terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O MÉTODO DA GRAÇA (2)





George Whitefield
“E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.’ (Jr 6:14 ACF)
         Mas antes de entrar diretamente nisto, me permitam -me fazer-lhes uma ou duas advertências. A primeira é que dou por adquirido que vocês creem que a religião é algo interior; que creem que é uma obra no coração, uma obra realizada na alma pelo poder do Espírito de Deus. Se não creem nisto, não creem no que diz vossa Bíblia. Se não creem nisto, ainda que tenham as vossas Bíblias nas vossas mãos, odiiais ao Senhor Jesus Cristo nos vossos corações; porque em todas as Escrituras se apresenta a religião como a obra de Deus no coração. ‘O reino de Deus está dentro de nós’ diz nosso Senhor, e ‘não é cristão o que o é de fora; mas sim é cristão o que o é no seu interior’. Se algum de vocês apoia a sua religião em coisas externas, possivelmente se conforme a si mesmo esta manhã, já não me entenderá quando falo da obra de Deus no coração do pobre pecador, será como se lhes falasse em uma língua desconhecida.
         Além disso, recomendo-lhes cautela, de maneira nenhuma vou circunscrever Deus a uma só maneira de atuar. De maneira nenhuma diria que todos, antes de ter feito as pazes com Deus, estão obrigados a passar pelos mesmos graus de convicção. Não; Deus tem diversas maneiras de atrair os Seus filhos; o Seu Espírito Santo sopra quando, e onde e como quer. Não obstante, atrevo-me a afirmar isto: que antes de que vocês possam falar de paz no vosso coração, quer seja por postergar ou alargar as vossas convicções, ou fazê-lo de um modo mais agressivo ou mais suave, devem passar pelo que daqui em diante explicarei no seguinte discurso.
         Primeiro, antes de poder falar de paz em vossos corações, deveis sentir-vos obrigados a ver, obrigados a perceber, obrigados a chorar, obrigados a lamentar as vossas transgressões contra a lei de Deus. Segundo o pacto das obras: ‘a alma que pecar, essa morrerá’; maldito é aquele homem, seja quem for, que não segue todas as coisas escritas no livro da lei para as realizar. Não só devemos cumprir algumas costure, mas também devemos cumpri-las todas, e devemos perseverar em cumpri-la; de maneira que o menor desvio do pacto das obras, seja em pensamento, palavra ou obra, merece a morte eterna às mãos de Deus. E se um pensamento ímpio, se uma palavra ímpia, se uma ação ímpia, merece condenação eterna, quantos infernos, meus amigos, merecemos cada um de nós, cujas vistas se têm rebelado continuamente contra Deus! Portanto, antes de poder falar de paz aos vosso corações, tendes de ver, tendes que crer, que desgraça é estar separado do Deus vivente.
         E agora, meus queridos amigos, examinai os vossos corações, porque espero que tenhais vindo aqui com o propósito de melhorar as vossas almas. Permiti que lhes pergunte, na presença de Deus: sabeis o momento?, ou se não sabeis exatamente o momento, se sabeis que houve um momento quando Deus escreveu coisas amargas contra vós, quando as flechas do Todo-poderoso estavam dentro de vós? Aconteceu alguma vez que a lembrança dos vossos pecados vos causou dor? Foi a carga dos vossos pecados demasiado intolerável para pensardes neles? Considerastes alguma vez que a Ira de Deus poderia cair sobre vós com justiça, devido às vossas transgressões contra Deus? Houve algum momento em vossas vidas quando vos arrependestes dos vossos pecados? Pudestes dizer alguma vez: Os pecados sobre a minha cabeça são demasiado pesados para os carregar? Haveis sentido alguma vez algo assim? Aconteceu alguma vez algo assim entre Deus e a vossa alma? Se não, em nome de Jesus Cristo, não vos chameis Cristãos; podeis falar de paz aos vossos corações, mas não tendes paz. Queira o Senhor despertar-vos, queira o Senhor converter-vos, queira o Senhor dar-vos paz, se é Sua vontade, antes de que partais deste mundo!

Nenhum comentário: