas boas aqui e que por isso escaparão. Outros, como Belsazar acreditam que os perigos passaram e que os avisos de advertências apagam como fumaça. Muitos são os que os que fogem ante o perigo, mas não demora quando eles retornam às suas maldades. Foi assim com o perverso Acabe, pois se humilhou de tal maneira que Deus retirou o juízo por um tempo, mas logo, assim que se viu tranquilo e calmo, eis que voltou às suas atividades de antigamente. Outros como Jezabel, nem mesmo a chegada da morte muda suas atitudes.
        Muitos procuram escapar agora sem que haja qualquer esforço do coração. Os que levam a palavra de Deus a sério são ágeis e fogem dos perigos. Notemos a vida da mulher de Ló, pois seu coração estava tão apegado à sociedade Sodomita que se tornou pesada em obediência; seus olhos pulsavam pelo anseio de retornar e preferiu ficar para se tornar uma estátua de sal. Para milhares a porta da salvação está fechada; milhares brincam com os sinais de juízos e divertem com o início da chuva, até que começam a ver a arca de Noé começando a boiar. Para muitos, nem mesmo as dores de uma forte e letal enfermidade removem as portas tão trancafiadas dos seus corações; mesmo tendo seu intestino saindo devido a enfermidade, Jeorão ainda não se humilhou nem gemeu anelando o perdão. Nem mesmo as dores da crucificação puderam romper os grilhões do pecado que dominavam aquele ladrão na cruz.
        Digo mais que o período da grande tribulação virá, quando Deus ordenará que os santos dos céus executem sua ira contra todas as nações; quando acontecimentos terríveis e infernais dominarão o mundo, mas mesmo perante os justos juízos caindo do céu mudarão os corações, trazendo arrependimento de tantas maldades cometidas. Tudo Deus fez no passado, faz hoje e futuramente fará para mostrar aos homens no mundo inteiro o quanto Seu coração é intensivamente tomado de compaixão, e que por isso ele avisa sobre a chegada dos Seus juízos.
        São muitos que brincam e divertem com seus pecados; muitos são os que zombam dos pregadores e ignoram os avisos dados pelos crentes. Mas quando chegam na hora final veem que a porta fechou definitivamente e que já foram algemados e amordaçados pelo terror da morte. Um jovem estudante de medicina se divertia com um cadáver numa sala de dissecação, até que de repente foi acidentalmente ferido por uma agulha infectada. Quando percebeu já era tarde e foi marcado para morrer. Então, toda zombaria cessou e todo ambiente ficou marcado pelo terror da morte.
        Muitos pensam que há pessoas que no inferno se arrependem. Quanto engano! Arrependimento vem de Deus e Ele concede isso aos que O buscam de todo coração. São os que realmente se arrependem que correm para a porta estreita, buscando em Cristo o escape. Hoje mesmo o Senhor está perto e pronto para salvar todos quantos buscam Sua salvação. A arca da salvação que é Cristo tem agora sua porta aberta e os que podem ver que não há livramento noutro lugar querem buscar escape nesse lugar de refúgio eterno. “No poder de Cristo o Mestre minha vida salva está!”












terça-feira, 30 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE DEUS (10 de 11)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
O PERIGO POR NEGLIGENCIAR A OPORTUNIDADE: “muitos procurarão entrar e não poderão”
        Finalizo esta mensagem mostrando os perigos que rondam muitos, pois o tempo mesmo nos mostra isso na linguagem do nosso Senhor: “muitos procurarão entrar e não poderão”. Nosso Senhor sempre lida com os homens assim, pois mostra a verdade de forma clara e simples e depois traz a aplicação daquilo que Ele mesmo expôs e é exatamente isso o que Ele faz no texto. Ele respondeu aquela interrogação do homem, mas de forma prática, mostrando a responsabilidade de cada ser humano; mostrando que conhecimento teórico de nada resolve; a porta estreita está perante todos como sendo o único meio de escape e todos devem ser acordados para a responsabilidade de escapar do juízo.
        Mas o que ocorre é que milhares negligenciam e acham que vão escapar de uma forma ou de outra. Jonathan Edwards diz em seu livro “Pecadores nas mãos de um Deus irado”: “Há no íntimo dos homens naturais o pensamento de que, de uma forma ou de outra eles escaparão do juízo”. Tentarei mostrar como os homens tentam evitar o juízo, mas do modo deles, tudo porque não ouvem a voz de Deus, por isso acham que existem outros meios de escapar. Eles fogem do amor acolhedor de Deus e nem percebem que estão indo em direção à ira do próprio Deus. Era para Faraó ficar com seu exército no Egito e não desafiar Deus e ao fazer isto eles pereceram nas águas do mar vermelho. Pobres homens e mulheres iludidos no coração! Para eles o que Deus fala não tem qualquer valor. Normalmente os avisos de Deus vêm de modo simples. A arca de Noé podia ser simples e Noé parecia ser louco, mas era o aviso de escape, era a porta estreita exposta perante os olhos da multidão naqueles dias.
        Sempre Deus está mostrando aos homens que a porta de escape é simples e é algo irracional aos olhos dos homens. As coisas de Deus sempre são vistas como loucuras pelos homens, porque para eles as coisas devem ser vistas de um modo lógico, mas a lógica dos homens não passa de loucura para Deus. Para os homens se não houver sinais claros, então não há razão de correr para escapar. Não havia qualquer sinal de chuva nos dias de Noé, por isso o povo considerava loucura. Não havia qualquer indício de juízo em Sodoma e Gomorra, o dia era lindo e o céu estava limpíssimo. Mas as palavras de Deus ressoam com clareza e nitidez para os que creem. O fugir, escapar, correr para buscar abrigo, tudo isso só desperta os que creem, por isso Noé construiu a arca e Ló fugiu para o monte.
