segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O ESTADO DE IMUNDICIE DO HOMEM NO PECADO (3)




 “Mas todos nós somos como o imundo...” (Isaías 64:6).

A REJEIÇÃO NATURAL PARA O QUE DEUS DIZ.

         Caro leitor, chegou o momento para que investiguemos mais de perto esse assunto que considero de suprema importância na pregação. Acredito firmemente que as poderosas da salvação serão compreendidas na prática quando os homens atuais entenderam no íntimo essa verdade do seu estado no pecado, assim como um enfermo só procura o remédio ou médico quando sente as dores de sua enfermidade. Mas ao mesmo tempo é bom frisar aqui que devido a natureza soberba do pecado temos a tendência de nos esconder desse assunto e de afastarmos para longe desse ensino tão bem e perfeitamente tratado na Bíblia. Falo isso porque sei o que é ser examinado pela poderosa Palavra de Deus e como ela penetrante para destruir todo poder do orgulho que sempre se manifesta em nossa natureza carnal.
         Caro leitor, o fato é que sempre a natureza corrompida do homem faz comparação. Somos iguais ao pavão, mostramos nossa beleza na plumagem, mas escondemos nossa feiura dos pés. O que acontece é que fazemos comparação, pois achamos no íntimo que não somos iguais aos outros, e assim esquecemos que viemos do mesmo Adão e que temos a mesma natureza tão inclinada às práticas mais hediondas do pecado. Sempre no íntimo os homens estão chamando Deus de mentiroso e o que Ele diz a nosso respeito não é verdade; sempre os homens estão aqui e ali, procurando uma religião a fim de usá-la para fazer maquiagem espiritual.
         Durante esses anos de ministério da pregação tenho lidado com muitas pessoas e visto as reações delas diante da luz gloriosa que irradia da exposição da Palavra de Deus, especialmente no tocante a doutrina da depravação total. Já vi muitos correrem da verdade, porquanto a Palavra de Deus veio a descobrir seus corações e suas maldades ocultas; já tive pessoas que passaram a me odiar e me detestarem como pastor, recusando meu ministério; já conheci pessoas que quiseram fugir literalmente das gloriosas e poderosas verdades que nos humilham e nos levam ao desespero. Mas tudo isso tem como objetivo nos levar real conhecimento de nossa miséria; para que nossas bocas sejam fechadas, que fiquemos mudos diante do horror daquilo que nos condena cem por cento ao lago de fogo; que nos associa aos mais pavorosos e horrorosos pecadores deste mundo, declarando que por natureza somos irmãos deles; que lança fora toda e qualquer esperança em nós mesmos, a fim de que os pecadores invoquem o Nome do Senhor para serem salvos (Romanos 10:13).
         Então caro leitor, acheguemo-nos a essas verdades com atitudes humildes. Que não busquemos nenhum “perfume” de outras doutrinas; que despojemo-nos de qualquer justiça própria; que estejamos atirados nesse “vale de ossos secos” (Ezequiel 37), na esperança de que Deus use de compaixão para conosco, pois Ele é o Deus de toda compaixão. As portas dos tesouros eternos da graça só abrem para nós assim que passarmos pelo vale de nossa desgraça, dos horrores da nossa tragédia, por termos ofendidos ao Senhor, porque em nossa rebelião vivemos diariamente a esbofetear o Santo, a desafiar o Todo-Poderoso, achando que somos alguma coisa.
         Prego essas verdades constantemente para aqueles que ousam chegar à igreja e ouvir tais fatos revelados. Eu sei que multidões estariam prontas a chegar com “flores” e “confetes”, caso eu as elogiasse e pregasse aquilo que tanto elas na soberba da carne gostam de ouvir. Mas não faço isso por amor a essas almas; não quero encobrir suas transgressões, porque é falta de amor; não tenho nenhum interesse em seus bens nem em seus elogios. Precisamos urgentemente da visitação misericordiosa de Deus em nossos dias, e isso só acontecerá se houver grande quebrantamento em nosso meio. Como irá ocorrer isso se eu não pregar acerca do estado tão imundo do homem no pecado?

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