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quarta-feira, 16 de junho de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (10 de 10)


“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

A NECESSIDADE EVIDENTE DESSA CONFISSÃO.

        Sendo um milagre ocorrido no indivíduo, então é necessário que haja essa confissão. A confissão na vida do salvo de que Cristo foi seu eficiente e suficiente substituto é o brado triunfante do crente. Não tem um acontecimento mais glorioso e mais marcante do que esse que ocorreu na cruz, porque ali tudo foi feito para que a igreja fosse conquistada de uma vez por todas.

        Além disso, sendo uma confissão há de desmanchar toda aparência, caso contrário o que vemos por fora é hipocrisia. Não há como pertencer a Cristo sem que haja confissão. Judas poderia bem afirmar que era apóstolo, mas sem confessar ser Jesus aquele que veio morrer em seu lugar, o caminho dele foi o mesmo de qualquer outro no pecado. Tenho visto muitas manifestações de crentes que jamais conheceram o real significado da confissão em suas vidas. Sendo assim, Isaías 53:6 não terá qualquer atração.

        Vejo muitos que querem ouvir sobre determinadas doutrinas que mais lhes atraem, como assuntos escatológicos, doutrina da eleição, segurança do salvo e outras doutrinas. Mas a verdade é que nada disso opera salvação. Cristo veio buscar os perdidos e não pessoas esclarecidas teologicamente. Muitos santos de Deus partiram sem que tivessem conhecido quaisquer doutrinas, mas foram salvos pela mensagem da cruz. O poder de atração foi o Calvário e a fé santa foi sustentada nisso. Outra lição de grande importância é que essa confissão revela o que é o coração, pois domina todo ser e modifica todo viver.

        Primeiramente mostra humildade no viver. A natureza maligna do homem ousa viver sozinha, caminhando no mundo achando ser suficientemente forte para enfrentar tudo, porque nada ver de perigo. Como já havia dito antes, a confissão vem porque o pecador é descoberto e é desmanchada toda vanglória, vindo a confissão por ver que alguém ocupou seu lugar na cruz.

        Em segundo lugar, a confissão mostra que a pessoa agora não é mais uma ovelha desgarrada. Tudo muda quando o perdido busca o Salvador: “Buscar-me-eis e me achareis...”. Na salvação a lição suficiente é que o Salvador buscou e achou Sua ovelha. Pronto! Não é a mudança conforme o mundo acha que deve ter. Ao achar o perdido e o salvar, tudo é feito com perfeição para que a pessoa salva seja para sempre do Senhor, segundo a força da graça e isso assusta o mundo. É totalmente diferente do que um sistema religioso faz com alguém. Tudo muda no salvo, no sentido de que agora o mundo com seu conceito de vida é apagado para ele, passando a brilhar a luz que vem da cruz para o caminho no qual ele deverá percorrer para o céu.

        Certamente a confissão faz total diferença na comunhão que o salvo passa a ter aqui. Antes o mundo era sua família, agora é a comunhão com os que também foram salvos. Por quê? A razão é que vemos a confissão coletiva despontada no texto: “Todos nós andávamos...”. Será que não haverá prazer de estar com os santos aqui? Claro! Agora é a sua família, com a qual compartilha a mesma fé, adoração e alegria. Finalmente estará com todos os remidos no céu e para sempre há de confessar a glória do grande e glorioso Cordeiro que ali na cruz morreu para remir perdidos e leva-los para serem herdeiros de Deus na glória eterna.

        

 

 

 

 

 

 

 


terça-feira, 15 de junho de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (9)


“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

        A CONFISSÃO DE SUA MORTE SUBSTITUTIVA NA CRUZ: “...mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”.

        Observemos bem o texto de Isaías 53:6, porque há ali um entendimento da necessidade de um substituto perfeito, visto na confissão dos eleitos. Já que éramos como ovelhas, cada uma seguindo seu próprio caminho, o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos. Está aí o assunto bem esclarecido. Os eleitos, pelo poder da graça acharam o substituto certo. Eis aí a teologia que só chega ao coração por obra do Espírito Santo e foi essa verdade que Deus imprimiu em milhões que foram salvos e que faz agora ao pecador. Esse é o ensino que é gravado no coração de forma indelével. Aquele ser visto em Isaías 53, que foi enviado por Deus para morrer em lugar dos pecadores, é Ele a resposta para os anseios dos perdidos.

        Os eleitos percebem que a crucificação foi um ato de Deus não um acontecimento fortuito na história. Por que isso ocorre só com eles? Por que justamente são eles os escolhidos de Deus. Alguns têm seus olhos da alma abertos, enquanto outros permanecem para sempre cegos. Foi o que Jesus disse aos judeus: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas (João 10:26). O discernimento verdadeiro acerca da morte do Senhor não é dado a ninguém, fora dos pecadores por quem Cristo morreu. Nenhum filme há de mostrar a verdade que está oculta aos olhos do mundo. Os mundanos verão conforme o mundo vê o sofrimento físico e a morte de um inocente. O mundo não vê à luz do Salmo 22 nem de Isaías 53, porque na bíblia tudo é contado à luz daquilo que Deus mostra. Notamos isso na própria oração feita pelos apóstolos: “Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Idrael; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” ( Atos 4:27 e 28).

        Outro detalhe importante é que a confissão feita pelos eleitos se forma uma unidade: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho...”. Essa confissão é a grande motivação dos louvores dos santos na terra e será no céu, porque vemos a mesma coisa em Apocalipse 5:9 e 10. Os louvores dos santos têm a cor de sangue e perpassa por toda história. A bíblia inteira mostra como que uma linha vermelha que vem desde o princípio e segue até apocalipse. A história da redenção é a nossa história que nos enche de alegria e prazer:  “Cantai ao Senhor um cântico novo...anunciai a Sua salvação...” (Salmo 96). Não há como confundir os salvos dos não salvos, mesmo que o joio esteja entre o trigo, porque os salvos aparecem com essa confissão em Seus lábios e não importa quanto tempo eles têm de crentes. Cada crente, individualmente pode dizer em santa confissão: “Cristo morreu pelos meus pecados” e quando eles se encontram vão dizer: “Cristo morreu pelos nossos pecados”. Eis aí a formação da igreja; eis aí a verdade revelada na ceia do Senhor; eis aí a confissão que abala o mundo e que jamais pode ser extinta, porque está marcada no coração; eis aí o fogo que nunca apaga e que faz o viver triunfante em toda jornada na peregrinação.


quarta-feira, 9 de junho de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (8)


“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

        A CONFISSÃO DE SUA MORTE SUBSTITUTIVA NA CRUZ: “...mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”.

        Quando os eleitos recebem a luz que  vem da cruz, eis que há um entendimento correto acerca da missão do Filho de Deus na terra. Já tenho referido a isso, mas acho que vale a pena tocar nessa mesma tecla, porque o homem natural não consegue entender acerca da morte de Cristo. Eles verão tudo à luz dos seus pensamentos e emoções timbrados pela vaidade. Veja os filmes que fazem acerca do sofrimento e morte de Jesus, pois tudo é visto assim, um pobre coitado; seus sofrimentos são vistos apenas no aspecto físico. O mundo não vê o Cordeiro na cruz, vê apenas um sofredor, digno de dó, um tipo de um mártir, cujo sofrimento pode trazer sortes e bênçãos no viver aqui.

        Os mundanos veem Jesus na cruz e o tomam como um símbolo supersticioso. Eles fazem dele o mesmo que fazem com seus ídolos. Olhem bem a imagem que eles tem de Maria e de outros “santos”. Por que isso? A razão é que seus olhos não foram abertos. Espiritualmente cegos, os ímpios não conseguem ver realidades eternas. Lembramos que os judeus, os quais eram normalmente versados no conhecimento da lei e do Velho Testamento, mas mesmo assim eram ignorantes. A linguagem de Cristo para eles era puramente espiritual, mas eles não enxergavam realidades eternas, mas sim apenas as letras.

