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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Meditação de Spurgeon



“Tu és mais formoso do que os filhos dos homens.” (Salmo 45:2)

       A pessoa de Jesus é uma joia inteira, e a Sua vida é uma só impressão do selo. Jesus é inteiramente perfeito, não somente nas Suas distintas partes, mas também na Sua gloriosa integridade. O Seu caráter não é um conjunto de cores misturadas confusamente, nem um montão de pedras preciosas postas desordenadamente, umas sobre outras. Jesus é um quadro de beleza e um peitoral de glória. Nele todas “as coisas de boa reputação” estão nos seus devidos lugares e embelezam-se reciprocamente. Nenhum traço da Sua gloriosa Pessoa chama a atenção mais do que outro; Ele é perfeito e inteiramente encantador.
            Oh Jesus! O Teu poder, a Tua graça, a Tua justiça, a Tua ternura, a Tua verdade, a Tua majestade e a Tua imutabilidade formam um homem tal, ou, melhor dizendo, um tal Deus-homem que nem o Céu nem a Terra hão visto em qualquer outra parte. A Tua infância, a Tua eternidade, os Teus sofrimentos, os Teus triunfos, a Tua morte e a Tua imortalidade estão entretecidos numa magnífica tapeçaria, sem costura ou rotura.
       Tu és música sem dissonância; és um todo sem divisão; Tu és todas as coisas sem diversidade. Como todas as cores se fundem num resplandecente arco-íris, assim também todas as glórias do Céu e da Terra se acham em Ti, e se unem tão maravilhosamente, que não há ninguém como Tu em todas as coisas. Nem, se todas as virtudes das coisas mais excelentes formassem um ramo, elas não poderiam rivalizar Contigo, Tu espelho de toda a perfeição.
       Tu foste ungido com o santo óleo de mirra e cássia, que o Teu Deus tinha reservado somente para Ti; e a Tua fragrância é como o perfume santo, que ninguém pode imitar, nem mesmo com a arte do perfumista. Cada especiaria é fragrante, mas o composto é divino.
"Oh, simetria sagrada! Oh rara conexão,
De muitos perfeitos, para fazer uma perfeição!
Oh, música celestial, onde todas as partes se devem encontrar
Numa doce melodia, para fazer uma perfeita harmonia!"

Tradução de Carlos Antônio da Rocha


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

“O ÚNICO DIGNO DO NOSSO AMOR” (4)




Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema!        Maranata” (1 Coríntios 16:22)
         Caro leitor, ó quanto necessitamos de encarar seriamente essa tão peremptória declaração de Paulo! Ou o Senhor é amado, ou é odiado. Não há meio termo. Não há lugar em corações santificados para a sedução do mundo; não há lugar nos corações salvos para aquilo que é idolatria, mundano e odiador de Deus. Satanás espalhou essa semente venenosa nas igrejas; ele tem procurado unir o santo com o profano e tem feito com que o culto seja uma mistura de iniquidade com solenidade (Isaías 1:13).
         Já pude mostrar que o amor de Deus pelos salvos é porque eles foram aceitos no Amado e não por causa deles mesmos. A escolha dos eleitos na eternidade foi feita “Nele” (Efésios 1:4), e a chamada à salvação foi também feita Nele. Notemos bem a linguagem de Pedro em sua primeira carta: “E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória...” (1 Pedro 5:10). Então, nada há no homem que possa atrair a atenção de Deus, por essa razão os verdadeiros crentes não tem lugar para orgulho em suas vidas. A humildade e gratidão brilham nas faces dos salvos, porquanto um dia eles foram humilhados pela verdade de que foram achados pela misericórdia e não por causa de qualquer mérito pessoal. Ó, que esses vasos de misericórdia entendam isso! Que agora caiam prostrados perante o Rei e se apeguem tanto a Ele, a fim de que jamais venham a brincar com aquilo que é sujo e profano! Ó, que aqueles que carregam os utensílios santos procurem afastar-se de toda e qualquer iniquidade! Será que podem encarar essa declaração de Paulo como algo seríssimo? Ou será que nem sequer cogitam examinar bem o que disse o Apóstolo?
         Prossigo em mostrar um pouco mais as bases firmes e sólidas da fé cristã, a fim de que meus leitores possam realmente amar Aquele que é o único digno de nosso amor. Cristo tomou a natureza humana, a fim de que pudéssemos conhecê-Lo e pertencer a Cristo. O Rei da glória tornou-se nosso parente, porquanto assumiu nossa humanidade. Em tudo, exceto no pecado, Ele conheceu o que realmente significa ser homem; em tudo aprendeu como homem o real significado da humilhação, a fim de que pudesse comunicar conosco, saber de nossas fraquezas, entender nossas reais inclinações e falar ao nosso coração com um amor inaudito, inigualável. Nosso Senhor não teve vergonha da nossa humanidade tão vil e desprezível, pelo contrário Sua identificação conosco foi algo incrível, por essa razão Ele nos chama de irmãos Dele (Hebreus 2:11). Ele é agora o perfeito homem, em tudo, absolutamente em tudo é incomparável (Salmo 45:1,2).
         Ele é de fato, o Nome que nos faz amar e que faz brotar em nossos corações os mais profundos sentimentos de amor, de prazer e de emoções santas. Como satanás tem inveja! Como o arqui-inimigo procura imitar o Senhor e assim atrair a atenção para si! O cenário montado por ele ultimamente é incrível e parece algo santo e espiritual. Mas, é perceptível que há manchas em tudo; tudo é profano e cheio das imundícies do pecado. Mas, nosso interesse é mostrar o cenário real das coisas, conforme o comando perfeito do Espírito de Deus. Encaremos pela fé nosso Amado Senhor, pois somente a fé pode contemplar Aquele que é maravilhoso. Porventura, existe alguém mais perfeito do que o Senhor? Tem alguém que possa ser comparado a Ele? Há alguma conexão entre você o Rei da glória, que lhe leve a meditar Nele, desejá-Lo mais do que tudo e conhecê-Lo? Em seu ser há uma disposição de ser completamente Dele e tê-Lo acima de toda e qualquer riqueza e paixão que este mundo possa oferecer? Há em seu ser essa disposição de santidade, consagração e de inteira dedicação a Ele? E quando encontra tropeços; quando o mundo lhe convida às suas seduções, você pode correr pela fé, em santa oração para o seu Senhor e buscar Dele socorro e livramento?
         Caro leitor, essas interrogações vieram, a fim de que você saiba se realmente ama a Cristo; se de fato houve uma obra regeneradora em seu coração. Paulo deixa bem claro que se alguém não ama o Senhor é anátema. Declaração seríssima. Mas, acrescento que o amor por Cristo tem inicia-se na sincera e convicta conversão. Quando o perdido vê o quanto foi amado pelo Senhor ali na cruz e quando se entrega a Ele para a salvação, não há como não amá-Lo!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

SEU NOME SERÁ CONSELHEIRO




“Seu Nome será: Maravilhoso, conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Principe da paz”. Isaías 9:6

