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segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Tesouro de David (4)




Spurgeon
Os Seus olhos veem. Deus não esquadrinha como o homem, inquirindo no que antes estava escondido Dele; o Seu esquadrinhar é simplesmente olhar; Ele vê o coração, Ele contempla os rins; a própria vista de Deus é esquadrinhadora. Richard Alleine, 1611-1681.
         Em Apocalipse 1:14, em que se descreve Cristo, diz-se que os Seus olhos são como a chama de fogo; já sabemos que a propriedade do fogo é esquadrinhar e pôr à prova as coisas que a ele são submetidas, e o separar a escória do metal puro; assim, também, os olhos de Deus são como fogo, para provar e examinar as ações dos homens. É um Deus que pode ver através das folhas de figueira das nossas palavras com que professamos, e discernir a nudez dos nossos deveres por meio delas. Ezekiel Hopkins, D. D. Aceita a Deus no teu conselho. O céu acha-se por cima do Inferno. Deus em todo o momento pode dizer-te que planos se estão incubando ali contra ti. William Gurnall
As Suas pálpebras esquadrinham os filhos dos homens, como um juiz submete à prova um réu com os seus os olhos e lê os caracteres de maldade impressos no seu rosto. No grande pavor descrito em Apocalipse 6:16, todos os que fogem pedem para esconder-se do olhar Daquele que está sentado no trono. A maldade não pode resistir à observação de qualquer olho, e muito menos ao olho da justiça. É muito difícil não mostrar a culpa do coração no rosto, tão difícil como deixar de vê-la. Joseph Caryl
         Verso. 5. O SENHOR prova o justo. Não os aborrece, só os prova. C. H. S.
Com a exceção dos nossos pecados, não há nada tão abundante neste mundo como as tribulações que resultam do pecado, que são como os mensageiros que, um após o outro, foram chegando a Jó. Como não nos achamos no paraíso, senão no deserto, temos de esperar uma tribulação atrás de outra. Assim como a Davi chegou um urso depois de um leão, e um gigante depois do urso, e um rei depois do gigante, e os filisteus depois do rei, assim também, quando os crentes combaterem a pobreza, terão de lutar contra a difamação; quando lutaram contra a difamação, terão de fazê-lo contra a enfermidade; serão como um obreiro que nunca cessa no seu trabalho. Henry Smith.
         Verso. 6. Sobre os maus fará chover calamidades. Não há calamidades que nos caiam em cima com tanta abundância como as de nossos próprios pecados; continuam caindo sobre as nossas cabeças, e encurvam-nos, de modo que não podemos erguer-nos; para o que não tem a consciência cauterizada, há pouco descanso por causa delas. Samuel Page, 1646.
Vento tempestuoso. Alguns expositores acreditam que o termo se refere a uma tempestade. Há uma alusão em hebraico aqui ao vento sufocante, ardente, que sopra através do deserto da Arábia, conhecido como o simún. «Uma tempestade ardente» a chama Lowth, enquanto que outro comentador lê «vento de ira»; quer numa ou quer na outra versão só vemos terrores.
Será a porção do cálice deles. Uma gota do Inferno é terrível, mas o que será uma taça cheia de tortura? Pensemos nisso: uma taça de miséria, sem uma gota de misericórdia. Oh povo de Deus, que néscio é temer os homens que serão prontamente feixes de palhas ardentes no fogo do Inferno! Pensa no teu fim, o teu fim terrível, e todo o teu temor se mudará em desprezo perante as suas ameaças e em compaixão pelo seu miserável estado. C. H. S.
         Vers. 7. Porque o SENHOR é justo, e ama a justiça. Não só é a Sua ocupação defendê-la, mas também a Sua natureza é amá-la.
Os retos contemplarão o seu rosto. (Ou segundo outras versões: O seu rosto contempla os retos ou o seu rosto está voltado para os retos). Mamon, a carne, o diabo, todos eles sussurram ao nosso ouvido: «Foge como um pássaro para a tua montanha»; mas nós temos de avançar e desafiá-los. «Resisti ao diabo, e de vós fugirá.» Adiante! Que a vanguarda avance! À frente todas as potências e paixões da alma! Adiante! Adiante!; em nome de Deus, adiante!, porque «Jeová dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio». C. H. S.
Ele contempla-nos com olho sorridente, e portanto não pode olhar com favor ao injusto; assim que esta necessidade não está fundada somente na ordem de Deus de que sejamos renovados, senão na própria natureza da coisa, porque Deus, com relação à Sua santidade, não pode conversar com uma criatura impura. Deus terá de mudar a Sua natureza ou terá de mudar a natureza do pecador. Lobos e ovelhas, trevas e luz, não podem estar de acordo. Deus não pode amar um pecador como pecador, porque Ele aborrece a impureza tanto por necessidade da Sua natureza, como por decisão da Sua vontade. É tão impossível que Ele ame a impureza quanto cesse de ser Santo. Stephen Charnock
Tradução de Carlos Antônio da Rocha

