“E
acrescentou: Senhor, lembra-te de mim quando vieres no teu reino”
(LUCAS 23:42)
UMA
PETIÇÃO CHEIA DE FÉ GENUÍNA
Caro leitor,
quantas lições preciosas a graça de Deus nos mostra nesse texto! Agora veremos
que aquela alma foi a Cristo cheia de genuína confiança. Lembremos bem que
somente a fé verdadeira pode aproximar de Deus e que Deus tem prazer na alma
humilhada, que se aproxima Dele de todo coração. O convite de Deus é sempre
dirigida à fé, porque a incredulidade vil é vista do lado de fora, zombando e
desprezando as Escrituras. Essa distinção é vista nos dois ladrões, pois
enquanto um se humilhou, o outro, mesmo à beira do abismo continuou com sua
atitude zombeteira, desdenhando do Senhor, juntamente com toda multidão. Um
desceu para ser erguido e o outro se ergueu para que, para sempre fosse
abatido.
Foi uma fé que
mostrou disposta a se separar. Note bem que aquele moço simplesmente
ignorou a multidão ao derredor, pois fitava com esperança a face daquele ser
bendito que estava pendurado ao seu lado. Para ele tudo ao seu derredor
desabou; o mundo mostrou sua face de desolação e seus planos mundanos de vida
morreram naquele instante. Noutras palavras, ele perdeu completamente a
confiança no homem. A fé verdadeira age assim. Conheci um senhor que decidiu
seguir a Cristo se a sua esposa tivesse o mesmo interesse. Mas a fé verdadeira
é erguida para fora dessa aparência lisonjeira e vil; simplesmente olha para
tudo o que aparentemente é belo e seguro e despreza tudo por causa do Senhor.
Não foi assim com
Raabe? Quando os dois espias chegaram eis que ela imediatamente passou a
confessar sua fé no Deus de Israel. Para ela seu povo doravante seria o povo de
Deus. Para ela aquele povo pagão e perverso de Jericó havia morrido e ela agora
pertencia a outra pátria, sendo o Deus vivo e verdadeiro o seu Deus (Josué 2).
Notemos essa mesma lição em todos os exemplos de fé registrados nas Escrituras.
Vemos, por exemplo o caso de Rute, pois sua decisão de seguir sua sogra
custasse o que custasse era por causa do Deus de Noemi. Foi assim que aquele
moço mostrou o que significa a simples, mas vigorosa e inflexível fé que enche
o coração de um pecador arrependido.
Caro leitor, uma
fé que mantém o homem atado à confiança nos homens, não é a fé verdadeira.
Nosso Senhor confrontou várias vezes com elementos que na aparência mostravam
que criam no Senhor, mas não passava da euforia carnal, de fogo de palha.
Milhares de judeus creram no Senhor, mas essa disposição era momentânea, porque
diante dos homens religiosos tinham medo de confessar que de fato criam Nele.
Em João 12:43 nos é revelado o motivo: “Porque amaram mais a glória dos homens
do que a glória de Deus”. Eis aí a palavra de Deus denunciando a falsa fé. Ela
age assim, pois quando vê as maravilhas de Deus; quando ouve uma mensagem
esclarecedora eis que está pronta a seguir a Cristo, pronta para enfrentar todo
e qualquer obstáculo pelo caminho estreito. Mas quando mira os homens; quando
vê os colegas chegando para criticar; os parentes para desprezar e tendo que
ficar sozinho sofrendo o abandono de tudo e de todos, então volta atrás.
Não foi assim com
Simão? Diante do Senhor mostrou fervor e disposição de enfrentar os rigores
promovidos pelos homens perversos contra o Filho de Deus. Mas eis que quando
presenciou as faces raivosas dos homens, imediatamente se curvou e afastou-se
do Senhor. Quantas pessoas ouviram a Palavra de Deus, temeram no momento, mas
olharam para trás, contemplaram a multidão lá fora e decidiram dar as costas
para Cristo! Quando os pecadores olham para os homens e decidem segui-los,
estão simplesmente declarando que vão andar com a multidão pelo caminho largo e
que o as veredas para o céu são desprezíveis. Aquele moço na cruz não fez
assim, pois mirou somente o Senhor e sua súplica alcançou o coração gracioso do
Salvador bendito.
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