                   Como MARAVILHOSO nosso Senhor mostra ao Seu povo Seu coração gracioso e terno. Ele é o único e suficiente salvador daquele que, arrependido, O busca de todo coração.
                   Como CONSELHEIRO, o Senhor Jesus é apresentado em Seu ministério de guiar e orientar Seu povo. Ele é a própria Palavra de Deus. A bíblia inteira é a completa revelação e descrição do Filho de Deus, de modo que, aquele que ama a Palavra de Deus ama também a Jesus. “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus” (João 8:47). Aproximar-se das Sagradas Letras, é realmente um encontro com o Bondoso e Paciente Senhor; é conhecê-Lo mais; é amá-Lo mais. Ele é aquele que se manifestou em carne, por isso, quão importante é para cada crente achegar-se à Palavra Fiel para ouvir a sublime, mas meiga voz do Grande CONSELHEIRO.
                   Como CONSELHEIRO do Seu povo, nosso Senhor nos orienta através de Sua Santa Palavra. Aquele que é realmente crente é um discípulo que vive aos pés do Senhor para aprender Dele. Nenhum crente pode viver sem os conselhos Santos daquele que nos amou e que provou Seu amor por nós. Ele está continuamente conosco para nos orientar em toda nossa maneira de viver e proceder neste mundo.
                   Ele é um CONSELHEIRO Santo. Ele sempre nos orientará pelo caminho da santidade no nosso viver. Ele jamais nos guiará por caminhos tortuosos, porquanto Ele mesmo odiou a iniquidade e amou justiça. Transitar por caminhos sujos e levianos como faz este mundo vil, não é atitude que provém dos conselhos daquele que é o Santo de Israel. O crente testifica que é guiado pelo seu Pastor pelas veredas da Justiça especialmente por causa do Seu Nome.
                   Ele é um CONSELHEIRO Sábio. Seus conselhos não são aceitáveis à mentalidade louca deste mundo. Seu modo de orientar os santos difere daquilo que a carne tanto agrada e espera. O mundo é guiado pelos conceitos mundanos, os santos de Deus são orientados a caminhar em direção ao céu. A nossa alegria em nada tem a ver com a felicidade passageira daqui. Bebemos da água que sai da Rocha e alimentamo-nos do Maná que nos é dado na Palavra.
                   Ele é um CONSELHEIRO Fiel. Nunca abandona os Seus, nem um momento sequer. Às vezes faz com que as provações nos induzam a ficar prostrados em sua presença. Ele usa circunstâncias difíceis para limpar nossos ouvidos espirituais a fim que paremos para ouvi-lo.
                   Ele é um CONSELHEIRO Amoroso. Sabe como tratar com cada um de seus cordeirinhos. Fala com ternura aos nossos corações, e se houver rebeldia sabe bem como usar Sua amorosa vara da correção para nos açoitar e nos tornar aptos para a continuidade da jornada.
                                      Meu Senhor de tudo sabe, certamente sim
                                      Com cuidados incansáveis me protege a mim
                                      Tudo quanto Deus permite pra meu bem será
                                      E nos dias mais penosos forças Deus dará.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A GLÓRIA DE CRISTO (3)




