John Wesley
“Quando jejuardes,
não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com
o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já
receberam a recompensa. Tu , porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o
rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em
secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6:16-18)
(continuação)
9. O jejum é meio, não somente de apaziguar a
ira de Deus, mas de atrair também quaisquer bênçãos de que tivermos
necessidade. Assim, quando as ou trás tribos foram feridas diante dos
Benjamitas, “todos os filhos de Israel
vieram à casa de Deus e choraram, jejuando aquele dia até a tarde”; e então
disso o Senhor: “Subi” de novo; “amanhã eu os entregarei nas tuas mãos”
(Juízes 20:26). Assim, quando Israel estava escravizado aos Filisteus, Samuel
reuniu seu povo “e eles jejuaram aquele
dia” perante o Senhor; e quando “começaram
os filisteus o combate contra Israel, o Senhor trovejou” contra eles “com um estrondo espantoso, e os
aterrorizou, e foram derrotados diante de Israel” (1 Samuel 7:6). Assim
Esdras: “E estando junto ao rio Aava,
publiquei ali um jejum para nos humilharmos diante do Senhor nosso Deus, e para
lhe pedirmos uma feliz jornada para nós, e para nossos filhos, e para tudo que
levávamos conosco” (Esdras 8:21). Assim Neemias: “Jejuei e orei na presença do Deus do céu e disse: Conduze hoje o teu
servo e fá-lo achar misericórdia diante deste homem”; e Deus fez que
achasse misericórdia à vista do rei. (Neemias 1:4-11).
10. De modo semelhante, os apóstolos sempre uniam
o jejum à oração, ao pedirem a benção para algum empreendimento de vulto
excepcional. Assim, lemos (Atos 13:1-3): “Havia
na igreja de Antioquia profetas e doutores; enquanto eles ministravam perante o
Senhor e jejuavam”, indubitavelmente para suplicar inspiração nesse
serviço, “disse-lhes o Espírito Santo:
separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado; E depois que
jejuaram” pela segunda vez, “oraram
e lhes impuseram as mãos, despedindo-os”. Paulo e Barnabé, por sua vez,
como lemos no capítulo seguinte, “quando
voltaram de novo para Listra, Icônio e Antioquia, confirmando as almas dos
discípulos, ao ordenar-lhes presbíteros, em cada igreja, oraram com jejuns,
encomendando-os o Senhor” (Atos 14:23).
Que há bênçãos
que se alcançam através da observância do jejum, não sendo conferidas por
nenhum outro meio, declara-o expressamente nosso Senhor em Sua resposta à
interrogação dos discípulos: “Por que
não pudemos nós expulsá-lo? Jesus lhes respondeu: Por causa da vossa
incredulidade. Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de
mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos
será impossível. Mas esta casta de demônios não se lança fora, senão pela força
de oração e de jejum” (Mateus 17:19,20); sendo este o meio ordenado de
alcançar aquele fé, em virtude da qual os próprios demônios se vos submetem.
11. Este é o meio indicado, pois não é meramente
pela luz da razão, ou da consciência natural, como é chamada, que o povo de
Deus tem sido estimulado a usar o jejum como meio de alcançar aqueles fins, mas
o próprio Deus, falando de tempos em tempos, lho ensinou, através de claras e
patentes revelações de Sua vontade.
(continua)
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