segunda-feira, 2 de junho de 2014

A ENFERMIDADE (11)



 Um sermão de J. C. Ryle


Leva-Lhe cada preocupação e cada problema quando dele tiveres conhecimento. Ele guardar-te-á e conduzir-te-á através de tudo isso. Derrama o teu coração ante Ele, quando a tua consciência estiver carregada. Ele é o teu verdadeiro Confessor. Unicamente Ele pode absolver-te e tirar as tuas cargas. Volta-te primeiro para Ele no dia da enfermidade, como Marta e Maria. Permanece olhando para Ele até ao último fôlego da tua vida. Vale a pena conhecer Cristo. Quanto mais O conheças, mais O amarás. Então, conhece a Jesus Cristo.
(3) Em terceiro lugar, exorto a todos os verdadeiros cristãos que ledes este sermão para que recordeis quanto podeis glorificar a Deus nos tempos da enfermidade, e ficardes quietos na mão de Deus quando estiverdes doentes.
         Sinto que é muito importante tocar este ponto. Sei quão disposto a desmaiar é o coração de um crente, e quão ocupado está Satanás sugerindo duvidas e questionamentos, quando o corpo de um cristão está débil. Vi algo da depressão e da melancolia que às vezes vêm sobre os filhos de Deus quando são subitamente postos fora de combate pela enfermidade, e obrigados a estar quietos. Tenho observado quão inclinadas são algumas pessoas boas a atormentar-se com pensamentos mórbidos em tais situações, e a dizer em seus corações: "Deus abandonou-me: fui lançado da Sua vista."
         Suplico de todo coração a todos os crentes doentes que recordeis que podeis honrar a Deus tanto pelo sofrimento paciente como pelo trabalho ativo. Às vezes, manifestamos maior graça ficando quietos que andar dum lado para o outro, e fazendo grandes façanhas. Suplico-vos que recordeis que Cristo preocupa-Se tanto convosco, da mesma forma, como quando estais doentes ou como quando estais bem, e que o próprio castigo que senteis tão agudamente é enviado em amor, e não em ira. Sobre tudo, suplico-vos que recordeis a simpatia de Jesus por todos os Seus membros débeis. Eles são sempre cuidados com muita ternura por Ele, porém, nunca como quando se encontram no seu tempo de necessidade.
         Cristo teve grande experiência na enfermidade. Ele conhece o coração de um homem enfermo. Ele acostumava ver "toda enfermidade e toda doença no povo" quando estava na Terra. Ele sentiu algo especial pelos doentes nos dias da Sua encarnação. Ele ainda sente especialmente por eles. O sofrimento e a enfermidade, penso frequentemente, fazem os crentes mais semelhantes ao Seu Senhor em experiência, que a saúde. "Certamente levou Ele as nossas enfermidades, e sofreu nossas dores." (Isaías 53: 4; Mateus 8: 17). O Senhor Jesus foi um "varão de dores, experimentado em aflição." Ninguém tem tanta oportunidade de aprender da mente de um Salvador sofredor como os discípulos que sofrem.
(4) Concluo com uma palavra de exortação para todos os crentes, pedindo a Deus de todo coração que a grave nas vossas almas. Exorto-vos a manterdes um hábito de comunhão próxima com Cristo, e nunca tenhais medo de "ir muito longe" na vossa religião. Recordai isto, se desejais ter "grande paz" nos vossos tempos de enfermidade.
Observo e lamento, uma tendência em alguns setores, de rebaixarem o padrão do cristianismo prático, e de denunciarem os que são chamados "pontos de vista extremos" sobre o caminhar diário de um cristão na vida. Inclusive a gente religiosa olha algumas vezes com frieza a quem se separa da sociedade mundana, e censuram-nos como "exclusivos, de mente estreita, não liberais, pouco caridosos, de espírito amargurado," e demais coisas similares. Advirto a cada crente em Cristo que leia este sermão que tome cuidado de não se deixar influenciar por tais censuras. Suplico-lhe, se necessitar de luz no vale da morte, que "guarde-se sem mancha do Mundo," que "decida ir atrás do Senhor," e que caminhe muito perto de Deus. (Santiago 1: 27; Números 14: 24).

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