        Lembremos bem que o juízo está cercando os homens neste mundo, mas quando Deus mostra esses fatos é porque Ele exibe a todos aquela portinhola aberta e só passa um de cada vez – a porta estreita. Nos dias de Jeremias era mais fácil para o povo judeu acreditar nas lindas e belas palavras dos falsos profetas do que na mensagem do homem de Deus. Jeremias não falava por si nem de si. Ele relatava o que Deus havia dito no livro de Deuteronômio. A nação rebelde seria destruída, milhares seriam mortos e outros milhares deportados. Jeremias avisava que o perigo vinha do norte – os caldeus. Mas eles não acreditavam. Quando havia algum indício de arrependimento, o Senhor ordenava a Nabucodonosor que ficasse parado, mas quando o povo retornava à maldade, a ordem vinha e os perversos caldeus marchavam em direção à Jerusalém.
        Tudo isso vem mostrar aos homens que não há como escapar dos juízos eternos de Deus se os pecadores não correrem para o abrigo seguro firme e eterno, o grande salvador e Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE DEUS (9 de 10)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
O PERIGO POR NEGLIGENCIAR A OPORTUNIDADE: “muitos procurarão entrar e não poderão”
        O que realmente significa “esforçai-vos”? Podemos perceber com facilidade que nenhum homem em seu estado natural há de querer esforçar-se para entrar pela porta. Por natureza o homem não se dispõe para isso, porquanto, em sua cegueira ele nada vê de qualquer perigo. Ele luta contra os perigos daqui e se protege ao máximo contra doenças, ladrões e contra a morte física, mas não ergue um dedo sequer para escapar dos perigos do juízo eterno e da ira de Deus. Quando há esforço para entrar pela porta estreita, conforme a ordem do Senhor é porque algo novo ocorre em seu coração; sem dúvida o Espírito de Deus operou viva fé em seu ser, abrindo sua visão e audição espiritual. A fé que vem de Deus é o sinal claro que um novo homem tomou o lugar do homem natural, que houve um milagre e que agora as intenções são eternas e a pessoa pode ver o que jamais havia presenciado antes. Além disso, a fé verdadeira supera todos os obstáculos para alcançar aquilo que traz segurança eterna: “Ó minha alma, sem demora ergue-te para entoar os louvores do teu Cristo e Seu nome celebrar!”. As atividades da fé são extraordinárias, porque ela sobe às alturas a fim de conquistar Deus; o olhar do que crê mira o trono de misericórdia e humilhado exclama: “Quem me poderá salvar?”
        É meu intuito agora entrar no terceiro e último assunto que envolve esse tema. Ora, o texto nos chama a cumprir essa missão: “muitos procurarão entrar e não poderão”. Normalmente os homens naturais só são despertados para os perigos que envolvem sua alma quando é tarde demais. Muitos até mesmo são ousados em desafiar a morte e o inferno, como faziam os líderes de Jerusalém (Isaías 28). Eis o desempenho de loucura dos homens no pecado, pois acreditam que são espertos e capazes de desafiar poderosos e até mesmo Deus. Muitos até mesmo se veem capazes de fazer planejamento de uma suposta conversão perto da morte, crendo que a decisão é deles e não de Deus. Se tomarmos o primeiro capítulo de Provérbios vemos que Deus simplesmente chega para danificar os planos arrogantes. Ele diz ali que quando sobrevier o desespero, como a chegada de uma tempestade, eis que clamarão, porém não serão ouvidos.
        O que acontece é que quando satanás se coloca como o deus deste século, então ele ilude os homens religiosamente, de tal maneira que milhares pensam que estão procurando Deus, quando na realidade estão buscando seus interesses por meio de superstições. Tenho examinado muitos que hoje correm em busca de bons sentimentos e muita sorte na vida, têm achado num suposto jesus criado pelo evangelho da nova era. Muitos nem mesmo sabem da vida eterna estão se sentindo bem. Preguei numa igreja onde o ambiente era de muito louvor e bons sentimentos de amor, mas a verdade é que nada havia ali preparado para ouvir o chamado ao arrependimento. É triste, mas é pura verdade que o evangelho foi tirado e em seu lugar outro sistema foi inventado para admitir o maior número de pessoas. Nem preciso dizer quanta urgência há pela necessidade de um avivamento em nossos dias, pois tudo está sendo encaminhado pela loucura religiosa promovida pelo ecumenismo.
        Mas a verdade continua e o apelo vem para que homens e mulheres se arrependam e corram para a porta estreita, à busca de socorro e livramento. Não há como escapar da ira de Deus, a não se que pecadores busquem agora mesmo o grande o glorioso Mediador – Cristo Jesus Homem.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE DEUS (8)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
A ATITUDE DE CADA SER HUMANA EM FACE DA SUA RESPONSABILIDADE: “Esforçai-vos”
        Quero agora meditar um pouco mais no termo usado por Cristo: “Esforçai-vos”. O esforço vem como uma reação em face do perigo. Se atravesso uma avenida movimento, eu me apressarei em correr ao ver que um carro está vindo e poderei ser atropelado. Li a respeito de um homem que levava sua esposa ao hospital, pois ela estava sentindo as dores de parto. Eis que um pneu do seu carro caiu num buraco, mas naquela angústia ele reuniu forças e conseguiu tirar a roda e levar a esposa para chegar em tempo no hospital. A função da mensagem do evangelho é fazer com que os pecadores vejam os perigos e busquem socorro. Mas você vai argumentar dizendo que a busca por socorro é atividade do livre-arbítrio. Mas é justamente o contrário, porque o livre-arbítrio ensina que há liberdade no homem em tomar uma decisão. Ao ver o perigo o homem busca socorro e não a decisão de ir. Foi isso que nosso Senhor quis dizer quando mostrou a porta estreita como escape. Ninguém vai querer escapar de um prédio quando tudo está normal ali, mas buscará socorro quando se vê cercado num incêndio.