        Mas não é o caso dos pecadores que Deus chama à salvação. O texto de Isaías nos mostra essa incrível verdade. Quando eles veem com os olhos da fé; quando eles têm a noção correta da cruz, do Cordeiro puro enviado do céu como substituto, imediatamente eles passam a ter a noção correta acerca deles mesmos: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho...”. O que vemos no texto? Humilhação, confissão e íntima invocação. Há um ajuntamento solene de todos os eleitos e a linguagem é comum a todos eles: “Todos nós...”. Eles se veem sozinhos, desamparados e completamente frágeis; eles contemplam o Senhor pendurado na cruz como a resposta para eles, como sendo o Salvador e a salvação de suas vidas.

        Nasce ali nos eleitos uma intimidade com a cruz, um entendimento dessa verdade. Eles percebem que aquele acontecimento não é igual ao que acontece no mundo; eles veem que é pura verdade celestial, que Deus enviou Seu Filho ao mundo para salvar perdidos. Eles não estão dizendo: “Que dó, coitado, por que fizeram isso com ele?” Não! Eles estão dizendo no íntimo: “Ai de nós, estamos perdidos no mundo!”. Os eleitos têm a visão correta da cruz porque o entendimento da verdade foi dado a eles pelo Espírito Santo. Assim nasce o novo homem em Cristo, porque tudo começa na cruz. Toda minha ruína, meus merecimentos da ira de Deus, minha condição tão triste no pecado, meu inútil orgulho e minha disposição em andar sem Deus no mundo, tudo isso é vista quando a verdade da cruz desponta perante meus olhos e eu passo a ver. Daí nasce a confissão: “Quem me poderá salvar?” Daí o Salvador é visto como suficiente em tudo.


SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (7)


“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

A CONFISSÃO DE COMO VIVIAM NO PECADO: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”.

        Examinemos o fato que os eleitos confessam individualmente sua culpa: “...cada um...”. Enquanto o mundo tem uma unidade de pensamento e intenções, os eleitos vagueiam pelo mundo como ovelhas sem a liderança de um pastor. Notemos bem a diferença entre os eleitos e a sociedade marcada para a destruição. Não estou dizendo que os eleitos são melhores que os outros. Estou mostrando como eles são vistos como ovelhas desgarradas. Deus, como que tira uma foto delas e mostra como elas estão. Perante a cruz as ovelhas recebem a luz que vem da história do Calvário.      A realidade acerca delas é estampada na visão da cruz, assim elas conseguem ver quem elas realmente são. Em Adão somos vistos em unidade no pecado, mortos, caídos, depravados, egoístas, odiadores de Deus e marcados como filhos da desobediência. Essa é a visão bíblica acerca da nossa queda e da nossa condição em Adão.  É claro que na salvação os crentes confessam sua loucura, suas paixões, suas idolatrias, sua disposição de governar a si mesmos e de odiar a Deus. Todos os que andam no pecado estão declarando pelos seus atos que odeiam a Deus.

        Mas em Isaías não estamos vendo assim. O que vemos é um Cordeiro pendurado para ser apunhalado, a fim de morrer por quem mesmo? Por ovelhas! O cenário muda completamente na visão da cruz, porque os eleitos olham um homem pendurado ali e percebem que Ele é um substituto deles. Colocando noutras palavras, esse é o cenário perfeito da história da salvação, do propósito da vinda do Senhor ao mundo. Esse cenário descrito em Isaías marca o fato que tudo muda na visão dos perdidos, assim que seus olhos são abertos, assim que Deus abre a visão espiritual deles. A lição é incrivelmente fantástica, porque o que vemos é a atitude correta daqueles por quem Cristo morreu.

        Veja bem, há uma diferença entre o entendimento natural da morte de Cristo, porque enquanto o pecado não tiver os olhos da alma abertos por obra do Espírito Santo, ele não enxergará a sua real condição. Ele pode até chorar, sentir pena de Cristo, tomar a história como bela a ser contada, mas notemos bem que aquilo que aquilo não terá qualquer sentido verdadeiro em sua vida. Não houve uma radiante luz que veio brilhar em seu ser. Ele soube apenas dos fatos, mas aquilo não teve sentido em sua vida. O cenário da cruz não lhe levou à humilhação; não chegou a luz que emana de lá, a fim de mostrar o que é exatamente o homem individualmente – pobre e marginalizada ovelha, sozinha, tomando seu próprio rumo e sendo procurada por terríveis inimigos.

        O que ocorre é que a visão da cruz desmancha o orgulho do homem que Deus chama. Ele cai em si, ele vê que tudo aquilo que pensava a seu respeito não passava de vaidade e soberba. Ele vê sua loucura em andar neste mundo sozinho. Então, numa só voz as ovelhas dizem: “Cada um de nós se desviava pelo caminho...”. Que confissão! Quem era eu? Nada! Mas posso olhar para a cruz e ver o Cordeiro puro, diferente de mim, que desceu do céu e veio para ser meu real substituto, morrendo em meu lugar, a fim de me conceder real salvação.


sexta-feira, 4 de junho de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (6)

                    

“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

A CONFISSÃO DE COMO VIVIAM NO PECADO: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”.

        Os pecadores eleitos são aqueles que perceberam que trilhavam por caminhos tortuosos: “...cada um se desviava...”. Notemos bem o quanto há completa diferença na visão que o pecador arrependido tem quando se depara com o que ocorreu na cruz. Deus não abre a visão de qualquer um para aquele episódio, narrado em Isaías 53, pois é escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Os homens no pecado odeiam a mensagem da cruz; eles têm prazer por religião, orações, ensinos que lhes agradam, etc. mas são cegos quanto ao mais poderoso cenário mostrado por Deus apenas aos que hão de crer. A cruz é a visão do Cordeiro puro, sem mácula, enviado do céu ao mundo, e somente os eleitos de Deus podem vislumbrar isso. Essa mensagem mostra o Cordeiro de Deus e na visão do povo eleito de Deus, eles veem a si mesmos como ovelhas desviadas.

        Estou tratando disso porque o texto mostra o quanto a mensagem da cruz não pode ser ignorada sem que vejamos seus terríveis efeitos. Na igreja de Corinto os crentes se desviaram dessa tremenda verdade assim que começaram a vislumbrar os homens. Dentro da igreja havia esse retorno à insensatez, porque ao desviar o olhar da cruz eles começaram a seguir seus próprios caminhos. Foi isso o que ocorreu com as igrejas da Galácia, pois os crentes começaram a decair da fé, assim que passaram a seguir a lei de Moisés. Paulo pergunta a eles: “Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós?”. Estejamos cientes tudo na igreja, para a igreja e para os incrédulos deve ser dado à partir da cruz. A luz que vem da fonte de sangue, do Cordeiro que foi imolado é suficiente para direcionar os santos no caminho certo e para mostrar o caminho da conversão ao pecador arrependido.

        O que vemos no texto? Deparamo-nos com os que já confessaram e que foram salvos. Deparamos também com os que hão de ser salvos, porque a confissão de todo povo eleito é igual. As circunstâncias são diferentes, palavras enunciadas são diferentes, mas a verdade no íntimo é a mesma com todos. Eles são as ovelhas do Senhor. Sendo meras ovelhas, elas vão agir como ovelhas. Não serão os atrevidos bodes de outrora; não terão atitudes de rebelião, de endurecimento contra Deus. O Senhor os visitou e a luz da verdade da cruz brilhou em seus corações e eles entenderam a verdade. Note a diferença: “Todos nós andávamos como ovelhas...”. Como pode? O homem no pecado jamais se verá assim. Perante a cruz os homens serão vistos como leões rugindo, como touros bravos e como ondas bravias do mar, chegando para destruir o Filho de Deus crucificado. Os gritos de ódio da multidão, querendo que ele fosse morto, tais gritos podem ser ouvidos. Em seus corações há o mesmo sentimento de ódio que houve naquela multidão que cercou a cruz.

