segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O MÉTODO DA GRAÇA (1)






George Whitefield

“E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.’ (Jr 6:14 ACF)
         Assim como Deus não pode enviar a uma nação ou a um povo uma bênção maior do que a de dar-lhe pastores fiéis, sinceros e retos, assim também a maior maldição que Deus pode enviar a um povo deste mundo, é lhes dar guias cegos, não regenerados, carnais, mornos e não qualificados. Não obstante, em todas as épocas, descobrimos que tem havido muitos ‘lobos vestidos de ovelhas’, muitos que manejavam displicentemente conceitos fundamentais que não haviam assimilado em toda a sua profundidade, que subtraíam importância às profecias, desobedecendo assim a Deus.
         Tal como acontecia no passado, acontece agora. Há muitos que corrompem a Palavra de Deus e a manejam com engano. Foi assim de uma maneira especial na época do profeta Jeremias; e ele, fiel ao seu Senhor, fiel a esse Deus que o havia empregado, não deixou de abrir a sua boca para profetizar contra eles, e para apresentar um nobre testemunho para honra daquele Deus em cujo nome falava.
         Se você ler as suas profecias, verá que ninguém falou mais contra tais ministros do que Jeremias, e especialmente aqui, no capítulo do qual foi tomado o versículo, fala severamente contra eles — acusa-os de vários crimes, particularmente, acusa-os de avareza: ‘Porque’ diz no versículo 13, ‘Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade.’ E logo, nas palavras do texto dá mais especificamente um exemplo de como enganaram, como têm traido as pobres almas. Diz: “E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.’ O profeta, em nome de Deus, tinha denunciado que haveria guerra contra o povo, tinha-lhes estado dizendo que a sua casa ficaria desolada, e que o Senhor visitaria-a terra trazendo guerra. “Por isso’, diz no versículo 11, “Estou cheio do furor do SENHOR; estou cansado de o conter; derrama-lo-ei sobre os meninos pelas ruas e na reunião de todos os jovens; porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho com o que está cheio de dias. E as suas casas passarão a outros, como também as suas herdades e as suas mulheres juntamente; porque estenderei a minha mão contra os habitantes desta terra, diz o SENHOR.’
         O profeta apresenta uma estrondosa mensagem a fim de que se espantem e sintam um pouco de convicção e se arrependam; mas parece que os falsos profetas, os falsos sacerdotes, se dedicaram a sossegar as convicções do povo, e quando sofriam e se sentiam um pouco espantados, preferiam tapar a ferida, dizendo-lhes que Jeremias não era mais do que um pregador entusiasta, que era impossível que houvesse guerra entre eles, dizendo ao povo: ‘Paz, paz’ quando o profeta lhes dizia que não haveria paz.
         As palavras, então, referem-se primordialmente às coisas externas, mas eu creio que também se referem à alma, e se devem aplicar a esses falsos profetas que, quando o povo estava convencido do seu pecado, quando o povo começava a olhar para o céu, preferiam sossegar as suas convicções e dizer-lhes que já eram suficientemente bons. E, é obvio, às pessoas geralmente encanta-as que seja assim; os nossos corações são muito traiçoeiros e terrivelmente ímpios; ninguém a não ser o Deus eterno sabe quão traiçoeiros são. Quantos somos os que clamamos: Paz, paz às nossas almas, quando não há paz! Quantos há que agora estão submergidos nas suas impurezas, que crêem  que são Cristãos, que se gabam de que se interessam em Jesus Cristo; mas se fôssemos examinar as suas experiências, descobriríamos que a sua paz não é mais do que uma paz proveniente do diabo --não é uma paz dada por Deus— não é um paz que escapa à compreensão humana. Portanto, meus queridos ouvintes, é de suma importância saber se podemos falar de paz ao nosso coração. Todos anelamos a paz; a paz é uma bênção inefável; como podemos viver sem a paz? E, por isso, as pessoas de quando em quando têm de comprovar quão longe devem ir, e que coisas lhes têm de suceder, antes de poder falar de paz ao seu coração.
         Isto é o que anelo agora, poder liberar minha alma, poder ser livre do sangue daqueles a quem prego —não deixar de declarar todo o conselho de Deus. Procurarei, com as palavras do texto, mostrar-lhes o que devem sofrer e o que deve suceder em vocês antes de que possam falar de paz ao vosso coração.

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