Spurgeon
“O infiel de coração dos seus próprios
caminhos se farta, como do seu próprio proceder, o homem de bem”
(Provérbios 14:14).
O quarto estágio, bendito seja Deus,
afinal é alcançado por homens e mulheres debaixo da graça. Que misericórdia que
eles o alcançam! Aqueles são fartos dos seus próprios caminhos em outro
sentido: são fartos, mas continuam insatisfeitos, miseráveis e descontentes.
Buscaram o mundo e o acharam, mas ele agora perdeu toda a atratividade. Foram atrás
de amantes, mas esses enganadores os iludiram, e eles torcem as mãos e dizem: “Tornarei
para o meu primeiro marido, porque melhor me ia então do que agora” (Oséias
2:7). Muitos viveram à distância de Jesus Cristo, mas agora já não podem
suportar; não são felizes enquanto não retornam. Ouça-os clamar nas palavras do
Salmo 51: “Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito
voluntário” (Salmo 51:12). Todavia, eu lhes digo que não poderão voltar de modo
fácil. É difícil fazer de o caminho do desvio, mesmo que seja curto; andar pela
segunda vez pelo caminho é muito mais difícil que a primeira.
Amados amigos, vamos todos direto para
a cruz, de medo de nos desviarmos:
Volte-se
para o Senhor Deus,
Contrito
coração;
Ele,
a quem se arrependeu,
Dá
graça e perdão.
Confessemos a toda forma e grau de
infidelidade, tudo desvio do coração, toda diminuição do amor, todo
enfraquecimento da fé, todo esmorecimento do zelo, todo entorpecimento do
anseia, toda falha de confiança. O Senhor nos diz: “Voltem”; portanto,
voltemos. Mesmo se não formos infiéis, acheguemo-nos à cruz como penitentes
sinceros, pois é bom permanecer ali para sempre. Ó Espírito do Deus vivo,
mantém-nos em contrição de fé todos os nossos dias.
II. Só
tenho pouco tempo para a segunda parte do meu assunto. Por isso, desculpem-me
se não tento aprofundar-me muito nele. Assim como é verdade que o desviado se
farta do que está dentro dele e da sua maldade, também é verdade que o cristão
que anda nos caminhos da justiça e da fé se torna farto e contente. Aquilo que
a graça colocou nele o fartará no devido tempo.
Aqui, então, temos o nome e a história
do homem de bem. Veja como o chamamos. É digno de nota que , assim como o
desviado geralmente não vai atender se você o chama pelo nome, também o homem
de bem não aceitará o título que lhe é dado aqui. Onde está o homem de bem? Eu
sei que qualquer pessoa aqui que está em ordem com Deus vai passar a pergunta,
dizendo: “Ninguém é bom senão um, que é Deus” (Marcos 10:18). Os bons também
questionarão meu texto assim: “Não consigo estar satisfeito comigo mesmo”. Bem,
prezado amigo, preste bem atenção nas palavras. O texto não diz “satisfeito
comigo mesmo”; nenhuma pessoa realmente boa jamais ficou satisfeita consigo
mesma e, se começa a falar como se estivesse, está na hora de duvidar se ele
sabe do que está falando. Todas as pessoas boas que eu encontrei sempre queriam
ser melhores. Ansiavam por algo mais elevado do que tinham alcançado até ali.
Não concordariam que estão satisfeitas, e certamente não estão mesmo. O texto
não diz que elas estão, mas diz algo tão parecido que todo cuidado é pouco. Se
eu, esta manhã, disser que uma pessoa boa olha dentro de si e fica satisfeito
com o que encontra, deixem-me dizer logo que de forma alguma tenho algo assim
em mente. Eu gostaria de dizer exatamente o que o texto diz, mas não se vou
conseguir, a não ser que vocês me ajudem não entendendo mal, mesmo tendo uma
tentação forte de fazê-lo (continua)
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