        Também, o esforço em correr para entrar pela porta estreita é algo da própria graça de Deus. Nenhum pecador verá qualquer perigo eterno, sem que Deus lhe abra os olhos para enxergar tal perigo. Pilatos resolveu lavar as mãos, achando que era uma boa justificativa para escapar. Judas em seu orgulho resolveu por um ponto final em sua vida pelo enforcamento. Há peixes no oceano que não tem visão nenhuma, mas Deus deu a eles poder de localizar presas. Mas aos homens no pecado não há qualquer elemento de esperteza para perceber os perigos eternos que lhes rodeiam. Eles sempre correrão para o braço forte dos homens, ou mesmo para seus ídolos e bens, menos para Deus. Assim podemos perceber que ao lidar com a responsabilidade dos homens aqui, Deus está exibindo o quão rico e maravilhoso Ele é em Seus atos de misericórdia, como é em Seus atos de juízo.
        Mas há o esforço da fé. Não tem algo mais belo neste mundo, aos olhos de Deus do que ver homens e mulheres à busca daquilo que a natureza carnal e egoísta do homem jamais busca. A primeira atividade da fé é buscar a comida e bebida que suprirão a fome e a sede da alma e isso não é atividade da livre-iniciativa do homem, pois é algo sobrenatural, jamais produzido pelo homem ou pelo mundo. Quando isso acontece vemos que é obra de Deus: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:2). Não há algo que mais causa medo aos homens aqui do que a falta de comida e bebida. Então, podemos notar que quando Deus trata com a responsabilidade do homem, Ele o faz na base de que o homem natural falhou, assim como um servo falha em seu compromisso. Ao tratar o homem como um ser responsável Deus, em Sua bondade mostra que ele será julgado, que o Juiz está à porta. Deus diz que o homem não ficará impune, que ele não é como os animais, que ele foi feito à imagem e semelhança de Deus, como coroa da criação de Deus e que a queda foi algo terrível. Mas ao mesmo tempo Ele aponta o lugar de escape, como Jesus apontou para aquele judeu curioso. Se Ele há de usar de graça salvadora, isso é com Aquele que é livre para agir com compaixão com que Ele quiser. Se um rei tem mil inimigos e em seu decreto ordena que todos sejam executados, se usar de compaixão com cem deles, ele o faz porque quer fazer.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE DEUS (7)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
A NOSSA RESPONSABILIDADE PERANTE DEUS. “Esforçai-vos...”
        No texto de Lucas 13:22-24 estou tentando mostrar o quanto o Senhor Jesus chama aquele homem à sua responsabilidade diante do iminente perigo que lhe cerca. Todo meu esforço tem em vista mostrar aos meus leitores que não há nisso qualquer elemento de livre-arbítrio. Quando nosso Senhor mostra a porta estreita, Ele está dizendo que ali está a resposta misericordiosa de Deus para os pecadores; pelo evangelho o Deus da bíblia mostra a luz da verdade que brilha, Ele não deixou o mundo em trevas, Ele não escondeu a verdade e todos podem ver; Deus quer mostrar que todos, em todas as nações são indesculpáveis perante Ele. Como homens, seres humanos criados à imagem de Deus e postos no mundo para a glória de Deus, eles não têm desculpas para adorar seus ídolos, ao invés de prestar santos louvores e adoração ao Criador.
        Outro detalhe é que nosso Senhor dá esse enfoque de responsabilidade aos judeus, por eles serem os despenseiros das revelações escritas. Paulo trata sobre isso em Romanos, especialmente no capítulo 2. Quem recebeu mais luz, mais responsável se torna e uma atitude de irresponsabilidade perante Deus, torna a pessoa digna de maior castigo da parte de Deus. Nosso Senhor várias vezes ilustra essa responsabilidade da parte dos judeus usando acontecimentos que foram narrados na história do Velho Testamento. Por exemplo, Ele fala da Rainha de Sabá, a qual veio de longe visitar Salomão, por causa da sabedoria daquele rei. Então o Senhor volta para os judeus e com séria advertência diz: “Aqui (referindo a Ele mesmo) está quem é maior que Salomão”. Já citei aquelas três cidades Betsaida, Corazim e Cafarnaum (Mateus 11), onde o Senhor havia feito tantos milagres e a população não se arrependeu, e como ele cita Sodoma e Gomorra, Nínive e Tiro, mostrando que o juízo sobre aquelas cidades seria pior do que ocorreu com essas.
        Assim, minha esperança é que os ouvintes atentos estejam realmente compreendendo essa lição. A queda no pecado, o fato que os homens são escravos, mortos em seus delitos, inimigos de Deus, etc. nada disso retira a responsabilidade que cai sobre cada indivíduo neste mundo. O grande Juiz, grande Criador, o dono absoluto do céu e da terra, Ele afirma que não anota a ignorância dos homens, pelo contrário, Ele está como que dizendo: “Vocês me traíram, roubaram a glória que me pertence, furtam minha criação a fim de viver como bem querem, entre outras coisas e mesmo assim vocês acham que não vão escapar?”
        Em tudo o Senhor grita aos homens em tom de compaixão; Ele orienta, mostra que todos estão pisando um terreno santificado e que a terra com frutos e toda condição feita para o bem-estar do homem pertencem a Ele. Se Ele mostra a porta estreita, um lugar onde o pecador pode escapar, Ele o faz devido a imensidão de Suas misericórdias, como diz Jeremias em Lamentações 3:21: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque Suas misericórdias não têm fim, elas se renovam a cada manhã”. Por isso o evangelho é a boa nova que vem do céu, por meio de uma revelação especial. A criação proclama com voz inaudível a mensagem de um Criador onipotente e assim toda boca é fechada e toda língua há de confessar a glória desse Deus. E a conversão do pecador? Então é outro detalhe, porque aí entra o trabalho da graça, que somente homens e mulheres escolhidos, mostrando isso no arrependimento, poderão ouvir.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE DEUS (6)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
A NOSSA RESPONSABILIDADE PERANTE DEUS. “Esforçai-vos...”