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

“O PODER OU ONIPOTÊNCIA DE DEUS”


por
Cornelius Van Til
O poder de Deus não deve ser identificado com Sua vontade, embora a vontade de Deus implique em poder para realizar o que Ele quer.
A onipotência de Deus não significa que Ele pode fazer uma mentira ser verdade, ou que Ele possa pecar. Não há poder absoluto em Deus que opere em contradição com Suas perfeições. Deus é a fonte da possibilidade. O que é possível é determinado pela natureza de Deus. A própria questão de que se Deus pode fazer o impossível é impossível. Ela não tem sentido, a menos que tenhamos assumido primeiramente que haja tal coisa como uma impossibilidade aparte de Deus. Agora, se há tal impossibilidade, Deus não é Deus, de forma que a questão se perde. Por outro lado, se não há tal impossibilidade, isto é, se Deus é a fonte da possibilidade, a questão é respondida antes que se formule a mesma: isto é, então Deus não quer quebrar uma impossibilidade. Ele estaria negando a si mesmo, o que Ele nos diz que não pode fazer. Números 23.19, 1 Samuel 15.29, 2 Timóteo 2.12, Hebreus 6.18, Tiago 1.13 e Tiago 1.17
Nem tudo o que é possível para Deus é realmente realizado. Nesse sentido, a possibilidade é maior do que a realidade atual. Génesis 18.14, Jeremias 32.27, Zacarias 8.6, Mateus 3.9, Mateus 26.53. É necessário manter isso uma vez mais contra o panteísmo, o qual mantém, por causa da sua elevação do princípio acima da personalidade, que tudo o que é possível no universo já foi realizado também. Isso comprometeria uma vez mais a liberdade e a independência de Deus.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

