terça-feira, 9 de dezembro de 2014

COMO A CONDUTA DE UMA PESSOA RECAI SOBRE ELA MESMA (8)




Spurgeon
         “O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta, como do seu próprio proceder, o homem de bem” (Provérbios 14:14).
         Esta é a história do homem de bem. Ele “se farta do seu proceder”, mas primeiro tenho de ler novamente o seu nome. Mesmo sem merecer, para que ele Server? Ele responde: “Para nada”, mas na verdade ele serve para muita coisa, quando o Senhor o usa. Lembre-se que ele é bom porque o Senhor o criou de novo pelo Espírito Santo. Não é este o bem que o Senhor faz? Quando Ele criou a natureza, a primeira coisa que disse de todas as coisas é que eram muito boas. Como poderiam ser outra coisa, se foi Ele quem as fez? Assim, na nova criação, um coração novo e um espírito direito são de Deus e devem ser bons. Onde há graça no coração, a graça é boa e torna o coração bom. Alguém que tem em si a retidão de Jesus e a presença do Espírito Santo é bom aos olhos de Deus.
         Um homem de bem está ao lado do bem. Se eu perguntasse quem está do lado do bem, ninguém passaria a pergunta adiante. Daríamos um passo à frente para dizer: “Eu estou. Não sou o que deveria ser, ou gostaria de ser, mas estou do lado da justiça, da verdade e da santidade. Quero viver para promover a bondade e até morrer antes de me tornar defensor do mal”. O que é a pessoa que o que é bom? Será que é má? Acredito que não. Quem da verdade ama o que é bom deve ser bom pelo menos em certa medida. Quem é que luta pelo bem e geme e suspira com seus fracassos, e orienta sua vida diária pelas leis de Deus? Não são estas a melhores pessoas do mundo? Tenho certeza, sem orgulho, que a graça de Deus tornou alguns de nós bons neste sentido, porque o que o Espírito de Deus fez é bom e se nós somos novas criaturas em Cristo, não podemos contradizer Salomão nem criticar a Bíblia se ela diz que pessoas assim são boas, mesmo que não nos arrisquemos de dizer que somos bons.
         A história do homem de bem, então, é que “ele se farta do seu proceder”.
         Isso significa, em primeiro lugar, que ele é independente das circunstâncias externas. Sua satisfação não deriva do sobrenome, de honras ou propriedades; o que o enche de contentamento está dentro dele. O hino que cantamos o descreve muito bem:
                                                        Não necessito de procurar
                                                        Prazeres, diversão,                    
                                                        Tenho uma festa em meu lar,
                                                        Em paz o coração.

                                                        Do céu a Pomba se dispôs
                                                        No peito meu morar;
                                                        Descanso dar ao interior,
                                                        Do amor testemunhar.
         Outras pessoas precisam trazer música de fora, quando o conseguem, mas no peito de quem está sob a graça vive um passarinho que lhe canta com doçura. Em seu próprio jardim ele tem uma flor mais suave que qualquer outra que pudesse comprar no mercado ou encontrar no palácio do rei. Ele pode ser pobre, mesmo assim não trocaria sua propriedade no reino do céu por toda a pompa dos ricos. Sua alegria e paz nem mesmo dependem da saúde do seu corpo. (continua)
                                                       

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