quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ACERCA DO JEJUM (6)



 John Wesley   
Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu , porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6:16-18)
                (continuação)
         9.      O jejum é meio, não somente de apaziguar a ira de Deus, mas de atrair também quaisquer bênçãos de que tivermos necessidade. Assim, quando as ou trás tribos foram feridas diante dos Benjamitas, “todos os filhos de Israel vieram à casa de Deus e choraram, jejuando aquele dia até a tarde”; e então disso o Senhor: “Subi” de novo; “amanhã eu os entregarei nas tuas mãos” (Juízes 20:26). Assim, quando Israel estava escravizado aos Filisteus, Samuel reuniu seu povo “e eles jejuaram aquele dia” perante o Senhor; e quando “começaram os filisteus o combate contra Israel, o Senhor trovejou” contra eles “com um estrondo espantoso, e os aterrorizou, e foram derrotados diante de Israel” (1 Samuel 7:6). Assim Esdras: “E estando junto ao rio Aava, publiquei ali um jejum para nos humilharmos diante do Senhor nosso Deus, e para lhe pedirmos uma feliz jornada para nós, e para nossos filhos, e para tudo que levávamos conosco” (Esdras 8:21). Assim Neemias: “Jejuei e orei na presença do Deus do céu e disse: Conduze hoje o teu servo e fá-lo achar misericórdia diante deste homem”; e Deus fez que achasse misericórdia à vista do rei. (Neemias 1:4-11).
         10.    De modo semelhante, os apóstolos sempre uniam o jejum à oração, ao pedirem a benção para algum empreendimento de vulto excepcional. Assim, lemos (Atos 13:1-3): “Havia na igreja de Antioquia profetas e doutores; enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam”, indubitavelmente para suplicar inspiração nesse serviço, “disse-lhes o Espírito Santo: separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado; E depois que jejuaram” pela segunda vez, “oraram e lhes impuseram as mãos, despedindo-os”. Paulo e Barnabé, por sua vez, como lemos no capítulo seguinte, “quando voltaram de novo para Listra, Icônio e Antioquia, confirmando as almas dos discípulos, ao ordenar-lhes presbíteros, em cada igreja, oraram com jejuns, encomendando-os o Senhor” (Atos 14:23).
         Que há bênçãos que se alcançam através da observância do jejum, não sendo conferidas por nenhum outro meio, declara-o expressamente nosso Senhor em Sua resposta à interrogação dos discípulos: “Por que não pudemos nós expulsá-lo? Jesus lhes respondeu: Por causa da vossa incredulidade. Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível. Mas esta casta de demônios não se lança fora, senão pela força de oração e de jejum” (Mateus 17:19,20); sendo este o meio ordenado de alcançar aquele fé, em virtude da qual os próprios demônios se vos submetem.
         11.    Este é o meio indicado, pois não é meramente pela luz da razão, ou da consciência natural, como é chamada, que o povo de Deus tem sido estimulado a usar o jejum como meio de alcançar aqueles fins, mas o próprio Deus, falando de tempos em tempos, lho ensinou, através de claras e patentes revelações de Sua vontade.
(continua)

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