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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Os Mortos Bem-aventurados (fim)




Sermão de Jonathan Edwards
“Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor.” (2Coríntios 5:8)
            Agora, como execução veemente desta exortação, eu tiraria lições proveitosas dessa dispensação aflitiva da providência santa de Deus, que é a ocasião de nossa reunião neste momento — a morte do eminente servo de Jesus Cristo, cujo enterro deve ser cuidado neste dia, juntamente com o que era observável nele, na vida e na morte.
         Nesta dispensação da providência, Deus nos faz lembrar da nossa mortalidade e nos avisa que o tempo está próximo, quando então estaremos “ausentes do corpo” e “devemos comparecer”, como o apóstolo observa dois versículos mais à frente no texto: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2Co 5:10).
         Nele, cuja morte somos chamados a considerar e tirar lições proveitosas, temos não só uma instância de mortalidade, mas também, como possuímos toda razão imaginável para concluir, uma instância de alguém que, estando ausente do corpo, está presente com o Senhor. Disto ficaremos convencidos se considerarmos a natureza da experiência na ocasião de sua conversão, a natureza e curso dos exercícios interiores a partir daquela data, sua conversação exterior e prática de vida, ou a estrutura e comportamento durante todo o longo tempo em que ele encarou a morte frente a frente.
         Suas convicções de pecado que precedem suas primeiras consolações em Cristo, como consta num relato escrito que ele deixou dos exercícios e experiências interiores, eram sumamente profundas e completas. Suas dificuldades e tristezas que surgem de um senso de culpa e miséria eram muito grandes e continuamente longas, mas, não obstante, sãs e racionais, não consistindo em pavores instáveis, violentos e irresponsáveis e perturbações da mente; mas surgindo das mais sérias considerações e de uma iluminação clara da consciência para discernir e considerar o verdadeiro estado das coisas. A luz entrou em sua mente na conversão, e as influências e exercícios para os quais sua mente foi sujeita naquele momento mostram-se muito agradáveis à razão e ao Evangelho de Jesus Cristo. A mudança foi muito grande e notável, contudo sem a aparência de impressões fortes na imaginação, de voos súbitos de afetos ou de emoções veementes da natureza animal. Isso foi assistido com visões justas da suprema glória do Ser divino, consistindo na dignidade e beleza infinitas das perfeições da sua natureza e da excelência transcendente do caminho de salvação por Cristo Jesus. Isto sucedeu cerca de oito anos atrás, quando ele tinha vinte e um anos de idade.
         Deus santificou e formou para seu uso este vaso, que Ele designou fazer eminentemente um vaso de honra na sua casa e o qual fizera de grande capacidade, dotando-o de habilidades e dons naturais muito incomuns. Ele era instância singular de uma invenção pronta, eloquência natural, expressão fluente, apreensão vivaz, discernimento rápido, memória forte, gênio penetrante, pensamento profundo e claro e juízo perspicaz. Ele tinha um discernimento exato; sua compreensão era, se posso expressá-la, de um faro rápido, forte e distintivo; sua aprendizagem era muito considerável. Ele tinha grande gosto em aprender e se aplicava aos estudos de maneira tão íntima quando estava na faculdade, que muito lhe prejudicou a saúde e foi obrigado, por conta disso, durante algum tempo, a deixar a faculdade, desistir de seus estudos e voltar para casa. Ele era reputado alguém que excedia em aprendizagem naquela sociedade.
