“Mas todos nós somos como o imundo...” (Isaías 64:6).
A REJEIÇÃO NATURAL PARA O QUE DEUS DIZ.
Caro leitor, chegou o momento para que
investiguemos mais de perto esse assunto que considero de suprema importância
na pregação. Acredito firmemente que as poderosas da salvação serão
compreendidas na prática quando os homens atuais entenderam no íntimo essa
verdade do seu estado no pecado, assim como um enfermo só procura o remédio ou
médico quando sente as dores de sua enfermidade. Mas ao mesmo tempo é bom
frisar aqui que devido a natureza soberba do pecado temos a tendência de nos
esconder desse assunto e de afastarmos para longe desse ensino tão bem e
perfeitamente tratado na Bíblia. Falo isso porque sei o que é ser examinado
pela poderosa Palavra de Deus e como ela penetrante para destruir todo poder do
orgulho que sempre se manifesta em nossa natureza carnal.
Caro leitor, o fato é que sempre a
natureza corrompida do homem faz comparação. Somos iguais ao pavão, mostramos
nossa beleza na plumagem, mas escondemos nossa feiura dos pés. O que acontece é
que fazemos comparação, pois achamos no íntimo que não somos iguais aos outros,
e assim esquecemos que viemos do mesmo Adão e que temos a mesma natureza tão
inclinada às práticas mais hediondas do pecado. Sempre no íntimo os homens
estão chamando Deus de mentiroso e o que Ele diz a nosso respeito não é
verdade; sempre os homens estão aqui e ali, procurando uma religião a fim de
usá-la para fazer maquiagem espiritual.
Durante esses anos de ministério da
pregação tenho lidado com muitas pessoas e visto as reações delas diante da luz
gloriosa que irradia da exposição da Palavra de Deus, especialmente no tocante
a doutrina da depravação total. Já vi muitos correrem da verdade, porquanto a
Palavra de Deus veio a descobrir seus corações e suas maldades ocultas; já tive
pessoas que passaram a me odiar e me detestarem como pastor, recusando meu
ministério; já conheci pessoas que quiseram fugir literalmente das gloriosas e
poderosas verdades que nos humilham e nos levam ao desespero. Mas tudo isso tem
como objetivo nos levar real conhecimento de nossa miséria; para que nossas
bocas sejam fechadas, que fiquemos mudos diante do horror daquilo que nos
condena cem por cento ao lago de fogo; que nos associa aos mais pavorosos e
horrorosos pecadores deste mundo, declarando que por natureza somos irmãos
deles; que lança fora toda e qualquer esperança em nós mesmos, a fim de que os
pecadores invoquem o Nome do Senhor para serem salvos (Romanos 10:13).
Então caro leitor, acheguemo-nos a
essas verdades com atitudes humildes. Que não busquemos nenhum “perfume” de
outras doutrinas; que despojemo-nos de qualquer justiça própria; que estejamos
atirados nesse “vale de ossos secos” (Ezequiel 37), na esperança de que Deus
use de compaixão para conosco, pois Ele é o Deus de toda compaixão. As portas
dos tesouros eternos da graça só abrem para nós assim que passarmos pelo vale
de nossa desgraça, dos horrores da nossa tragédia, por termos ofendidos ao
Senhor, porque em nossa rebelião vivemos diariamente a esbofetear o Santo, a
desafiar o Todo-Poderoso, achando que somos alguma coisa.
Prego essas verdades constantemente
para aqueles que ousam chegar à igreja e ouvir tais fatos revelados. Eu sei que
multidões estariam prontas a chegar com “flores” e “confetes”, caso eu as
elogiasse e pregasse aquilo que tanto elas na soberba da carne gostam de ouvir.
Mas não faço isso por amor a essas almas; não quero encobrir suas
transgressões, porque é falta de amor; não tenho nenhum interesse em seus bens
nem em seus elogios. Precisamos urgentemente da visitação misericordiosa de
Deus em nossos dias, e isso só acontecerá se houver grande quebrantamento em
nosso meio. Como irá ocorrer isso se eu não pregar acerca do estado tão imundo
do homem no pecado?
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