sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

COMO A CONDUTA DE UMA PESSOA RECAI SOBRE ELA MESMA (6)



Spurgeon
         “O infiel de coração dos seus próprios caminhos se farta, como do seu próprio proceder, o homem de bem” (Provérbios 14:14).
         Não tarda muito e sua fartura alcança outro estágio, porque, se o infiel está sob a graça, ele acha seu castigo, e isto de uma vara que ele mesmo fez. Passa muito tempo até que você possa comer pão do trigo que você plantou: a terra precisa ser arada e semeada, o trigo precisa crescer, amadurecer e ser colhido, descascado e moído, a farinha precisa ser amassada e assada. No fim, o pão é trazido à mesa e pode ser comido. O mesmo acontece com o fruto dos caminhos do infiel, que ele vai comer. “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Agora veja o desviado colhendo os frutos dos seus caminhos: ele negligenciou a oração e, quando quer orar, não consegue; seus desejos, emoções, fé e súplicas falham; ele fica ajoelhado por algum tempo, mas não consegue orar. O Espírito de súplicas está triste e não o ajuda mais em sua fraqueza. Ele toma sua Bíblia, começa a ler um capítulo, mas desconsiderou a Palavra de Deus por tanto tempo que ela lhe parece mais uma carta morta, que uma voz viva, mesmo que ela fora um livro doce antes que ele se desviasse. O pastor também está diferente: antes tinha prazer em ouvi-lo, mas agora o pobre pregador perdeu todo antigo poder, na opinião do infiel. Outras pessoas não pensam assim, o salão está lotado, há tantos santos edificados e pecadores salvos como antes. Porém, o infiel de coração começou a criticar e agora está preso ao hábito, critica tudo e não se alimenta da verdade. Como um louco à mesa ele mete o seu garfo na panela, ergue-o, olha para ele, acha defeito nele e o joga no chão. Ele também não se comporta melhor na companhia dos santos de que ele antes gostava: Eles são companheiros insossos e ele os evita. Ele está cansado de todas as coisas que contribuem para sua vida espiritual, ele desfez deles e agora não tem mais prazer neles. Ouça-o cantar, ou, melhor, suspirar:
                                               Teu povo está feliz, eu sei,
                                               Eles gostam de orar;
                                               Às vezes eu vou lá também,
                                               Mas sem me alegrar.
         Como poderia ser diferente: Ele está bebendo água da sua própria cisterna e comendo pão de um trigo que ele semeou anos atrás. Seus caminhos o acharam.
         O castigo também resulta de seus atos em outras áreas. Ele foi muito mundano e organizava festas alegres, e agora suas filhas cresceram e o entristecem com sua conduta. Ele também cometeu pecados, e agora que seus filhos seguem seu exemplo, o que ele pode dizer? Ele pode se admirar? Veja o caso de Davi. Davi caiu em pecado grave, e logo seu filho Amnon competiu com ele em maldade. Davi matou Urias, o heteu, e Absalão matou seu irmão Amnon. Davi se rebelou contra ele. Davi destruiu o relacionamento da família de outro homem de maneira desgraçada, e eis que sua família foi feita em pedaços e nunca mais voltou à paz. Até em seu leito de morte ele teve de dizer: “Não está assim com Deus a minha casa” (2 Samuel 23:5). Ele se fartou dos seus próprios caminhos. Sempre será assim, mesmo se o pecado já foi esquecido. Se você soltou uma pomba ou um corvo da arca da sua alma, eles voltarão a você assim como você os soltou. Que Deus nos proteja de sermos infiéis, para que a correnteza suave de nossa vida não se transforme uma enxurrada terrível de desgraça. (continua)










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