        Mas tudo isso vai normalmente, até que a luz chegue ao íntimo. Foi assim com o ladrão, porque com seu colega ele vociferava em deboche contra o Salvador, até que seus olhos foram abertos e pode ver que quem estava pendurado na cruz era o Salvador enviado do céu. Que bendita, que gloriosa luz!


quarta-feira, 2 de junho de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (5)


“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

A CONFISSÃO DE COMO VIVIAM NO PECADO: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”.

        O que vemos em Isaías é Deus mostrando como os eleitos confessam sua condição no pecado, diante da cena da cruz.       Neste momento, sem salvação, nada há de temor no coração do ímpio. Paulo, antes do seu tombo ante a luz da glória de Cristo carregava no íntimo uma inimizade assassina contra o Senhor; participava de uma equipe religiosa que queria o mal do povo de Deus e nutria em seu coração uma esperança de acabar com o Nazareno e sua “seita maligna”. Mas assim que caiu cego, pode reconhecer que nada era, senão pobre e miserável ovelha desgarrada. Incrível momento quando suas armas de ataque foram transformadas em lixo e sua ambiciosa vida religiosa foi completamente desmanchada perante o Senhor da glória. Meu amigo, nenhuma diferença há entre você e qualquer pessoa lá fora, caso seu coração estiver endurecido no pecado; todo seu conceito de Jesus é humanista e supersticioso, enquanto Deus não abrir seus olhos para que você enxergue a verdade.

        Os pecadores eleitos são aqueles cujas almas conheceram o arrependimento e isso é visto na humilde confissão: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”. Impressionante! Jesus confrontou os judeus incrédulos em João 10, dizendo que eles não criam Nele porque não eram Suas ovelhas. Notemos como Deus mesmo mostra o viver dos ímpios. Não importa se são religiosos, ateus, cruéis, etc. todos são essencialmente soberbos. Eles jamais reconhecerão sua pobre condição. Eles se consideram fortes, corajosos, aptos para resolver seus problemas sozinhos e no trajeto deles confessam na prática que não precisam de Deus. Em Efésios 2 o apóstolo afirma que eles vivem sem Deus no mundo. Mas, quando seus olhos são abertos na alma, eles miram a cruz.

        Agora, fracas ovelhas miram sua miserável condição no mundo. Não há mais a manifesta arrogância; não há mais a obstinada guerra contra Deus. Agora o que vemos são homens quebrantados no íntimo, vendo Cristo, a provisão de Deus, a ovelha vinda do céu, a fim de morrer para salvar ovelhas perdidas. É impossível mirar a realidade da cruz e ainda fugir obstinado como um touro selvagem. Aquele que veio ao mundo, veio com a incumbência prometida na eternidade; veio como a suficiência para homens e mulheres, os quais o Pai escolheu para serem salvos do pecado. Assim, a luz do Calvário é milhares de vezes mais brilhante que o sol ao meio dia, porque brilha ali a glória do Cordeiro. É diante dessa verdade celestial que os olhos da alma são abertos para que o homem caia perante tão grande amor.

        Quem poderá ficar insensível ante a glória da cruz? Quem continuará soberbo, arrogante e disposto a continuar no mau e perverso caminho, quando a verdade chega ao íntimo? A dura verdade vem ao coração. Quem sou eu? Eu pensava que era alguma coisa; eu pensava que era de grande valor; eu pensava que era valente e auto suficiente, até que pude ver meu Senhor pendurado na cruz. Assim pude ver que não passo de uma frágil ovelha, errante, seguindo meu caminho, sem ver os reais perigos que me envolvia a vida.


terça-feira, 1 de junho de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (4)


“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

UMA VISÃO QUE SOMENTE OS QUE CREEM PODEM VER.

        Notemos como Deus, no texto acima mostra como era a concepção dos eleitos no que diz respeito ao Servo sofredor, ao Cordeiro enviado ao mundo para salvá-los. É impossível alguém conhecer a Cristo sem a maravilhosa manifestação da graça de Deus na vida. Ser salvo é uma obra de Deus em chamar, não trata do meu querer nem do esforço de qualquer pessoa. Deus não mostra em Sua Palavra o que o mundo em geral pensa acerca do Filho de Deus. O mundo inteiro O odeia o Senhor e gostaria de saber definitivamente que ele morreu e sumiu do mapa. Deus não se ocupa em tratar com o mundo que jaz no maligno.

        Mas Deus lida com o povo que na eternidade escolheu no Filho, porque amou esse povo (João 3:16 e João 17). Mas mostra a confissão deles: “Todos nós andávamos desgarrados...”. Que lição! A doutrina da eleição não terá qualquer valor se não vermos a nosso respeito dentro da situação depravada, onde o pecado nos colocou. Antes de nos vermos em Cristo, é bom que nos vejamos em Adão. É bom que saibamos nossa vil condição, como ovelhas desgarradas. Eis aí o que a bíblia mostra sobre o estado de perdição do homem caído. Ao vermos pendurado na cruz o puro e santo Cordeiro de Deus, então, que concepção terei a meu respeito? Como me verei? Deus enviou Seu Cordeiro Amado para ser sacrificado em meu lugar. À luz que vem da cruz é o pecado vê sua condição de perdido.

        Notemos que foi assim que, de repente o ladrão viu quem era Jesus. Até aquele momento tudo estava dentro de um contexto de miséria, deboche, petições loucas e associação com o mundo, mesmo tendo a morte perante sua face. Mas assim que a graça irradiou a glória do Cordeiro perante seus olhos, aquele homem viu sua pobre e miserável condição; ali estava uma ovelha errante, a qual até aquele momento viu seus direitos de ter o mundo aos seus pés. Mas agora ele se viu sozinho, não viu mais um ser que agia como leão destruidor, seguindo o pai da mentira. Agora ele passou a ver a si mesmo como uma ovelha. Agora ele olhou para Jesus e viu ali o Cordeiro de Deus, enquanto ele era uma ovelha do pecado, errante, perdida, seguindo seu próprio caminho. Que visão esclarecedora!

        Notemos que a confissão dos eleitos é algo individual: “Cada um de nós...”. Notemos o que a mensagem da cruz faz. A luz da glória de Cristo parte da cruz e não do homem. Não há luz no homem, não há verdade alguma nele. Tudo no pobre pecador é mentira e seu caminhar é dirigido na mentira. Sem a mensagem que expõe o Cordeiro de Deus não haverá jamais no pecado a visão da sua condição de perdido. Uma ovelha sem pastor, seguindo seu próprio caminho é uma situação desesperadora. Mas notemos bem que a glória da cruz expõe essa tremenda verdade. A mensagem da cruz é Deus dizendo ao pecador que o puro Cordeiro tomou seu lugar. Foi assim com Abel. Assim que ele viu a desventura do pecado, quando percebeu em que vida de vaidade e miséria foi exposto, eis que a graça o atraiu a buscar a verdade da cruz no Cordeiro que ele tomou, como figura Daquele que viria. Eis aí a doce verdade da cruz.


sexta-feira, 28 de maio de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (3)


“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

UMA VISÃO QUE SOMENTE OS QUE CREEM PODEM VER.

