“Mas
pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de
Cristo” (1 Pedro 1:19).
Caro leitor, nada pode conceder
livramento eterno ao perdido, a não ser o sangue; os corações tão enganosos e
iludidos pelo ardiloso pecado precisam saber que não há outro caminho; os
homens, dentro e fora das igrejas precisam parar de lutar na tentativa de
promover sua salvação através de seus atos de justiça própria. Foi por essa
razão que Pedro alertou em sua carta: “Sabendo que não foi por prata ou ouro que
fostes resgatados...” (1 Pedro 1:18). Pensamos que outros meios hão de
fornecer caminhos espirituais melhores; que seremos mais santificados e
agradaremos mais a Deus. Quanto engano! Fora da redenção pelo sangue tudo
resulta em orgulho e fracasso; tudo é dissipado pela fúria da Ira de Deus; tudo
resultará em mundanismo e legalismo.
Caro leitor precisamos saber que nada há em nós que possa
agradar trazer satisfação a Deus, pois somos provenientes do pecado. Nossos
pais, por mais queridos que eles foram ou são, nos geraram para um viver vão e
inútil; nascemos para caminhar pelas vias
da estultices; entramos no mundo para percorrer os caminhos da loucura e
escravidão. Dentro de uma religião aparentemente bela e fora de qualquer
círculo religioso os homens em Adão são iguais, as diferenças são vistas por
nós, mas não pelo grande e Santo Senhor.
Veja a linguagem de Pedro no verso 18:
“...fútil
procedimento...”. Ó quanto essas duas palavras vêm nos humilhar! Mas, o
que o homem no pecado pode oferecer a Deus? O que pode ser retirado de pureza
onde só há imundície? (Jó 14:4). A natureza carnal, o velho homem em Adão
precisa saber que está ligado ao pecado e à morte, é tudo abominação! Ó, caro
leitor, meditemos nisso com coração profundamente contrito! Bebamos esse cálice
amargo da nossa corrupção natural! Saiamos dessa esfera de vaidade, tão
perigosa que tem transportado milhares ao abismo! Corramos imediatamente para o
lugar de confronto com a verdade do evangelho, prostrando-nos perante o Deus de
compaixão!
Caro leitor, que saibamos que nunca
houve, nem haverá qualquer geração que há de gerar santos. Não há esperança no
velho homem, pois tudo dele tem que conhecer a morte e o trabalho soberano é
chamar pecadores da morte para a vida (João 5:24). O evangelho conclama os
homens ao lugar de desespero; toda boca deve estar fechada perante a majestosa
santidade de um Deus Justo. A mensagem do evangelho faz cessar o folguedo e
toda alegria banal; faz silenciar a carnalidade religiosa e desfaz toda força e
preconceito, a fim de que todos os homens saibam que vieram do papai Adão e que
são todos culpados (Romanos 5:21).
A religião moderna põe sua esperança no
homem, e ao firmar nessa mentira, satanás aparece imediatamente com suas propostas
de um mundo melhor, mais adaptado para um viver agradável. Mas, cada vez mais o
desespero aumenta, porquanto onde o homem é exaltado o ambiente fica marcado
pela vileza e maldade. O Senhor Deus não está presente num ambiente onde os
homens querem ao mesmo tempo exaltar a Deus e ao homem. Onde reina a vanglória
humana é ali que satanás é adorado e servido; é ali que traz consigo seu
“caminhão” lotado de novas e engenhosas ideias de um mundo paradisíaco. Mas,
onde Deus é exaltado, a glória será unicamente Dele e o homem desce ao seu
devido lugar.
Ó, caro leitor é no desespero que
podemos conhecer esse misterioso evangelho. Com coração carregado de orgulho,
certamente a luz que teremos não virá do santuário, mas sim deste mundo
perigoso e maligno. Quando achegamo-nos perante a verdade, mesmo com corações
trêmulos, as maravilhas eternas começarão a brilhar diante de nossos olhos.
Veremos que foi pela graça que Ele nos escolheu no Amado, antes da fundação do
mundo (Efésios 1:4); que foi o amor do Cordeiro que O impulsionou a ir até à
cruz, a fim de se entregar ali, para resgatar pecadores culpados, condenados,
réus do fogo eterno, a fim de levá-los para Seu reino eterno de glória!
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