JoãoBunyan
Em segundo lugar, para o bem da igreja. Essa cláusula
engloba tudo o que tende à glória de Deus, à adoração de Cristo, ou ao proveito
de Seu povo; pois Deus, Cristo e Seu povo estão de tal maneira unidos, que se
ora pelo bem de um, a saber, a igreja, se ora necessariamente pela glória de
Deus e pela adoração de Cristo. Da maneira que Cristo está no Pai, os santos
estão em Cristo; e o que toca nos santos, toca na menina dos olhos de Deus.
Orai, pois, pela paz de Jerusalém, e orareis por tudo pelo que deveis orar.
Porque Jerusalém não terá perfeita paz até estar no céu; e não há coisa que
Cristo deseje mais que tê-la ali, no lugar que Deus, por meio de Cristo, lhe
deu.
Assim, pois, o que ora pela paz e o bem de Sião, ou da
igreja, pede na oração o que Cristo comprou com Seu sangue e o que o Pai lhe
deu. Agora, o que ora pedindo isso, há de fazê-lo pedindo abundância de graça
para a igreja; ajuda contra todas suas tentações; pedindo que Deus não permita
que nada a aflija com demasiada dureza; que todas as coisas cooperem para o seu
bem; que Ele lhes guarde, os filhos de Deus, santos e irrepreensíveis, para a
Sua glória, sem culpa no meio da nação maligna e perversa. Essa é a essência da
oração de Cristo em João 17. E todas as orações de Paulo seguiam esse curso,
como mostra o texto bíblico: “E isto peço em oração: que o vosso amor aumente
mais e mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento, para que aproveis
as coisas excelentes, a fim de que sejais sinceros, e sem ofensa até o dia de
Cristo; cheios do fruto de injustiça, que vem por meio de Jesus Cristo, para
glória e louvor de Deus” (Filipenses 1:9-11). Como vês, é uma oração curta, mas
cheia de bons desejos para a igreja, desde o princípio ao fim; para que esteja
firme e persevere, manifestando-se na melhor disposição espiritual, ou seja,
irrepreensivelmente, com sinceridade e sem ofensa, até o dia de Cristo, sejam
quais forem as tentações ou perseguições que passar (Efésios 1:16-21; 3:14-19;
Colossenses 1:9-13).
Em sétimo lugar, a oração se submete à vontade de Deus e
diz, como Cristo ensinou: “Seja feita a tua vontade” (Mateus 6:10). Portanto, o
povo do Senhor deve, com toda a humildade, colocar a si mesmo, suas orações e
tudo o que têm, aos pés do Seu Deus, para que Ele disponha deles segundo melhor
lhe agradar em Sua sabedoria celestial. E tudo sem duvidar que Ele responderá
ao desejo de Seu povo, da maneira mais conveniente para eles e para Sua própria
glória. Por conseguinte, quando os santos oram submissos à vontade de Deus, não
significa que devem duvidar de Seu amor e bondade para com eles; mas sim porque
não somos sempre bem prudentes, e Satanás às vezes pode se aproveitar para
tentar-nos a orar por aquilo que, se alcançássemos, não redundaria na glória de
Deus, nem no bem para o Seu povo. “E esta é a confiança que temos Nele, que se
pedirmos alguma coisa segundo a Sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que
nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe
temos pedido”, isto é, pedindo no Espírito de graça e súplica (1 João 5:14,15).
Pois, como disse antes, a petição que não é apresentada em e por meio do
Espírito, não será atendida, por se apartar da vontade de Deus; pois só o
Espírito conhece essa, e, assim, consequentemente, sabe como orar de acordo com
a vontade de Deus. “Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o
espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as
compreendeu, senão o Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:11). Mais adiante
voltaremos a tocar nesse ponto. Veja, então, em primeiro lugar, o que a oração
é.
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