         Ele tinha conhecimento extraordinário das pessoas, como também das coisas, e perspicácia incomum da natureza humana. Excedia muitos que já conheci no poder de comunicar os pensamentos e tinha talento peculiar de acomodar-se às capacidades, temperamentos e circunstâncias daqueles a quem instruía ou aconselhava.
         Ele tinha dons extraordinários para o púlpito. Nunca tive oportunidade de ouvi-lo pregar, mas muitas vezes o ouvi orar. Acho que sua maneira de se dirigir a Deus e de se expressar diante Dele era quase inimitável, fato que raramente vi igual. Ele se exprimia com propriedade e pertinência exatas em expressões significantes, fluentes e pungentes, com tamanha demonstração de sinceridade, reverência e solenidade, e tão grande distância de toda afetação, quanto a esquecer a presença da audiência e estar na presença imediata de um grande e santo Deus, que poucas vezes vi paralelo. Seu modo de pregar, sobre o qual muitas vezes ouvi bons juízes referirem-se, era não menos excelente, sendo claro, instrutivo, natural, vigoroso, comovente, penetrante e convincente. Ele repugnava o ruído afetado e a impetuosidade violenta no púlpito, e contudo tinha grande aversão de uma entrega tediosa e fria, quando o assunto requeria afeição e avidez. Suas experiências das influências santas do Espírito de Deus foram grandes não só primeiramente na conversão, mas também continuaram assim num curso permanente. Este fato evidencia-se num diário que ele mantinha de seus exercícios interiores desde o tempo em que se converteu até o momento em que ficou incapacitado pela queda de forças poucos dias antes de morrer. A mudança que ele estimava como sua conversão foi não só uma grande mudança de suas visões, afetos e estrutura de pensamento, mas, evidentemente, o começo dessa obra de Deus no seu coração, que Deus continuou fazendo de maneira muito maravilhosa desde aquele tempo até o dia em que morreu.
         Assim como seu aspecto interior mostrou-se ser do tipo certo e era muito notável quanto ao grau, seu comportamento e prática externas eram igualmente agradáveis. Em toda a sua trajetória, ele agiu como alguém que tinha vendido tudo por Cristo, dedicado-se completamente a Deus, feito a glória Dele o seu mais alto fim e estava determinado a gastar todo o tempo e força neste propósito. Ele era ativo na religião da maneira certa, não meramente ou principalmente em sua língua, para professá-la e falar dela, mas ativo na obra e matéria da religião. Ele não era um daqueles que procuram esquivar-se da cruz para alcançar o céu na indulgência da facilidade e indolência. São provavelmente sem paralelo hoje em dia nesta parte do mundo sua vida de labor e abnegação, os sacrifícios que fez e a prontidão e constância com que despendeu suas forças e todo o seu ser para promover a glória do Redentor. Muito disso pode ser percebido por aquele que lê seu jornal impresso, porem muito mais se aprendeu através de longas e estreitas relações com ele e examinando o diário desde sua morte, o qual ele de propósito escondeu no que publicou.
         Não menos extraordinário era sua constante tranquilidade, paz, certeza e alegria em Deus, durante o longo tempo em que olhava a morte face a face sem a menor esperança de recuperação, continuando sem interrupção até os últimos momentos em que a enfermidade muito sensivelmente atacava dia a dia seus órgãos vitais e muitas vezes o levava ao estado no qual ele se considerava — e outros também — estar morrendo. Os pensamentos da aproximação da morte nunca pareciam ao menos desalentá-lo, mas antes o encorajavam e divertiam-lhe o humor. Quanto mais perto a morte chegava, mais desejoso ele parecia de morrer. Pouco tempo antes de morrer, ele disse que “a consideração do dia da morte e o Dia do Juízo há muito tinha[lhe] sido peculiarmente doce.”