        O que os eleitos viram no Cordeiro crucificado? Que noção eles tiveram? O que eu e você, meu irmão em Cristo pensávamos a respeito da cruz? Será que éramos diferentes? Deus mostra quanta ignorância habitava em nossas pobres mentes e sentimentos. É claro que toda essa confissão errônea mostra nossa situação de depravados e odiadores de Deus, conforme Paulo fala na carta dele a Tito. Oh! Cuidemos para que não olhemos a doutrina da eleição como se a nossa eleição foi porque éramos diferentes. Não olhemos para a eleição na eternidade, como se houvesse alguma glória em nós. A eleição foi feita no Filho e não por alguma virtude nossa. A doutrina da depravação total vem imediatamente aniquilar toda nossa vangloriosa vaidade, e a entrega na cruz veio para mostrar o quanto tudo seria inútil sem que nosso Cordeiro Amado viesse ocupar nosso lugar.

        Diante desses fatos é que vamos examinar de perto o que o verso 6 nos ensina: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6). No verso 4 vemos como os eleitos olham para o Senhor, vendo-O como um coitado. A idolatria inerente eleva os homens acima de Jesus. No sistema idolátrico do coração do homem, a divindade que ele promove deve ser menor que o próprio homem. Por esse fato, alguém que sofre, como o caso do Servo de Jeová na cruz é digno de dó é visto como alguém que merecia aqui e não nós mesmos. Para o povo eleito, Jesus é visto como uma pessoa aflita, ferida de Deus e oprimida.

        Mas quando chegamos verso 6, eis que os eleitos olham para suas próprias vidas de uma forma diferente. Antes, o Jesus sofredor era o coitado, agora eles confessam sua miserável condição: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”. O que levou os eleitos a essa condição? Não foi algo natural, mas sim uma visitação operante da graça em suas vidas. O que vemos no texto é os crentes do mundo inteiro e de todas as gerações dizendo numa só voz: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”. Isso é incrivelmente revelador, justamente porque é assim que Deus, em Sua palavra trata Seu povo – como ovelhas. O que vemos é também interessante, porque na lei Deus põe as palavras de confissão na boca do povo, como vemos em Deuteronômio 26. Ali vemos a ordem de Deus, para que o judeu, quando oferecesse sua oferta ou dízimo faziam sua confissão de como eram antes e como foram achados por Deus. Na graça a confissão é posta no coração do crente: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”.

        Impressionante ocupação das Escrituras com o povo eleito de Deus! O que vemos no texto? Vemos como se Deus estivesse filmando no passado tudo o que ocorreu, está ocorrendo e irá ocorrer, até que o último dos eleitos seja salvo. Não é uma história maravilhosa? Todo crente testemunha de como era seu viver antes, porque essa confissão está gravada num coração santificado pela graça. Não há na graça para os arrogantes; não há lugar para homens cheios de justiça própria. Eles não têm essa confissão nos lábios, porque a graça não chegou neles para salvá-los.


quinta-feira, 27 de maio de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (2)

“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

UMA VISÃO QUE SOMENTE OS QUE CREEM PODEM VER.

        Se tomarmos o capítulo 53 de Isaías veremos que o verso 6 mostra o ponto de vista dos eleitos de Deus, acerca daquilo que ocorreu com o Servo de Jeová ali na cruz. O povo eleito de Deus está juntamente com a multidão com uma ideia errada acerca do sofrimento do Senhor: “...e nós o reputávamos como por aflito...”. Note bem que não estou tratando aqui do ponto de vista do mundo. Em toda Escritura vemos como Deus comunica Sua verdade ao Seu povo, mesmo aos que hão de crer. Cristo deixou essa verdade bem esclarecida em João 10, quando disse aos judeus endurecidos e incrédulos: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas” (João 10:26). Percebe-se em toda bíblia que há uma conexão entre Deus e Seu povo escolhido. Não vemos um Deus que ocupa-se em conhecer aqui quem serão aqueles que hão de crer Nele.

        É óbvio que o texto de Isaías refere-se aos que hão de ser salvos, porque o que vemos no verso 6 não é a opinião nem tampouco a confissão de um mundo incrédulo, rebelde e odiador do Senhor. Tem o mundo que jaz no maligno e têm os que pertencem a Deus e o Senhor os conhece de antemão. O Senhor não diz que Ele estava procurando conhecer Suas ovelhas. Ele afirma que as conhece. Será essa a verdade que ímpios vão ouvir dos lábios do Senhor no dia do juízo: “Não vos conheço”. Assim a palavra de Deus nos enche dessa espantosa verdade, nós que somos limitados e por isso nada sabemos. Também, o mundo incrédulo e condenado visto na cruz e no ódio estampado em suas faces e em suas palavras ouvidas nos gritos: “Crucifica-O!”. Olhemos o mundo ao derredor, não é a mesma coisa? Veja como os homens no pecado odeia o Senhor Jesus. Veja como eles desdenham da justiça perfeita vista nos santos. Veja como eles amam seus ídolos e querem viver de forma impetuosa em seus pecados.

        Mas você pergunta: “E os pecadores que Ele veio salvar não são iguais? Claro!” Mas assim que a luz da revelação bíblica brilha perante nossos olhos, então podemos entender pela fé o depoimento dos eleitos, porque quando eles olham para a cruz, veem e ouvem acerca da história, eles ficam perplexos e expõem a opinião deles acerca daquele que fora crucificado. É claro que a visão do Cordeiro na cruz é dada por Deus. Quem é Aquele ser que foi ali entregue para morrer? O mundo ocupa-se em saber os detalhes? Claro que não! O mundo agora quer saber que o Filho de Deus morreu e não passa de um defunto. O mundo quer saber que os golpes dados contra Ele foram fulminante e que aquele “impostor” foi banido da terra.

        Ora, deixemos o mundo perverso de lado. Já sabemos o que eles pensam e como anseiam destroniza-lo, a fim de entronizar o anticristo na terra. Voltemos nossos olhos e vejamos agora qual foi a minha e a sua opinião, conforme o verso 6. Vejamos nossa completa ignorância, nosso raciocínio natural, desprovido de toda verdade. Aparentemente parece que há lucidez em nossa opinião, mas o fato é que não viemos a saber a razão da morte do Varão de dores, enquanto nossos olhos não foram abertos e nossos ouvidos apurados.


quarta-feira, 26 de maio de 2021

SUBLIME CONFISSÃO DOS ELEITOS (1)

 

                  

“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6)

      INTRODUÇÃO:

        Caro leitor, cada vez que passo por esse maravilhoso livro de Isaías, meus olhos enchem desse encanto das verdades eternas, as quais foram entregues a nós. Espero que, com sabedoria vinda do Alto, possa eu preparar bem esse alimento, a fim de prover a comida que o povo santo precisa. Então é tarefa minha me gastar na compreensão do texto num capítulo onde brilha a história da cruz. Impressionante ver que em meio às maldições da lei que emana do Monte Sinai, eis que Deus faz brilhar de antemão a luz brilhante que vem do Monte do Calvário, onde nosso Senhor foi entregue e morto para nossa salvação. Será que podemos nós ignorar tanto amor mostrado nesses 12 versos?

        É lógico que o capítulo está lotado de joias preciosas e eu mesmo me vejo tão diminuto para examinar tudo isso com maior profundidade. Claro que não vou aqui explorar todo capítulo, mas ficarei apenas no verso 6, onde veremos os eleitos de Deus confessando sua condição quando o Cordeiro ali foi entregue. Eu sei que poderão vir muitos atacar e lutar contra o tema, somente porque usei o termo “eleitos. Mas, por que não? Afinal, Cristo foi à cruz por causa deles e por onde passarmos nas Escrituras Deus está mostrando Seus planos eternos, tendo o Seu povo escolhido em mente. Basta uma sondagem com calma em todo esse livro para que compreendamos essa verdade em suas maravilhas.

        Sou tentado a vasculhar o livro de Isaías para falar dos eleitos, mas me conterei para explorar apenas o verso 6 do tão conhecido capítulo 53 de Isaías. O capítulo 53 de Isaías mostra em poucas palavras o povo de Deus proclamando junto a mais poderosa, gloriosa e triunfante confissão de todos os tempos. Esse capítulo é como uma filmagem do futuro; é Deus mostrando 700 anos antes quem e como seria o Senhor Jesus ao vir a este mundo; sua aparência e vida aqui; sua morte na cruz e os resultados de sua morte na vida de homens e mulheres, eleitos de Deus, pelos quais ele daria sua vida na cruz, a fim de salvá-los de seus pecados.

        Outro detalhe de impressionante verdade é que também a filmagem mostra os eleitos, todos os que seriam salvos, perante ele na cruz, confessando o que o Filho de Deus faria na cruz em lugar deles. É claro que não está falando daqueles que jamais irão crer. Como os herdeiros do inferno falarão da morte de Cristo? A não ser para gritar com a multidão: “Crucifica-o!”. No texto o Espírito Santo está mostrando o que o povo eleito pensavam antes da conversão acerca da morte do Senhor e o que confessam agora. Quero tomar esse texto, a fim de mostrar como essa confissão tem incrível importância na vida daqueles que hoje declaram que são crentes, e naqueles que realmente anseiam a salvação.

        Não tenho dúvida que um texto como esse traz alegria aos corações dos salvos, porque a confissão que ali aparece vem de seus lábios. É particularmente a minha confissão. Quem nós éramos? Ovelhas desgarradas, cada um seguindo seu próprio caminho. Que condição triste a nossa. Mas a cruz retorna, trazendo a nós alegria, felicidade, prazer e exultação!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (10 de 10)



“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
A NECESSIDADE EVIDENTE DESSA CONFISSÃO.
        Sendo um milagre que ocorreu no coração, então há manifestar em forma de confissão. Deus requer uma confissão que brota do coração que foi modificado, caso contrário o próprio homem será iludido pelas manobras de um coração enganoso e enganado. A confissão desmancha toda aparência; na confissão a máscara religiosa cai por terra e toda maquiagem é desmanchada e o homem do coração é visto como deve ser perante o Deus santo. Notemos bem que sem confissão o que vemos por fora é hipocrisia. Cristo sempre desmanchou o que não era real. Foi assim que o Senhor tratou aquele homem rico que apareceu querendo saber como herdar a vida eterna. Nosso Senhor tratou de revelar o que estava oculto no coração e o chamou a negar todo seu amor ao deus riqueza, a fim de conquistar o reino de Deus seguindo a Ele (Lucas 18). Meditemos na vida de Judas, pois aquele homem estava entre os doze e era um dos apóstolos, mas seguia a Cristo vendo à frente as riquezas terrenas; almejava lucros transitórios, os quais Jesus nunca prometeu aos Seus seguidores. Quando as frustrações brotaram em seguir a Cristo, não tardou para que através do ato de negar pudesse conquistar o que tanto almejava.
        A confissão genuína revela um coração transformado pela graça e foi exatamente o que Deus prometeu fazer com os salvos, isto é, dar-lhes um coração cheio de temor para sempre. Que fantástica obra da graça! Um novo coração, feito por Deus domina todo o ser do homem e modifica o viver. Vemos que todos os ensinos dados no Novo Testamento aos crentes subtendem que eles têm um coração diferente, porque é impossível fazer o que Deus mandar fazer se não houver novo nascimento. Como um homem poderá deixar as palavras torpes, mentiras, raiva, ofensas, ser santo no viver, perdoar como Cristo perdoou, etc. sem ter novo coração? É impossível! Percebe que falsos crentes tentam ser e fazer, mas logo percebem que não conseguem.
        Para concluir quero mostrar o quanto a confissão revela um estado diferente na qual a alma se encontra. Primeiro mostra humildade diante de Deus. Quando o homem se converte a Cristo ele se rende ao Senhor, ao saber que alguém ocupou Seu lugar, a fim de pagar suas culpas perante Deus. A lei veio e feriu sua alma, mostrando-lhe sua perdição e merecida condenação, mas agora tudo mudou ao ver que a providência foi tomada de uma vez por todas, com o Redentor morrendo em seu lugar.
        Em segundo lugar mostra que agora não é mais uma ovelha desgarrada, como era antes. Agora essa pessoa segue o Senhor e ouve a voz Dele. Agora a vida tem sentido e direção certa; agora ele vê os perigos e busca o amparo do seu Pastor. Em terceiro lugar ele caminha para o céu. Ele passa a ver a vida aqui como um sistema ilusório; ele vê a morte como o término desta vida terrena e o céu como sua pátria eternal. Em quarto lugar, tem prazer em estar com os verdadeiros crentes nessa confissão e isso aparece nos cultos, nos cânticos, na oração e comunhão. E finalmente ele estará no céu, juntamente com a imensa multidão, a fim de confessar que foram salvos por Cristo; que foi o Cordeiro que morreu no lugar deles e assim vão juntamente adorar o Senhor que tanto lhes amor e provou esse fato na cruz.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (9 de 10)


                             
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
A NECESSIDADE EVIDENTE DESSA CONFISSÃO.
        Outro detalhe que aparece na confissão dos eleitos é que há neles um entendimento da necessidade de um substituto que ocupe o lugar dele: “...mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos”. Nota-se que é um trabalho da graça no coração, porque do contrário o homem jamais entenderia isso. Foi o que ocorreu com Pedro em Mateus 16 quando Ele afirmou que Jesus era o Filho do Deus vivo. Nosso Senhor imediatamente lhe disse que o que ele proferira não era obra da carne ou dos homens, mas sim de Deus. Nenhum pecador será salvo sem essa compreensão particular, de que Deus enviou o perfeito substituto para morrer no lugar de réus condenados. Vejo hoje uma corrida frenética por um evangelismo mais apegado à números do que à verdade. Hoje qualquer um que faz uma mera decisão verbal de que aceitou Jesus é considerado salvo. É claro que têm os que realmente se convertem, mas o que quero afirmar aqui é que sem uma compreensão no coração de que Deus enviou Seu Cordeiro Amado para ser o substituto perfeito, não há como compreender salvação.
        Outro importante detalhe que emerge no texto acima é que há entre todos os eleitos um entendimento da necessidade desse real substituto: “...fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos”. Eis aí a fé comum a todos; eis aí aquilo que mostra a unidade da igreja em todos os lugares. Os salvos têm a mesma linguagem; todos falam o mesmo idioma da redenção; todos têm a mesma confissão e essa confissão está registrada no coração de cada um deles. Também, quando os eleitos estão reunidos eles formam uma unidade; não importa se são ricos ou pobres, todos proclamam a mesma fé e têm o mesmo cântico.
        Passo agora às partes finais da pregação sobre esse tema, tratando sobre a necessidade dessa confissão. Sempre tenho mostrado o quanto é necessária uma fé que realmente confessa essas verdades. É triste ver como a cristandade moderna desconhece confissão de fé, algo que era comum antigamente. Mas a vida é confissão, porque se trata de algo do coração e não de meras palavras. Quando um homem ama uma jovem e deseja casar com ela, ele confessa seu amor por ela e seu ardente desejo de tê-la como esposa. Na bíblia os santos confessam seu amor por Cristo, como resultado do amor de Cristo por eles. É impossível ler os Salmos sem notar a confissão de fé de genuínos crentes. O livro de Cantares é uma vívida demonstração dessa confissão e assim transbordam as palavras dos fieis testemunhando perante elementos perversos e enfrentando até mesmo a morte. As palavras dos apóstolos perante perversos inimigos mostram a confissão deles: “Como podemos deixar de falar daquilo que vimos e ouvimos?”. Em Filipenses vemos palavras de confissão de Paulo em seu ardente amor por Cristo. Temos: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” entre outras palavras de confissão.
        O que poderia dizer sobre isso? Se houve um milagre operado no coração; se Deus visitou o pecador levando Sua verdade ao íntimo, então é óbvio que necessário é que tudo resulte em confissão. A vida cristã não é algo meramente mental ou emocional, mas sim algo feito no coração; é Deus realizando seu milagre em tirar um coração de pedra, a fim de implantar um coração que venha a Lhe temer.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (8)



