George
Whitefield
“E
curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando
não há paz.’ (Jr 6:14 ACF)
Mas antes de entrar diretamente nisto, me permitam -me
fazer-lhes uma ou duas advertências. A primeira é que dou por adquirido que
vocês creem que a religião é algo interior; que creem que é uma obra no
coração, uma obra realizada na alma pelo poder do Espírito de Deus. Se não creem
nisto, não creem no que diz vossa Bíblia. Se não creem nisto, ainda que tenham
as vossas Bíblias nas vossas mãos, odiiais ao Senhor Jesus Cristo nos vossos
corações; porque em todas as Escrituras se apresenta a religião como a obra de
Deus no coração. ‘O reino de Deus está dentro de nós’ diz nosso Senhor, e ‘não
é cristão o que o é de fora; mas sim é cristão o que o é no seu interior’. Se
algum de vocês apoia a sua religião em coisas externas, possivelmente se
conforme a si mesmo esta manhã, já não me entenderá quando falo da obra de Deus
no coração do pobre pecador, será como se lhes falasse em uma língua
desconhecida.
Além disso, recomendo-lhes cautela, de maneira nenhuma vou
circunscrever Deus a uma só maneira de atuar. De maneira nenhuma diria que
todos, antes de ter feito as pazes com Deus, estão obrigados a passar pelos
mesmos graus de convicção. Não; Deus tem diversas maneiras de atrair os Seus
filhos; o Seu Espírito Santo sopra quando, e onde e como quer. Não obstante,
atrevo-me a afirmar isto: que antes de que vocês possam falar de paz no vosso
coração, quer seja por postergar ou alargar as vossas convicções, ou fazê-lo de
um modo mais agressivo ou mais suave, devem passar pelo que daqui em diante
explicarei no seguinte discurso.
Primeiro, antes de poder falar de paz em vossos corações,
deveis sentir-vos obrigados a ver, obrigados a perceber, obrigados a chorar,
obrigados a lamentar as vossas transgressões contra a lei de Deus. Segundo o
pacto das obras: ‘a alma que pecar, essa morrerá’; maldito é aquele homem, seja
quem for, que não segue todas as coisas escritas no livro da lei para as
realizar. Não só devemos cumprir algumas costure, mas também devemos cumpri-las
todas, e devemos perseverar em cumpri-la; de maneira que o menor desvio do
pacto das obras, seja em pensamento, palavra ou obra, merece a morte eterna às
mãos de Deus. E se um pensamento ímpio, se uma palavra ímpia, se uma ação
ímpia, merece condenação eterna, quantos infernos, meus amigos, merecemos cada
um de nós, cujas vistas se têm rebelado continuamente contra Deus! Portanto,
antes de poder falar de paz aos vosso corações, tendes de ver, tendes que crer,
que desgraça é estar separado do Deus vivente.
E agora, meus queridos amigos, examinai os vossos corações,
porque espero que tenhais vindo aqui com o propósito de melhorar as vossas
almas. Permiti que lhes pergunte, na presença de Deus: sabeis o momento?, ou se
não sabeis exatamente o momento, se sabeis que houve um momento quando Deus
escreveu coisas amargas contra vós, quando as flechas do Todo-poderoso estavam
dentro de vós? Aconteceu alguma vez que a lembrança dos vossos pecados vos
causou dor? Foi a carga dos vossos pecados demasiado intolerável para pensardes
neles? Considerastes alguma vez que a Ira de Deus poderia cair sobre vós com
justiça, devido às vossas transgressões contra Deus? Houve algum momento em
vossas vidas quando vos arrependestes dos vossos pecados? Pudestes dizer alguma
vez: Os pecados sobre a minha cabeça são demasiado pesados para os carregar?
Haveis sentido alguma vez algo assim? Aconteceu alguma vez algo assim entre
Deus e a vossa alma? Se não, em nome de Jesus Cristo, não vos chameis Cristãos;
podeis falar de paz aos vossos corações, mas não tendes paz. Queira o Senhor
despertar-vos, queira o Senhor converter-vos, queira o Senhor dar-vos paz, se é
Sua vontade, antes de que partais deste mundo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário