sábado, 18 de janeiro de 2014

“A VELHA, VELHA HISTÓRIA” (2)




SPURGEON
Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.” (Romanos 5:6 )

Agora, queremos repetir novamente perante vós essa importantíssima doutrina que reconhecemos como a pedra angular do sistema evangélico, a mesmíssima pedra angular do Evangelho, essa muito importante doutrina da expiação de Cristo, e logo, sem tentar justificá-la —pois isso temos feita centenas de vezes—, tiraremos ensinos práticos dessa verdade que certamente continua sendo válida entre nós.

Como o homem pecou, a justiça de Deus requeria que se aplicasse o castigo. Deus havia dito: “A alma que pecar essa morrerá”; e a menos que Deus pudesse equivocar-Se, o pecador deve morrer. Mais ainda, a santidade de Deus o requeria, pois o castigo estava apoiado na justiça. Era justo que o pecador morresse. Deus não havia aplicado uma pena mais severa do que a que devia aplicar. O castigo é o resultado justo da ofensa. Portanto, há duas alternativas: ou Deus deixa de ser santo ou o pecador deve ser castigado. A verdade e a santidade imperiosamente requeriam que Deus levantasse a Sua mão e golpeasse o homem que tinha quebrantado a Sua lei e ofendido a Sua majestade. Todavia, Cristo Jesus, o segundo Adão, a cabeça federal dos escolhidos, interpôs-Se como mediador. Ele ofereceu-Se para sofrer o castigo que os pecadores deviam sofrer; comprometeu-Se a cumprir e honrar a lei que eles tinham quebrantado e desonrado. Ele ofereceu-Se para ser a pessoa de importância, a fiança, o substituto, tomando o lugar, o posto e a condição dos pecadores. Cristo tornou-Se no vicário do Seu povo ao sofrer de maneira vicária em lugar deles; cumprindo de forma vicária o que eles não tinham a fortaleza de cumprir pela debilidade da carne em consequência da queda. O que Cristo se comprometeu a fazer, foi aceito por Deus.

No seu devido tempo, Cristo realmente morreu e levou a cabo o que tinha prometido fazer. Assumiu cada pecado do Seu povo e sofreu cada golpe da vara por causa desses pecados. Sorveu num só trago horrível todo o castigo dos pecados de todos os escolhidos. Tomou a taça, pô-la nos Seus lábios, suou como que grossas gotas de sangue quando deu o primeiro sorvo nessa taça, mas não desistiu, mas continuou bebendo até beber a última gota, e volteando a vasilha para baixo, disse: “Consumado é!”, e num só tremendo sorvo de amor, o Senhor Deus da salvação tinha apagado completamente a destruição. Não ficou nem um só vestígio, nem sequer o menor resíduo; Ele sofreu tudo o que devia ter sofrido; terminou com a transgressão e pôs um fim ao pecado. Mais ainda, Ele obedeceu à lei do Pai em todos os seus alcances; Ele cumpriu essa vontade sobre a qual havia dito desde tempos antigos: “Anelo a Tua salvação, oh Deus, e a Tua lei é a Minha delícia” e, tendo oferecido tanto uma expiação pelo pecado como o total cumprimento da lei, subiu ao alto, tomou o Seu assento à mão direita da Majestade no Céu, esperando daqui em diante que os Seus inimigos sejam postos como escabelo de Seus pés e intercedendo por aqueles a quem comprou com o Seu sangue para que possam estar com Ele onde Ele Se encontra. A doutrina da expiação é muito simples. Consiste simplesmente em que Cristo tomou o lugar do pecador. Cristo é tratado como se fosse o pecador, e, portanto, o transgressor é tratado como se fosse o justo. É uma mudança de pessoas. Cristo converte-Se no pecador, coloca-Se no lugar do pecador. Foi contado entre os transgressores. O pecador torna-se justo; coloca-se no lugar de Cristo e é contado entre os justos. Cristo não cometeu pecado algum, mas assume a culpabilidade humana e é castigado pela insensatez humana. Nós não temos justiça própria, mas assumimos a justiça divina. Somos recompensados por ela e somos aceites perante Deus como se essa justiça proviesse de nós mesmos. “A seu tempo Cristo morreu pelos ímpios”, para poder apagar os nossos pecados.


O meu objectivo não é demonstrar esta doutrina. Como disse antes, não há necessidade de estar discutindo sempre o que sabemos que é verdade. Antes, dediquemos umas palavras sentidas, louvando esta doutrina da expiação; e depois apresentá-la-ei para fins de uma aplicação prática, para aqueles que ainda não receberam a Cristo.

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