John Wesley
“Quando jejuardes,
não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com
o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já
receberam a recompensa. Tu , porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o
rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em
secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6:16-18)
(continuação)
11. Este é o meio indicado, pois não é meramente
pela luz da razão, ou da consciência natural, como é chamada, que o povo de
Deus tem sido estimulado a usar o jejum como meio de alcançar aqueles fins, mas
o próprio Deus, falando de tempos em tempos, lho ensinou, através de claras e
patentes revelações de Sua vontade. Entre essas notáveis revelações se inscreve
a do profeta Joel: “Agora, pois, diz o
Senhor, convertei-vos a mim de todo o vosso coração, em jejum, e em lágrimas, e
em gemidos; quem sabe se quererá Ele volver-se para vós, e perdoar-vos, e
deixar após si alguma benção? Fazei soar a trombeta em Sião, santificai um
jejum, convocai uma santa assembleia; então o Senhor será zeloso de sua terra e
terá piedade de Seu povo. Eis aí vou eu a enviar-vos trigo, vinho e azeite; e
eu não vos entregarei mais ao insulto dos gentios” (Joel 2:12 e seguintes).
Não são
apenas bênçãos temporais que Deus incita seu povo a esperar através do uso dos
meios em apreço, pois, ao mesmo tempo que promete aos que o buscarem com jejum,
e pranto, e lamentação: “Eu vos
recompensarei os anos cujos frutos comeu o gafanhoto, o vale e a ferrugem, e a
lagarta, este meu poderoso exército”, Deus acrescenta: “comereis e fartareis, e
louvareis o Nome do Senhor vosso Deus. Vós sabereis então que eu estou no meio
de Israel e que sou o Senhor vosso Deus”. E segue-se então a grande promessa evangélica: “Derramarei o meu
Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas
profetizarão, e os vossos anciãos serão instruídos por sonhos, e os vossos
mancebos terão visões”
12. Quaisquer que sejam as razões que hajam para
reviver as lições do passado, no zeloso e constante cumprimento desse dever,
temo-las de igual prestígio, no presente, para afervorar-nos na mesma prática.
Mas acima de tudo aquilo, temos uma razão particular para a observância dos
jejuns frequentes: Temos o mandamento daquele cujo nome trazemos. Ele não
ordena expressamente, em verdade, na passagem citada, nem o jejum, nem as
caridades ou a oração; mas Suas direções acerca do modo como jejuar, dar
esmolas e orar, têm a mesma força que teria o mandamento expresso. Mandar que
façamos, coisas deste modo é uma ordem irretorquível para que a façamos, visto
que seria impossível cumpri-la de certo modo dado, se ela não se devesse
cumprir em absoluto. Consequentemente, dizendo: “Daí esmolas, orai, jejuai de
tal maneira”, transmite-nos o Mestre um claro mandamento no sentido de que se
cumpram todos esses deveres, e que se cumpram daquela maneira, que, de modo
nenhum ficará sem Sua recompensa.
E isso
constitui ainda um motivo novo e um encorajamento à prática daquele dever,
havendo, ademais, a promessa que nosso Senhor graciosamente anexou ao reto
cumprimento de tal dever: “Teu Pai, que vê em secreto, te recompensará
publicamente”. Tais são as bases evidentes, as razões e os fins do jejum; aí
está o incentivo à perseverança na sua prática, não obstante a abundância de
objeções que contra ela continuamente arguem certos homens, mais sábios do que
seu próprio Senhor.
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