        Estou me esforçando para explicar que a responsabilidade do homem nada tem a ver com o livre-arbítrio. O que vemos no texto de Lucas 13:22 é que o Senhor chama todos os homens para o fato que eles individualmente são responsáveis diante do todo-poderoso. Examinemos bem o texto, porque nosso Senhor mostra o escape: “A porta estreita”. Eis aí o esplêndido trabalho da misericórdia desse Deus santo, porque mesmo os homens sendo culpados, mesmo assim Ele expõe a porta de escape. Foi isso o que nosso Senhor falou com Jerusalém: “Jerusalém, Jerusalém que matas os profetas, quantas vezes quis eu ajuntar-te, como a galinha ajunta seus pintainhos, mas não quisestes!”.
        Eis aí uma das mais poderosas lições que temos sobre esses atos compassivos e longânimos de Deus em favor daquele povo. Mas, qual foi a resposta de Jerusalém para os atos de bondade do Senhor: “Vós não quisestes!”. Assim a atitude natural deles em rejeitar os caminhos santos de Deus mostra que eles são responsáveis e que jamais acharão qualquer indício de injustiça. Notemos essa verdade em Jeremias 6:16, onde Deus, pela boca de Jeremias exorta o povo a olhar o caminho direito por onde santos andaram, mas eles não quiseram. Foi isso o que Estêvão disse àqueles líderes religiosos, antes de ser trilhado pelo apedrejamento: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais” (Atos 7:51). O resultado foi a morte de um homem inocente.
        Toda ação de Deus em favor de uma raça caída é dizer aos homens o quanto Ele é tardio em irar e que em tudo Ele estende um visual de bondade e de aberturas, mostrando que há escape. Com a entrada do pecado Deus não começou a puxar o punhal, nem o revólver. Mesmo com o avanço da maldade na face da terra, sob a liderança de Caim, o Senhor deu longos anos à raça caída, a fim de mostrar Seu favor, a fim mostrar enfim, quão justo e aterrorizante é o Seu juízo, como foi com o dilúvio. Na pregação, nos Seus ensinos, em Suas advertências, nas palavras de Sua sabedoria, o Senhor está falando com homens naturais, dizendo a eles que são responsáveis diante Dele e que vão prestar contas. As aulas de um Deus Criador, benigno, bondoso e fiel, todos os homens podem e devem ouvir; essa escola todos devem entrar. Não estamos tratando da graça salvadora aqui. Quando Ele aponta a porta estreita, Ele está como que dizendo: “Virá aquele dia do juízo e milhares do mundo inteiro vão assentar-se a mesa com Abraão, Isaque e Jacó e muitos vão ficar do lado de fora”.
        Então, posso assegurar que a questão de quem vai entrar ou não é outra lição. Dentro deste reino terreno entendemos que cada pessoa é responsável, mas dentro do reino de Deus entra então a vontade soberana. Quando pregamos o evangelho num culto, se estiver cem pessoas não salvas, todas elas devem saber que a porta estreita está aberta. Estamos apelando para a responsabilidade, estamos avisando os homens acerca do perigo, mas quem vai entrar, isso não sabemos.
        Quem pode explicar esses atos de amor desse grande Deus? Ali em Jericó estava uma cidade inteira armada atrás de uma muralha, sabendo que enfrentava o Deus de Israel. Os longos anos de paciência estavam chegando ao fim e Deus estava dizendo que todos ali iriam morrer, mas só Raabe e seus familiares escaparam. Então, vemos o que significa o trabalho da graça. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”. Quando homens caem diante do Deus de Israel, que maravilhosa obra em estender Sua mão para chamar quem Ele bem quer chamar.

terça-feira, 9 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE DEUS (5)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
A NOSSA RESPONSABILIDADE PERANTE DEUS. “Esforçai-vos...”      
        O termo “esforçai-vos” não indica que Deus está ordenando que os homens usem o livre-arbítrio? Aparentemente sim, mas quando olhamos friamente, à luz da verdade revelada, vemos que Deus está tratando com o homem natural, conforme eles são diretamente responsáveis diante Dele. A mensagem do evangelho primeiramente lida com o orgulho inerente do homem; quer mostrar o quanto ele é realmente culpado em não dar a Deus a glória que Lhe é devida; o quanto ele, tendo tudo ao seu dispor, ainda assim atribui a glória à criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Deus está cercando o homem e dizendo que eles não vão escapar, em tudo Ele está mostrando que a única esperança está em que eles se humilhem. Foi assim com o rei Acabe, quando ouviu a sentença de juízo sobre sua descendência por boca de Elias (1 Reis 21).
        Sigamos o raciocínio bíblico, para que não sejamos tomados pelo engano. Se quisermos entender o livre-arbítrio do homem, ao lidar com o homem natural em sua responsabilidade, neste caso Deus está como que dizendo: “Tome agora a decisão, use sua volição para se humilhar, porque você verá que não pode correr para mim”. Na realidade Deus está mostrando o perigo que cerca o homem nesta vida; que para todo lado ele está cercado e não pode escapar. No caso de Acabe, o período de humilhação dele não mudou seu coração. Mudança do coração é tarefa da graça de Deus e não do livre-arbítrio do homem. O livre-arbítrio do homem o fará sempre fugir de Deus, como um peixe foge do lado de fora da agua. A queda do homem no pecado, sua condição de caído, morto em seus delitos, condenado ao inferno, debaixo da ira de Deus e em condição de escravo, essas verdades não são levadas em conta quando Deus o chama a ver sua responsabilidade. Essas verdades são mostradas pela graça e somente os que foram salvos podem vê-las.