Ele parecia ter extraordinários exercícios de resignação à vontade de Deus. Certa vez, ele me contou que “Tinha ansiado pelo derramamento do Espírito Santo de Deus e pelos tempos gloriosos da Igreja e esperado a sua proximidade; e desejaria viver para promover a religião nesta época, se essa tivesse sido a vontade de Deus.” “Mas”, disse ele, “estou propenso que as coisas sejam como são; nem por dez mil mundos eu não teria a escolha de fazer sozinho.”

Com frequência ele falava dos diferentes tipos de vontade de morrer, e mencionava como algo ignóbil e vil a vontade de morrer, por estar propenso a morrer só para se livrar da dor, ou ir para o céu a fim de receber honra e promoção. Seu desejo da morte parecia ser de um tipo totalmente diferente e para fins mais nobres. Quando foi tomado pela primeira vez com um dos últimos e mais fatais sintomas da doença, ele disse: “Agora o tempo glorioso está chegando! Almejei servir a Deus perfeitamente e Deus satisfará esse desejo.” Uma vez ou outra na fase final de sua enfermidade, ele articulou estas expressões: “Meu céu é agradar a Deus, glorificá-lo, dar tudo a Ele e ser dedicado completamente à sua glória. Este é o céu que desejo, esta é a minha religião, esta é a minha felicidade e sempre foi, desde que supus ter a verdadeira religião. Todos os que são dessa religião me encontrarão no céu.” “Eu não vou para o céu para ser promovido, mas para dar honra a Deus. É de pouca importância onde serei posicionado no céu, se tenho um assento alto ou baixo, mas vou amar, agradar e glorificar a Deus. Se eu tivesse mil almas, se elas valessem algo, eu as daria todas a Deus. Mas não tenho nada a oferecer quando tudo terminar.”
         Depois que seu estado o deixou tão prostrado que já não tinha a menor esperança de recuperação, sua mente vislumbrou o futuro com zelosa preocupação pela prosperidade da Igreja de Deus na terra. É mais do que evidente que isto é proveniente de um amor puro e desinteressado de Cristo e um desejo de sua glória. A prosperidade de Sião era um tema no qual ele se demorava muito e do qual muito falava, e cada vez mais assim que a morte se aproximava dele. Quando estava perto do fim, ele me contou que nunca, em toda a vida, teve a mente induzida a desejos e orações sérias pelo florescimento do Reino de Cristo na terra, quanto desde que ficou extremamente prostrado em Boston. Ele parecia se perguntar por que os ministros e as pessoas não manifestavam mais a disposição de orar pelo desenvolvimento da religião por todo o mundo.

