segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A GLÓRIA DE CRISTO por John Owen CAPÍTULO 2



A glória de Cristo como a única manifestação de Deus para os crentes
A glória de Deus surge desde a Sua natureza santa e das coisas excelentes que Ele faz. Mas só podemos ver esta glória por meio de olhar para Cristo Jesus (2Co 4:6) Cristo é “O resplendor da Sua glória” e “Ele é a imagem do Deus invisível” (Hb 1:3; Cl 1:15). Ele mostra-nos a natureza gloriosa de Deus e revela-nos a Sua vontade para nós. Sem Cristo nunca poderíamos ver Deus nem agora, nem no futuro (Veja Jo 1:18). Cristo e o Pai são um. Quando Cristo Se fez homem, manifestou a glória de Seu Pai. Somente Cristo dá a conhecer aos homens e aos anjos a glória do Deus invisível. Esta revelação é o fundamento sobre o qual a Igreja se edifica e a base de todas as nossas esperanças de salvação e de vida eterna. Aqueles que pela fé não podem ver esta glória de Cristo, não conhecem Deus. São como aqueles judeus e gentios incrédulos do tempo antigo. “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (1Co 1:22-24).
         Desde que a pregação do Evangelho começou, o grande propósito do Diabo foi cegar os olhos dos homens para que não vejam a glória de Cristo. “Mas, se ainda o nosso Evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (2Co 4:3-4) Esta cegueira e trevas são tiradas naqueles que creem no poder onipotente de Deus. “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.” (2Co 4:6)
         Uma grande parte da miséria e do castigo contra a humanidade, por causa da queda de Adão, foram as densas trevas e a ignorância com as quais a mente humana foi coberta desde esse tempo. Os homens e as mulheres têm-se jactado de ser sábios, mas a sua sabedoria não os conduziu para Deus (Veja 1Co 1:21 e Rm 1:21). Os raciocínios dos “filósofos” e dos “entendidos” acerca das coisas invisíveis que estão para lá do entendimento humano não têm salvo a humanidade da idolatria e da prática de toda a espécie de pecados. Satanás é o príncipe das trevas e tem imposto o seu reino de trevas na mente dos homens, mantendo-os na ignorância de Deus. Toda a iniquidade e confusão entre os seres humanos procedem destas trevas e da ignorância de Deus. Deus poderia ter-nos deixado perecer na cegueira e na ignorância dos nossos antepassados, mas trouxe-nos das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9). A glória especial e os privilégios de Israel consistiram em possuir a revelação de Deus (A Palavra de Deus). “Mostra a Sua palavra a Jacó, os Seus estatutos e os Seus juízos, a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação.” (Sl 147:19-20) Não obstante, Deus falou-lhes desde as densas nuvens, porque não podiam compreender a glória que posteriormente tinha de ser conhecida por meio Cristo. (Ex 20:21; Dt 5:22) Quando Cristo veio, foi manifesto que “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1Jo 1:5). Quando o Filho de Deus apareceu em carne humana, Deus manifestou que a natureza divina era uma natureza gloriosa de três Pessoas numa (uma Trindade). A luz deste conhecimento resplandeceu no meio das trevas do mundo de tal maneira que ninguém poderia continuar sendo ignorante acerca de Deus exceto aqueles que não queriam ver. (Veja-se Jo 1:5, 14, e 17-18; 2Co 4:3-4). A glória de Cristo é que Ele revela a verdade acerca da natureza invisível de Deus.

Quando cremos pela primeira vez, vemos Deus, o Pai, em Cristo. Não temos que fazer a petição que Filipe fez. “Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta” porque havendo visto Cristo pela fé, já temos visto o Pai também (Jo 14:8-9). David anelava esta visão: “Ó Deus, tu és o meu Deus; de madrugada Te buscarei; a minha alma tem sede de Ti; a minha carne Te deseja muito ... para ver a Tua fortaleza e a Tua glória, como Te vi no santuário.” (Sl 63:1-2). No tabernáculo havia só uma representação obscura da glória de Deus. Quanto mais deveríamos nós valorizar a visão que temos dela, ainda que seja “como um espelho”! (2Co 3:18). Moisés havia visto muitas obras maravilhosas de Deus, mas ele sabia que a satisfação verdadeira consistia em ver a glória de Deus. Por isso orava: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Ex 33:18). É somente em Cristo que podemos ter uma visão clara e distinta da glória de Deus e das suas excelências.

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