        Para um maior esclarecimento, notemos bem como o Senhor Jesus em Mateus 11 lança Seus “ais” amaldiçoantes sobre as cidades de Betsaida, Corazim e Cafarnaum. Ele não faz apelo ao povo ali para tomar decisão para a salvação deles. Ele mostra como foi que a misericórdia de Deus cercou aquele povo e eles viram e ouviram coisas que outros povos que morreram jamais puderam ouvir. Então, de repente, no verso 25 o Senhor passa a conversar com o Pai, mostrando que o assunto da graça salvadora e dos juízos santos são mistérios que envolvem apenas a divindade e que o Filho revela apenas aos que Ele quiser revelar. A criação perfeita está cercada de sabedoria, como nos ensina Provérbios 8, por isso Deus chama todos os homens, não importa se são religiosos, pobres, ricos, cultos ou ignorantes, todos são chamados  a entender que são responsáveis e que o juízo é justo.
        Outro detalhe de grandíssima importância é que, mesmo que não houvesse a revelação especial – a bíblia, mesmo assim toda criação, com voz inaudível, mas com os pregadores chamados de sabedoria, justiça e poder, eles sabem sim que são responsáveis e que realmente merecem o castigo eterno que virá. As palavras da bíblia aparecem apenas para documentar a miséria deles; é para que toda língua se cale e toda boca confesse a glória de Deus, queira ou não queira. Olhando do ponto de vista natural, o livre-arbítrio do homem é chamado a cair e não a subir, porque o homem pode cair, mas não subir. Foi exatamente isso o que nosso Senhor mostrou aos moradores de Cafarnaum, Betsaida e Corazim: “Subirás ao céu? Serás abatida até ao inferno”.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE (4)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
A NOSSA RESPONSABILIDADE PERANTE DEUS. “Esforçai-vos...”
        Agora é o momento para que vejamos o assunto sobre a responsabilidade do homem, conforme nosso Senhor a expõe no texto: “Esforçai-vos...”. É lógico que muitos pensam que responsabilidade do homem é igual ao livre-arbítrio. Quem pensa assim está muito enganado. Mas é justamente esse o tema que mais faz vibrar os corações humanistas, no que tange a decisão dos homens para a salvação. Porém, nosso Senhor nunca lidou com o livre-arbítrio, porque é lógico que, para a salvação e decisão em relação a Deus o homem não tem.
        Mas a responsabilidade sim e isso não trata de buscar a salvação, mas sim de buscar a humilhação. Mas você me pergunta: “David Sena, o texto não está mostrando que o homem tem o livre-arbítrio, quando o Senhor diz: esforçai-vos?”. Não! O Senhor está mobilizando os homens a encarar o fato que eles vão ter que enfrentar o juízo, e esse fato, todos devem enfrentar já. Por essa razão quero expor o assunto e espero que eu o faça com ardor, a fim de ajudar os que buscam entender o assunto.
         Entendamos que a nossa queda no pecado e a miséria não nos isenta da nossa responsabilidade. Se o inimigo me deve, ele tem que me pagar, não importa se quer distância de mim ou não. Os resultados trágicos do pecado dizem que os homens vão pagar caríssimo por aquilo que praticarem. Foi assim que Deus encarou Caim. Ele matou seu irmão e agora seria como um fugitivo na terra. Interessante é que Deus mostrou-lhe o caminho que deveria tomar, pois havia um Deus de compaixão. Veja bem o quanto Deus está expondo as mesmas maravilhas da Sua compaixão para aquele assassino.
        Sempre a bíblia nos mostra o quanto Deus age com Sua misericórdia. Ele não traz Seu juízo, antes de mostrar o quão longânimo e compassivo Ele é. Ele está lidando com homens responsáveis, homens que caíram propositalmente, homens que hão de prestar contas perante Ele um dia. Ele não está pedindo que eles busquem a salvação; Deus está falando com homens naturais e não espirituais; Suas palavras clamam para que eles caiam perante o bondoso Criador, para quem eles deram as costas. O evangelho faz isso e foi essa a mensagem de todos os profetas, num esforço para que eles a nação de Israel voltasse para ouvir a mensagem de juízo. Notemos bem aquele homem no texto acima, porque ele quer ouvir de assunto que nada tem a ver com a sua condição perante Deus. Os homens no pecado estão sempre se esquivando, estão buscando outros assuntos e se desviam da verdade, não querem enfrentar a luz.