Mas pouco antes de morrer, ele me contou quando entrei no quarto: “Meus pensamentos estavam no querido velho tema: a prosperidade da Igreja de Deus na terra. Enquanto eu acordava, fui levado a chorar pelo derramamento do Espírito de Deus e o progresso do Reino de Cristo, pelo qual o querido Redentor morreu e tanto sofreu. É sobretudo isso que me faz desejar muito a prosperidade da Igreja de Deus na terra.”
         Alguns dias antes de morrer, ele quis que cantássemos um salmo relacionado à prosperidade de Sião, que ele denotou ter engajado seus pensamentos e desejos acima de todas as coisas. A seu pedido, cantamos parte do Salmo 102. Quando terminamos, embora estivesse tão prostrado que mal podia falar, ele se esforçou e fez uma oração, muito audivelmente, na qual, além de pedir pelos presentes e pela própria congregação, orou solicitamente pelo avivamento e florescimento da religião no mundo. Sua congregação tem lugar especial em seu coração. Era frequente ele falar dela e, quando o fazia. era com ternura peculiar, de forma que sua fala era interrompida e afogada em lágrimas.
         Assim, propus-me a representar algo do caráter e comportamento deste excelente servo de Cristo, cujo sepultamento deve ser cuidado agora. Embora o tenha feito muito imperfeitamente, contudo empreendi fazê-lo com fidelidade e como na presença e temor de Deus, sem lisonja, o que seguramente deve ser de nenhum valor aos ministros do Evangelho, quando falam “como mensageiros do Senhor dos Exércitos.” Tal razão temos de satisfazer para que a pessoa de quem tenho falado, agora “ausente do corpo”, está “presente com o Senhor”, não apenas isso, mas também com ele está uma coroa de glória de brilho distinto.
         Quanto há na consideração de tal exemplo e de tão abençoado fim para encorajar os que ainda estamos vivos com a maior diligência e seriedade, a fim de que tiremos lições proveitosas do tempo de vida e também possamos ir estar com Cristo quando deixarmos este corpo! O tempo está chegando e logo virá, não sabemos quão próximo está, quando teremos de nos despedir eternamente de todas as coisas deste mundo para entrarmos num estado permanente e inalterável no mundo eterno. Quanto vale a pena laborarmos, sofrermos e negarmos a nós mesmos para guardarmos um bom fundamento de sustentação e provisão contra esse tempo! Quão preciosa é essa paz, quando ouvimos falar que vale a pena tais momentos! Quão escuro seria estarmos em tais circunstâncias, sob as aflições externas de uma estrutura consumada e dissolvente, e encarando a morte a cada dia, com corações imundos e pecados não perdoados, sob uma carga terrível de culpa e ira divina, tendo muita tristeza e raiva em nossa enfermidade, e nada para consolar e apoiar nossa mente, nada diante de nós senão um iminente comparecimento perante o tribunal de um Deus Todo-poderoso e infinitamente santo e irado, e uma eternidade para sofrermos sua ira sem piedade ou misericórdia! A pessoa de quem estamos falando tinha um grande senso desta realidade. Ele afirmou, não muito tempo antes de morrer: “Me e doce pensar na eternidade. Sua infinidade a torna doce. Mas, o que direi quanto à eternidade dos ímpios? Não posso mencionar, nem pensar! O pensamento é muito terrível!” Em outro momento, falando de um coração dedicado a Deus e sua glória, ele disse: “Quanto é importante ter tal estrutura de mente, tal coração como esse, quando vamos morrer! É isso que me dá paz agora.”
         Quanto há, em particular, nas coisas que foram observadas deste eminente ministro de Cristo para nos impelir — os que somos chamados para a mesma e grande obra do ministério do Evangelho — ao cuidado e esforços diligentes, a fim de que da mesma maneira sejamos fiéis em nosso trabalho, como também cheios do mesmo espírito, animados com a mesma chama pura e ardente do amor a Deus e tenhamos o mesmo interesse sério pela promoção do Reino e glória de nosso Senhor e Mestre e da prosperidade de Sião! Estes princípios o tornaram muitíssimo amado na vida e muito bem-aventurado no seu fim!
         Que as coisas que foram vistas e ouvidas sobre esta pessoa extraordinária — a santidade, consagração, trabalho duro e abnegação de vida; sua tão excepcional devoção de si e do seu tudo, no coração e na prática, para a glória de Deus; e a maravilhosa estrutura de pensamento manifestada de maneira tão firme sob a expectativa da morte e com dores e agonias que a acompanharam. Que isso nos encoraje a todos nós, ministros e povo, a um senso adequado da grandeza da obra que temos de fazer no mundo, da excelência e afabilidade da religião total na experiência e na prática, da bem-aventurança do fim daqueles cuja morte encerra tal vida e do valor infinito da recompensa eterna, quando “ausente do corpo e presente com o Senhor'; e efetivamente nos leve a empenhos constantes e eficazes que, à semelhança de tal vida santa, entremos afinal para tão bem-aventurado fim! Amém.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Os Mortos Bem-aventurados (6)




Sermão de Jonathan Edwards
“Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor.” (2Coríntios 5:8)