“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
A CONFISSÃO DE SUA MORTE SUBSTITUTIVA NA CRUZ: “...mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”.
        Os eleitos também passam a ter um entendimento correto da missão do Filho de Deus na terra. Eles têm seus olhos abertos e conseguem enxergar a verdade. A obra da graça é algo que ninguém neste mundo pode explicar, pois como eles conseguem ver o que outros não enxergam? Enquanto o homem vive nas trevas ele vê sua religião, toma o caminho que bem lhe interessa, dá impressão de que teme a Deus, mas a verdade é que continua nas trevas, como dá o testemunho o escritor de um antigo hino: “Eu nas trevas vagueava sem a luz da retidão”.
        A visão do Salvador crucificado só pode ser contemplada por aqueles que Deus aprouve salvar da condenação eterna. O eunuco mostrou essa verdade quando lia Isaías 53 (Atos 8). Ele era um prosélito do judaísmo e voltava de Jerusalém da mesma maneira que fora para lá – como um cego. Mas ao retornar para a Etiópia Deus abriu seus olhos e seu coração grudou-se nessa passagem profética, até que Filipe chegou e mostrou-lhe o Salvador e ali mesmo ele foi salvo. A chamada da graça é irresistível, pois não há pecador que possa ter essa visão do Salvador bendito, sem cair perante Seu inaudito amor: “Que grande amor, excelso amor que Cristo nos mostrou, pois para nos livrar do mal a vida não negou!”. Notemos bem que Deus transmite esse fato aos perdidos, quantos aos outros, eles são mantidos nas trevas. Claramente Deus faz diferença entre os pecadores e os perdidos; entre os que são salvos e os que perecem. Quão poderoso é o Senhor para abrir os olhos dos Seus eleitos! Não há dificuldade para ele em curar a visão espiritual de milhares e tirar a surdez deles, porque esse é o majestoso trabalho do evangelho.
        Os eleitos também percebem que a crucificação foi um atos de Deus e não um acontecimento fortuito na história: : “...mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”. A obra da cruz é a manifestação do braço forte do Senhor; é o maior espetáculo da história, mas tal feito somente os que foram chamados à salvação podem ver e admirar, pois eles não veem um mero sofredor, um pobre ser abandonado à crueldade dos homens. O mundo transforma tudo isso num espetáculo para suas superstições e divertimentos. Por isso afirmo que os mundanos veem a morte de Cristo como expressão da crueldade dos homens. Vemos essa verdade no capítulo 6 de João, quando o Senhor confronta os judeus. Eles foram atrás do Senhor porque este havia feito o milagre da multiplicação. Eles olhavam para o Nazareno como a pessoa certa para subir ao trono e mostrar ao mundo gentio a realidade do trono de Israel.
        Mas o Senhor chama a atenção deles, mostrando que Ele era o pão que desceu do céu, a fim de dar vida ao mundo. Para eles salvação significava livramento político e bênçãos materiais. Para os eleitos a visão é diferente; eles veem o Salvador na visão de Deus; eles contemplam o Cordeiro de Deus; eles veem seus pecados cravados no Salvador; eles veem que suas culpas e imensas dívidas foram liquidadas na cruz. Esse é o Cordeiro que tira o pecado! Quem pode Seu amor contar? Essa história não pode ser narrada senão pela boca daqueles que um dia confessaram a fé nesse grandioso Redentor e Senhor!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (7)

                       
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
A CONFISSÃO DE SUA MORTE SUBSTITUTIVA NA CRUZ: “...mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”.
        De repente vemos que há uma mudança, porque os eleitos passam a ter um entendimento correto acerca da missão do Senhor na terra. Veja bem que antes da conversão os pensamentos eram incorretos; que eles tinham Jesus como ferido de Deus, ou mesmo alguém que foi castigo de forma merecida. Mas agora tudo muda, porque a visão da fé passou a tomar conta dos corações: “Mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos”. Eis aí o que conta a confissão dos eleitos; eles olharam para o Salvador; eles puderam ver que ali foi pendurado o nosso perfeito substituto.
        Os eleitos são pessoas que eram perdidas, que viviam nas trevas, mas que foram atraídas pela irresistível graça. Ninguém é salvo sem esse marcante encontro que a fé tem com o Salvador bendito. Foi assim que homens e mulheres vislumbraram a cruz de antemão; eles olharam e viram Jesus no símbolo de um animal sacrificado. Foi assim que Abel foi salvo; foi assim que Adão e Eva receberam das mãos do Senhor o traje feito com a pele de um animal sacrificado. A fé no Antigo Testamento contemplava o futuro, a fé agora contempla o passado, a fim de viver sob o gozo de uma tão grande salvação.
        Deu ênfase a esse fato porque eu sei o quanto satanás empurra para longe a mensagem da cruz, a fim de por em foco outras mensagens. Se retirarmos essa mensagem seremos fatalmente levados pelos tufões do ecumenismo que avança com força em nossos dias. Tenho lidado com muitos que jamais conheceram essa confissão e que procuram atalhos nas Escrituras. Mas o fato é que cada pecador deve ser levado ao Salvador; cada pecador precisa saber que seus fardos vão continuar, se caso não forem em confissão ao Senhor Jesus. Não tem como trilhar a vida cristã enquanto não for salvo e aceito por Deus mediante essa justiça de Cristo (Romanos 5:1).
        Notemos bem que a confissão dos eleitos é um humilde reconhecimento que alguém lhes substituiu e que isso foi algo de Deus. Percebe-se que é algo sobrenatural, porque não há aqui na terra quem possa fornecer essa verdade. Isso significa que os eleitos são aqueles que realmente confessam; são os que não encobrem seus pecados; são os que foram e são atraídos pela graça ao arrependimento; são os que estavam perdidos, mas foram achados e viram a luz da cruz brilhando perante seus olhos: “Foi na cruz que um dia eu vi meu pecado castigado em Jesus”. Que incrível percepção! Que imagem gloriosa quando a fé gerada no coração pelo Espírito Santo pode contemplar o Salvador, humilde, manso e justo que ali foi pendurado, a fim de nos resgatar da terrível culpa que pairava sobre nossas cabeças.
        Outro detalhe é que, na confissão, os eleitos têm uma conclusão, clara e inequívoca: “Mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”. Há uma teologia correta, porque eles veem tudo à luz da verdade revelada, que não foi algo feito pelo homem, mas sim por Deus: “...mas o Senhor fez cair...”. Notemos o quanto o mundo com sua religiosidade natural e supersticiosa está fora dessa mensagem e que Deus revela somente àqueles que ele há de salvar. Todos os eleitos dizem a mesma coisa; todos os eleitos cantam e contam essa redenção: “Na redenção firmado estou, meu cativeiro já findou, contente cantarei louvor ao meu glorioso Redentor

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (6)