        Também, a nossa ignorância não nos isenta da nossa responsabilidade. Quando Paulo pregou em Atenas, na Grécia (Atos 17), Paulo encarou aqueles homens ali com a responsabilidade. Paulo não pediu para eles buscar a salvação. Eram eles um povo culto, mas a cultura deles os impulsionava a venerar ídolos e não o Deus vivo e verdadeiro. A cultura deles os tornava elementos tão rudes quanto os bárbaros e ignorantes. Paulo os encarou seriamente na cultura deles, falando do Deus que eles desconheciam e mostrando que eles, viviam, moviam e existiam nesse Deus. Paulo finaliza mostrando que eles iriam fatalmente encarar o juízo através do Varão destinado. Assim, a ignorância espiritual não livra ninguém de sua responsabilidade, por isso todos, em todo lugar devem saber que devem se humilhar perante Deus. Quanto a salvação, isso é com Ele.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE (3)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
A CEGUEIRA DO PECADO IMPEDE QUE VEJAMOS NOSSA RESPONSABILIDADE (verso 23)
        Estou tratando ainda sobre o fato que a cegueira do pecado impede que o homem veja a sua responsabilidade e ouso adicionar o fato que o sentimento de bem estar neste mundo faz isso. O sistema mundo funciona como o oceano do pecado e os homens sentem bem respirando esse perigoso oxigênio. O mundo oferece um ambiente mui agradável, porque onde habita o pecado não pode habitar nada mais além daquilo que trata desta vida. Se os homens querem saber de justiça, eles meditarão na justiça terrena; na bondade, no amor, na família, na religião, na divindade, no progresso, etc., mas tudo será visto deste ponto de vista terreno passageiro. Se quiser entender isso melhor examine o livro de Eclesiastes, pois ali tudo é visto no fundo desse oceano de aparente paz – o mundo. Note bem que não estou falando da terra, da criação, tudo o que veio da fascinante e perfeita criação de Deus. Refiro ao mundo organizado (cosmos); refiro-me a este sistema bem preparado para nossa entrada pelo nascimento e saída pela morte. Nosso Senhor com Sua maestria em nos ensinar, passa as verdades a nós a respeito deste sistema enganador onde o povo Dele
        Deus afirma que essa atitude dos mundanos é loucura. Vemos essas advertências em toda bíblia. No Velho Testamento, através dos Seus profetas o Senhor fala a todos os homens, até mesmo adverte as nações daquele tempo; fala também aos judeus, especialmente porque foi o povo com quem Deus fez aliança. Notamos isso no Novo Testamento, nas palavras de Jesus, de João Batista e dos apóstolos, pois tudo estava envolvendo os homens com suas responsabilidades diante de Deus. Foi exatamente isso que nosso Senhor passou para aquele homem no texto de Lucas 13, e usando o assunto para expor os perigos que virão, caso os homens agora não se arrependam. Também é certo que as coisas deste mundo servem de perigosa armadilha, tirando os homens da responsabilidade que cada um tem. O amor ao dinheiro é o laço mais eficaz usado no mundo para prender milhares. Aqui no Brasil temos visto os efeitos desastrosos da corrupção que alastrou em todas as áreas que envolvem a sociedade. O desejo por ter dinheiro e mais dinheiro, com ganho desonesto tem tomado o coração dos políticos e suas manobras têm enfeitiçado suas mentes, de tal maneira que eles não pensam nas consequências aqui e na eternidade.
        Também, as nossas concepções teológicas não removem a responsabilidade dos homens. Eu mesmo creio de todo meu coração nas doutrinas da graça e essas puras doutrinas para mim constituem o verdadeiro evangelho. Já presenciei e li muito acerca da responsabilidade do homem, e os resultados sempre foram que Deus espera que o homem tome uma decisão para Deus. Mas a bíblia em nada nos ensina isso. A responsabilidade do homem consiste em saber da verdade de Deus e se humilhar perante essas verdades. Todos os homens e mulheres no mundo devem saber que são responsáveis; todos devem saber que são culpados. O fato que são mortos no pecado e que nada podem fazer por si mesmo para salvar já é motivo suficiente para que eles entrem em desespero e busquem socorro. Todos devem saber que vão ter que enfrentar o horroroso e inescapável juízo de Deus. O evangelho puxa a lei consigo para primeiramente perfurar os corações endurecidos e fazer com que toda boca esteja fechada diante de Deus.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM PERANTE (2)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
A CEGUEIRA DO PECADO IMPEDE QUE VEJAMOS NOSSA RESPONSABILIDADE (verso 23)
        Deixo a introdução da primeira página, a fim de entrar na exposição do texto, conforme mostra o verso 23. A pergunta daquele homem: “Senhor, são poucos os que são salvos?” mostra como o homem esquece de sua necessidade de se humilhar perante Deus. O que acontece é que a tendência é ser curioso e entrar em assuntos que não são necessários para o momento. Não foi assim com os atônitos discípulos, quando o Senhor estava prestes a subir para o céu? (Atos 1). Eles queriam saber algo que o Filho afirmou ser reservado ao Pai. Pois é, foi assim com o judeu que curiosamente queria saber sobre quantos são salvos. Notemos que nosso Senhor não lhe dirige resposta ofensiva, mas sim procura coloca-lo no lugar certo. Para que saber quantos serão salvos? Não é nessa interrogação que mais eleva o homem no orgulho, ao querer entrar nos mistérios de Deus?
        Acontece que nossas interrogações que envolvem assuntos não importantes para o momento só revelam nosso orgulho próprio, ou mesmo uma tentativa de encobrir sua condição de culpa perante Deus. Os que têm sede não querem saber sobre a composição química da agua, eles querem beber por causa da sede. O sedento não pegará o copo de água e levará para uma sala de estudos. Assim, a salvação de Deus e quantos serão salvos não era uma pergunta importante nem sábia. Já lidei com muitos que têm perguntas bíblicas, mas que jamais se interessavam em saber sobre sua condição eterna perante Deus. Os judeus mostraram ser relapsos na questão religiosa, por não interessar em ouvir sobre a condição deles no pecado. Quando homens encontram uma religião errada, mas que é confortável, eles a tomam como um gostoso lugar de descanso.
        Também, por detrás dessas perguntas há um orgulho em achar que é muito espiritual e de grande interesse por profundidade teológica: “...são poucos os que serão salvos?”. Na resposta do Senhor vemos como Ele desmancha essa atitude presunçosa. A bíblia nos chama à realidade individual diante de Deus, pois cada um dará contas de si mesmo. Os ensinos divinos nos dão “beliscões” que muitas vezes doem. Creio que o assunto mais ignorado da bíblia é sobre nossa condição como caídos, culpados e condenados diante de Deus. Mas o que vemos é uma tentativa de passar por cima disso e ignorar nossa triste situação, assim como fazemos de tudo para não ir a um médico, porque não queremos ouvir sobre uma doença grave que porventura temos. Parece que enquanto a dor não vem com intensidade os homens acham que podem passar sem os solenes avisos de Deus.