3. Os santos no céu têm comunhão com Cristo no serviço bem-aventurado e eterno de glorificar o Pai.
         Quando Cristo instituiu a Ceia do Senhor e comeu e bebeu com os discípulos à mesa, dando-lhes nesse particular uma representação e penhor do futuro banquete com Ele e da bebida do novo vinho no Reino do Pai celeste, nesse momento Ele os conduziu em seus louvores a Deus no hino que cantaram. Não há que duvidar que da mesma forma Ele conduz os discípulos glorificados ao céu. Davi, como o amado salmista de Israel, conduziu a grande congregação do povo de Deus nos cânticos de louvor. Nisto, como em outras coisas inumeráveis, ele tipifica a Cristo, frequentemente mencionado na Escritura pelo nome de Davi. Muitos dos salmos que Davi escreveu eram cânticos de louvor que ele, pelo espírito de profecia, proferiu em nome de Cristo, como Cabeça da Igreja e conduzindo os santos nos louvores. Cristo no céu conduz a assembleia gloriosa nos louvores a Deus como Moisés conduziu a congregação de Israel pelo mar Vermelho, o que está implícito nas palavras: “Eles cantam o cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro.” João nos fala que ouviu uma voz sair do trono dizendo: “Louvai o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, tanto pequenos como grandes” (Ap 19:5). Quem proferiu esta voz que saiu do trono, senão “o Cordeiro que está no meio do trono” conclamando a assembleia gloriosa dos santos a louvar o seu Pai e Pai deles, o seu Deus e Deus deles? Qual seja a consequência desta voz, ficamos sabendo nas seguintes palavras: “E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia! Pois já o Senhor, Deus Todo-poderoso, reina” (Ap 19:6).
         O assunto que estamos considerando pode ser utilmente aplicado a modo de exortação. Que sejamos todos exortados seriamente a buscar esse grande privilegio do qual falamos, que quando ''[deixamos] este corpo, [vamos] habitar com o Senhor” (2Co 5:8). Não podemos permanecer para sempre neste tabernáculo terrestre. Ele é muito frágil e logo se deteriorará e cairá, e está continuamente sujeito a ser vencido por inumeráveis meios. Nossa alma em breve tem de deixar o corpo e entrar no mundo eterno. Quão infinitamente grande será o privilégio e felicidade dos que, naquele momento, irão estar com Cristo na sua glória, da maneira como foi representada! O privilégio dos doze discípulos era grande por estarem constantemente com Cristo como sua família no estado de sua humilhação. O privilégio dos três discípulos era grande por estarem com Ele no monte da Transfiguração, onde lhes foi mostrado uma ténue semelhança da futura glória dEle no céu, como eles viram seguramente no atual estado fraco, frágil e pecador. Eles ficaram grandemente encantados com o que viram e desejosos de fazer tabernáculos para morar neles e não descer mais do monte. Também foi grande o privilégio de Moisés quando esteve com Cristo no monte Sinai e lhe pediu que mostrasse a sua glória, e ele o viu pelas costas quando Ele passou e o ouviu proclamar seu nome. Mas o privilégio de que falamos não é infinitamente maior? O privilégio de estarmos com Cristo no céu onde Ele se assenta no trono, como o Rei dos anjos e o Deus do universo, brilhando como o Sol daquele mundo de glória — para habitarmos na visão plena, constante e perpétua da sua beleza e brilho, conversarmos com Ele livre e intimamente e desfrutarmos seu amor inteiramente, como amigos e irmãos, compartilharmos com Ele no prazer e gozo infinitos que Ele tem no prazer do Pai, assentarmo-nos com Ele no trono, reinarmos com Ele na posse de todas as coisas, participarmos com Ele da glória da sua vitória sobre os inimigos e o progresso do seu Reino no mundo e unirmo-nos com Ele nos alegres cânticos de louvor ao seu Pai e nosso Pai, ao seu Deus e nosso Deus, para sempre e sempre. Não é este um privilégio digno de ser buscado?

segunda-feira, 4 de março de 2013

Os Mortos Bem-aventurados (5)




Sermão de Jonathan Edwards
“Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor.” (2Coríntios 5:8)


