quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O MÉTODO DA GRAÇA (3)




George Whitefield
“E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.’ (Jeremias 6:14)
         Mas além disso: vós podeis estar convencidos dos vossos verdadeiros pecados, de maneira que eles vos fazem tremer, e mesmo assim serdes estranhos para Jesus Cristo, não terdes em vossos corações a autêntica obra de graça. Portanto, antes de poder falar de paz aos vossos corações, as vossas convicções têm de ser mais profundas. Não tendes de estar convencidos unicamente das vossas verdadeiras transgressões contra a lei Deus, mas também do fundamento das vossas transgressões.
         E qual é? Refiro-me ao pecado original, essa corrupção original que cada um de nós traz ao mundo, que nos expõe à ira e a condenação de Deus. Existem muitas pobres almas que se creem muito razoáveis, não obstante, pretendem afirmar que não existe tal coisa como o pecado original. Acusarão de injustiça a Deus por nos imputar o pecado de Adão, embora tenhamos a marca da besta e do diabo sobre nós. Entretanto, dizem-nos que não nascemos em pecado. Deixem que olhem o que acontece no mundo e vejam as desordens nele e pensem, se puderem, que este é o paraíso em que Deus pôs o homem. Não! Tudo no mundo está desordenado. Tenho pensado muitas vezes, quando saía de viagem, que se não houvesse outro argumento que dê prova do pecado original, os ataques das raposas e dos tigres contra o homem, e se, até o latido de um cão contra nós, é uma prova do pecado original. Os tigres e leões não se atreveriam a atacar-nos se não fora pelo primeiro pecado do Adão; porque quando os animais se levantam contra nós, é como se dissessem: vós pecastes contra Deus, e nós defendemos a causa de nosso Senhor.
         Se olharmos para o nosso interior, veremos muitas lascívias, e o temperamento do homem contrário ao temperamento de Deus. Há orgulho, malícia e desejos de vingança em todos os nossos corações; e este temperamento não pode provir de Deus; provém do nosso primeiro pai, Adão, que depois de cair das mãos Deus, caiu nas do diabo. Algumas pessoas podem negar isto, não obstante, quando chega a convicção, todas as razões carnais são arrasadas imediatamente e a pobre alma começa a sentir e ver a fonte da qual fluem todas as correntes contaminadas.
         Quando o pecador desperta pela primeira vez, começa a perguntar-se: Como é que chegua a ser tão malvado? O Espírito de Deus então intervém, e mostra que, por natureza, não tem nada de bom nele. Então vê que se tem apartado totalmente do caminho, que é totalmente abominável, e a pobre criatura é impulsionada a cair ao pé do trono de Deus, e a reconhecer que Deus seria justo se o condenasse, se o rechaçasse embora nunca tivesse cometido um pecado na sua vida. Havendo sentido e experimentado isto alguns de vós —para justificar que pesa sobre vós a condenação de Deus— que sois por natureza filhos de ira, e que Deus pode, na Sua justiça rechaçar-vos embora, na verdade alguma vez O tenhais ofendido em toda a vossa vida? Se alguma vez haveis sentido uma autêntica convicção, se os vossos corações foram verdadeiramente quebrantados, se o eu realmente vos tem sido extirpado, tereis visto e compreendido isto.
         E se nunca haveis sentido o peso do pecado original, não vos chameis Cristãos a vós mesmos. Estou convencido de que o pecado original é a carga maior do verdadeiro convertido; isto entristece sempre a alma regenerada, a alma santificada. O pecado que mora no coração é a carga da pessoa convertida; é a carga do verdadeiro cristão. Este clama continuamente; ‘Oh! Quem me libertará deste corpo de morte’, desta corrupção que mora no meu coração? Isto é o que mais perturba a pobre alma. E, portanto, se nunca vós sentistes esta corrupção interior, se nunca pensastes que Deus poderia amaldiçoar-vos justamente, então, meus queridos amigos, podeis falar de paz ao coração mas, temo-me que não, estou seguro de que não tendes verdadeira paz.

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