segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ACERCA DO JEJUM (8)



John Wesley     
Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu , porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6:16-18)
                AS OBJEÇÕES:
         Passo agora a considerar as mais plausíveis dentre essas objeções.
         1.      Primeiramente, diz-se com frequência: “Abstenha-se o cristão do pecado, e não da comida; isto é o que o Senhor exige” Tal é, na verdade, a exigência do Senhor; mas Ele exige também outro gênero de abstinência; Assim sendo, deve está obra ser feita, sem que se deixe de fazer aquela.
         Reduzi vosso argumento a suas devidas proporções e avaliareis facilmente da plausibilidade que ele tem:
         Se o cristão deve abster-se do pecado, logo, ele não deve abster de alimento.
         Que o Cristão deva abster-se de pecado, é mais do que evidente; mas, como se há de concluir daí que não deva abster-se de alimento? Ora, faça ele uma e outra coisa. Sempre se abstenha, pela graça de Deus, do pecado – e prive-se, com frequência, do alimento, porque para isto há razões de objetivos com os quais a experiência e a Escritura respondem vitoriosamente àquela objeção.
         2.      “Mas não é melhor (como, em segundo lugar, se tem objetado), abster-se de orgulho e vaidade, de impertinência, e rancor, e descontentamento, do que de comida?” Assim deve ser, sem dúvida. Todavia, temos outra vez necessidade de vos lembrar as palavras de nosso Senhor: “Deveis fazer estas coisas, sem, entretanto, omitirdes aquelas”. E, na verdade, aquelas abstinências se relacionam com esta, que é meio através do qual se alcançam aqueles grandes fins.
         Abstemo-nos de alimento com a intenção de que, pela graça de Deus comunicada às nossas almas através desses meios exteriores, em ligação com todos os outros canais de Sua graça, por Ele mesmo estabelecidos, possamos habilitar-nos à abstinência de toda paixão e todo impulso natural que não sejam agradáveis à vista do Pai. Refreamo-nos de um para que, fortalecidos pelo poder do Alto, possamos ser capazes de refrear-nos do outro, de modo que vosso argumento prova exatamente o contrário do que pretendíeis: prova que devemos jejuar. Porque, se devemos abster-nos também de alimento, uma vez que esses pequenos exemplos de renúncia são os caminhos por Deus escolhidos para por eles comunicar-nos aquela grande salvação.
         3.      “Não verificamos, entretanto, que assim seja na realidade (esta é a terceira objeção): temos jejuado muito e com frequência; mas, com que proveito? Não somos em nada melhores; não alcançamos bênçãos por semelhante meio. Ao contrário: nele mais depressa encontramos um tropeço do que um auxílio. Em lugar de prevenir a ira, por exemplo, ou a irritação, o jejum nos tem sido um meio de aumentá-las a tal ponto, que nem suportamos aos outros, nem a nós mesmos”. Este pode ser mui possivelmente o caso. É possível que tanto o jejum como a oração vos tornem muito piores do que dantes, mais desesperados e mais profanos. A culpa não está, contudo, nos meios em si, mas no modo por que são usados. Usai-os outra vez, mas usai-os de diferente maneira. Fazei o que Deus manda como Ele manda; e então indubitavelmente Sua promessa se cumprirá sem falta; Sua benção não tardará em vos se comunicada; e afinal, quando jejuardes em secreto, “Aquele que vê em secreto vos retribuirá publicamente”.
(continua)

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