A glória de Cristo manifestada pelo mistério das Suas duas naturezas

         A glória da dupla natureza de Cristo numa só pessoa é tão grande que o mundo incrédulo não pode ver a luz e a formosura que dela brilham. Hoje em dia, muitos negam a verdade de que Jesus Cristo é tanto Filho de Deus como Filho de homem. Mas esta é a glória, a qual os anjos “desejam olhar” (1Pe 1:12). Satanás no seu orgulho levantou-se contra o Deus do Céu e então, tratou de destruir os seres humanos na Terra que foram criados à imagem de Deus. Na Sua grande sabedoria, Deus uniu ambas as naturezas (a humana e a divina) contra as quais Satanás tinha pecado. Cristo, o Deus homem, triunfou sobre Satanás mediante a Sua morte na cruz. Aqui está o fundamento da Igreja. Na criação, Deus “suspende a Terra sobre o nada.” (Job 26:7). Mas, Ele fundou a Sua Igreja sobre a rocha imóvel: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16:16) Este glorioso ato é referido por Isaías: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Is 9:6)
         Como o fogo ardia na sarça que Moisés viu, assim a plenitude da divindade morava no corpo de Cristo o qual foi feito carne e habitou entre nós. (Veja-se Ex.3:2, Cl 2:9 e Jo 1:14) O fogo eterno da natureza divina estava na sarça da frágil natureza humana; não obstante, a natureza humana não foi consumida. Então, podemos ver “a graça daquele que habitou no arbusto” para conosco, os pecadores (Dt 33:16). Como foi dito a Moisés que tirasse os seus pés, assim também nós devemos pôr de lado todas as imaginações e desejos que provêm da nossa natureza caída a fim de que por meio da fé cheguemos a ver a glória de Cristo Jesus.
         Não é meu propósito dar uma explicação ou confirmação da verdade gloriosa das duas naturezas (divina e humana) unidas na pessoa de Cristo. O meu desejo agora é o de estimular as mentes dos crentes a uma contemplação da glória de Cristo no santo mistério da constituição da Sua pessoa, quer dizer, como Deus e homem num. Espero que o que é dito a seguir nos anime a procurar de Deus, o espírito de sabedoria e de revelação para abrir os olhos do nosso entendimento.
         1. Devemos estar absolutamente seguros de que esta glória de Cristo na Sua natureza humana e divina é o melhor, o mais nobre e o mais útil dos temas em que podemos pensar. O Apóstolo Paulo diz que todas as demais coisas são como perda, e em comparação com esta verdade, como o esterco (Veja-se Fl 3:8-10). As Escrituras falam da necedade das pessoas que gastam “o dinheiro naquilo que não é pão; e o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer” (Is 55:2). Eles fixam os seus pensamentos nos seus prazeres pecaminosos e recusam ver a glória de Cristo. Algumas pessoas são capazes de alcançar pensamentos muito elevados acerca da criação e da providência divinas. Mas não há nenhuma glória nestas coisas comparadas com a glória da dupla natureza de Cristo. No Salmo 8 David está meditando na grandeza das obras de Deus. Isto fá-lo pensar na pobre e débil natureza humana, a qual parece como nada em comparação com a obra de Deus. Mas então, David começa a admirar a sabedoria, a bondade e o amor divino por exaltar a nossa natureza humana (na pessoa de Cristo) muito por cima das obras da criação. O Apóstolo explica isto em Hb 2:5-6; veja também o Salmo 8. Quão prazenteiras e desejáveis são as coisas deste mundo: esposa, filhos, amigos, posses, poder e honra,  etc. ... Mas a pessoa que tem todas estas coisas e também um conhecimento da glória de Cristo dirá: “A quem tenho eu no Céu senão a Ti? E na Terra não há quem eu deseje além de Ti.” (Sl 73:25) Porque “Pois quem no Céu se pode igualar ao SENHOR? Quem é semelhante ao SENHOR entre os filhos dos poderosos?” (Sl 89:6)
         Apenas um olhar à formosura gloriosa de Cristo é suficiente para conquistar e capturar os nossos corações. Se não estamos olhando para Ele frequentemente e pensando na Sua glória é porque as nossas mentes estão muito ocupadas nas coisas terrestres. Então, não estamos aferrando-nos à promessa de que os nossos olhos verão o Rei na Sua formosura.
         2. Uma das atividades da fé consiste em esquadrinhar as Escrituras porque elas declaram a verdade acerca de Cristo. Ele mesmo nos exortou a fazê-lo: “Examinais as Escrituras... e são elas que de Mim testificam” (Jo 5:39). Vemos a glória de Cristo nas Escrituras de três maneiras:
         a) Pelas descrições diretas da Sua encarnação e do Seu caráter como o Deus homem. Veja-se Gn 3:15; Sl 2:7-9; 45:2-6; 78:17-18; 110; Is 6: 1-4, 9:6; Zc 3:8; Jo 1: 1-3; Fl 2:6-8; Hb 1: 1-3, 2:4-16 e Ap 1:7 e 18.
         b) Por incontáveis profecias, promessas e outras expressões que nos conduzem a considerar a Sua glória.