V. A alma do cristão é recebida numa comunhão gloriosa com Cristo na sua bem-aventurança.
         Os santos no céu têm comunhão com Cristo na sua glória e bem-aventurança no céu nos seguintes aspectos:
1. Os santos no céu participam com Ele das delícias inefáveis que Ele tem no céu no prazer do seu Pai.
         Quando Cristo ascendeu ao céu, Ele foi recebido a uma bem-aventurança peculiar no prazer do Pai que, na paixão, se escondeu da face de Jesus; este prazer tornou-se relação na qual Ele estava com o Pai; e era uma recompensa satisfatória pelo grande e difícil serviço que Ele executara na terra. Então Deus mostrou-Lhe o caminho da vida, e trouxe-O à sua presença, onde há abundância de alegrias, para se assentar à sua mão direita, onde há prazeres eternamente, como está escrito acerca de Cristo (veja Salmo 16:11). Então o Pai fê-Lo o mais abençoado para sempre; Ele fê-Lo muitíssimo contente com o seu semblante. Os santos pela união com Cristo participam da relação filial Dele com o Pai e são herdeiros com Ele da felicidade no prazer do Pai, como parece estar insinuado pelo apóstolo e pelo salmista: “Eles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás beber da corrente das tuas delícias; porque em ti está o manancial da vida; na tua luz veremos a luz” (SI 36:8,9). Os santos terão prazer participando com Cristo no seu prazer e verão luz na sua luz. Eles participarão com Cristo do mesmo rio de prazer, beberão da água da vida e do mesmo vinho novo no Reino do Pai. Esse vinho novo é especialmente aquela alegria e felicidade que Cristo e os verdadeiros discípulos participarão juntos na glória; que é a compra do sangue de Cristo ou a recompensa da sua obediência até a morte. Cristo, na sua ascensão ao céu, recebeu prazeres perpétuos à mão direita do Pai no prazer do amor do Pai como recompensa da sua obediência até a morte. Mas a mesma retidão é considerada tanto para a Cabeça quanto para os membros: e ambos terão comunhão na mesma recompensa, cada um de acordo com sua capacidade distinta.
         Os santos, no céu, participaram com Cristo do seu prazer com o Pai. Este fato manifesta a excelência transcendente da felicidade deles e a realidade deles serem admitidos a um privilégio imensamente mais elevado em glória do que os anjos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

meditações de Spurgeon



Porém, no mesmo ano, comeram das novidades da terra de Canaã.” (Josué 5:12)


            A PEREGRINAÇÃO de Israel tinha sido concluída e o prometido repouso tinha chegado. Não havia mais mudança de tendas, nem mais serpentes venenosas, nem mais ferozes amalequitas e nem mais ermos desertos. Chegaram à terra que fluía leite e mel e comeram o grão da terra da colheita anterior. Possivelmente este ano, amado leitor, este seja o seu caso ou o meu. Cheia de gozo é esta esperança; e se a fé se mostrar ativa dar-nos-á genuíno prazer.
       Estar com Cristo no repouso que resta para o povo de Deus é, na verdade, uma esperança tão cheia de gozo; e esperar em breve esta glória é uma dupla glória. A incredulidade estremece ante o Jordão que ainda corre entre nós e a terra formosa, mas estejamos seguros de que já havemos experimentados maiores males do que os que a morte, no pior dos casos, nos pode causar. Desprezemos todo o temor e regozijemo-nos com grande gozo na esperança de que este ano começaremos a estar “para sempre com o Senhor.”
            Uma parte do exército permanecerá este ano na terra para servir ao Senhor. Se esta for a nossa sorte, não há razão porque este versículo de Ano Novo não seja verdadeiro até neste caso. “Nós, os que cremos, entraremos no repouso.” O Espírito Santo é a garantia de nossa herança; a glória que Ele nos dá, começa aqui. Os que residem no céu estão seguros, e os que estamos na terra somos preservados em Cristo. Ali eles triunfam dos seus inimigos, e nós aqui também obtemos vitórias. Os espíritos celestiais têm comunhão com o Senhor, e nós também a temos. Eles cantam os seus louvores, e nós também gozamos deste privilégio. Nós recolheremos este ano frutos celestiais na terra, onde a fé e a esperança têm feito o deserto semelhante ao jardim do Senhor. O homem comeu antigamente o alimento dos anjos, e por que não o comem agora? Que a graça nos ensine a alimentarmo-nos de Jesus, de modo que possamos este ano comer o fruto da terra de Canaã!