Spurgeon
“O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta, como do seu próprio
proceder, o homem de bem” (Provérbios 14:14).
Esta é a
história do homem de bem. Ele “se farta do seu proceder”, mas primeiro tenho de
ler novamente o seu nome. Mesmo sem merecer, para que ele Server? Ele responde:
“Para nada”, mas na verdade ele serve para muita coisa, quando o Senhor o usa.
Lembre-se que ele é bom porque o Senhor o criou de novo pelo Espírito Santo.
Não é este o bem que o Senhor faz? Quando Ele criou a natureza, a primeira
coisa que disse de todas as coisas é que eram muito boas. Como poderiam ser
outra coisa, se foi Ele quem as fez? Assim, na nova criação, um coração novo e
um espírito direito são de Deus e devem ser bons. Onde há graça no coração, a
graça é boa e torna o coração bom. Alguém que tem em si a retidão de Jesus e a
presença do Espírito Santo é bom aos olhos de Deus.
Um homem de
bem está ao lado do bem. Se eu perguntasse quem está do lado do bem, ninguém
passaria a pergunta adiante. Daríamos um passo à frente para dizer: “Eu estou.
Não sou o que deveria ser, ou gostaria de ser, mas estou do lado da justiça, da
verdade e da santidade. Quero viver para promover a bondade e até morrer antes
de me tornar defensor do mal”. O que é a pessoa que o que é bom? Será que é má?
Acredito que não. Quem da verdade ama o que é bom deve ser bom pelo menos em
certa medida. Quem é que luta pelo bem e geme e suspira com seus fracassos, e
orienta sua vida diária pelas leis de Deus? Não são estas a melhores pessoas do
mundo? Tenho certeza, sem orgulho, que a graça de Deus tornou alguns de nós
bons neste sentido, porque o que o Espírito de Deus fez é bom e se nós somos
novas criaturas em Cristo, não podemos contradizer Salomão nem criticar a
Bíblia se ela diz que pessoas assim são boas, mesmo que não nos arrisquemos de
dizer que somos bons.
A história
do homem de bem, então, é que “ele se farta do seu proceder”.
Isso significa,
em primeiro lugar, que ele é independente das circunstâncias externas. Sua
satisfação não deriva do sobrenome, de honras ou propriedades; o que o enche de
contentamento está dentro dele. O hino que cantamos o descreve muito bem:
Não
necessito de procurar
Prazeres,
diversão,
Tenho
uma festa em meu lar,
Em
paz o coração.
Do
céu a Pomba se dispôs
No
peito meu morar;
Descanso
dar ao interior,
Do
amor testemunhar.
Outras
pessoas precisam trazer música de fora, quando o conseguem, mas no peito de
quem está sob a graça vive um passarinho que lhe canta com doçura. Em seu
próprio jardim ele tem uma flor mais suave que qualquer outra que pudesse
comprar no mercado ou encontrar no palácio do rei. Ele pode ser pobre, mesmo
assim não trocaria sua propriedade no reino do céu por toda a pompa dos ricos.
Sua alegria e paz nem mesmo dependem da saúde do seu corpo. (continua)
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