        Falo isso porque é o que mais vemos hoje, numa sociedade que se envolve com assuntos periféricos e não com aquilo que é de fato importante. Quando Paulo chegou em Atenas, o que ele começou pregar para aqueles homens cultos, mas idólatras, imediatamente o apóstolo os colocou diante da situação de responsabilidade que cada um tinha diante de Deus: “Deus não leva em conta o tempo da ignorância...” (Atos 17). Por que quero saber quantos são os eleitos? Por que o assunto não me leva a buscar se meu viver prova se sou um dos eleitos de Deus? A Nova Jerusalém estará lotada de pessoas salvas do mundo inteiro. Eu estarei lá? Sou um dos remidos? Meu nome está escrito no Livro da vida? Enfrento esse fato com humildade diante de Deus? Minha esperança é que o assunto venha mover nossos corações.

terça-feira, 2 de junho de 2020

A RESPONSABILIDADE DO HOMEM (1)



“Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. E alguém olhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:22-24)
INTRODUÇÃO:      
        A pergunta feita por aquele homem a Jesus sobre quantos iriam ser salvos mostra que somos iguais e que nossas perguntas curiosas vem apenas para encobrir nosso desejo de continuar transitando o caminho largo ignorando nossa responsabilidade de conversão. Nosso Senhor com profundo amor vai de encontro aquele homem trazendo para nós uma grande lição acerca da urgente responsabilidade de cada ser humano em buscar a sua salvação ante a tão grande oportunidade que Deus tem proporcionado.
        Eu creio que este é um assunto de imensa importância em nossos dias, especialmente porque há uma busca pelos ensinos acerca da soberania de Deus. Não vejo algo errado em entender as maravilhas da soberana atuação de Deus, ao tratar sobre eleição, depravação, redenção limitada, graça irresistível e segurança eterna. Sim, são fatos maravilhosos e cheios de riquezas que enchem a visão dos eleitos de prazer e santas emoções. Mas o fato é que temos a tendência de dar ênfase a alguma coisa em detrimento de outras. O que acontece é que se os homens não enxergarem sua responsabilidade individual diante de Deus, a tendência é tomar os ensinos da soberania, a fim usar como se fosse um colchão tranquilizar-se nisso.
        Falo isso porque já vi e vejo esses fatos ocorrendo em nossos dias. Se houver uma doutrina que me deixa tranquilo, achando que pelo fato que sou um eleito de Deus, então me cubro com isso e ignoro outros fatos. Nosso Senhor, no texto de Lucas 13 mostra o ensino da eleição, mas imediatamente Ele lida com aquele homem que lhe fez a pergunta, tratando-o com sua responsabilidade: “Entrai pela porta estreita”. A bíblia é um livro assim e nós precisamos cuidar com os perigos que nos cercam quando buscamos um lugar de comodidade no pecado. Ilustro isso com o ensino de Paulo acerca da fé em Cristo, conforme vemos em Romanos. Tudo parece fácil quando traduzimos tudo com o “basta crê!”. Lógico que Paulo estava referindo à fé santa e pura. Mas eis que Tiago “puxa o tapete” da comodidade e chama a todos à verdadeira fé prática, quando afirma que a fé sem obras é morta. Ele não estava atacando Paulo, mas simplesmente dizendo que a fé que Paulo ensinou é atuante fé, e ilustra isso com Abraão e Raabe.
        Por outro lado quero explicar que a responsabilidade que desejo tratar não é a mesma conforme defende o ensino arminiano, de que a soberania de Deus e a responsabilidade do homem andam juntos, no sentido que chega o momento que não há mais como explicar. Colocar a responsabilidade do homem no mesmo nível da soberana atuação de Deus, a meu ver não passa de heresia. Nada, absolutamente nada pode estar no mesmo patamar da soberania total, absoluta de Deus. Os que defendem o livre-arbítrio creem no fundo que Deus depende da decisão do homem e até mesmo dizem que Deus respeita o livre arbítrio do homem.
        Resta que agora eu explique melhor o que creio. Para mim, conforme vejo nas Escrituras, a responsabilidade que o homem tem perante Deus é de se humilhar e não de tomar uma decisão. Nossa decisão foi tomada em Adão ali na queda; não temos poder para tomar outra decisão de ir ou não para Deus. Nosso Senhor deixou claro que todo o que comete pecado é escravo do pecado (João 8:34). O escravo do pecado não vai se tornando escravo aos poucos, ele já é um escravo. Então, o que dizer da responsabilidade? Os homens no pecado são chamados de volta ao pó e isso consiste em se humilhar perante Deus. Ó que o Senhor me dê graças para explicar essa verdade aos meus leitores!

sábado, 21 de junho de 2014

ESCOLHA DO HOMEM NATURAL



                                  
Visto que amou a maldição, ela lhe sobrevenha; não desejou a benção, ela se afaste dele” (Salmo 109:17).
                                                            Caro leitor, jamais vi uma mensagem pregada no Salmo 109 pelos falsos mestres. Esse texto é tido por eles como uma ilha isolada e desconhecida. Mas o que temos ali é a puríssima Palavra de Deus. Você quer ver o quanto Jesus é rejeitado pelos homens, mesmo por aqueles que até parecem estar perto da salvação? Eis aí o Salmo 109. Esse é o Salmo das terríveis imprecações, devido ao fato que homens e mulheres decidem recusar as maravilhas eternas. Tomo o verso 17 para mostrar aos meus leitores que o homem deixado por si só, a fim de escolher, eis que sua escolha já foi feita no coração. Positivamente: “amou a maldição”, negativamente: “não desejou a bênção”.
                                                            Por que amou a maldição? Porque simplesmente isso já ocorreu desde o Éden. O pacto foi feito com a serpente, pois foi ali que toda raça em Adão simplesmente curvou-se perante o pai da mentira e passou a segui-lo. Caro leitor, os homens já tomaram a decisão contra Deus; os homens já decidiram no coração amar a maldição e eles provam isso diariamente no pecado. Pergunto: Eles querem as bênçãos eternais? Buscam ardorosamente as maravilhas eternais em Cristo? Eles amam de coração a Palavra e anseiam viver para Deus em santidade de vida? Eles abominam a impiedade e anseiam viver com corações piedosos em santo temor ao Senhor? Eles rejeitam o mundo com suas paixões, a fim de desejarem o céu e as perfeições eternas que hão de vir? Qual a resposta? Claro que não!
