terça-feira, 1 de outubro de 2013

UM CÃO VIVO, OU UM LEÃO?



“Melhor é o cão vivo do que o leão morto.” (Eclesiastes 9:4)
C. H. Spurgeon
A vida é uma coisa preciosa, e até nas suas formas mais humildes, é superior à morte. Esta verdade é eminentemente certa nas coisas espirituais. É melhor ser o menor no reino dos Céus do que o maior fora dele. O mais insignificante grau de graça é superior ao mais notável desenvolvimento da natureza não regenerada. A alma em que o Espírito Santo enxerta a vida divina tem um precioso depósito que nenhum dos refinamentos da cultura pode igualar. O ladrão que está na cruz sobrepuja a César que está no trono; Lázaro, que está entre os cães, é melhor do que Cícero, que está em meio dos senadores; e o cristão mais iletrado é na presença de Deus superior a Platão. A vida é o distintivo da nobreza nos domínios das coisas espirituais e os homens que não a possuem são só exemplares mais ordinários ou mais finos do mesmo material sem vida que precisa de ser vivificado, pois está morto em delitos e pecados.
Um sermão evangélico, cheio de vida e de amor, embora seja pobre de ideias e tosco de estilo é, entretanto, melhor do que um discurso muito erudito, mas carente de unção e de poder. Um cão vivo vigia melhor do que um leão morto e é mais útil ao seu dono; e, assim também o mais pobre pregador espiritual deve ser muito mais preferido que o eloquente orador que não tem sabedoria, mas apenas palavras, nem poder, apenas ruído. O mesmo acontece com as nossas orações e outros exercícios religiosos; se, ao praticá-los, somos vivificados pelo Espírito Santo, então eles são aceitáveis a Deus por Jesus Cristo, ainda que nós os consideremos inúteis.
Ao passo que, os nossos grandes atos, nos quais o nosso coração está ausente, são na presença do Deus vivente como os leões mortos, meros cadáveres em decomposição. Deus nos dê gemidos, suspiros e ânsias viventes antes que cantos sem vida e calma mortal. Alguma coisa é melhor do que a morte. Os latidos do cão do Inferno manter-nos-ão pelo menos acordados, mas, que maldição maior pode um homem ter do que uma fé morta e um testemunho sem vida? Vivifica-nos, vivifica-nos, oh! Senhor!
Tradução de Carlos Antônio da Rocha
(extraído de NO CAMINHO DE JESUS)

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