                       
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
A CONFISSÃO DE COMO VIVIAM NO PECADO: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”.
        Os pecadores eleitos são aqueles que perceberam que trilhavam por caminhos tortuosos: “...cada um se desviava...”. Quão preciosa é a atividade em mostrar aos pecadores como foram suas vidas no pecado. É impossível conhecer a Cristo sem que antes os homens vejam sua condição de perdidos, transgressores e culpados diante de Deus. A luz da graça é forte suficiente para mostrar o triste caminho pelo qual o homem anda e que se não houver arrependimento não há como trilhar o caminho certo que leva ao céu. Na sincera confissão o convertido não inventa desculpa; não fica olhando o pecado dos outros, dos pais, da sociedade, conforme normalmente acontece. Quando o homem depara com seus pecados e sua culpa diante de Deus funciona como se ele estivesse sozinho no mundo; como se ele fosse o único culpado, e ao comparar com os outros ele se vê como o principal dos pecadores.
        O evangelho chama os homens a uma visão da glória de Deus; o grande Salvador é visto como Justo e o homem culpado. Não há confusão, porque a diferença é nítida: O Cordeiro é o puro e imaculado Cordeiro de Deus, enquanto o pobre pecador não passa de um verme culpado. Que luz radiante brilha perante Seus olhos; ele é arrancado desse sistema mundano, desse ambiente de mentiras, de fraudes do coração e de inevitável destruição. Em que miséria encontra os homens que perecem! Sem que Deus chame pecadores para essa visão particular, não há como escapar da miséria eterna que aguarda as almas impenitentes. Nessa visão do pecador vendo a cruz e o Justo Servo de Jeová como aquele que foi entregue para levar os pecados sobre Si, é que a alma confessa consegue vê toda sua vida, o que fez contra Deus, o que está pronto a fazer no dia a dia e que estará pronto a fazer até o fim.  
        Veja bem que não estou dizendo que há de confessar cada pecado, mas que sua condição de um coração vil e sujo será posto perante ele. Ele verá suas paixões, suas idolatrias, sua disposição de andar sem Deus no mundo e de odiar o Senhor. Essa é uma confissão geral e assim a alma penitente verá que sua esperança está no Seu substituto perfeito que ocupou seu lugar na cruz. Sem isso não pode haver salvação. Os judeus convictos quando levavam um animal para ser imolado pelas suas culpas sabiam bem que ali estava apenas um símbolo de uma realidade eterna. Quando ele punha sua mão sobre a cabeça do animal, ele entendia que seus pecados estavam sendo simbolicamente transferidos para uma vítima sem culpa.
        Eis aí o que significa a humilde confissão dos eleitos. Ah! Quanta brincadeira com a doutrina da salvação em nossos dias! Como vejo milhares sendo iludidos com uma falsa paz! O que acontece é que muitos recebem dos homens uma certeza de salvação que não foi obra do Espírito Santo, justamente porque não houve essa humilde confissão que vem do coração. Pouco ou até quase nada ouvimos da mensagem da cruz e da desesperadora condição do homem no pecado. Afinal, quem quer ouvir do Salvador e de uma tão grande salvação se nunca ouviu da sua miséria? Quem há de beber um remédio se nada sente de alguma enfermidade?

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (5)



“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
A CONFISSÃO DE COMO VIVIAM NO PECADO: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”.
        Na primeira parte pudemos ver o tema de um modo geral, mas agora quero chamar a atenção, de forma particular para os eleitos. É claro que o texto mostra nossa concepção acerca da crucificação do Cordeiro de Deus; como tínhamos uma mentalidade mundana, cheia de superstição e de completa ignorância. O povo eleito foi achado pela misericórdia quando eles estavam mortos em seus delitos e pecados. Deus se ocupa em mostrar que os salvos em nada tiveram qualquer participação na obra salvadora, que éramos tão inúteis quantos os outros; que só trouxemos peso, maldade e aprofundamos o fardo para mergulhar o Senhor no sofrimento; que nossa confissão foi milagrosa e que foi Deus quem operou em nossos corações para que fôssemos tirados das trevas para Sua maravilhosa luz (Colossenses 1:13).
        Sendo assim podemos mostrar o quanto os eleitos são pessoas que conheceram o arrependimento, porquanto o arrependimento é o poder dado por Deus para que cada pecador veja a sua vida em trezentos e sessenta graus. O homem arrependido é o único que consegue voltar ao passado e ver o quanto se desviou em seus caminhos, que vivia sem Deus no mundo. Na salvação os homens são cercados pela luz da história da cruz. Sem isso não há conversão nem arrependimento. Sem conhecer o Cordeiro que foi morto em seu lugar para prover eterna redenção, o pecador continuará em seu estado de trevas, mesmo dentro de uma igreja e cheio de conhecimento teológico. No arrependimento que o homem percebe o quanto vivia iludido; o quanto estava enganado, achando que era forte, inteligente e capaz de se virar sozinho. O arrependimento leva o homem a perceber o quanto fora enganado, que estava condenado e sob o iminente perigo de ser atirado ao sofrimento eterno.
        Ora, tudo isso faz o pecador mirar o Cordeiro de Deus que foi morto em seu lugar de uma forma sincera e santa. Enquanto o homem não é salvo ele vê Jesus como um pobre coitado, enquanto ele mesmo se vê como alguém de grande importância. Mas é no arrependimento que a situação muda: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas...”. Notemos bem que sua visão é real. Ele olha agora e vê que ele mesmo era um pobre coitado; que não passava de uma frágil ovelha que sozinha seguia seu próprio caminho, sem percepção de qualquer perigo. Essa é a visão real do Senhor! Essa é a concepção correta daquele acontecimento na cruz.
        Tomo novamente os dois ladrões para mostrar a diferença real entre os dois homens. O ladrão que se converteu mostrou sua real condição. De repente ele viu aquele homem crucificado como sendo o Salvador, justo e reto. Foi ali que aquele homem se viu que andou desviado, longe de Deus. Naquele momento sua vida pregressa foi filmada num instante e assim ele abriu sua boca para confessar e obter salvação. O outro não, ele não tinha noção do que foi, não viu sua culpa, se viu injustiçado e por isso via Jesus como alguém que poderia mudar sua sorte para voltar ao mundo. O que aconteceu  é que ele morreu em seus pecados. Que diferente é a obra da salvação na vida de homens e mulheres! É tudo obra da suficiente graça!

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (4)



“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
UMA VISÃO QUE SOMENTE OS QUE CREEM PODEM VER.
        Na mentalidade dos homens no pecado, Jesus é visto como um coitado, porque é esse o entendimento que os homens têm acerca daqueles que passaram ou passam por sofrimento.  Sem o conhecimento da verdade acerca da morte expiatória do Servo de Jeová, a tendência é criar um objeto de idolatria, porque a idolatria inerente eleva os homens acima do verdadeiro Senhor. Todo crente testemunha de como era seu viver antes; como era um cego, como vivia em plena escuridão, nada entendendo acerca da verdade. Ninguém pode ser salvo sem uma compreensão correta acerca do Filho de Deus, Ele mesmo avisou aos judeus incrédulos: “Se não crerdes que EU SOU, morrerei nos vossos pecados” (João 8:24).
        Os homens sempre esperam um milagre acontecer e se houver um Jesus que traga benefícios materiais para eles, certamente eles vão aceitar tal Jesus com prazer. Porque o Senhor multiplicou os pães, imediatamente os judeus foram procura-lo para fazer dele o rei que tanto queriam ter. Eles tinham a mesma intenção que seus antepassados tiveram quando quiseram um rei, à semelhança das outras nações (1 Samuel 8-10). Assim um Jesus conforme a mentalidade do homem será bem-vindo aos corações: “...e nós o considerávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido”. Ao entrar no mundo o Senhor causou esse espanto na mente do povo. “Quem é esse?” Toda glória do Senhor estava oculta aos olhos da população e ninguém o entendia, até que Deus mesmo abrisse os olhos.
        Notemos o ladrão na cruz, porque ele estava junto com seu colega zombando do Senhor e buscando uma resposta para a angustiante situação na qual ambos se encontravam. Mas, de repente tudo mudou para o ladrão que foi salvo. De repente seus olhos foram abertos e ele viu que perante Ele estava o Salvador bendito, Aquele que fora prometido deste o princípio. Os olhos da alma foram abertos e a confissão veio em busca do socorro eterno (Lucas 23). Notamos que foi assim que ocorreu com todos que tiveram um encontro de salvação com o Senhor. Aquela mulher adúltera (Lucas 7), ela entrou com ousadia na casa de Simão, porque sabia no íntimo que era o Senhor da glória que ali estava e que era o único que podia lhe perdoar e purificar dos seus pecados.
        Não foi o mesmo que aconteceu com Mateus? Como alguém deixaria o serviço de uma vez, a fim de seguir a Cristo? Algo ocorreu naquele homem, porque ao ouvir o chamado do Senhor, ele não pediu um tempo, imediatamente obedeceu, passando a segui-lo. Uma ausência de conhecimento do Senhor Jesus, como sendo Ele o enviado do Pai ao mundo para salvar perdidos, em nada mudará o coração do homem. Somente o poder Dele pode brilhar no coração; somente o poder Dele para fulminar o velho homem e fazer nascer o novo homem. Somente o poder Dele para atrair pecadores para Si, caso contrário os homens fugirão Dele, porque O odeiam. O evangelho sem o poder de Deus nenhum poder terá em mudar o coração pervertido e idólatra do homem no pecado.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (3)



“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
UMA VISÃO QUE SOMENTE OS QUE CREEM PODEM VER.
        O que vemos primeiramente é o povo eleito de Deus dando sua opinião acerca daquele Servo sofredor que aparece crucificado. Quem é Ele? Ninguém pode explicar quem é Jesus, senão o próprio Deus. Antes da nossa conversão pensávamos também como o mundo pensa; talvez houvesse em nós um pensamento mais refinado, mais polido acerca do Salvador crucificado: “...e nós o reputávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido...”. Essa conclusão é o melhor que pode ser extraído do homem natural acerca do Filho de Deus. Por que isso? A razão é que o Senhor Jesus é completamente estranho à mente dos homens, assim como o Maná, a comida do deserto ergueu a interrogação na mente do povo: “O que é isto?” (tradução da palavra hebraica “Maná”).
        Mas o mundo é assim. Normalmente, o que os homens pensam acerca dos seus ídolos é também o que eles pensam acerca de Jesus. Olhemos as imagens produzidas pelas artes da idolatria, como elas aparecem com um ar de tristeza. Para o mundo é isso que faz sentido. No tocante a Jesus o mundo procura criar a imagem de um ser sofrido, que causa dó. Foi esse mesmo pensamento que os eleitos tiveram do Senhor, de alguém martirizado e oprimido. Para a mente natural é alguém assim que transmite bênção e que pode trazer solução aos nossos problemas aqui. Vemos que o mundo sempre toma alguém que sofreu e morreu para ser marcada como transmissora dos recados abençoados de Deus aos homens, um tipo de mediador das graças de Deus.
        Os homens têm Jesus como um pobre ser. O sofrimento na cruz foi um acontecimento apenas físico. Eu não assisti o filme de Gibson sobre o sofrimento e morte de Jesus, mas ele encravou no filme exatamente o que o mundo em sua incredulidade pensa, de um sofrimento desumano (e de fato foi). Porém, está oculto aos olhos do mundo o fato que Jesus é o Cordeiro de Deus, enviado do céu com a missão de salvar perdidos do pecado. O mundo desconhece a linguagem de Deus talhada nos tipos e nos símbolos do Velho Testamento, como um cordeiro era morto e a razão daquela morte. Noutras palavras, a verdade real, gloriosa e triunfante estará para sempre oculta deste mundo. Num filme como o de Mel Gibson.
        Notemos de perto a linguagem do povo eleito no tocante as aflições do Servo de Jeová, porque está juntamente com a multidão com uma ideia errada acerca do sofrimento do Senhor: “...e nós o reputávamos como por aflito...”. Noutras palavras, “era assim que nós pensávamos acerca dele. Não foi assim que os judeus pensavam acerca do Senhor? Aquele Nazareno, cuja presença física não era atrativa, de família pobre, etc. Na visão dos pensamentos judaicos, nada havia nele que fosse aceitável. Eles agiram assim também quando escolheram um rei e Deus fez com que um homem (Saul) de bela aparência fosse exposto perante eles e assim imediatamente houve uma aceitação geral (1 Samuel capítulos 9 e 10).
        Tudo isso aparece para nos ensinar o quanto a mentalidade humana é diametralmente oposta ao que Deus faz, conforme Ele mesmo diz em Isaías 55: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos e os meus caminhos não são os vossos caminhos”. O mundo mudou? Não! É o mesmo! Se satanás puder criar um elemento ainda mais atraente e por o nome de Jesus, o mundo vai aceita-lo prontamente.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

HUMILDE CONFISSÃO DOS ELEITOS (2)


                       
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Isaías 53:6)
UMA VISÃO QUE SOMENTE OS QUE CREEM PODEM VER.
        Será que o povo eleito pode ser visto antes mesmo de eles serem salvos? A bíblia porventura mostra isso? Claro! Nós estamos lidando com Deus e a bíblia é a Palavra Dele, por isso não fiquemos surpresos com Suas maravilhas operando no tempo: Passado, presente e futuro. Aliás, a comunicação de Deus neste mundo através daquilo que foi escrito é dirigida ao povo eleito e no tempo certo, quando eles passam a possuir olhos para ver e ouvidos para ouvir, eles vão entender. Foi assim que Ele comunicou com Israel em todo Velho Testamento. Quando Deus lidava com o povo rebelde e ímpio da nação era através de julgamento e destruição, mas quando Deus lidava com Seu povo escolhido em Israel, vemos como Suas palavras transmitem Suas emoções, amor e disposição de salvar esse povo.
        Por exemplo, em Jeremias 2 Ele fala que o povo Dele cometeu duas maldades e quais palavras Ele usa? “Meu povo”. Ainda mais no capítulo 3 Ele fala em tom de misericórdia que mesmo que Seu povo houvesse prostituído com muitos amantes (ídolos), Ele estava pronto a recebe-lo. Para muitos parece que estou sendo radical ao expor assim a doutrina da eleição, mas a verdade é exatamente essa que Deus lida com quem tem ouvido para ouvir (Apocalipse 2 e 3). Notemos como há uma associação desses fatos com a linguagem de Deus. Quando Deus chamou Jeremias para o ministério profético Ele lhe disse: “Antes que nascesses eu te consagrei, e constituí profetas às nações” (Jeremias 1:16). Tem muito mais para mostrar aos meus leitores o fato que Deus comunica com Seu povo de antemão. Paulo fala sobre isso em Romanos 11, onde afirma que Deus de antemão conheceu Seu povo. E ainda em João 10 Jesus, na linguagem figurativa fala sobre o relacionamento Dele com Suas ovelhas: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”.
        Ora, tudo isso é para mostrar como Deus fala com Seu povo e como os eleitos falam antes mesmo de que eles individualmente se tornem salvos. Tendo essas verdades na mente, precisamos ver agora a passagem de Isaías 53, porque às vezes pensamos que é o profeta que está falando e na verdade não é ele. Temos nesse maravilhoso capítulo o profeta falando, os eleitos falando e Deus falando, só precisamos discernir pela linguagem. A mensagem é uma profecia sobre os acontecimentos que envolveram a crucificação do Servo de Jeová, o braço direito do Senhor. Quem estava perante a Cruz? Uma multidão de homens e mulheres que gritavam em apoio à crucificação do Justo Cordeiro.
        Mas a bíblia em Isaías 53 vai além do que vemos nos acontecimentos narrados nos 4 evangelhos. Para a impiedade, satanás e seus demônios vemos estampados neles o ódio mortal contra o Filho de Deus. Mas quanto ao povo escolhido, qual era a mentalidade que tinham sobre o Varão de dores, que soube o que é padecer? Não era um pensamento vil e arrogante,  que mostra nossa concepção errada da vida? Não é verdade que andávamos em trevas, sem qualquer entendimento da verdade, conforme Deus nos mostra? Não é verdade que vivíamos na ignorância e sem Deus no mundo?