                                                            Então, as consequências estão terríveis estão chegando: “...ela lhe sobrevenha...”. É simples. Escolheu o caminho tortuoso, eis aí as consequências! Buscou viver nas paixões, então a lei da semeadura afirma que aquilo que se você semeia vento colherá tempestade. Se você amou as más companhias, certamente há de viver com elas e depender delas; se ouviu a voz do pai da mentira, certamente há de seguir suas pisadas até o local da execução. Caro leitor, sempre foi assim com todos os homens. Por que os homens vão para o inferno? Porque querem ir para lá; porque amaram a maldição, achando que essa maldição era benção.
                                                            Não quis a bênção? Não! A Palavra de Deus chegou até eles, mas recusaram ouvi-la. Viram que por todos os lugares Deus colocou suas mensagens de sabedoria, a fim de indicar para eles o caminho certo, mas ignoraram e resolveram quebrar as santas leis de Deus. Muitos deles passaram por momentos terríveis, os quais hes serviram de aviso, mas assim que os perigos e ameaças passaram, também esqueceram e voltaram à busca daquilo que tanto amavam – suas iniquidades. Ah! Que decisão terrível! Não desejaram a bênção da salvação! Não quiseram ouvir do amor de Cristo na cruz, do perdão de seus pecados e do caminho aberto graciosamente para o céu! Não quiseram ouvir do bom Pastor, guia amoroso para cuidar de homens e mulheres que querem segui-Lo como ovelhas Dele.
                                                            Então, eis o resultado dramático: “...que ela se afaste dele!”. Caim foi se afastando gradativamente da bênção, assim também homens e mulheres vão se distanciando cada vez mais; querem distância da mensagem, do povo de Deus. Querem ficar o mais longe possível da mensagem de amor; querem estar cercados das mentirosas “bênçãos” do pai da mentira e tudo que realmente querem vão obter e será para sempre!

terça-feira, 23 de abril de 2013

O TRIBUNAL DE CRISTO




MACKINTOSH 
Ultimamente temos estado recebendo cartas de vários amigos, nas quais nos podemos advertir, com quanta veemência, buscam luz, no que diz respeito ao solene tema do “Tribunal de Cristo”; e, posto que é muito provável que haja muitos outros que tenham inquietações sobre o mesmo assunto, desejamos determo-nos a considerar com atenção o assunto, não, sem que antes, façamos uma nota abreviada, nas nossas respostas, às cartas dos leitores.
         Um querido amigo escreve-nos nestes termos: «Encontro-me, presentemente, numa dificuldade. Acontece que uma amiga muito querida, tem estado muito afligida, pensando que, no Tribunal de Cristo, todo o pensamento secreto e todo o propósito do coração serão manifestados a todos os que lá estiverem presentes. Ela não tem a menor dúvida, nem o menor temor, quanto à sua salvação eterna, ou, quanto ao perdão dos seus pecados; mas, vive com horror ante o pensamento de que os segredos do seu coração haverão de ser manifestados a todos os que estiverem presentes no Tribunal de Cristo.
         Outro escreve-nos assim: «Ao recordar as benditas e eternamente importantes verdades de João 5:24 ; 1João 1:7-9 ; 2:12 ; Hebreus 10:1-17 , queria saber a maneira como interpreta as passagens que seguidamente lhe cito textualmente, com o propósito de destacar as palavras às quais me refiro particularmente: “Porque todos devemos comparecer ante o Tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal. ” “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. ” “Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas. ” É meu veemente desejo ter a interpretação e a aplicação corretas destes textos; e creio que ao solicitar-lhe a sua opinião a respeito deste tema não o considerará uma perdida de tempo».
         Há já muito tempo que vínhamos tendo grande interesse em examinar as diversas razões acerca da perplexidade que parece generalizar-se com respeito ao solene tema do “Tribunal de Cristo”. As mesmas passagens que cita o nosso correspondente são tão claras, tão pontuais e tão definidas que não podemos senão tomá-las como estão e deixar que caiam com o seu próprio peso no coração e na consciência: “Porque todos devemos comparecer  ante o Tribunal de Cristo ,” “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus ”, “Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer. ”Estas são afirmações claras. Deveremos debilitar a sua força, diminuir o seu gume, ou embaçar o seu tão zeloso argumento?
         Que Deus não o permita! Antes pelo contrário, deveremos procurar fazer um santo uso destes textos, deixando que exerçam a sua ação repressora sobre a velha natureza, com todas as suas vaidades, desejos e reações. O Senhor quis que os utilizássemos desta maneira. Ele nunca teve por objetivo que os utilizássemos de um modo legal, para debilitar a nossa confiança em Cristo e na Sua perfeita salvação. Nunca iremos a juízo pelos nossos pecados; João 5:24 , Romanos 8:1  e 1João 4:17  são concludentes a esse respeito. Mas então, os nossos serviços terão que ser expostos aos olhos do nosso Amo. O fogo provará de que classe é a obra de cada homem (assim diz o original grego em 1Coríntios 3:13 ). O dia declarará –fará manifestas– todas as coisas.
         Tudo isto é muito solene, e deveria conduzirmos a exercer uma estrita vigilância e a ter sumo cuidado quanto às nossas obras, caminhos, pensamentos, palavras, motivos e desejos. O nosso mais profundo sentido da graça e a mais clara compreensão da nossa perfeita justificação como pecadores jamais debilitarão o nosso sentido da tremenda solenidade do “Tribunal de Cristo”, nem farão minguar o nosso desejo de andar de modo a sermos aceitos Nele, de Lhe sermos agradáveis.