SALMO 7 Spurgeon





         O título deste Salmo é «Schigaion de David». Pelo que podemos coligir das observações dos entendidos e de uma comparação deste Salmo com o outro único Schigaion da Palavra de Deus (Habacuc 3), este título parece indicar «Cânticos variáveis», com os que se associa a ideia de distração e de prazer. Parece provável que Cush, o benjamita, tinha acusado David perante Saúl de uma conspiração traiçoeira contra a autoridade real. Isto pode entender-se como o «Cântico do santo caluniado». Até esta penosa aflição é ocasião para um Salmo.
         Vers. 1. SENHOR, meu Deus, em ti confio. O caso inicia-se aqui com uma confissão de confiança em Deus. Seja qual for a urgência da nossa condição, nunca devemos olvidar o reter a nossa confiança em Deus. «Oh SENHOR, meu Deus» - meu por um pacto especial, selado pelo sangue de Jesus, e ratificado na minha própria alma por um sentimento de união a Ti - em Ti, e em Ti somente, tenho posto a minha confiança agora na minha penosa aflição. Eu tremo, porém a rocha não se move. Nunca é correto desconfiar de Deus, e nunca é em vão o confiar Nele. C. H. S.
         Vers. 2. Para que ele não arrebate a minha alma, como leão. Havia um inimigo de David que era mais poderoso do que os demais. É deste inimigo que com urgência procura libertação. Quiçá se tratasse de Saul, o seu inimigo real; mas, no nosso caso há um que vai dando voltas ao redor de nós como um leão, que intenta devorar-nos, acerca do qual temos de clamar: «livra-nos do maligno».C. H. S.
         Tenho lido de algumas nações bárbaras que, quando o Sol aquecia muito, disparavam flechas contra ele; do mesmo modo os malvados disparam à luz e ao calor da piedade. Jeremiah Burroughs, 1660.
         Despedaçando-a, sem que haja quem a livre. Este é um retrato comovedor de um santo entregue à vontade de Satanás. Isto fará comover as vísceras do SENHOR. Um pai não pode permanecer em silêncio quando o seu filho está em semelhante perigo. Faremos bem aqui em recordar que esta é uma descrição do perigo ao qual se vê exposto o Salmista por línguas caluniadoras. A calúnia deixa a sua baba, por mais que possa desmentir-se. Se Deus foi caluniado no Éden, nós não sofreremos menos nesta Terra de pecadores. Se quisermos viver sem ser caluniados, temos de esperar até chegarmos ao Céu. C. H. S.
         Vers. 3. SENHOR meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade nas minhas mãos. Josefo conta-nos de Apolinário que dizia em relação aos judeus e aos cristãos que eram mais néscios do que os bárbaros. E Paulus Fagius conta uma história de um egípcio que dizia a respeito dos cristãos: «São uma quadrilha de gente traiçoeira e asquerosa»; e a respeito de guardar o sábado diz: «Tinham uma enfermidade, e queriam repousar no sétimo dia por causa da mesma.» Jeremiah Burroughs. O aplauso dos maus geralmente implica algum mal, e a sua censura implica algum bem. Thomas Watson.
         Vers. 4. Se paguei com o mal àquele que tinha paz comigo (antes, livrei ao que me oprimia sem causa). O devolver mal por bem é uma corrupção humana; o devolver bem por bem é uma retribuição cívica; porém, o devolver bem por mal é uma perfeição cristã. Ainda que não seja a graça da natureza, contudo, é a natureza da graça. William Secker.
         Vers. 6. O julgamento que tens convocado. David, para orar devidamente, repousa na Palavra e na promessa de Deus; e o resultado do seu exercício é este: Senhor, não sou levado pela ambição, ou pela paixão voluntariosa e néscia, ou pelo desejo corrompido, desconsiderado, de pedir-Te tudo o que agrada à minha carne; mas, é a luz clara da Tua Palavra a que me dirige, e nela me tenho fundamentado com firmeza. João Calvino.
         Vers. 8. Nos dois últimos versículos procurava que o SENHOR Se levantasse, e agora que Se levantou, David prepara-se para mesclar-se com «a congregação do povo» que o rodeia. C. H. S.
         Vers. 9. Tenha já fim a malícia dos ímpios; mas estabeleça-se o justo. Não é este o desejo universal de toda a companhia dos escolhidos? C. H. S.
         Vers. 10. O meu escudo está com Deus, que salva os retos de coração. A verdade, como o azeite, surge sempre por cima; os nossos inimigos não têm poder para afogá-la. C. H. S.
         Vers. 11. Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias. Não temos um Deus insensível e impassível perante quem nos apresentamos; Ele pode estar irado, além do mais, está irado hoje e a cada dia contigo, com os iníquos e os pecadores impenitentes. O melhor dia que amanhece sobre um pecador, contudo, é para Ele causa de maldição. C. H. S.
         Deus está zangado. A expressão original aqui é muito expressiva. A verdadeira ideia da mesma é «lançando espuma pela boca» por causa da Sua indignação. Richard Mant, D.D., 1824.
         Vers. 12. Se o homem não se converter, Deus afiará a sua espada. A espada de Deus foi afiada na pedra que gira na nossa maldade diária, e se não nos arrependemos, com presteza, far-nos-á em pedaços. O pecador não tem  alternativa. C. H. S.
         Quão poucos são os que creem que Deus chamará o malvado a contas! Se acreditássemos nisso, tremeríamos como o que está dentro de uma casa que se derruba; esforçar-nos-íamos por «salvar-nos desta geração depravada». C. H. S.
         Já tem armado o seu arco, e está aparelhado. E estamos a salvo ali, onde as flechas de Deus vão cair em breve como gotas de chuva? «Aparta-te!» disse Deus a Moisés- «das tendas de Coré, Datan e Abiram, para que não sejas consumido em todos os seus pecados.» Como se têm deteriorado as boas maçãs estando no cesto com as más! Não é prejudicial para o ouro estar unido com a escória? Lewis Stuckley.
         Vers. 13. Instrumentos de morte. Recorda, as flechas de Deus nunca erram, e sempre são «instrumentos de morte». C. H. S.
         Temperou ao fogo as suas setas. A palavra «temperado» significa o mesmo que arder em ira contra os ímpios; e a palavra «preparado» significa que pôs a ponto as suas flechas; Ele não as dispara ao azar, porém, dirige-as aos iníquos. Um tal Félix, conde de Wartenberg, um dos capitães do imperador Carlos V, jurou, na presença de vários numa ceia, que antes de morrer cavalgaria onde lhe chegasse o sangue dos luteranos até às esporas. Este homem ardia em malícia, mas observemos como Deus dirige as Suas setas contra ele: naquela mesma noite a mão de Deus feriu-o de tal forma que foi estrangulado e se afogou no seu próprio sangue; não cavalgou, de qualquer modo, banhou-se a ele mesmo; não até às esporas, porém, até à garganta; não no sangue dos luteranos, mas, no seu próprio sangue antes de morrer. Jeremiah Burroughs
         Vers. 14. Concebeu maldade, gerou iniquidade. Uma mulher grávida proporciona a metáfora: gerou iniquidade. O ímpio está cheio dela, de tal modo que não a pode levar; quer fazer a sua vontade; está cheio de dores até que é executado o seu malvado intento. C. H. S.
Concebeu maldade. Ninguém o força a isso; ele mesmo o faz voluntariamente. Richard Sibbs
A ordem natural é primeiro conceber e depois gerar, mas aqui o gerar vem primeiro; a razão disso é que o malvado vai com tanto ardor em perseguição do seu intento, que vai actuar imediatamente se soubesse como fazê-lo, até mesmo antes de conceber com que meios o fará. J. Mayer, in loc.
         Vers. 15. Cavou um poço e o fez fundo, e caiu na cova que fez. Havia astúcia nos seus planos e diligência no seu trabalho. Condescendeu à penosa tarefa de cavar. Não teme sujar as mãos com a terra; está disposto a fazer um buraco para que outros caiam nele. Que coisas tão indignas é capaz de fazer o homem para se vingar dos fiéis!
Vers. 16. A sua iniquidade cairá sobre a sua cabeça. As cinzas vão sempre parar à cara daquele que as lança ao ar. C. H. S.