         c) Pelas instituições sagradas de adoração divina que Deus estabeleceu sob o Antigo Testamento, e pelo testemunho direto dado acerca dEle no Novo Testamento. Isaías disse: “Eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.” (Is 6:1) Esta visão do Cristo divino foi tão gloriosa que os serafins cobriam os seus rostos (Veja-se Is 6:1-3 e Jo 12:41). Quanto maior foi a glória revelada abertamente nos dias dos Evangelhos! Pedro diz-nos que ele e os outros Apóstolos foram testemunhas da majestade de nosso Senhor Jesus Cristo: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a Sua majestade, porquanto Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória Lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o Meu Filho amado, em quem Me tenho comprazido.” (2Pe 1:16-17) Deveríamos ser como aquele mercador que buscava toda a espécie de pérolas. Quando encontrou aquela pérola de grande preço vendeu tudo o que tinha e comprou-a (Mt 13:45-46). Cada verdade sagrada da Escritura é uma pérola que nos enriquece espiritualmente. Mas quando nos encontramos frente à glória de Cristo, encontramos tanto gozo que jamais nos separaremos desta pérola preciosa. A glória da Bíblia é que ela agora é o único meio que nos ensina a glória de Cristo.
         3. Devemos meditar frequentemente no conhecimento da glória de Cristo que recebemos da Bíblia. As nossas mentes deveriam ser espirituais e santas, livres das preocupações e dos afetos terrestres. A pessoa que não medita agora com deleite sobre a glória de Cristo nas Escrituras, não terá nenhum desejo real de ver essa glória no Céu. Que espécie de fé e de amor têm as pessoas que têm tempo para meditar em muitas coisas, mas não têm tempo para meditar sobre este assunto glorioso?
         4. Os nossos pensamentos deveriam voltar-se para Cristo cada vez que tenhamos oportunidade em qualquer momento do dia. Se formos crentes verdadeiros e se a Palavra de Deus mora em nossos pensamentos, então Cristo sempre estará perto de nós (Veja-se Rm 10:8). Descobriremos que Ele está disposto a falar conosco e a ter comunhão connosco. Cristo diz: “Eis que estou à porta e bato.” (Ap 3:20) É certo, que algumas ocasiões parece que Cristo Se afasta de nós e não podemos escutar a Sua voz. Mas quando isto ocorre, não devemos contentar-nos, antes devemos atuar como a noiva nos Cantares de Salomão e buscá-lO com diligência: “De noite busquei em minha cama aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei. Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não o achei. Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu perguntei-lhes: Vistes aquele a quem ama a minha alma? Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma; detive-o...” (Ct 3:1-4). A experiência da vida espiritual num Cristão será forte em proporção com os seus pensamentos e o seu deleite em Cristo o Qual vive nele. (Veja-se Gl 2:20) Às vezes diz-se acerca de duas pessoas que uma vive na outra. Mas isto só pode acontecer quando os seus corações estão tão unidos que ambos de dia e de noite vivem nos pensamentos um do outro. Assim deveria ser entre Cristo e os crentes. Cristo mora neles pela fé, mas os crentes experimentam o poder da Sua presença somente quando os seus pensamentos estão cheios dEle. Portanto, se queremos ver a glória de Cristo devemos encher-nos de pensamentos acerca dEle e da Sua glória em todo tempo. E quando Cristo estiver ausente dos nossos pensamentos por um tempo, então devemos repreender-nos e pôr-nos a buscá-lO na oração, na meditação, na leitura da Palavra, etc.
         5. Todos os nossos pensamentos acerca de Cristo e da glória deveriam ser acompanhados por admiração, adoração e ação de graças. É nos mandado amar o Senhor com toda a nossa alma, mente e forças (Veja-se Mc 12:30). Se somos crentes verdadeiros, a graça de Deus obrará em nossas mentes e almas para nos ajudar a fazer isso. Na vinda de Cristo como o Juiz no dia final, os crentes serão cheios de um sentido angustiado de admiração perante a Sua aparência gloriosa, “Quando vier para ser glorificado nos Seus santos e para Se fazer admirável, naquele Dia, em todos os que crêem” (2Ts 1:10). Esta admiração se converterá em adoração e ação graças como o exemplo que nos dá em Apocalipse 5:9-13 onde a Igreja dos redimidos canta um novo cântico: “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a Terra. E olhei e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. E ouvi a toda criatura que está no Céu, e na Terra, e debaixo da Terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.”
         Há algumas pessoas que esperam ser salvos por Cristo e ver a Sua glória no mundo próximo, mas não se preocupam com meditar acerca desta glória neste mundo. São como Marta que se preocupava de muitos quefazeres e não como Maria quem escolheu a boa parte, sentando-se aos pés de Cristo (Veja-se Lc 10:38-42). Tais pessoas deveriam tomar cuidado para não descuidar o dever de meditar na glória de Cristo e também de não menosprezar este dever.
         Alguns dizem que têm o desejo de olhar a glória de Cristo pela fé mas quando começam a fazê-lo, encontram que lhes é demasiado elevado e difícil. Sentem-se abrumados como os discípulos no monte da transfiguração. Reconheço que a debilidade das nossas mentes e a nossa incapacidade para entender muito acerca da glória eterna de Cristo nos impede de mantermos os nossos pensamentos firmes e fixos por muito tempo na meditação. Aqueles que não estão acostumados na arte da meditação santa não estarão habilitados para meditar neste mistério em particular. Mas ainda assim, quando a nossa fé já não pode concentrar os olhos do nosso entendimento para pensar no Sol da justiça brilhando na Sua formosura, pelo menos podemos, por meio da fé, descansar na santa admiração e no amor.