terça-feira, 20 de agosto de 2013

A GLÓRIA DE CRISTO (2 c)



                             
                                                                
 JOHN OWEN
Há pessoas que dizem que não entendem estas coisas. Além disso, dizem que tal entendimento da glória de Cristo não é necessário para viver a vida cristã prática. A minha resposta a esta objeção é a seguinte:
1. Não há nada mais plena e claramente revelado no Evangelho do que o fato de que Jesus Cristo é a manifestação do Deus invisível, e que ao vê-lO a Ele, também vemos o Pai. Esta é a verdade e o mistério fundamental do Evangelho. Se esta verdade essencial não é recebida e crida, todas as demais verdades bíblicas são inúteis para as nossas almas. Se aceitarmos a Cristo só como um grande professor, mas não aceitamos a verdade do seu caráter único e divino, então todo o Evangelho se converte numa fábula.
2. A razão principal pela qual a fé nos foi dada é a fim de que vejamos a glória de Deus em Cristo e meditando nela sejamos afetados. Se não possuímos este entendimento (o qual é dado pelo poder de Deus a todos aqueles que creem), não conheceremos coisa alguma do mistério do Evangelho. (Veja Ef 1:17-19; 2Co 4:3-6)
3. Cristo é imensamente glorioso e muito acima de toda a criação. É somente através Dele que a glória do Deus invisível é mais plenamente conhecida por nós, e é só por Ele que a imagem de Deus é renovada em nós.
4. A fé em Cristo como Aquele que nos revela a glória de Deus é a raiz da qual cresce toda a prática cristã. Qualquer que não tem esta espécie de fé, não pode ser um Cristão verdadeiro.
Aqueles a quem este ensino pareça algo novo, mas que não são inimigos da verdade da glória de Cristo, dar-lhes-ei os seguintes conselhos:
1. O maior privilégio nesta vida é o de ver a glória do Pai em toda a Sua santidade manifestada em Cristo. Porque esta é a vida eterna: “Que conheçam a Ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3). A menos que você valore isto como um grande privilégio, nunca poderá desfrutá-lo.
2. O conhecimento de Cristo é um grande mistério, o qual requer muita sabedoria espiritual para entender e obter o seu valor prático. A sabedoria humana não nos ajudará totalmente; é necessário que sejamos ensinados por Deus mesmo (Veja-se Jo 1:12-13; Mt 16:16-17). Como o artesão tem de capacitar-se nas técnicas do seu ofício, também nós devemos usar os meios ensinados por Deus com o propósito de nos tornamos crentes hábeis para esta tarefa. A oração fervente é o principal destes meios. Ore como Moisés, para que Deus lhe mostre a Sua glória. Ore como Paulo: “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1:17). As almas frouxas nunca podem obter uma experiência desta glória, mas, para os diligentes, buscá-la é o seu prazer.
3. Aprenda dos ímpios. Quão zelosos são em perseguir os seus desejos pecaminosos e em deleitar-se nas suas concupiscências! Seremos preguiçosos para meditar naquela glória, a qual esperamos ver algum dia mais plenamente?
4. Os Céus  declaram a glória de Deus, mas deles aprendemos pouco da glória divina em comparação com o conhecimento que nos é dado em Cristo Jesus. A gente mais ardilosa e os maiores filósofos estão cegos em comparação com aqueles que são os mais pequenos no reino de Deus mas que conhecem a glória de Cristo.
Então, o que realmente deveríamos desejar é conhecer o poder desta verdade nos nossos corações. Realmente desejamos ter o mesmo gozo, descanso, deleite e a indescritível satisfação dos santos que já estão no Céu? O nosso presente conhecimento da glória de Cristo é o princípio destas bênçãos e quanto mais conheçamos esta glória, mais experimentaremos o seu poder transformador em nossas almas. As coisas espirituais são cada vez mais preciosas para aqueles que meditam nelas e para aqueles que se deleitam de andar nas veredas do amor e da fé.
Três pontos finais surgem do que consideramos:
1. Sabemos que a sabedoria, a bondade, o amor, a graça, a misericórdia e o poder de Deus, são atributos imensamente gloriosos tal como existem Nele. Mas só podem ser realmente entendidos por nós quando tivermos uma visão satisfatória e estimulante destes atributos obrando em favor da redenção da Igreja. Então, os raios da sua glória resplandecem para nós refrescando-nos com um gozo indescritível. Como o Apóstolo Paulo exclamou: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! ... Porque Dele, e por Ele, e para Ele são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém!” (Rm 11:33-36)
2. É por meio de Cristo que cremos em Deus (1Pe 1:21). Então o próprio Deus nas perfeições infinitas da Sua natureza divina é o objeto final da nossa fé. Mas vemos esta glória através de Cristo o qual é próprio Deus e o único caminho designado para revelar a glória de Deus.
3. Cristo é o único caminho para podermos obter o conhecimento salvador de Deus. Os grandes pensadores religiosos do mundo andam às apalpadelas na escuridão do limitado entendimento humano. Como um raio de luz na escuridão da noite cega os olhos em lugar de nos iluminar o caminho, assim a luz do conhecimento de Deus em Cristo resplandece sobre os incrédulos na sua escuridão, e apesar disso não podem ver o caminho por causa da sua incredulidade. “Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (1Co 1:20-24). 
tradução de Antônio Carlos

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