Spurgeon
“O infiel de
coração dos seus próprios caminhos se farta, como do seu próprio proceder, o
homem de bem” (Provérbios 14:14).
Não tarda muito e sua fartura alcança
outro estágio, porque, se o infiel está sob a graça, ele acha seu castigo, e
isto de uma vara que ele mesmo fez. Passa muito tempo até que você possa comer
pão do trigo que você plantou: a terra precisa ser arada e semeada, o trigo
precisa crescer, amadurecer e ser colhido, descascado e moído, a farinha
precisa ser amassada e assada. No fim, o pão é trazido à mesa e pode ser
comido. O mesmo acontece com o fruto dos caminhos do infiel, que ele vai comer.
“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso
também ceifará” (Gálatas 6:7). Agora veja o desviado colhendo os frutos dos
seus caminhos: ele negligenciou a oração e, quando quer orar, não consegue;
seus desejos, emoções, fé e súplicas falham; ele fica ajoelhado por algum tempo,
mas não consegue orar. O Espírito de súplicas está triste e não o ajuda mais em
sua fraqueza. Ele toma sua Bíblia, começa a ler um capítulo, mas desconsiderou
a Palavra de Deus por tanto tempo que ela lhe parece mais uma carta morta, que
uma voz viva, mesmo que ela fora um livro doce antes que ele se desviasse. O
pastor também está diferente: antes tinha prazer em ouvi-lo, mas agora o pobre
pregador perdeu todo antigo poder, na opinião do infiel. Outras pessoas não
pensam assim, o salão está lotado, há tantos santos edificados e pecadores
salvos como antes. Porém, o infiel de coração começou a criticar e agora está
preso ao hábito, critica tudo e não se alimenta da verdade. Como um louco à
mesa ele mete o seu garfo na panela, ergue-o, olha para ele, acha defeito nele
e o joga no chão. Ele também não se comporta melhor na companhia dos santos de
que ele antes gostava: Eles são companheiros insossos e ele os evita. Ele está
cansado de todas as coisas que contribuem para sua vida espiritual, ele desfez
deles e agora não tem mais prazer neles. Ouça-o cantar, ou, melhor, suspirar:
Teu
povo está feliz, eu sei,
Eles
gostam de orar;
Às
vezes eu vou lá também,
Mas
sem me alegrar.
Como poderia ser diferente: Ele está
bebendo água da sua própria cisterna e comendo pão de um trigo que ele semeou
anos atrás. Seus caminhos o acharam.
O castigo também resulta de seus atos
em outras áreas. Ele foi muito mundano e organizava festas alegres, e agora
suas filhas cresceram e o entristecem com sua conduta. Ele também cometeu
pecados, e agora que seus filhos seguem seu exemplo, o que ele pode dizer? Ele
pode se admirar? Veja o caso de Davi. Davi caiu em pecado grave, e logo seu
filho Amnon competiu com ele em maldade. Davi matou Urias, o heteu, e Absalão
matou seu irmão Amnon. Davi se rebelou contra ele. Davi destruiu o
relacionamento da família de outro homem de maneira desgraçada, e eis que sua
família foi feita em pedaços e nunca mais voltou à paz. Até em seu leito de
morte ele teve de dizer: “Não está assim
com Deus a minha casa” (2 Samuel 23:5). Ele se fartou dos seus próprios
caminhos. Sempre será assim, mesmo se o pecado já foi esquecido. Se você soltou
uma pomba ou um corvo da arca da sua alma, eles voltarão a você assim como você
os soltou. Que Deus nos proteja de sermos infiéis, para que a correnteza suave
de nossa vida não se transforme uma enxurrada terrível de desgraça. (continua)
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